31 janeiro 2010

Quem puxa aos seus...


A mamãe cientista-doutora-exotérmica-esotérica foi fazer a numerologia da cria. Até parece que não faria né? Como diz a minha irmã, "comigo é assim, com você eu não sei". Pegou o nome completo da Clara - que não parece um nome, parece um endereço - e lá foi ela...

As características estão divididas em PERSONALIDADE, DESTINO e ALMA

Não é por nada... mas me deu um friozinho na espinha....

PERSONALIDADE (8):Dono de uma incrível força pessoal, esse bebê adora desafios. Com tamanha energia, ele vencerá qualquer obstáculo desde pequeno. Essa criança dará o melhor de si para cumprir cada tarefa em sua vida. Sua calma, no entanto, é aparente. Apenas os que conhecerem muito bem esse bebê poderão perceber que ele necessita de muito apoio familiar e uma vida equilibrada. A você, caberá ensiná-lo a lidar com o dinheiro e a controlar o individualismo.

DESTINO (9): Desde cedo, seu bebê emprestará os brinquedos e ficará feliz quando sentir que pode ajudar os amiguinhos. Prepare a sua casa, pois ela sempre estará cheia de crianças. Comunicativo, ele fará amizades rapidamente. Não se surpreenda se pegá-lo conversando com vizinhos no elevador do prédio ou até com estranhos na rua. Também carismático, ele exerce um poder de atração sobre as pessoas e parece saber disso desde o nascimento. Sua missão é desbravar o mundo em busca de novidades. Por isso, não se iluda: ninguém segurará essa criança. A autoconfiança dela está relacionada com o seu potencial de liderança e a sua compaixão. Tem uma forte opinião a respeito de si mesma e saberá muito bem se defender quando for provocada. Mostre a esse pequeno que você confia nele e o quanto ele é importante. Isso lhe fará muito bem.

ALMA (1): Desde muito pequenino, seu bebê vai surpreender pela energia. Terá um bom desenvolvimento e provavelmente andará primeiro que os coleguinhas. Gosta de ser atendido em suas necessidades e pode chorar muito se isso não acontecer. É um grande candidato a birras precoces, por isso fique atenta e se mantenha firme. Nenhuma criança cresce saudável sem limites. Como gosta de comandar, ele logo fará com que seus amiguinhos sigam a sua liderança. Saberá dividir seus brinquedos, sim, mas somente com quem confia. Necessita e deseja liberdade e, ao mesmo tempo, muita proteção – mais do que você imagina. Apesar de demonstrar coragem, oculta o medo do não-reconhecimento. Nessa hora, vai precisar do seu apoio e do seu amor para transformar os sonhos em realidade.


... não tenho certeza...
... mas acho que já vi isso em algum lugar...
... acho que não é só o narizinho que a Clarinha vai ter da mamãe...

Ui, meda!

29 janeiro 2010

Salve a minha Clara!



"Santa Clara clareou
E aqui quando chegar vai clarear...
Os meus caminhos
Os meus caminhos
Salve Santa Clara!"



"Santa Clara de Assis (em italiano, Santa Chiara d'Assisi) nascida como Chiara d'Offreducci em Assis (Itália), no dia 16 de Julho de 1194, e falecida em Assis, no dia 11 de Agosto de 1253, foi a fundadora do ramo feminino da Ordem Franciscana. Segundo a tradição, o seu nome vem de uma inspiração dada à sua religiosa mãe, de que haveria de ter uma filha que iluminaria o mundo.
Pertencia a uma nobre família e era dotada de grande beleza. Destacou-se desde cedo pela sua caridade e respeito para com os pequenos, tanto que, ao deparar-se com a pobreza evangélica vivida por São Francisco de Assis, foi tomada pela irresistível tendência religiosa de segui-lo."

