Semana passada rolou no Twitter uma frase que , na hora que li, gostei.
Dizia, mais ou menos, que o Twitter parecia um pátio de hospital psiquiátrico: um monte de gente falando sozinha e, de vez em quando, alguém respondia...
Essa frase ficou na minha cabeça alguns dias.
Fiquei pensando que a internet era mesmo mais ou menos isso...
Pensei nos blogs e nos blogueiros. E também pensei em mim.
O blog tem sido, pra mim, um espaço de divulgação de ideias, de compartilhar coisas, de desabafar. Tenho a impressão de que, expressando o que eu penso dessa maneira, as coisas se acumulam menos...
E aí pensei que, na grande maioria das vezes, estou mesmo falando sozinha.
... isso até visitar o MAMÍFERAS, o blog que menciono no post anterior, e ver os comentários que foram feitos sobre o meu texto.
Fiquei aqui pensando...
Pensando que tem tanta gente que pensa igual, né?
Tanta gente que vive as mesmas coisas...
Tanta gente que sente as mesmas coisas...
Tanta gente espalhada pelo mundo... e de alguma forma conectada...
E de repente, não mais que de repente, achei a frase com que começo esse post muito reducionista...
Porque quem disse que o povo que fala "sozinho" nos hospitais psiquiátricos está, realmente, falando sozinho?
O fato da gente não ver, não significa que não exista alguém ali...
Como a rede mundial...
E de repente, a sala da minha casa se encheu de gente!
Estava aqui a Andrea, que também teve parto domiciliar.
Estava aqui uma moça que se denomina MULHER, que tem orgulho de mulheres fortes.
Estava aqui a Carol, que quer que eu volte pra contar como foi a chegada da Clara.
Estava aqui a Lilis, que também é bióloga, doutora em ecologia, e que passou pela mesma situação que estou passando agora. E deu tudo certo com ela!
Estava a Cibele, mas ela sempre está mesmo...
A Iara também estava, e lá na casa dela também é assim, vencendo um medo de cada vez.
Estava o Olavo, que se emocionou (como eu).
Estava a Thaisinha, que também teve parto humanizado.
Estavam também ELA, Ananda, Anseios, e mais algumas pessoas que passaram, conversaram com a leitura e não deixaram comentários.
Um monte de gente que eu não conheço, que não está fisicamente aqui perto, mas que é como se estivesse... Um monte de gente conversando entre si, mesmo que as vozes não sejam fisicamente ouvidas.
Puxa vida.
Que bom não ver vocês, mas sabê-los aqui.
Acreditem: estou aí também!
Gonzaguinha estava, mesmo, certo, e foi por isso, também, que escolhi uma música dele pra abrir a minha tese. Toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas. E é tão bonito quando a gente entende que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá. E é tão bonito quando a gente sente que nunca está sozinho por mais que pense estar.
Páginas
- Início
- Gravidez, Parto e Pós-Parto
- Amamentação
- Maternidade Consciente
- Medicalização da vida
- Violência no parto
- Outros temas
- Pesquisa: Violência no parto
- Você quer um parto normal?
- BAZAR COISAS DE MÃE!
- A autora
- Livros sobre gestação, parto, maternidade. AQUI TEM!
- Música bacana para as crianças: TEM TAMBÉM!
terça-feira, 27 de abril de 2010
segunda-feira, 26 de abril de 2010
"Aqui, meu caro, mando eu!" - Texto publicado no blog Mamíferas
Alegria é ver um texto meu no blog MAMÍFERAS!
O MAMÍFERAS é um blog ótimo sobre o mundo de quem quer viver ou vive essa coisa maravilhosamente doida que é a maternidade.
Você pode clicar aqui e dar uma espiada lá pra ler meu texto e aproveitar pra ver que bacana que é o blog!
Caso queira ler por aqui mesmo, aí embaixo segue o texto publicado lá.
Minha história de gravidez é, como todas as gestações?cheia de emoção. E ela aconteceu num momento muito singular da minha vida.
Fiz graduação em Biologia, seguida de mestrado em Psicobiologia e de um doutorado em Farmacologia, sempre visando conseguir chegar lá! Esse era meu único e grande objetivo. Enquanto isso, na sala de justiça, tive alguns namorados e fui casada durante 5 anos com uma pessoa que nutria um grande pavor de ter filhos. Eu deixava isso pra lá e seguia minha vida, estudando e me preparando. costumava me esconder na frase: Não estou preparada para ser mãe. (embora todo o aparato já estivesse aqui, só esperando para ser ativado).
Em 23 de outubro de 2009 defendi finalmente minha tese de doutorado. Na mesma semana, alguns dias antes, oficializei um namoro. Um companheiro alegre, bem humorado, de bem com a vida e já com dois filhos. Para um tratamento de pele mudei de anticoncepcional com orientação médica, não me adaptei ao novo e precisei fazer uma pausa para começar um terceiro. Uma pausa de 1 mês para quem tomava anticoncepcional há 14 anos.
Dia 22 de novembro, quase um mês depois, tive uma tontura monstruosa e pensei: “Puts, lá vem uma crise monstro de labirintite”. Fui ao médico no dia seguinte, 23 de novembro, exatamente 1 mês depois de receber o título de doutora e estar preparada para prestar os concursos pelos quais eu havia esperado tanto. Às 15 horas eu soube: não era nada de labirintite não… Eu estava grávida! E minha filha havia sido feita exatamente no dia da minha defesa de doutorado! Isso é que é diploma.
E isso é que é um grande choque, também… Uma gravidez não planejada, num momento não esperado. Desempregada, em início de namoro, sem saber o que faria dali por diante, nem se precisaria mudar de cidade, se conseguiria prestar os concursos e… mais importante: sem saber se eu contaria ou não com o apoio do namorado. Soube a resposta para essa última dúvida 20 minutos depois, quando ele apareceu em casa a meu pedido e, ao saber da bombástica notícia, abriu os braços, começou a chorar e disse: “Parabéns, meu amor! A gente vai ter nenê!”, me deixando com cara de tonta ali, parada, olhando e chorando.
Bem, desde então comecei a viver um turbilhão de mudanças. Muito mais emocionais que físicas, embora minha barrigona esteja imensa e minhas glândulas mamárias em alta produção.
Tive dois descolamentos de placenta no início da gestação, ouvi coisas aterrorizantes dos médicos com a expressão “ameaça de aborto”, precisei fazer repouso, sofri com a falta de grana, desenvolvi uma certa rejeição ao namorado – que felizmente passou, embora tenha causado um grande sofrimento a ele –, perdi minha avó e madrinha, tudo isso no primeiro trimestre da gravidez. Mas, também no primeiro trimestre, grandes alegrias vieram: minha irmã caçula engravidou também – 3 semanas a menos que eu – e minha bebê se agarrou com unhas e dentes fictícias e eu consegui segurar a gravidez.
No segundo trimestre, toda a força biológica e psíquica que está latente em todas nós e que nos move à maternidade chegou com tudo: virei um bicho doido que fazia trocentas coisas ao mesmo tempo, estudava pros concursos, limpava casa, namorava, passava as madrugadas acordada preparando as coisinhas pra nossa filha… E essa força biológica e emocional foi me tornando uma pessoa consciente do meu corpo, consciente do significado de estar grávida, da grande dádiva que é ser capaz de produzir um pequeno corpinho, com seu espírito e sua mente ligados a você 24 horas por dia.
E decidi que, se eu sentia tudo isso assim, tão natural, tão biológico, tão simplesmente ligado à vida, era assim que eu queria criar a minha filha. Desde a sua chegada ao mundo. E então decidi que ninguém iria me internar em nenhum lugar quando chegasse o momento da Clara nascer, porque eu não estou doente: eu estou na minha forma mais saudável, sendo capaz de gerar alguém.
E aí decidi que teria minha bebê de parto natural. Humanizado. E em casa.
Se eu ouvi críticas? Ah, muitas… De todos os tipos, das críticas mais leves às ameaças mais ignorantes. Meu namorado ficou meio apavorado com a ideia. Então, respeitando a opinião dele e entendendo a sua resistência, fomos juntos em uma palestra altamente esclarecedora, sobre o que é o parto domiciliar. E que grande alegria eu vivi ao final da palestra, vendo o mais novo adepto do parto natural humanizado planejando onde colocaríamos a piscina quando chegasse a hora e ensaiando o que ele faria para me ajudar.
