quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Irmãs e primos


Quando a gente tinha muito pouca idade, eu e a minha irmã caçula brincávamos dizendo que teríamos filhos juntas... Mas aí a vida ficou louca, fomos morar em cidades diferentes, passamos uns perrengues e a idéia se perdeu.

E aí, quando a gente tinha esquecido disso......

A minha irmã caçula, aquela pessoa que eu amo tanto e de quem falo de vez em quando aqui, descobriu no último dia 25 de dezembro, Natal, aqui na minha casa, que também está grávida!!!

Eu tenho passado por algumas dificuldades e angústias nesses últimos dias... Mas tê-la aqui do meu lado me ajudando e cuidando de mim conforta mais do que qualquer outra coisa o meu coração.

Minha irmã, essa pessoa tão especial, tão amorosa, de coração tão doce, de alma tão serena, que sempre me alegrou e me trouxe paz, vai ter um bebê junto comigo!

Mais uma vez nas nossas vidas, seremos eu e ela. Eu sempre disse: pessoas que se parecem muito fisionomicamente - e quem nos conhece sabe o tanto que somos fisicamente parecidas - têm uma ligação especial que vai além do que vemos...

... a vida, mais do que em qualquer outro momento, está nos mostrando isso agora.

Minha irmã querida, minha Nêni: que toda a felicidade esteja dentro da sua barriga. Que sua gestação seja tranquila, alegre e cheia de paz. Estarei do seu lado sempre, como sempre tenho estado. Que bom que serei uma mãe-tia.

Pra você e pro seu bebê:

"Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema (...)
"

(Cora Coralina)

A Lenita, minha irmã, é aquela que fez "a escalada da montanha da vida removendo pedras e plantando flores", como diz também a Cora Coralina, e agora é a vez dela ser feliz!

Eu amo você. Obrigada por tudo... Espero que tudo dê certo e que no final nossas crias corram por aí juntas...



PS: ando assim, toda sentimental...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal a quatro mãos e dois brotinhos de mãozinhas

Enfim, agora estamos de férias.
Entreguei hoje a versão final da minha tese de doutorado e, AGORA SIM, acho que vou conseguir descansar um pouco...
Ó, não é porque é minha não, mas a tese ficou linda!
Recomendo a leitura para quem quiser saber um pouquinho mais sobre plantas medicinais psicoativas e, mais especificamente, sobre as propriedades ansiolíticas e antidepressivas do maracujá. Se você se interessar pelo tema, pode acessar a tese por aqui.

Algumas coisas aconteceram entre a última postagem e esta, como um novo ultrassom pra ver o miúdo - que de miúdo parece que não terá muito... Todos os médicos que vêem o ultrassom dizem a mesma coisa: "Te prepara. Vem aí um bebê bem grandão". Isso porque ele já tem um tamanho maior do que o comum pra idade...

Bom, além de estar de férias, estou feliz.
Uma pessoa muito querida, muito amada, chegou pra reforçar o time: Nêni tá aqui comigo. Vamos passar o Natal em família, com muito bacalhau e comilanças, como manda a tradição portuguesa.

Eu e meu miúdo aproveitamos pra deixar bem rapidinho nossa mensagem de feliz Natal pra todo mundo: que o Natal traga tranquilidade a quem estiver aflito; traga confiança a quem estiver em dúvida; traga esperança a quem estiver se sentindo meio desesperado; traga amor onde houver discórdia; traga entendimento onde houver estremecimento; traga perdão onde houver mágoa, e que todo mundo possa lembrar da velha "boa nova" que nos foi trazida por alguém tão especial...
Fico por aqui hoje, desejando um Natal bem bacana, cheio de crianças e amigos e gente querida e abraços sinceros. Pra finalizar, deixo de lado um pouco a minha veia desbocada para deixar uma mensagem importante:

"Todos os sofrimentos, misérias, decepções, dores físicas, perdas de seres queridos, encontram sua consolação na fé no futuro, e na confiança na justiça divina, que nosso Mestre veio ensinar aos homens. Sobre aquele que, pelo contrário, nada espera após esta vida, ou que simplesmente duvida, as aflições pesam como todo o seu peso, e nenhuma esperança vem abrandar sua amargura. Eis o que levou Jesus a dizer: 'Vinde a mim , vós todos que estais fatigados, e eu vos aliviarei'".