Por uma infinidade de razões: pelo que o nome significa, pela simplicidade, pela sonoridade e, principalmente, por quem foi Santa Clara de Assis, padroeira da comunicação e fundadora do ramo feminino da Ordem Franciscana.
Hoje nós soubemos quem é esse amor que está sendo gerado aqui na minha barriga.
É a Clara!
Nós fizemos o ultrassom com um médico que nos matou de curiosidade e suspense até o último segundo.
E ao dizer "é MENINA", teve coro na sala. Mamãe e papai dizendo juntos: É A CLARA! Chupando o dedinho...
Prazer gente, eu sou Clara Moreiras Sena Maia Bretas.
Quanta alegria! Tô passada... Nunca mais se esquece um sentimento desse...
Chora, mãe, chora!

22 janeiro 2010

Da categoria dos melhores amigos do mundo

São 16 anos de profunda, carinhosa e dedicada amizade. O que ele fez por mim quando morávamos juntos e o que está fazendo por mim agora são coisas que não se esquece nunca na vida.
Pra você, meu amigo verdadeiro, meu parceiro, meu melhor amigo de todos os tempos, que me levava chocolate quente enquanto eu estudava na madrugada, que me emprestava o taco de beisebol se achava que eu estava em perigo, que ia me buscar em qualquer lugar na hora da roubada, que subia a torre de tv comigo pra gente cantar lá em cima, que quase me matava de adrenalina no jipe, que me ensinou a dirigir e que, agora, está me dando mais apoio que qualquer pessoa de quem eu poderia esperar. Que está comigo quando estou no topo ou quando ainda preciso escalar um montão pra chegar lá. Que acredita em mim e torce por mim sempre. Que acha que eu vou conseguir.

Pra você, meu amigo, todo o meu carinho. Eu sempre disse pra minha mãe: "Pela amizade dele, faço tudo. Ele é o melhor amigo que eu já tive."

Eu tinha razão... Hoje mesmo ela disse isso.

Estamos na estrada juntos há um tempão. E vamos juntos por mais um monte ainda... Mesmo que eu vá de salto e ele sempre descalço (porque ele está sempre descalço...)

É uma honra ser sua amiga. E de "Abutre", meuvéi, você tem não nada, sinto te informar...

Um chêro e um abraço beeeeem demorado.

Da "Boca", sua irmã.

21 janeiro 2010

(...........................)



Parte 1
...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo. (Clarice Lispector)

Parte 2
Educação para a vida deveria incluir aulas de solidão. (Mauro Santayama)

Parte 3
Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas… Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia…. (Nietzsche, gosto dele...)

Quarta e última parte
A solidão não precisa ser aniquilada, ela só precisa de um sentido. Eu não saberia dizer que outra coisa mais benéfica há para isso do que livros. Uma biblioteca com mil volumes é um exército que não combate a solidão, mas a ela se alia. (Martha Medeiros)
...
... são as verdadeiras respostas para a pergunta frequente: "E aí, como você tá?"
Embora eu responda: Tudo bem e vc?

20 janeiro 2010

Portugal não é mais aqui...

17 de janeiro de 2010.
00:30 hs
Ela se foi.
E eu estou muito triste.
Mas me conforta o fato de saber que, daqui a pouco, ela estará feliz. Tem tanta gente querida por lá...
Mande beijinhos a todos, ultramarina, por mim.
E obrigada por ter vindo se despedir de nós.
Eu amo você, minha galdarapa.
Acho que vou morrer sem conseguir aceitar esse negócio de morte. Estava aqui. Agora não está mais. Arthur Schopenhauer diz que quem não tem medo da vida, não tem medo da morte. Eu não tenho medo da morte, da mesma forma que não tenho medo da vida. Não é "medo" a categorial emocional. É indignação. Sou uma indignada com a morte. Sou espírita, mas sempre que os que eu amo vão embora, e eles estão sempre indo, não consigo aceitar resignadamente. A vida não tá nem aí pro fato de nós aceitarmos ou não a morte. Ela faz o que quer... Mas enquanto eu puder manifestar minha indignação, vou manisfestar. Simone de Beauvoir diz que a morte parece menos terrível quando se está cansado. Minha avó portuguesa, então, não deve ter achado nada terrível, porque estava mesmo muito cansada. Mas eu sou como diz John Donne: a morte de cada homem diminui-me, porque eu faço parte da humanidade. Só que eu mudo um pouco o pensamento de Donne e digo: quando os sinos dobram, é por todos nós que dobram... E quando cada um deles se vai, parece que vai junto um pouco de mim.
O que sobrará?
Não há mais Marias Cecílias.
Não há mais Vilas Edes.
Não há mais portuguices...
Por onde andarei agora?
Toda morte me é muito dolorosa. Mas essa está sendo ainda mais. Porque com ela foi-se a minha procedência. Agora só nós, os novos, cá estamos... E o que é um mundo sem eles, os antigos?