Aí as pessoas me perguntam se eu não tenho medo da dor, se não tenho medo de que algo dê errado, se não tenho medo de não conseguir, se não tenho medo de que minha bebê sofra durante o processo.
Claro que eu tenho medo de tudo isso. Eu sou mamífera, sou humana. Mas medo nunca foi uma coisa ruim, pelo contrário. É o medo quem nos protege, quem nos impulsiona à mudança de atitudes, quem nos direciona para bons caminhos. Tenho medo sim. Mas esse medo não me impede de nada não, nem torna minha vida um caminho sombrio, ameaçador ou aterrorizante. O medo não é meu adversário, ele é meu aliado. Quem não tem medo nessas horas? Mas a questão é aceitá-lo como parte natural da nossa biologia e da nossa constituição emocional. Sim, tenho medo.
Mas o medo não está associado ao parto em casa. Pelo contrário. Medo mesmo, pavor mesmo, eu tenho é de ser cortada, de tomar pontos. Tenho medo de hospital. De tomar anestesia. De que minha filha chegue num ambiente pouco humano, arrancada de dentro da barriga. Medo de que ela chegue na casa dela, com o papai ajudando, com um monte de gente querida que tem como objetivo trazer gente ao mundo num clima mais humano? Bah! Mas nem um pouquinho de medo.
A partir do momento em que a gente lê POSITIVO no exame de gravidez, começa um mundo novo. E, como toda grande novidade, vem juntinho um pouco de medo. Mas o medo, como a dor, não é ruim… Se nós não sentíssemos medo ou dor com certeza já teríamos nos matado por aí… E em nossa vida como mamíferas-mães sempre teremos que conviver com um pouquinho de medo: medo de não dar conta do recado, medo de que o filhote sofra em algum momento da vida, medo de não ser boa mãe o suficiente, de ter estrias, de embarangar, de ter que escolher entre o trabalho e a função materna integral, medos medos medos. Mas se encararmos esses medos todos como naturais, seu componente apavorante vai embora e acaba chegando um grande aliado.
Hoje estou a duas semanas do concurso que eu espero há 15 anos. Vou defender meu currículo, meu projeto de pesquisa e minha qualidade como professora para uma banca formada pelos melhores profissionais da minha área. Eu e minha barriga imensa. Eu e minha filha. Enquanto eu estudei esses meses para esse momento, entre a confecção das lembrancinhas e as roupinhas que eu dobrava e redobrava inúmeras vezes, o papai da Clara fez o desenhinho do post… É ela lá dentro, fazendo a chamada oral com a mamãe. Se eu estou com medo de não ser selecionada? Se eu não estou com medo de que o fato de estar bem gravidona represente um empecilho para minha contratação? Ô se tô! Mas e daí? Já sobrevivi ao medo da possibilidade de ter que encarar a gravidez sozinha. Já sobrevivi ao medo de perder minha filhota no início da gestação. Já sobrevivi ao medo de não conseguir me preparar para o concurso estando grávida. Já sobrevivi até ao medo de talvez não ser mãe nunca…
Hoje sou uma mamífera bem barriguda, cheia de peito, que estará à frente de uma banca para ser avaliada. Quando o medo chegar – e ele vai chegar –, com uma das mãos vou pegar na mão dele, com a outra vou pegar na mão da minha filha e, juntos, nós vamos em frente!
Que todas nós, mamíferas-mães ou mamíferas-mães-em-potencial possamos sempre encarar o medo e dizer pra ele: aqui, meu caro, mando eu!
Ilustração: Pai da Clarinha
O MAMÍFERAS é um blog ótimo sobre o mundo de quem quer viver ou vive essa coisa maravilhosamente doida que é a maternidade.
Você pode clicar aqui e dar uma espiada lá pra ler meu texto e aproveitar pra ver que bacana que é o blog!
Caso queira ler por aqui mesmo, aí embaixo segue o texto publicado lá.
Minha história de gravidez é, como todas as gestações?cheia de emoção. E ela aconteceu num momento muito singular da minha vida.Fiz graduação em Biologia, seguida de mestrado em Psicobiologia e de um doutorado em Farmacologia, sempre visando conseguir chegar lá! Esse era meu único e grande objetivo. Enquanto isso, na sala de justiça, tive alguns namorados e fui casada durante 5 anos com uma pessoa que nutria um grande pavor de ter filhos. Eu deixava isso pra lá e seguia minha vida, estudando e me preparando. costumava me esconder na frase: Não estou preparada para ser mãe. (embora todo o aparato já estivesse aqui, só esperando para ser ativado).
Em 23 de outubro de 2009 defendi finalmente minha tese de doutorado. Na mesma semana, alguns dias antes, oficializei um namoro. Um companheiro alegre, bem humorado, de bem com a vida e já com dois filhos. Para um tratamento de pele mudei de anticoncepcional com orientação médica, não me adaptei ao novo e precisei fazer uma pausa para começar um terceiro. Uma pausa de 1 mês para quem tomava anticoncepcional há 14 anos.
Dia 22 de novembro, quase um mês depois, tive uma tontura monstruosa e pensei: “Puts, lá vem uma crise monstro de labirintite”. Fui ao médico no dia seguinte, 23 de novembro, exatamente 1 mês depois de receber o título de doutora e estar preparada para prestar os concursos pelos quais eu havia esperado tanto. Às 15 horas eu soube: não era nada de labirintite não… Eu estava grávida! E minha filha havia sido feita exatamente no dia da minha defesa de doutorado! Isso é que é diploma.
E isso é que é um grande choque, também… Uma gravidez não planejada, num momento não esperado. Desempregada, em início de namoro, sem saber o que faria dali por diante, nem se precisaria mudar de cidade, se conseguiria prestar os concursos e… mais importante: sem saber se eu contaria ou não com o apoio do namorado. Soube a resposta para essa última dúvida 20 minutos depois, quando ele apareceu em casa a meu pedido e, ao saber da bombástica notícia, abriu os braços, começou a chorar e disse: “Parabéns, meu amor! A gente vai ter nenê!”, me deixando com cara de tonta ali, parada, olhando e chorando.
Bem, desde então comecei a viver um turbilhão de mudanças. Muito mais emocionais que físicas, embora minha barrigona esteja imensa e minhas glândulas mamárias em alta produção.
Tive dois descolamentos de placenta no início da gestação, ouvi coisas aterrorizantes dos médicos com a expressão “ameaça de aborto”, precisei fazer repouso, sofri com a falta de grana, desenvolvi uma certa rejeição ao namorado – que felizmente passou, embora tenha causado um grande sofrimento a ele –, perdi minha avó e madrinha, tudo isso no primeiro trimestre da gravidez. Mas, também no primeiro trimestre, grandes alegrias vieram: minha irmã caçula engravidou também – 3 semanas a menos que eu – e minha bebê se agarrou com unhas e dentes fictícias e eu consegui segurar a gravidez.
No segundo trimestre, toda a força biológica e psíquica que está latente em todas nós e que nos move à maternidade chegou com tudo: virei um bicho doido que fazia trocentas coisas ao mesmo tempo, estudava pros concursos, limpava casa, namorava, passava as madrugadas acordada preparando as coisinhas pra nossa filha… E essa força biológica e emocional foi me tornando uma pessoa consciente do meu corpo, consciente do significado de estar grávida, da grande dádiva que é ser capaz de produzir um pequeno corpinho, com seu espírito e sua mente ligados a você 24 horas por dia.
E decidi que, se eu sentia tudo isso assim, tão natural, tão biológico, tão simplesmente ligado à vida, era assim que eu queria criar a minha filha. Desde a sua chegada ao mundo. E então decidi que ninguém iria me internar em nenhum lugar quando chegasse o momento da Clara nascer, porque eu não estou doente: eu estou na minha forma mais saudável, sendo capaz de gerar alguém.
E aí decidi que teria minha bebê de parto natural. Humanizado. E em casa.
Se eu ouvi críticas? Ah, muitas… De todos os tipos, das críticas mais leves às ameaças mais ignorantes. Meu namorado ficou meio apavorado com a ideia. Então, respeitando a opinião dele e entendendo a sua resistência, fomos juntos em uma palestra altamente esclarecedora, sobre o que é o parto domiciliar. E que grande alegria eu vivi ao final da palestra, vendo o mais novo adepto do parto natural humanizado planejando onde colocaríamos a piscina quando chegasse a hora e ensaiando o que ele faria para me ajudar.