Vá a Ele!
Vá sim!
Encontre a sua maneira individual de ir, mas vá.
Grande abraço!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Grávidas e pesos


... e eu que descolei um pedacinho da placenta porque peguei uma mísera caixa na mudança... ô vida digaçada!


Levantadora de peso chilena não sabia que estava grávida e dá à luz em treino
14/12 às 10h23 O Globo

RIO - Elisabeth Poblete, atleta chilena do levantamento de peso, vive um drama no Brasil. Na terça-feira, ela se preparava para seu primeiro treino em um programa de intercâmbio no Clube Pinheiros quando passou mal. A atleta foi examinada por uma médica, que diagnosticou adiantado trabalho de parto. Por incrível que pareça, Elisabeth estava grávida e não sabia. O bebê nasceu no clube e foi internado em um hospital particular de São Paulo. A atleta, de 22 anos e poucos recursos, não tem dinheiro para pagar a conta.

Para vir ao Brasil, Elisabeth aproveitou uma ajuda financeira do Comitê Olímpico do Chile para participar do programa de intercâmbio. Ela estava subindo de categoria, reforçando a alimentação e a carga de peso. Sobre a gravidez de seis meses, Elisabeth afirma que não sabia. O obstetra Valdemir Resende diz que isso é possível. Segundo ele, hormônios produzidos por atividade física intensa podem mascarar uma gestação.

- As endorfinas têm um grande potencial de aumentar a tolerância à dor e de permitir que a paciente não tenha sintomas específicos da gravidez. O biotipo físico um tanto mais atarracado, com uma pelve mais ampla, permite que o bebe se acomode na cavidade óssea pélvica e a musculatura abdominal fortalecida impede que haja visualização dessa gravidez por meio externo - declarou á reportagem da TV Globo.

Logo depois do parto, mãe e filho foram levados para o hospital. O bebê, que recebeu o nome de Eric José, nasceu com 1,150 quilo e 33,5 centímetros. O último boletim médico diz que ele respira com ajuda de aparelhos e não há previsão de alta. A mãe não deu entrevista por orientação da Federação Chilena de Levantamento de Peso.


... vou te contar...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Carta fictícia de um filho ou uma filha para uma mãe com medo


"Oi mãe, sou eu.
Estou aqui esperando.
E vejo você aí me esperando.
Será um pouquinho longa a espera e estamos ansiosos. Começarão duas vidas ao mesmo tempo, a sua como mãe e a minha como filho ou filha (você ainda não sabe se sou menino ou menina, mas eu já sei... é segredo, me pediram pra fazer surpresa).
Estou sentindo seu medo, e o medo que você está sentindo de que eu esteja sentindo esse medo. Eu estou sentindo sim, mãe, mas não se apavore. Aqui onde estou sou protegido, ou protegida. E consigo entender o medo que você está sentindo, porque também sinto. E assim como sinto o seu medo, também sinto o amor que você já tem por mim e a sua vontade de que dê tudo certo, e isso me dá tranquilidade. Aceito seu medo porque sei de antemão - porque aqui todo mundo me diz isso - que você não é a mulher maravilha, mesmo que tente ser uma. E vejo seu esforço para que fique tudo bem.
Imagino que pra você deve estar sendo difícil a adaptação à idéia de que estou chegando. Pra mim também está. Na verdade, eu tenho mais motivos que você pra ficar com medo. Você está aí já faz um certo tempo, pra mim é que será a grande novidade, e eu sei que o a vida na Terra é um tanto atrapalhada, quando comparada à vida onde estou. Mas combinamos isso, lembra? Combinamos de virmos juntos ou juntas. Combinamos que isso seria o melhor. Então eu estarei com você, contente, porque você estará comigo. Eu te conheço, mãe, e conheço o seu amor: sei que será capaz de tudo por mim. Já deu pra perceber o quanto estará do meu lado e o quanto vai me defender, então fico tranquilo, ou tranquila.
Vai dar tudo certo mãe.
Eu confio em você.
Foi por isso que te escolhi.
Eu sei quem você é. Aqui onde estou consigo ver todos os tempos. Está tudo certo como está, não se apavore.
Você sempre foi corajosa, mãe. Sempre. Será agora também.
Tenha fé e força.
Não se preocupe com o quartinho onde vou dormir, se é grande ou pequeno, se será agradável pra mim ou não: eu precisarei só do seu amor, do seu carinho, da sua proteção, que me dê um banhinho quentinho – porque vou chegar no inverno – e me dê um leitinho.
Não se apavore, mamis, porque vai dar tudo certo.
Você será uma mãe legal, dá pra sentir daqui. É por isso que eu tô indo... eu e todo mundo aqui confiamos em você.
Não chore de medo. A gente vai se dar bem sim, respondendo sua pergunta. Vamos quebrar os ciclos, fique tranquila.
Eu sei que você gosta muito da Clarice Lispector, porque tenho te visto lendo os livros dela. Então olha, selecionei essa pra você: “O medo sempre me guiou para o que eu quero.... E porque eu quero, temo.... Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou. ...O medo me leva ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado."
Não tema. Estou contigo.
Quando eu estou com medo, eu fecho os olhos e penso em você. E meu medo passa.
Então, quando tiver vontade de chorar de medo, feche os olhos e pense em mim. Tô contigo, literalmente.
Outro dia eu vi você lendo isso num livrinho meio véio:
Antes que te formasses no ventre, eu já te conhecia;
antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado

Viu?
Eu já sou seu filho ou sua filha antes de chegar.
E você já é minha mãe faz tempo...
Juntos nós vamos crescer. Física, emocional e espiritualmente.
Daqui a pouco, a gente só vai se reapresentar...
Antes de dormir, vou segurar sua mão.
Segure a minha também.
Vamos juntos, ou juntas, nessa.
Beijo, mãe.
Tô contigo.”

domingo, 13 de dezembro de 2009

Gene tem poder!


Quero um filho ou uma filha com essa cara aí!
Cara e jeito de anjo.
Bem anjinho, bem bonzinho.
Com roupinha bichogrilo de flanela, chinelo e meia, e batendo palminha.
Zóinho puxado, boca grande e sorridente. Bem bonzinho...

Eu tinha uns 2 aninhos nessa foto...

PS: o Frank encontrou essa foto minha e disse: "Mas quem não conhece pensa mesmo que é um anjo". Aí pegou a foto e transformou num anjo mesmo...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Minha vida de bolsas


1997 - Bolsa de monitoria da UNESP na disciplina de História e Filosofia da Ciência

1999 - Bolsa de iniciação científica da FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de SP

2000-2002 - Bolsa de mestrado da CAPES - Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior

2005-2009 - Bolsa de doutorado do CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

2010 - Bolsa Família, pelo jeito...

... a gente perde a pose mas não perde a piada...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Grão de arroz que muda a vida


Faz 1 semana que não escrevo. E tem motivo pra isso. Andei passando por uns momentos muito difíceis. Hoje acordei um pouco melhor e aproveitei pra escrever...

Na quinta-feira passada, dia 03 de dezembro, eu tinha um ultrassom marcado pra ver de quanto tempo estava o baby e pra ver se já dava pra ouvir o coraçãozinho... Só que de quarta pra quinta-feira, no meio da madrugada, acordei pra fazer um xixizinho básico e vi que estava sangrando. Pouca coisa, mas estava.

Que pânico.

Acordei o namorado e corremos pra clínica. Choradeira... Achei que estava perdendo o bebê. O namorado se fazendo bem de forte (porque só depois ele disse que estava se fazendo, porque na verdade estava morrendo de cagaço).