Alice Amélia Soeiro. Minha avó. Minha madrinha.

* 10 de novembro de 1924
+ 17 de janeiro de 2010

Portugal não é mais aqui...
... e eu estou escrevendo isso no lugar onde ela estava sentada nessa fotografia...

14 janeiro 2010

Somos fortes. Mesmo quando não precisamos mais ser...

"Sob a direção de um forte general, não haverá soldados fracos" (Sócrates)

Nós, as Moreiras, somos fortes.
São muitas gerações de mulheres.
Todas muito fortes.
Jusfina, Julia, Alice, Fátima, Laura, Ligia, Livia, Lenita, Carolina, Marina, Isabela e a bebê (que eu acho que é menina e que, se for, talvez se chame Clara...)
Sempre fomos fortes. Desde o útero (bebezinho tá fazendo joinha com a mãozinha, concordando).
Passamos pelas coisas, as coisas não passam por nós.
Fomos ensinadas e ensinamos a sermos fortes.
Mesmo nas situações em que não precisamos ser tão fortes assim...
E isso às vezes traz uma dosezinha de sofrimento a mais...

Vó, sei que é forte. Somos todas do mesmo sangue... Mas não se segure em nós que estamos aqui. Olhe quem está lá... Aqui ficaremos todas bem, porque metade da cavalaria estará junta em outro lugar olhando por nós.

Não se preocupe mais com a gente... A gente se segura. Eu amo você. Você sempre soube. Sempre fiz questão de te dizer...


PS: A Laurinha não está na foto porque é ela quem está tirando... Essa foto foi tirada no Natal de 2008, quando encanamos que tínhamos que fazer um Natal com a vó...



11 janeiro 2010

Tristeza da jeca




Sinto saudade do seu frescor
Da alegria da sua presença
E dos amigos que em volta de ti se reuniam
Sinto saudade da sua cor e do seu cheiro
E das tantas desculpas que eu arrumava para te encontrar
Você estava junto de mim nas comemorações,
Aliviava-me nas mágoas,
Relaxava-me em dias difíceis,
Refrescava-me em dias de corpo quente e sedento
E no dia em que soube que minha vida mudara definitivamente, não pude comemorar contigo...
Mas conforto-me na esperança do reencontro, ainda que muitos meses nos separem
Porque eu escolho ficar longe de ti por um tempo
E a causa é nobre, isso me conforta...
Mas sei que um dia estaremos juntas novamente
E neste dia então
Contigo em minhas mãos
E sentindo seu saudoso cheiro
Proclamarei a todos que estiveram ao meu lado
O quanto senti tua falta
E te levarei à boca
E te engolirei inteira
Minha amada CERVEJA!

... não filho, mamãe não é alcoólatra. Ela tá só com saudadinha de sentar num botequinho com os amigos pra tomar uma cervejinha nesses dias de verão. Mas só de saber que assim você está mais protegido, mamãe fica tranquilona...
E outra. Bebida alcoólica na gravidez não é proibido.
Claro que a grávida pode beber!
Ela pode beber sim!
Se quiser um bebê fraquinho, de baixo peso, com problemas imunológicos ou má-formações de todos os tipos...