Aí as pessoas me perguntam se eu não tenho medo da dor, se não tenho medo de que algo dê errado, se não tenho medo de não conseguir, se não tenho medo de que minha bebê sofra durante o processo.
Claro que eu tenho medo de tudo isso. Eu sou mamífera, sou humana. Mas medo nunca foi uma coisa ruim, pelo contrário. É o medo quem nos protege, quem nos impulsiona à mudança de atitudes, quem nos direciona para bons caminhos. Tenho medo sim. Mas esse medo não me impede de nada não, nem torna minha vida um caminho sombrio, ameaçador ou aterrorizante. O medo não é meu adversário, ele é meu aliado. Quem não tem medo nessas horas? Mas a questão é aceitá-lo como parte natural da nossa biologia e da nossa constituição emocional. Sim, tenho medo.
Mas o medo não está associado ao parto em casa. Pelo contrário. Medo mesmo, pavor mesmo, eu tenho é de ser cortada, de tomar pontos. Tenho medo de hospital. De tomar anestesia. De que minha filha chegue num ambiente pouco humano, arrancada de dentro da barriga. Medo de que ela chegue na casa dela, com o papai ajudando, com um monte de gente querida que tem como objetivo trazer gente ao mundo num clima mais humano? Bah! Mas nem um pouquinho de medo.
A partir do momento em que a gente lê POSITIVO no exame de gravidez, começa um mundo novo. E, como toda grande novidade, vem juntinho um pouco de medo. Mas o medo, como a dor, não é ruim… Se nós não sentíssemos medo ou dor com certeza já teríamos nos matado por aí… E em nossa vida como mamíferas-mães sempre teremos que conviver com um pouquinho de medo: medo de não dar conta do recado, medo de que o filhote sofra em algum momento da vida, medo de não ser boa mãe o suficiente, de ter estrias, de embarangar, de ter que escolher entre o trabalho e a função materna integral, medos medos medos. Mas se encararmos esses medos todos como naturais, seu componente apavorante vai embora e acaba chegando um grande aliado.
Hoje estou a duas semanas do concurso que eu espero há 15 anos. Vou defender meu currículo, meu projeto de pesquisa e minha qualidade como professora para uma banca formada pelos melhores profissionais da minha área. Eu e minha barriga imensa. Eu e minha filha. Enquanto eu estudei esses meses para esse momento, entre a confecção das lembrancinhas e as roupinhas que eu dobrava e redobrava inúmeras vezes, o papai da Clara fez o desenhinho do post… É ela lá dentro, fazendo a chamada oral com a mamãe. Se eu estou com medo de não ser selecionada? Se eu não estou com medo de que o fato de estar bem gravidona represente um empecilho para minha contratação? Ô se tô! Mas e daí? Já sobrevivi ao medo da possibilidade de ter que encarar a gravidez sozinha. Já sobrevivi ao medo de perder minha filhota no início da gestação. Já sobrevivi ao medo de não conseguir me preparar para o concurso estando grávida. Já sobrevivi até ao medo de talvez não ser mãe nunca…
Hoje sou uma mamífera bem barriguda, cheia de peito, que estará à frente de uma banca para ser avaliada. Quando o medo chegar – e ele vai chegar –, com uma das mãos vou pegar na mão dele, com a outra vou pegar na mão da minha filha e, juntos, nós vamos em frente!
Que todas nós, mamíferas-mães ou mamíferas-mães-em-potencial possamos sempre encarar o medo e dizer pra ele: aqui, meu caro, mando eu!
Ilustração: Pai da Clarinha
Clara é rock and roll - A festa das fraldas
Quarta-feira, dia 28 de abril, às 21 horas, no Let´s Rock vai ter o Rock Baby da Clara.
Uma festona rock and roll com muita gente boa tocando, cantando e dançando!
O objetivo é arrecadar fraldas para a pequena e comemorar o aniversário do Clarapai, o Frank, que fará aniversário dia 29.
O Let´s Rock fica no centrinho da Lagoa, bem no início!
Pra entrar é só levar um pacote de fraldas, tamanho M ou G.
Outras informações estão aí no convitinho.
Conto com os amigos pra prestigiar essa festa, que será bem engraçada...
Um monte de gente bacana vai tocar e cantar.
Quem sabe até a gente entre na jogada?
domingo, 25 de abril de 2010
O livro do fabuloso mundo de Clara
Algumas pessoas já me perguntaram porque eu não coloquei a fotinho do livro que estou fazendo pra Clara. Então aí está! O objetivo do livro é registrar os principais momentos da vida intra-barriga da minha bebê. No livro, estou colocando tudo. Fotos, ultrassons, bilhetinhos, tudo o que tem sido mais marcante. Mas quero ressaltar: não é um trabalho individual. A ideia sim foi minha, mas o trabalho tem sido conjunto. Eu escrevo e monto as colagens, os enfeites e tal. O papai da Clara faz as ilustrações. E tá ficando a coisa mais fofa do mundo! Hoje, sábado, eu passei o dia inteiro mexendo no livro, pra aproveitar a chuvinha que não para de cair aqui em Floripa... E, também, porque tem sido uma ótima terapia ocupacional, pra desviar a mente um pouco das batalhas que terei a partir da semana que vem. E pra acalmar a minha revolta sobre um deteminado assunto que só vou falar mais pra frente...
Quando percebo que a taquicardia tá demais, que a ansiedade e o nervosismo tão pegando (o que geralmente acontece a cada 20 minutos, mais ou menos), respiro fundo e vou fazer as coisinhas da Clara. E quando vejo, estou calma, assobiando ou cantando, feliz da vida.
Quando eu digo "as coisinhas" da Clara estou me referindo ao livro, às arrumações das roupinhas, que já comecei a lavar, e às lembrancinhas. Sim, estou fazendo as lembrancinhas do nascimento dela todas à mão. E até que tá ficando bem bonitinho...
Se você gostou da capa do livro, saiba que não é tão difícil assim de fazer. Só é preciso um pouco de tempo, dedicação e criatividade. Como, infelizmente, tempo tem sido um item raro em nossas vidas, eu tenho aproveitado as madrugadas pra fazer, aproveitando os picos de energia que aparecem com frequência nessa etapa da gravidez.
No caso do livro da Clara, eu aproveitei um pouco dos poucos conhecimentos que tinha de patchwork (bem poucos mesmo) e exercitei a imaginação.
Pra fazer um livro como esse você precisa de um caderno-livro, desses que são maiores que um caderno normal. Eu optei por um com capa dura e folhas não pautadas brancas, mas é a criatividade quem manda. Escolhi três cores diferentes de retalhos: um lilás de bolinhas brancas, um roxo liso e um roxo de bolinhas brancas. Tô numa fase bolinhas...
Para as bordas, fitas de cetim, nesse caso lilás e pink. O título do livro eu escrevi com cola plástica com glitter. Os lacinhos nos cantinhos (aí aparecem só dois, mas na verdade são 4, um em cada quina) foram feitos também com fitas de cetim. Também não aparecem na foto, porque o pai da Clara não se aguentou e tirou a foto antes de estar pronto, mas no título também tem uns cristaizinhos, como se fossem adesivos. Na contracapa, eu desenhei e recortei borboletinhas de TNT lilás e colei com cola branca no tecido roxo liso, junto com mais uns cristaizinhos adesivos.
Como eu fiz: medi os tecidos e depois os costurei com pontos de patchwork, à mão. Pra capa ficar fofinha, costurei os três tecidos, agora unidos como um só, sobre uma espuma. Depois, colei a espuma costurada com os tecidos sobre a capa. Pro acabamento, usei as fitas de cetim. Por dentro, pra não aparecer as fitas coladas, colei papel cartão por cima.
E pronto. Tá pronto o livro... ou pelo menos a parte mais fácil. Porque o mais difícil é, mesmo, preparar o conteúdo. Tenho a vantagem de namorar um ilustrador de primeira, que faz uns desenhos lindos pra colocar no livro. Mas se você não tem o dom do desenho, como eu, pode também trabalhar com recortes de revistas ou com figuras impressas da internet.