Nesse momento eu comecei a perceber que já era mãe mesmo. Porque o desespero que eu senti ao perceber que podia perder o bebê ali, que já podia inclusive tê-lo perdido, só pode ser coisa de mãe... A sensação de "o que eu faço pra ele ficar?" tomou uma proporção que eu nunca imaginei. Eu fiz a oração mais sentida que já fiz na vida, pedindo pra todo mundo do lado de lá me ajudar pra segurar o filhote, porque eu sentia medo sim, porque eu estava muito apavorada com a nova situação sim, que eu estava mesmo cheia de dúvidas, mas que queria mesmo ser mãe.
Chegamos à clínica e a médica me examinou. Disse que o útero estava bem fechadinho e que era só uma ameaça, que eu não estava abortando. Mas que era importante começar a tomar um tal dum remedinho lá até a 14a. semana e fazer um ultrassom no mesmo dia, pra ver se já não tinha acontecido nada... O ultrassom estava marcado pras 10 horas da manhã. E foi um inferno daquela hora da madrugada até as 10 horas da manhã.
(deve ser assim que as mães se sentem quando o diabo do moleque - ou da moleca - sai de casa, diz que vai voltar tal hora e volta só dali a 4 horas sem atender o celular ou dizer se tá vivo ou morto... ai caramba, se o tal do "aqui se faz, aqui se paga" for real, melhor já ir preparando meu estoque de diazepam dose máxima... serão longas as minhas noites...)

Mas aí as 10 horas da manhã chegaram e nós fomos pro ultrassom. Era um nervoso que não sei explicar. Entrei na salinha, a médica colocou os aparatos pra funcionar, tá lá o negócio no útero. E eu em pânico, com medo de que ela dissesse "Olha, infelizmente ele não está mais aqui...".

E eis que ela diz, com uma voz meio infantilizada (normalmente eu detesto essas vozinhas, mas naquela hora foi a coisa mais querida do mundo): "Ooooooolha que lindinho ele ali. Aquele ali é o seu saquinho gestacional. E aquela partezinha branca é o coraçãozinho do seu filhinho, batendo. Tá tudo bem com ele! " Não sei com o que essa sensação se assemelha... simplesmente porque não tenho nenhum outro termo de comparação... Se você apertar o play do videozinho aí embaixo agora, vai perceber que em determinado momento, a setinha do cursor mostra um pedacinho branquinho. É o coração do nenê. E vai perceber que logo depois a imagem dá uma tremidinha. Sou eu chorando... Porque eu me toquei que eu já tinha mesmo um filhinho...


video
Ele tinha, na hora do exame, 1,5 cm de comprimento. E 5 semanas e 5 dias de existência. Hoje, então, ele tem 6 semanas.
E aí ela perguntou "Quer ouvir o coraçãozinho?"
E aí ela aumentou o som. E começou uma batuquêra! Eu lembro de olhar pro pai do baby e fazer uma cara estranha, do tipo "que mundo é esse caraaaaaa?!". Ele rindo. Com cara de bocó, hahahahaha.

1,5 cm de comprimento. E UM CORAÇÃOZÃO DOS BÃO! 99 BATIMENTOS POR MINUTO, A MINHA CRIATURA! Puxou pra mãe essa criança!

Depois do exame, a gente foi almoçar pra comemorar que o bebê ainda estava ali, grudado com as unhas no meu útero. Comemorar que ele ou ela é teimoso e tem vocação pra alpinista, grudadinho na parede do útero, sem se soltar. E o pai dele fez um desenhinho, num guardanapo, de um grão de arroz (porque ele tinha, no dia, o tamanho de um grão de arroz), com uma chupeta, dizendo: "Ó EU MÃE! NÃO SACODE!". E batemos uma foto em que eu seguro um cartazinho escrito: "SEGURA FIRME, ANTONIO! SEGURA FIRME, LIVINHA". Não consegui escanear o desenho ainda, nem a foto, porque no meio dessa zona toda de mudança, não sei onde está o cd de instalação do scanner. Mas vou colocar aqui sim, porque foi um momento muito especial... (CONSEGUI ESCANEAR O DESENHINHO E AGORA ELE TÁ LÁ EM CIMA!!)

Bem, aí ficou tudo melhor...
O sangramento continuou bem levinho mais uns dois dias, mas depois passou... E soube que foi minha culpa também. Porque eu peguei umas caixas na mudança - porque não me aguento quieta -, fiz muita força e deu um descolamentozinho na placenta. Desculpa ué, tem que dar um descontinho... Eu não sei ainda ser grávida, tô aprendendo. Agora já aprendi: peso, não mais.