Saca só:
"Entre as substâncias conhecidas como teratógenas, o álcool é, provavelmente, o mais
estudado. Na Inglaterra da primeira metade do século XVIII, quando o consumo de gim era disseminado,as crianças nascidas de mães etilistas foram descritas como fracas, débeis e desatentas. Mesmo assim, até o início do século XX a idéia de que beber durante a gravidez poderia prejudicar o desenvolvimento do feto era interpretada como
moralista. Os efeitos teratógenos relacionados ao uso de álcool foram inicialmente descritos em 1968,mas só em 1973 foi definido um padrão específico de malformações nas crianças nascidas de mulheres etilistas, denominado de síndrome alcoólica fetal (SAF). A SAF é uma condição irreversível caracterizada por anomalias craniofaciais típicas, deficiência de crescimento, disfunções do sistema nervoso central e várias malformações associadas
".

Quer saber mais sobre os efeitos reais do álcool sobre o feto? Clique aqui e leia. É um artigo científico publicado em 2005 na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. E olha que ele tá bem levinho...

Agora vai lá, macha corajosa!
Vai lá tomar sua cachacinha vai...

Eu vou ali tomar um chá gelado!
Feliz da vida!

09 janeiro 2010

Os alquimistas estão chegando


A safra 2010 de bebezões começou a chegar.
O portão lá de cima se abriu e eles estão descendo.
E já chegou o primeiro: Henrique!
Abriu o portão pros outros dois que ainda virão esse ano e chegou arrasando!
Filho de gente especial, de gente do bem, de gente feliz, de gente parceira, de amigos queridos, ele não podia ser diferente: tranquilo, lindo, cheio de saúde.
Henrique, seja bem vindo a esse mundo! A tia vai estar sempre por perto, mesmo quando estiver longe. Você vai ser muito feliz.
Li e Pedro. Estamos juntos nessa, meus amigos! Em mais uma das tantas em que estivemos juntos. Vê-los juntos e ver a maneira como vivem ajuda a manter acesa em mim a esperança naquilo que alguns já desacreditaram: a família. Acho que uma família só é possível de ser montada quando há pessoas como vocês nela, vivendo da maneira como vivem.

"Deus é alegria. Uma criança é alegria. Deus e uma criança têm isso em comum: ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos. Deus vê o mundo com os olhos de uma criança.Está sempre à procura de companheiros para brincar." (Rubem Alves)

É por isso que eu acredito nas coisas do céu... Porque quando alguns estão se preparando pra desatar as amarras dessa vida, outros chegam pra nos trazer alegria.

Eles estão chegando...
Escolhem com carinho a hora e o tempo do seu precioso trabalho. São pacientes, assíduos e perseverantes. Trazem consigo cadinhos, vasos de vidro, potes de louça. Todos bem e iluminados. Evitam qualquer relação com pessoas de temperamento sórdido...

Os alquimistas estão chegando...

06 janeiro 2010

Os grilinhos do quintal estão cantando muito baixo



"Tem grilinhos, tem grilinhos, tem grilinhos no quintal.
Ora come pouquixinho que lhe pode fazer mal...
"

"Ó Laurindinha, vem à janela.
Ó Laurindinha, vem à janela.
Venha ver seu amor, ai ai ai , que ele vai pra guerra.
Venha ver seu amor, ai ai ai, que ele vai pra guerra
".

Hoje eu queria que passassem Pinho Sol no meu pé antes de dormir...
E queria comer agora uma fritada de ovos com batatas cortadas em rodelas bem fininhas.
Encarava até um arroz doce com gosto de sabão em pó.
Ou aquela mortadela que ficava em cima da mesa...
Ou até o pão amanhecido com a margarina com pazinha de madeira.
Faria tudo, se isso a fizesse melhorar.

... eu sei que essa tal de morte sempre chega...
... mas os avós deveriam ser isentos disso.
É por isso que às vezes eu não acredito em Medicina. Porque eles nunca conseguem salvar os avós...

"Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar me, e novas esquivanças;
que não pode tirar me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que n'alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porquê
."