Bom, está aí a dica, na filosofia que eu gosto de adotar do "compartilhando o que é bom". Eu já prometi um livro como esse, com as cores que ela quiser, para uma amiga que está querendo engravidar - e com certeza conseguirá - muito em breve! E quero ver se consigo fazer um pra minha irmã também. Agora só preciso de mais umas duzentas madrugadas de pique, pra conseguir dar conta de tudo. Ah, e de uns dedos novos também, porque os meus já estão cheios de bolhas...
Mas é bom.
Assim eu me acalmo...
O interessante é como meu cérebro tem processado isso: já sonhei umas duas vezes que abro o livro da Clara e leio coisas como "funções do hipotálamo ventromedial" ou "aborção, secreção e reabsorção tubular e a função renal", ou ainda "requisitos para inscrição no concurso público para provimento do cargo de docente"...
Bom, nesse último exemplo, a vontade que eu tenho é de acordar e sair atirando, metralhando, explodindo elaboradores de editais.
Tá, mas não quero nem falar nisso.
Prometi pra mim mesma que só vou falar daqui a um tempo...
Mas se eu conseguir transformar a minha indignação sobre esse assunto em coisas pra Clara, capaz que consigo construir e pintar, sozinha, o trocador e o armário dela. Só na base da revolta...
Pronto, passou.
Boa sorte com seu livro!
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Ensino, docência e o pênis
Hoje me toquei que estou com síndrome de abstinência.
De sala de aula.
Não dava aula desde novembro, quando terminou meu contrato com a UFSC. Sabia que tinha algo me incomodando muito, mas não sabia direito o que era. Aí um colega me convidou pra dar uma aula hoje, pra Biologia, sobre Plantas Psicoativas.
..... aí me toquei do que está me faltando...
Eu saio da sala de aula com a sensação de que tudo está certo no mundo, com a sensação de que estou onde deveria estar.
Sabe... NÃO VEJO A HORA DE VOLTAR À ATIVA!
Pronto, falei!
Isso estava aqui engasgado.
Como alguém que gosta tanto de ensinar pode ficar fora de uma sala de aula??
Eu devia processar alguém!!
ISSO DEVIA SER ENQUADRADO COMO CRIME!
Pronto, passou...
Pra mim, esse mês de maio terá um baita significado.
Não só porque será o meu primeiro dia das mães como mãe...
Por uma questão profissional também.
Dos três concursos que vou tentar pra professora de universidades públicas, dois já tiveram datas marcadas.
Um no começo, um no fim. De maio.
Toda vez que penso nisso, já vem a taquicardia, já vem a ansiedade, já vem uma dor de barriga. Literalmente.
Má nem com filosofia zen budista e prática de meditação transcedental e tentativas sucessivas de alcançar o nirvana eu vou conseguir me tranquilizar, nem tente falar sobre isso comigo...
Mas não é um nervosismo ruim. Não é uma ansiedade má. É algo assim como um dia muito esperado na sua vida.
Deixovê...
Algo como o primeiro natal do qual você se lembre, da ansiedade de ver o papai noel, aquela criança que treme as mãozinhas e nem consegue falar quando ele chega... Mais ou menos isso.
Há algum tempo, saiu uma pesquisa sobre a posição do Brasil na área de Ciência e Tecnologia. O estudo diz que o nosso país passou da 28a. posição para a 17a. no ranking mundial de produção científica, na frente de países como Bélgica, Escócia e Israel. Mas tem aí um dado importante: essa produção científica foi medida em termos de elaboração de artigos científicos.
Aí eu pergunto: quem produz mais de 90% desses artigos científicos?
As universidades públicas.
E qual a função, na teoria, da universidade pública?
É ensino, pesquisa e extensão.
E qual é a posição do Brasil no ranking de desenvolvimento educacional?
Não quero nem responder, porque me deprimo... Sou facilmente emocionável, sacomé.
Então, por favor, me responda: por que o Brasil está tão bem posicionado com relação ao desenvolvimento científico e tão vergonhosamente situado entre os países com menores índices de educação?
Não parece que tem algo estranho aí?
Eu queria saber por que, dentro da universidade, tanto status, tanto mérito e tanto bafafá e gerado em torno do desenvolvimento científico e tão relativamente pouca atenção é dada à qualidade do ensino.
Quem tá falando isso? Quem tá falando que é assim?
Eu tô falando que é assim.
Não vou nem abrir parênteses, colocar um sobrenome e o ano em que o fulano falou isso, me eximindo da responsabilidade do que eu afirmei (funciona mais ou menos assim, esse negócio de referenciar...).
É assim.
Se você é ou foi aluno de curso superior, ou é professor e tem senso crítico, sabe que é assim...
E olha que já passei pelas melhores universidades do país...
Já perdi as contas de quantas vezes já ouvi alunos dizendo que tais professores, das mais variadas áreas do conhecimento, são péssimos educadores, quando a gente, que trabalha também dentro da ciência, sabe que o cara é ótimo pesquisador e publica mais do que os cabelos que tem na cabeça... Tem um puta nome dentro da sua área, mas os alunos preferem ver o capeta do que ter aula com ele.
Prezados senhores membros das bancas de concursos: favor certificar-se de que, além de um bom currículo e bom projeto de pesquisa, o candidato à vaga de docente tenha absoluto amor pelo que faz.
Tudo bem que ele tenha 237.845 artigos publicados.
Mas, por favor, tente captar os sinais que indicam se ele gosta ou não de dar aula.
Porque sem isso, meus caros, não há a menor chance de um trabalho ser bem feito durante uns 25-30 anos de carreira...
Ah, droga. Esse post era pra ser uma coisa descontraída, mas acabou ficando sério...
Paciência.
Tem coisa que me revolta nas profundezas do meu útero ocupado e, como minha língua é grande e esse blog é meu, não consigo deixar pra lá.
Dar aula no ensino público superior não deveria ser pra quem pode, ao contrário do que diz o ditado. Deveria ser pra quem quer.
Porque poder, qualquer pessoa com título de doutor, pela lei, pode.
Mas querer, é uma coisa beeeeem diferente.
Ahhh. Eu adoro dar aula...
Por n motivos.
Só pra não perder a piada, saca só, o Rubem Alves explica procê.
"A inteligência se parece com o pênis".
Porque quem disse que pra falar de coisa séria, a gente precisa ser sisudo?
E olha que eu nem vou cobrar pela dica de didática e metodologia de ensino...
De sala de aula.
Não dava aula desde novembro, quando terminou meu contrato com a UFSC. Sabia que tinha algo me incomodando muito, mas não sabia direito o que era. Aí um colega me convidou pra dar uma aula hoje, pra Biologia, sobre Plantas Psicoativas.
..... aí me toquei do que está me faltando...
Eu saio da sala de aula com a sensação de que tudo está certo no mundo, com a sensação de que estou onde deveria estar.
Sabe... NÃO VEJO A HORA DE VOLTAR À ATIVA!
Pronto, falei!
Isso estava aqui engasgado.
Como alguém que gosta tanto de ensinar pode ficar fora de uma sala de aula??
Eu devia processar alguém!!
ISSO DEVIA SER ENQUADRADO COMO CRIME!
Pronto, passou...
Pra mim, esse mês de maio terá um baita significado.
Não só porque será o meu primeiro dia das mães como mãe...
Por uma questão profissional também.
Dos três concursos que vou tentar pra professora de universidades públicas, dois já tiveram datas marcadas.
Um no começo, um no fim. De maio.
Toda vez que penso nisso, já vem a taquicardia, já vem a ansiedade, já vem uma dor de barriga. Literalmente.
Má nem com filosofia zen budista e prática de meditação transcedental e tentativas sucessivas de alcançar o nirvana eu vou conseguir me tranquilizar, nem tente falar sobre isso comigo...
Mas não é um nervosismo ruim. Não é uma ansiedade má. É algo assim como um dia muito esperado na sua vida.
Deixovê...
Algo como o primeiro natal do qual você se lembre, da ansiedade de ver o papai noel, aquela criança que treme as mãozinhas e nem consegue falar quando ele chega... Mais ou menos isso.