Comecei o pré-natal do dia seguinte. Encontrei, por auxílio da minha amiga Shê, mãe do Caetaninho, uma médica tudibão, alto astral, bem zen, adepta das coisas naturais no sentido lato do termo, e me senti bem a vontade. Porque embora eu tenha alisado os cabelos e use uns saltos bem altos, continuo a mesma bicho grilete de sempre... você pode tirar a menina do curso de Biologia, mas nunca tirará o curso de Biologia de dentro da menina. E tá, vou confessar, para desespero dos que não conhecem isso ainda: se tudo der certo durante a gestação, se o bebê ficar bem e se a mãe dele ficar bem também, quero ter o bebê de uma forma bem natural. Parto normal e em casa. Tem um grupo muito bacana aqui em Floripa que faz parto domiciliar. O Caê, da Shê, nasceu assim ano passado. E depois que fui visitá-lo em casa, umas 2 horas após o nascimento, e quando vi a cara daquele bebezinho feliz e tranquilo, deitando no quartinho da casa dele, cercado de amor e gente conhecida, e não de pessoas desconhecidas e mascaradas, comecei a pensar na hipótese. A médica já me passou o site (clique aqui pra conhecer o Parto Domiciliar) e ao longo dos meses quero estudar isso. Mas uma coisa é realmente certa: "Para mudar o mundo é preciso, antes, mudar a forma de nascer" (Michel Odent).

Mas aí os dias foram se passando. E uma mudança começou a acontecer comigo. Bateu uma tristeza, bateu um desânimo, uma depressãozinha... umas coisas estranhas foram acontecendo, pouca vontade de sair da cama, choro intenso, pânico da nova condição, muita coisa misturada. Hormônios, diziam uns. Psicológico, diziam outros. Muita mudança, diziam mais alguns. MEDO, eu digo. De todos os tipos. Vou ter condições financeiras de cuidar do meu nenê? Vou conseguir ser uma boa mãe? Ele vai nascer perfeito? Meu novo relacionamento vai dar certo? Vou conseguir um emprego, mesmo estando grávida? Minha família será bacana ou será uma família em frangalhos?

Mas eu faço terapia.
E defendo a terapia com unhas e dentes.
E acho que o governo federal deveria pagar psicoterapia para todos os contribuintes.
Algo como o SUSM (Sistema Único de Saúde Mental).
Porque saúde mental é tão ou mais importante que saúde física.
E ontem fui conversar com a minha terapeuta. Que é uma pessoa muito especial.
E voltei um pouco mais calma.
E hoje acordei mais otimista.
Mais tranquila.
O fato de não ter a minha mãe pra me orientar nesse momento, confesso, tem me deixado apavorada. Também não tenho uma sogra pra me dar dicas. Ou seja, embora cercada de amigas que tentam me ajudar, me falta aquela figura feminina mais velha e experiente pra me dar as velhas e boas dicas, do tipo: "faz tal coisa pra passar a tontura", ou "vamos comprar tal coisinha porque isso é importante"... Mas, em contrapartida, tenho o apoio e o carinho do pai do grão de arroz, que é uma pessoa muito legal (e de quem tenho judiado um pouco, com esses rompantes depressivos - desculpa!).
Eu, espírita que sou, também vou voltar aos estudos, pra tentar entender melhor esse evento misterioso de ser mãe. Ontem comprei um livrinho que estou adorando... E está me ajudando.

Bom, é isso.
No mais, não consigo sentir cheiro de alguns perfumes (o sabonete líquido de gengibre do nosso banheiro está proibido por tempo indeterminado, bem como outros aromas), tenho tonturas homéricas (por causa de uma baixa pressão que me acompanha nesse início de gravidez), mas não sinto enjôos nem dores nos seios (que não mudaram nada ainda... que coisa, e eu louca pra me ver turbinada!).

Tenho passado grande parte do tempo no quarto, sentada na cama e rodeada por teses, já que estou corrigindo a versão definitiva da minha tese de doutorado. E de vez em quando olho pra sacada e vejo uma montanha verde, linda. E sinto que está tudo bem. Que vou ser uma boa mãe e que meu filho vai ser um carinha (ou uma carinha) criado no meio de coisas naturais e bonitas.