Luis de Camões, português como ela.


Ela, que não era, deu origem a 11 Moreiras, com s no singular...
Ninguém vai tirar nunca isso dela.
Aguenta vó.
Tem mais dois Moreirinhas pra chegar...

04 janeiro 2010

Coisa que dá força é isso



video

Olha aí a minha cria! Como tá grande... 
Tenho sangrado razoalmente nos últimos dias. Então na hora de fazer o exame dá um certo pavor de não saber se ele está lá ainda ou não...
Mas ele tá, meu bebê tá lá. É um bebê forte e guerreiro. E olha como se mexe!
Nesse ultrassom eu chorei muito. É um medo incomparável esse de perdê-lo, não sei nem explicar...
Gandhi disse: "A força não vem da capacidade física, ela vem de uma vontade inabalável".
E nós temos uma vontade inabalável. Uma vontade inabalável de sermos mãe e filho.
Nunca esperei tanto por três semanas, pra que o perigo de perdê-lo passe definitivamente.
Acho que ele está lá dançando sozinho e pensando na vidinha. Vai ver que é um ser evoluído que não tá nem aí pra confusão que tá aqui do lado de fora
Li num livro: "Quanto mais o feto mexe, mais tranqüila a mãe deve estar, pois os movimentos estão ligados diretamente a boa vitalidade fetal." Bom, ou o livro tá errado, ou  meu filho realmente não é como qualquer feto, porque de tranquila não tenho tido nada.
Mas embora eu esteja muito insegura, com medo, esperando esse perigo passar logo, quando faço os ultrassons e vejo que ele está bem, fico muito mais forte.
É, literalmente, uma força que vem de dentro.