Há algum tempo, saiu uma pesquisa sobre a posição do Brasil na área de Ciência e Tecnologia. O estudo diz que o nosso país passou da 28a. posição para a 17a. no ranking mundial de produção científica, na frente de países como Bélgica, Escócia e Israel. Mas tem aí um dado importante: essa produção científica foi medida em termos de elaboração de artigos científicos.
Aí eu pergunto: quem produz mais de 90% desses artigos científicos?
As universidades públicas.
E qual a função, na teoria, da universidade pública?
É ensino, pesquisa e extensão.
E qual é a posição do Brasil no ranking de desenvolvimento educacional?
Não quero nem responder, porque me deprimo... Sou facilmente emocionável, sacomé.
Então, por favor, me responda: por que o Brasil está tão bem posicionado com relação ao desenvolvimento científico e tão vergonhosamente situado entre os países com menores índices de educação?
Não parece que tem algo estranho aí?
Eu queria saber por que, dentro da universidade, tanto status, tanto mérito e tanto bafafá e gerado em torno do desenvolvimento científico e tão relativamente pouca atenção é dada à qualidade do ensino.
Quem tá falando isso? Quem tá falando que é assim?
Eu tô falando que é assim.
Não vou nem abrir parênteses, colocar um sobrenome e o ano em que o fulano falou isso, me eximindo da responsabilidade do que eu afirmei (funciona mais ou menos assim, esse negócio de referenciar...).
É assim.
Se você é ou foi aluno de curso superior, ou é professor e tem senso crítico, sabe que é assim...
E olha que já passei pelas melhores universidades do país...
Já perdi as contas de quantas vezes já ouvi alunos dizendo que tais professores, das mais variadas áreas do conhecimento, são péssimos educadores, quando a gente, que trabalha também dentro da ciência, sabe que o cara é ótimo pesquisador e publica mais do que os cabelos que tem na cabeça... Tem um puta nome dentro da sua área, mas os alunos preferem ver o capeta do que ter aula com ele.
Prezados senhores membros das bancas de concursos: favor certificar-se de que, além de um bom currículo e bom projeto de pesquisa, o candidato à vaga de docente tenha absoluto amor pelo que faz.
Tudo bem que ele tenha 237.845 artigos publicados.
Mas, por favor, tente captar os sinais que indicam se ele gosta ou não de dar aula.
Porque sem isso, meus caros, não há a menor chance de um trabalho ser bem feito durante uns 25-30 anos de carreira...
Ah, droga. Esse post era pra ser uma coisa descontraída, mas acabou ficando sério...
Paciência.
Tem coisa que me revolta nas profundezas do meu útero ocupado e, como minha língua é grande e esse blog é meu, não consigo deixar pra lá.
Dar aula no ensino público superior não deveria ser pra quem pode, ao contrário do que diz o ditado. Deveria ser pra quem quer.
Porque poder, qualquer pessoa com título de doutor, pela lei, pode.
Mas querer, é uma coisa beeeeem diferente.
Ahhh. Eu adoro dar aula...
Por n motivos.
Só pra não perder a piada, saca só, o Rubem Alves explica procê.
"A inteligência se parece com o pênis".
Porque quem disse que pra falar de coisa séria, a gente precisa ser sisudo?
E olha que eu nem vou cobrar pela dica de didática e metodologia de ensino...
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Eu só amo o Stephen
Uma rapidinha pra deixar o dia mais alegrinho...
Um ex-aluno da Biologia mandou pra mim, pelo Twitter, essa garotinha aí, no espírito de: preparando a mamãe para a chegada da filhota.
Já pensou viver uma coisa dessas?
Eu me morro!
Um ex-aluno da Biologia mandou pra mim, pelo Twitter, essa garotinha aí, no espírito de: preparando a mamãe para a chegada da filhota.
Já pensou viver uma coisa dessas?
Eu me morro!
segunda-feira, 12 de abril de 2010
"All I have to do is dream, dream dream..."
Eu gosto de um livro chamado "Alucinações Musicais", do Oliver Sacks, um médico neurologista e psiquiatra do Columbia University Medical Center.
Gosto de todos os livros dele, que levam nominhos bem peculiares, como "O homem que confundiu sua mulher com um chapéu", "Um antropólogo em Marte", "A ilha dos daltônicos" e o famoso, porque deu origem ao filme, "Tempo de despertar".
O último dele foi o primeiro que mencionei, "Alucinações Musicais".
Muito bom, mas sou suspeita, porque fala de neurociência...
Mas tem uma parte que ele explica o motivo de ficarmos com uma música na cabeça por muito tempo. Sempre lembro disso...
"... tive outro sonho musical, que também continuou durante a vigília. Mas neste, em contraste com o sonho de Mozart, a música era muito perturbadora e desagradável e desejei ardentemente que parasse. Tomei banho, bebi um café, saí para andar, sacudi a cabeça, toquei uma mazurca no piano - e nada. A abominável música alucinatória prosseguiu, irredutível. Por fim, telefonei a um amigo, Orlando Fox, e disse que estava ouvindo músicas e que não conseguia detê-las. (...) Orlando pediu que cantarolasse algumas delas. Cantei, e fez-se uma longa pausa.
'Você abandonou algum de seus jovens pacientes?', ele indagou. 'Ou destruiu alguma de suas crias literárias?'. 'As duas coisas', respondi. 'Ontem pedi demissão da unidade infantil do hospital onde trabalho e queimei um livro de ensaios que tinha cabado de escrever (...). Como foi que vc adivinhou?'. 'Sua mente está tocando os Kindertotenlieder de Mahler', ele disse, 'músicas que ele compôs para o luto pela morte de crianças'. Espantei-me, pois não gosto nada da música de Mahler e normalmente tenho muita dificuldade para lembrar em detalhes, que dirá para cantar (...). Mas eis que minha mente, com precisão infalível, produzira um símbolo bem apropriado para os eventos da véspera."
Ou seja, muitas vezes, músicas que não saem da sua cabeça querem dizer alguma coisa sobre você e suas vivências, no melhor estilo "Freud explica". Estou falando de músicas, não de jingles imbecis que foram arquitetados pra grudar no seu cérebro.
Estou com uma na cabeça bem insistente. Já me pegaram cantando 4 vezes hoje.
Fiquei me perguntando o porquê de estar com ela na cabeça. E não aguento pergunta sem resposta. Lembrei-me que eu associo essa música a uma cena de filme, mas não lembrava do filme. Então respirei fundo, me concentrei e tentei sentir o que a música me trazia, que tipo de sentimento ela evocava e em quais outras situações ela havia aparecido (porque é uma música recorrente na minha vida). Aí veio a cena inteira do filme. E eu entendi porque estou cantando há dois dias...
Abaixo, a música e o trecho do filme.
A gravação original da música é dos Elderly Brothers e o filme é "Os Garotos da Minha Vida" (Riding Cars With Boys), estrelado por Drew Barrymore e que conta a história de uma garota dos anos 60 e da vida dela com o namorado, o filho e o pai - daí os "garotos" no título do filme... Essa cena, com o pai dela, me mata... Mas pra entender o que ela está sentindo nesse momento, só assistindo o filme. Ou não.
Gosto de todos os livros dele, que levam nominhos bem peculiares, como "O homem que confundiu sua mulher com um chapéu", "Um antropólogo em Marte", "A ilha dos daltônicos" e o famoso, porque deu origem ao filme, "Tempo de despertar".
O último dele foi o primeiro que mencionei, "Alucinações Musicais".
Muito bom, mas sou suspeita, porque fala de neurociência...
Mas tem uma parte que ele explica o motivo de ficarmos com uma música na cabeça por muito tempo. Sempre lembro disso...
"... tive outro sonho musical, que também continuou durante a vigília. Mas neste, em contraste com o sonho de Mozart, a música era muito perturbadora e desagradável e desejei ardentemente que parasse. Tomei banho, bebi um café, saí para andar, sacudi a cabeça, toquei uma mazurca no piano - e nada. A abominável música alucinatória prosseguiu, irredutível. Por fim, telefonei a um amigo, Orlando Fox, e disse que estava ouvindo músicas e que não conseguia detê-las. (...) Orlando pediu que cantarolasse algumas delas. Cantei, e fez-se uma longa pausa.