E vâmo que vâmo... Comer bastante esfiha de carne e tomar bastante suco de laranja, que não sei porquê, mas viraram minhas obsessões.

Vou encontrar com minha irmã caçula, uma das madrinhas do baby, na semana que vem (eu acho). Ou eu vou pra lá, porque minha vó e madrinha está internada, infelizmente, ou ela vem pra cá. E esse contato com minha família sei que será o melhor tranquilizante que eu preciso nessa hora...

Enquanto isso: segura firme aí, meu grão de arroz! Se agarra aí! Deixa pra se jogar quando for mais velhinho e a gente for fazer rapel juntos...

PS: Hoje a noite tem a final do LA GONGA. Aquele festivalzinho de insanos, em que todo mundo canta qualquer coisa e faz umas performances mutcholocas. Eu, Chico, Van e Lili - o NABBA - vamos cantar Super Trouper do ABBA. Perucas e maquiagens artísticas e tudo. Temos ensaiado todos os últimos dias... Meu grão de arroz, que já deve andar aqui por perto, deve estar vendo tudo e pensando: "Meu Pai do céu, onde foi que eu descolei essa mãe?!". Calma filho. Vai dar tudo certo. Você vai se divertir um monte nessa vida!

(escrito em 09 de dezembro de 2009)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Que bombardeio, méo Déos!!

Ontem eu acordei passando mal...
Direto pro banheiro botar os bofes pra fora. Até senti uma alegriazinha, "meu primeiro enjôo matinal de grávida".
Ai que bonitinho!
Só que o passa-mal não passava...
Foi o dia inteiro de calafrios, corpo febril e muita dor no corpo.
... pra depois descobrir que era só uma intoxicaçãozinha alimentar básica...
Pô, coisa mais paraguaia!

Mas uma coisa que de falso, de paraguaio, não tem nada, é essa alteração hormonal.
Pôôôrax, é de deixar qualquer pessoa louca mesmo!
Se a gente, que é assim equilibrado, que é assim comedido, que é assim tranquilo, fica tudo alterado, imagina quem já tem os parafusos meio espanados, gente do céu.
Tô num mau humor desgraçado.
O primeiro que me azucrinar corre o risco de ficar sem azorêias...
Tô pra matar um!
Mas como tenho alternado bastante, amanhã é provável que eu acorde feliz e saltitante (o coitado do namorado é quem deve estar fazendo novena pra isso, e olha que ele é agnóstico - daqueles que agradecem a Deus por ter se safado de um acidente, mas diz que é...).

Olha, pra quem não acredita em alteração hormonal, só digo uma coisa: é a droga mais pesada que existe. E dá uma rebordosa alucinante mesmo! Que mané napalm... Ataque químico pra valer é essa enxurrada de hormônio no sangue da gente...
Tô sendo bombardeada!
Socorro!

... coitada da moça da Net hoje...


A Bebé acaba de ligar. Pra dizer que o baby ganhou um monte de presente que ela ganhou num sorteio do trabalho! Esse bixim vai ser mimado, zeeents... E eu quero mais é que seja mesmo, bem mimado.
Bebé aproveitou pra tranquilizar a mãe de primeira viagem aqui, dizendo que essa TPM nível ALERTA-MÁXIMO-GRAU-20-VERMELHO-BORDÔ-PISCANTE-COM-SIRENE é super normal... A Sheila também tinha me avisado.
Mas como diz o Pedro Cardoso: "mas muié é fooooda. Pensa que ela é ela-i-as-côisa" - isso vale muito a pena ver (clique aqui pra ver o vídeo). "A pessoa está nervosa. Põe uma roupa na máquina de lavar, já se acalma"! Eu nem posso pôr roupa na máquina porque não sei onde estão as roupas, não sei onde está a máquina, não sei onde fica a torneira...

Precisando resolver alguma pendência com prestadoras de serviços?
Me liga que eu resolvo pra você.
Tô bem no ponto.
"Me larga que eu tô calma!"
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