03 janeiro 2010

Aceitação

Meu padrão de comportamento: rebelar-me contra situações angustiantes que vez por outra vivo, e usar a revolta como força motriz para suplantar a angústia e dar a volta por cima.
Sempre foi assim.
Até agora.
E sempre deu certo.
Até agora.
Dar certo, que digo, é alcançar o resultado esperado ao fim, mas com grande dose de desgaste e sofrimento no caminho...
Vivi emoções intensas durante a minha vida, muitas delas boas e felizes, outras difíceis e amargas. Mas sempre, independente da conotação atribuída, senti que elas passariam uma hora.
Estou vivendo aquele que tenho considerado o período mais difícil de toda a minha curta vida de 31 anos. Em nenhuma outra situação todas as qualidades de sentimentos que conheço estiveram assim tão presentes e misturadas e confundidas. E o que me amedronta é tudo ter acontecido como uma avalanche e uma vida ser total e irreversivelmente modificada de uma hora pra outra. São muitas e intensas mudanças que nem toda a força racional de um ser poderia dar conta de uma maneira equilibrada.
Sinto o maior paradoxo que acho que pode ser possível: sei que nunca serei como era antes e, ao mesmo tempo, sei que sempre serei a mesma pessoa.
Volto ao início desse texto, quando disse que me rebelo contra situações angustiantes que vez por outra vivo, para dizer que, enfim, desisti desse padrão de comportamento.
Estou desistindo, agora, desse modus operandi.
Desisto de rebelar-me contra as intempéries que surgiram e passo a aceitar tudo como um caminho que preciso percorrer para me libertar. Aceito tudo o que me está sendo dado. Aceito agora e resigno-me a essa condição.
Não estou falando da minha gravidez.
Estou intensamente feliz pelo fato de que serei mãe. Saber que vou experimentar o maior grau do amor que é possível ser vivenciado por uma mulher é realmente uma coisa sublime para pessoas como eu. E não vejo a hora de ver o rostinho do meu filho...
Aceito todo o resto que me aconteceu concomitante à notícia de que serei mãe, e desisto da revolta.
Agora estou pronta para aceitar tudo que me está sendo dado.
Não me rebelarei mais.
Não lutarei contra.
Estou no rio e deixo agora que a correnteza me leve para onde eu tenho que ir.
Não finco mais unhas, não enterro mais minhas raízes, me solto para que eu vá para onde devo.
Aceito a incerteza, aceito a dúvida, aceito a tristeza pela incerteza e pela dúvida, aceito qualquer dificuldade pela qual tenha que passar. Aceito ter que me desfazer das coisas pelas quais lutei, porque elas são apenas coisas. Aceito a mudança de planos, porque eles são apenas planos e não são uma vida. Aceito ter que me moldar a novas situações, porque a capacidade de me moldar às coisas me fará mais forte. Aceito a solidão, porque ela me mostrará que a verdadeira companhia é somente a nossa própria. Aceito ter me comportado de maneira tão irresponsável, e me perdôo por isso, porque sou humana e passível de erros (e isso é um grande avanço pra mim, porque dificilmente me perdôo quando deslizo...). Aceito o sentimento de injustiça, porque não somos ninguém pra dizer se formos injustiçados ou não, já que estamos apenas no primeiro andar desse edifício de 100 metros e não temos a visão real do todo. Aceito essa sensação de retrocesso, porque talvez tenha que retroceder para refazer as coisas de uma forma melhor. Aceito o desvio de percurso, porque talvez o caminho antes traçado não me levasse à felicidade. Aceito a dificuldade. Porque ela me fará valorizar todas as coisas que eu conquistar daqui pra frente. Aceito qualquer coisa que seja necessária agora, mesmo que me cause sofrimento psíquico. Porque sei que sairei mais forte e mais bonita.
E aceito tudo isso porque finalmente estou aprendendo que não adianta a revolta.
A revolta piora, a revolta adoece, a revolta me faz sangrar. Literalmente.
Aceito tudo e não temo mais nada.
O que tiver que acontecer comigo vai acontecer.
Pra onde tiver que ir, eu irei.
Porque estou aprendendo que não somos ninguém e não sabemos nada sobre nada.
Aceito e resigno-me, a partir de agora, porque sei que toda essa experiência deve ter uma grande finalidade. Porque estou entendendo agora que o sofrimento cura feridas antigas. Porque estou sentindo que preciso passar por isso e que isso é necessário para meu amadurecimento e crescimento pessoal. Porque não quero amadurecer apenas no corpo, mas também na mente, e isso será necessário. Quero ter rugas, no futuro, que valham a pena, que dêem a real medida do meu amadurecimento psíquico e mental.
O fato de aceitar não quer dizer que não farei a minha parte para mudar a situação. Farei. E farei com garra e com dedicação, como sempre faço em momentos de crises.
Mas aceito tudo isso e viverei todos os dias que forem necessários dessa situação se isso me tornar uma pessoa melhor, pronta pra educar o meu filho ou minha filha com amor, com confiança e sem medo de tempestades. Se isso for necessário para que eu confie em mim como pessoa, como profissional e como uma futura mãe. Se isso for necessário para aguentar qualquer coisa que venha daqui pra frente, por ele (ou ela), e nunca deixá-lo sozinho.
Eu preciso disso para me dar a real medida das coisas sobre quem eu sou e o que eu posso fazer.
Nesse momento, eu me calo e me retiro dessa vida que vivi até agora.
E na quietude do meu isolamento, vou me reconstruir e me preparar.
E quando eu voltar, vou voltar forte.
E nada me derrubará.
Porque precisarei ser forte e sólida pra dar força e solidez à vida do meu filho, pra que ele se sinta sempre respaldado e resguardado.
Despeço-me agora das cabanas de palha e de madeira e preparo-me para construir minha casa de tijolos. Desde a terraplanagem do terreno. Desde a fundação. Aprendi que de nada adianta casa arrumada em fundação instável.
Sinto que virão dias difíceis pela frente...
Mas vai chegar o dia, não muito longe, que eu vou sentir que tudo passou.
Vou sentar, olhar à volta e dizer “Passou...”
E vou sentir que toda essa desordem teve um propósito: a de me fazer crescer.
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