'Você abandonou algum de seus jovens pacientes?', ele indagou. 'Ou destruiu alguma de suas crias literárias?'. 'As duas coisas', respondi. 'Ontem pedi demissão da unidade infantil do hospital onde trabalho e queimei um livro de ensaios que tinha cabado de escrever (...). Como foi que vc adivinhou?'. 'Sua mente está tocando os Kindertotenlieder de Mahler', ele disse, 'músicas que ele compôs para o luto pela morte de crianças'. Espantei-me, pois não gosto nada da música de Mahler e normalmente tenho muita dificuldade para lembrar em detalhes, que dirá para cantar (...). Mas eis que minha mente, com precisão infalível, produzira um símbolo bem apropriado para os eventos da véspera."
Ou seja, muitas vezes, músicas que não saem da sua cabeça querem dizer alguma coisa sobre você e suas vivências, no melhor estilo "Freud explica". Estou falando de músicas, não de jingles imbecis que foram arquitetados pra grudar no seu cérebro.
Estou com uma na cabeça bem insistente. Já me pegaram cantando 4 vezes hoje.
Fiquei me perguntando o porquê de estar com ela na cabeça. E não aguento pergunta sem resposta. Lembrei-me que eu associo essa música a uma cena de filme, mas não lembrava do filme. Então respirei fundo, me concentrei e tentei sentir o que a música me trazia, que tipo de sentimento ela evocava e em quais outras situações ela havia aparecido (porque é uma música recorrente na minha vida). Aí veio a cena inteira do filme. E eu entendi porque estou cantando há dois dias...
Abaixo, a música e o trecho do filme.
A gravação original da música é dos Elderly Brothers e o filme é "Os Garotos da Minha Vida" (Riding Cars With Boys), estrelado por Drew Barrymore e que conta a história de uma garota dos anos 60 e da vida dela com o namorado, o filho e o pai - daí os "garotos" no título do filme... Essa cena, com o pai dela, me mata... Mas pra entender o que ela está sentindo nesse momento, só assistindo o filme. Ou não.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Coisas que vêm de berço
"Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou. Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer."
(Clarice Lispector - Pertencer)
Existem coisas que, tradicionalmente, dizem que vêm de berço:
educação, hábitos, valores, amor, compaixão, carinho, respeito.
Mas tem outras coisas que também estão associadas a berço, mas que não é todo mundo que comenta:
alívio, emoção, conforto, conquista, lágrima, abraço apertado, trabalho conjunto.
Hoje eu chorei na porta de uma loja, assim que saí.
COMPRAMOS O BERÇO DA CLARA!
... logo eu, que quase não brincava de bercinho e bonequinha porque preferia brincar de quadro-negro e giz, ou correr de bicicleta por aí, ou que colocava as bonecas todas pra dormir numa barraca, porque elas gostavam de acampar...
Agora eu tenho uma filha. E ela tem um berço.
Ai que me choro toda...
(Clarice Lispector - Pertencer)
Existem coisas que, tradicionalmente, dizem que vêm de berço:
educação, hábitos, valores, amor, compaixão, carinho, respeito.
Mas tem outras coisas que também estão associadas a berço, mas que não é todo mundo que comenta:
alívio, emoção, conforto, conquista, lágrima, abraço apertado, trabalho conjunto.
Hoje eu chorei na porta de uma loja, assim que saí.
COMPRAMOS O BERÇO DA CLARA!
... logo eu, que quase não brincava de bercinho e bonequinha porque preferia brincar de quadro-negro e giz, ou correr de bicicleta por aí, ou que colocava as bonecas todas pra dormir numa barraca, porque elas gostavam de acampar...
Agora eu tenho uma filha. E ela tem um berço.
Ai que me choro toda...
quinta-feira, 8 de abril de 2010
08 de abril - dia mundial de combate ao câncer
Quem entrou hoje no blog foi redirecionado para o site do GRAAC (http://www.graac.org.br/) - Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer.
Isso porque eu aderi à campanha DOE SEU SITE para o GRAAC, campanha em que blogueiros e donos de sites poderiam vincular seu site ao da instituição, para ajudar a divulgar os trabalhos do grupo e arrecadar fundos.
Amanhã, se você entrar, não será redirecionado. A campanha era só hoje, dia 08 de abril, Dia Mundial de Combate ao Câncer.
E hoje, lendo uma matéria sobre o significado desse dia, me deparei com um trecho em que o autor afirma que hoje se comemora o Dia Mundial de Combate ao Câncer.
Isso porque eu aderi à campanha DOE SEU SITE para o GRAAC, campanha em que blogueiros e donos de sites poderiam vincular seu site ao da instituição, para ajudar a divulgar os trabalhos do grupo e arrecadar fundos.
Amanhã, se você entrar, não será redirecionado. A campanha era só hoje, dia 08 de abril, Dia Mundial de Combate ao Câncer.
E hoje, lendo uma matéria sobre o significado desse dia, me deparei com um trecho em que o autor afirma que hoje se comemora o Dia Mundial de Combate ao Câncer.
Como assim "se comemora"?
Não há nada a se comemorar não...
Deve ter sido um erro de expressão, com toda a certeza.
De acordo com o INCA - o Instituto Nacional do Câncer, serão 489.270 novos casos de câncer no Brasil em 2010 e 2011.
É muita gente doente...
O INCA disponibiliza um relatório sobre as estimativas da doença para esses dois anos e você pode acessar esse relatório clicando aqui.
Lá tem uma série de informações estatísticas sobre a incidência, mortalidade e outros parâmetros relativos ao câncer. Por exemplo: o câncer de mama será diagnosticado em cerca de 49.240 mulheres e o câncer de pulmão em 17.800 homens e 9.830 mulheres, apenas no ano de 2010.
É muito gente doente mesmo...
Não há nada a se comemorar não...
Deve ter sido um erro de expressão, com toda a certeza.
De acordo com o INCA - o Instituto Nacional do Câncer, serão 489.270 novos casos de câncer no Brasil em 2010 e 2011.
É muita gente doente...
O INCA disponibiliza um relatório sobre as estimativas da doença para esses dois anos e você pode acessar esse relatório clicando aqui.
Lá tem uma série de informações estatísticas sobre a incidência, mortalidade e outros parâmetros relativos ao câncer. Por exemplo: o câncer de mama será diagnosticado em cerca de 49.240 mulheres e o câncer de pulmão em 17.800 homens e 9.830 mulheres, apenas no ano de 2010.
É muito gente doente mesmo...
Mas, para mim, tem um dado mais significativo, não incluso nesse relatório.
Se tantas pessoas assim, quase 500.000, serão diagnosticadas com câncer apenas em 2010 e 2011, imagina quantas pessoas, no total, sofrerão junto com os pacientes?
O que eu quero dizer é: o câncer traz sofrimento não somente aos próprios pacientes. Junto com eles sofrem a família, os amigos, as pessoas próximas. E é grande o sofrimento. Quem já teve um parente ou pessoa querida acometida por câncer sabe do que estou falando. E acho que todo mundo já teve alguém nessas condições, não?
Todo mundo já sabe (ou deveria saber) que existem diferentes tipos de câncer: câncer de mama, de pulmão, de estômago, de pele, leucemias, linfomas, entre outros.
Alguns aparecem sem que o paciente tenha contribuído ativamente para seu aparecimento.
Outros aparecem por contribuição ativa e insistente de seus portadores. E todo mundo também já sabe (ou deveria saber) quais são esses fatores que contribuem: cigarro, álcool, exposição solar prolongada, às vezes sem proteção, exposição a agentes químicos, entre outros fatores. Todo mundo tá cansado de saber...
Se tantas pessoas assim, quase 500.000, serão diagnosticadas com câncer apenas em 2010 e 2011, imagina quantas pessoas, no total, sofrerão junto com os pacientes?
O que eu quero dizer é: o câncer traz sofrimento não somente aos próprios pacientes. Junto com eles sofrem a família, os amigos, as pessoas próximas. E é grande o sofrimento. Quem já teve um parente ou pessoa querida acometida por câncer sabe do que estou falando. E acho que todo mundo já teve alguém nessas condições, não?
Todo mundo já sabe (ou deveria saber) que existem diferentes tipos de câncer: câncer de mama, de pulmão, de estômago, de pele, leucemias, linfomas, entre outros.
Alguns aparecem sem que o paciente tenha contribuído ativamente para seu aparecimento.
Outros aparecem por contribuição ativa e insistente de seus portadores. E todo mundo também já sabe (ou deveria saber) quais são esses fatores que contribuem: cigarro, álcool, exposição solar prolongada, às vezes sem proteção, exposição a agentes químicos, entre outros fatores. Todo mundo tá cansado de saber...
Mas esse post aqui não tem como objetivo ficar levantando bandeira nem posando de moralista nem de propagador de "modos de se viver".
Mesmo porquê eu sou uma recente ex-fumante (parei de fumar assim que li POSITIVO no meu exame de gravidez) e sou também consumidora e apreciadora de cerveja, vinho e outras bebidas alcoólicas (também tendo parado agora na gravidez).
Tem como objetivo lembrar todo mundo do sofrimento que sente quem tem ou teve um parente ou amigo acometido por câncer.
É a angústia da incerteza da vitória, é o não saber como agir para ajudar a pessoa, é se sentir totalmente impotente. É o medo da perda, da solidão, a tristeza de ver o sofrimento de quem se ama, é a dor que se sente ao saber que o outro sente dor.
Muitas vezes se tem vontade de arrancar com a mão o que tá ruim lá dentro da pessoa...
Infelizmente, tenho tido contato com notícias de novos diagnósticos muito próximos a mim. Amigos, amigos de amigos, parentes de amigos. E, pra mim, é sempre uma angústia saber disso.
A gente sabe que o câncer é um pouco como roleta russa: algumas pessoas fumam ou bebem durante décadas e não morrem em decorrência disso. Outras sofrem de câncer tendo uma vida saudável. Não temos controle sobre isso...
Mas não dá pra negar a responsabilidade que todos temos nas mãos: evitar não só o nosso próprio sofrimento, mas também o sofrimento de quem nos ama, se pudermos evitar.
Mesmo porquê eu sou uma recente ex-fumante (parei de fumar assim que li POSITIVO no meu exame de gravidez) e sou também consumidora e apreciadora de cerveja, vinho e outras bebidas alcoólicas (também tendo parado agora na gravidez).
Tem como objetivo lembrar todo mundo do sofrimento que sente quem tem ou teve um parente ou amigo acometido por câncer.
É a angústia da incerteza da vitória, é o não saber como agir para ajudar a pessoa, é se sentir totalmente impotente. É o medo da perda, da solidão, a tristeza de ver o sofrimento de quem se ama, é a dor que se sente ao saber que o outro sente dor.
Muitas vezes se tem vontade de arrancar com a mão o que tá ruim lá dentro da pessoa...
Infelizmente, tenho tido contato com notícias de novos diagnósticos muito próximos a mim. Amigos, amigos de amigos, parentes de amigos. E, pra mim, é sempre uma angústia saber disso.
A gente sabe que o câncer é um pouco como roleta russa: algumas pessoas fumam ou bebem durante décadas e não morrem em decorrência disso. Outras sofrem de câncer tendo uma vida saudável. Não temos controle sobre isso...
Mas não dá pra negar a responsabilidade que todos temos nas mãos: evitar não só o nosso próprio sofrimento, mas também o sofrimento de quem nos ama, se pudermos evitar.
Eu fumei até o dia anterior de saber que estava grávida.
Parei pra não prejudicar meu bebê.
E não pretendo voltar não...
Nunca mais coloquei um cigarro na boca e não enlouqueci.
Mas precisa ter força de vontade e um objetivo. É realmente muito mais fácil continuar... É sempre difícil testar seus limites porque é quando você sabe se é fraco ou forte.
Não sou infalível e posso ter uma recaída mais pra frente.
Mas, no momento, o que pretendo é não voltar nunca mais.
Simplesmente porque não quero aumentar as chances de ter um câncer de boca, ou pescoço ou estômago e fazer a Clara sofrer com meu sofrimento, com minha dor física, com internações repetidas e afins. Quero estar viva muito tempo pra ver minha filha crescer. Pode até ser que eu saia na rua, o carro passe e me mate (como dizia a vizinha que mencionei no post anterior) ou pode ser que as coisas que os terroristas diários dizem (que também mencionei anteriormente) aconteçam mesmo. Mas no que eu puder evitar, né?
Parei pra não prejudicar meu bebê.
E não pretendo voltar não...
Nunca mais coloquei um cigarro na boca e não enlouqueci.
Mas precisa ter força de vontade e um objetivo. É realmente muito mais fácil continuar... É sempre difícil testar seus limites porque é quando você sabe se é fraco ou forte.
Não sou infalível e posso ter uma recaída mais pra frente.
Mas, no momento, o que pretendo é não voltar nunca mais.
Simplesmente porque não quero aumentar as chances de ter um câncer de boca, ou pescoço ou estômago e fazer a Clara sofrer com meu sofrimento, com minha dor física, com internações repetidas e afins. Quero estar viva muito tempo pra ver minha filha crescer. Pode até ser que eu saia na rua, o carro passe e me mate (como dizia a vizinha que mencionei no post anterior) ou pode ser que as coisas que os terroristas diários dizem (que também mencionei anteriormente) aconteçam mesmo. Mas no que eu puder evitar, né?
Hoje rolou no Twitter uma matéria do caderno DONNA DC, um caderno feminino do Diário Catarinense, sobre um estudo realizado por pesquisadores da London School of Economics em que afirmam que mulheres inteligentes são as que mais bebem. Se isso realmente representar a realidade, com certeza essas mulheres não bebem mais por serem inteligentes, porque isso seria um contrassenso. Ninguém que bebe muito faz isso por ser inteligente... Quem bebe muito bebe porque gosta, o resto é desculpinha.
Mas não dá pra negar que grande quantidade de álcool facilita o aparecimento de câncer de estômago e de laringe-faringe-esôfago.
Então achei que essa matéria foi publicada num dia não muito bacana, vamos dizer assim... Poderia ter sido publicada, por exemplo, uma matéria falando do aumento do número de mamografias realizadas no Brasil e do crescimento dos exames de Papanicolaou, exames utilizados para diagnóstico precoce de tumores (o IBGE revela que, entre 2003 e 2008, aumentou de 42,5% para 54,8% o percentual de mulheres brasileiras que fizeram exame de mamografia. No mesmo período, cresceu em 25% o número de mulheres que fizeram o exame preventivo de câncer de colo do útero, o Papanicolaou. Esses exames são fundamentais para a prevenção e detecção precoce do câncer. Mais brasileiras também se submeteram ao exame clínico das mamas, realizado por profissional de saúde). Você pode ver a notícia inteira clicando aqui também...
Então hoje eu quis falar sobre isso, solidarizando-me com quem tem ou teve uma pessoa querida com câncer, porque sei que o sentimento de impotência é imenso. Assim como a dor.
Mas não dá pra negar que grande quantidade de álcool facilita o aparecimento de câncer de estômago e de laringe-faringe-esôfago.
Então achei que essa matéria foi publicada num dia não muito bacana, vamos dizer assim... Poderia ter sido publicada, por exemplo, uma matéria falando do aumento do número de mamografias realizadas no Brasil e do crescimento dos exames de Papanicolaou, exames utilizados para diagnóstico precoce de tumores (o IBGE revela que, entre 2003 e 2008, aumentou de 42,5% para 54,8% o percentual de mulheres brasileiras que fizeram exame de mamografia. No mesmo período, cresceu em 25% o número de mulheres que fizeram o exame preventivo de câncer de colo do útero, o Papanicolaou. Esses exames são fundamentais para a prevenção e detecção precoce do câncer. Mais brasileiras também se submeteram ao exame clínico das mamas, realizado por profissional de saúde). Você pode ver a notícia inteira clicando aqui também...
Então hoje eu quis falar sobre isso, solidarizando-me com quem tem ou teve uma pessoa querida com câncer, porque sei que o sentimento de impotência é imenso. Assim como a dor.
Hoje, dia 08 de abril, é o Dia Mundial de Combate ao Câncer.
E seria o aniversário de uma figura muito importante para minha família.
E seria o aniversário de uma figura muito importante para minha família.
Antonio Joaquim Moreiras.
Português (como o nome bem sugere), diretor de fotografia, dono de barraca em camping, portador de um chapeuzinho azul e de um par de pés "dez pras duas", com um rabo de andorinha pra fora da boca, autor da célebre frase "Você é o famoso quem?". Meu tio.
Ele faria hoje 63 anos (se não me engano), se não tivesse perdido a luta contra o câncer há 9 anos. De laringe, faringe e esôfago.
Português (como o nome bem sugere), diretor de fotografia, dono de barraca em camping, portador de um chapeuzinho azul e de um par de pés "dez pras duas", com um rabo de andorinha pra fora da boca, autor da célebre frase "Você é o famoso quem?". Meu tio.
Ele faria hoje 63 anos (se não me engano), se não tivesse perdido a luta contra o câncer há 9 anos. De laringe, faringe e esôfago.
Ele e eu, na foto...
terça-feira, 6 de abril de 2010
Como matar um terrorista

Se tem uma coisa que eu detesto, com toda a raiva do meu ódio mortal escaldante, é terrorismo.
Quer me ver nervosa, mas muito nervosa mesmo, é vir com terrorismo pra cima de mim.
Fala tudo.
Faz tudo.
MAS NÃO ME VENHA COM TERRORISMO!!
Que a gripe suína vai matar todo mundo.Que o planeta vai derreter.
Que se você sair na rua, o carro passa e mata (essa eu ouvi ainda adolescente, quando uma vizinha insana gritava isso para a pobre criatura que ela chamava de filho).
Que Coca-Cola derrete não sei o que.
Que está sendo aprovada uma lei que acaba com o 13o. salário.
Que se você tomar a vacina contra H1N1 será uma cobaia, colocará seu filho em risco e poderá morrer.
Que se não tomar, vai morrer.
(ou seja, vai morrer de todo jeito...)
Bom, se a Clara chegar aos 2 anos será uma sobrevivente! Terá sobrevivido à pré-eclâmpsia da mãe, ao diabetes gestacional, à quebra da clavícula durante o parto, aos rompimentos de ligamentos do braço e a uma paralisia parcial (tudo porque a mãe dela engordou um pouco a mais), ao parto domiciliar que a louca da mãe dela quer ter, aos acidentes causados por carros da Honda e da Volks que não atenderam ao recall, à queda do sling, à gripe suína, às enchentes. Se ela chegar aos 3 anos então, nossa senhora, terá sobrevivido ao fim do mundo de 2012!! Ou seja, de qualquer forma, ela já é uma sobrevivente...
Porra, vai aterrorizar a sua mãe!Terror mesmo é o que eu vou fazer com o próximo desavisado que vier tentando me aterrorizar!
Pronto, passou...
Agora vou ler aqui uma tese que chegou, com um lindo convite para ser membro de uma banca. Pra aproveitar que, pelo menos, eu já abri a correspondência e nada explodiu...domingo, 4 de abril de 2010
Ovos de páscoa
Hoje acordei e, antes de levantar da cama, fiquei conversando com a minha filha, junto com o papai, explicando que dia é hoje e o que faremos no ano que vem, na Páscoa, quando ela já estiver aqui com a gente... Acho que ela gostou da história de coelhos e afins, porque não parou de chutar as nossas mãos. E daqueles chutões de Clara, bem fortes mesmo. Acho que ela ficou feliz com a perspectiva...
Hoje é domingo de Páscoa, uma Páscoa muito especial, porque é a primeira que vou passar vestida de ovo, daqueles com surpresa dentro, como disse Livia, minha irmã.
E é a primeira de muito tempo em que sinto passar com toda a minha família, mesmo estando cada um num canto, porque sinto que temos todos, agora, dois motivos que nos unem, duas surpresas dentro dos seus ovinhos...
Páscoa é, tradicionalmente, tempo de celebrar renascimento.
Então hoje estou muito feliz.
Primeiro, por celebrar dois renascimentos dentro da minha família, feliz porque fomos escolhidas para ser o meio pelo qual duas pessoas vão retornar, simultaneamente, na mesma família.
Nós, que andamos perdendo gente muito querida sequencialmente...
E o segundo motivo é o que representa pra mim estar grávida nessa Páscoa...
"Eu que simbolicamente morro várias vezes só para experimentar a ressurreição…" (Clarice Lispector)
Algumas pessoas vêem esse domingo como um domingo qualquer, sem nada de especial.
Pode até ser que seja mesmo...
"Mas isso não impede que eu repita...", né?
E aproveito pra escrever isso ainda no próprio domingo - faço de propósito -, porque a partir do ano que vem dificilmente poderei escrever no próprio dia de Páscoa: pretendo estar muito envolvida com a caça ao coelhinho e aos ovinhos escondidos dentro de casa... E tentando salvar o coelhinho encontrado do intenso amor da Clara por bichinhos... Porque se há uma coisa da qual eu não tenho a menor dúvida é que a Clara vai amar os bichinhos: isso é coisa de Santa Clara e São Francisco...
Para quem gosta da simbologia, feliz Páscoa!
Para quem não liga muito pra isso, um feliz domingo!
"Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei."
(Allan Kardec)
Lá em cima, foto tirada ontem: barriga da Clara, mão da mamãe e mão do papai.
Hoje é domingo de Páscoa, uma Páscoa muito especial, porque é a primeira que vou passar vestida de ovo, daqueles com surpresa dentro, como disse Livia, minha irmã.
E é a primeira de muito tempo em que sinto passar com toda a minha família, mesmo estando cada um num canto, porque sinto que temos todos, agora, dois motivos que nos unem, duas surpresas dentro dos seus ovinhos...
Páscoa é, tradicionalmente, tempo de celebrar renascimento.
Então hoje estou muito feliz.
Primeiro, por celebrar dois renascimentos dentro da minha família, feliz porque fomos escolhidas para ser o meio pelo qual duas pessoas vão retornar, simultaneamente, na mesma família.
Nós, que andamos perdendo gente muito querida sequencialmente...
E o segundo motivo é o que representa pra mim estar grávida nessa Páscoa...
"Eu que simbolicamente morro várias vezes só para experimentar a ressurreição…" (Clarice Lispector)
Algumas pessoas vêem esse domingo como um domingo qualquer, sem nada de especial.
Pode até ser que seja mesmo...
"Mas isso não impede que eu repita...", né?
E aproveito pra escrever isso ainda no próprio domingo - faço de propósito -, porque a partir do ano que vem dificilmente poderei escrever no próprio dia de Páscoa: pretendo estar muito envolvida com a caça ao coelhinho e aos ovinhos escondidos dentro de casa... E tentando salvar o coelhinho encontrado do intenso amor da Clara por bichinhos... Porque se há uma coisa da qual eu não tenho a menor dúvida é que a Clara vai amar os bichinhos: isso é coisa de Santa Clara e São Francisco...
Para quem gosta da simbologia, feliz Páscoa!
Para quem não liga muito pra isso, um feliz domingo!
"Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei."
(Allan Kardec)
Lá em cima, foto tirada ontem: barriga da Clara, mão da mamãe e mão do papai.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Mulher barriguda que vai ter menino!
20 minutos após eu ter saído do ultrassom da Clarinha, minha irmã caçula me liga.
Eu atendo e ela grita:
"É o MURILOOOOO!"
Eu nem sabia que ela estava, ao mesmo tempo que eu, fazendo ultrassom pra ver se FINALMENTE conseguia ver o sexo do meu nenê-sobrinho. E conseguiu!
Vem aí o primeiro garoto da saga intersecular de mulheres: MURILO TÁ CHEGANDO!
Eles estão chegando!
Nossa vida vai se encher de alegria!
E que venham os bebês!!
Para meu sobrinho Murilo, com amor da titia Ligia e da priminha Clara: videozinho abaixo! Uhuuuu!!
PS: dá bem pra ver que é sobrinho da Livia também, hahahaha
Eu atendo e ela grita:
"É o MURILOOOOO!"
Eu nem sabia que ela estava, ao mesmo tempo que eu, fazendo ultrassom pra ver se FINALMENTE conseguia ver o sexo do meu nenê-sobrinho. E conseguiu!
Vem aí o primeiro garoto da saga intersecular de mulheres: MURILO TÁ CHEGANDO!
Eles estão chegando!
Nossa vida vai se encher de alegria!
E que venham os bebês!!
Para meu sobrinho Murilo, com amor da titia Ligia e da priminha Clara: videozinho abaixo! Uhuuuu!!
PS: dá bem pra ver que é sobrinho da Livia também, hahahaha
Assinar:
Postagens (Atom)