22 julho 2010

Luz no fim do útero...

Pois é...
Está chegando o dia da Clara.
Não sei precisar quando será, mas sei que está muito próximo. Meu corpo e meu espírito já me enviam os sinais mais importantes. Sei que ela já está por aqui, sendo preparada para sair desse lugar quentinho e acolhedor que é o meu útero para esse mundo aqui de fora. E estou sentindo toda a mudança espiritual, toda a responsabilidade da chegada de um ser que nos foi confiado para educar, amar, cuidar, proteger, guiar e orientar. Que nada mais é a paternidade e a maternidade do que isso: assumir a responsabilidade pela honra que é cuidar de uma nova pessoa que recomeçará sua jornada rumo ao aperfeiçoamento. Todos estamos aqui por esse motivo: pra superar nossas limitações, para eliminar nossos maus hábitos, para sermos indivíduos, de alguma forma, melhores. Às vezes conseguimos, outras fracassamos, mas o verdadeiro saldo só saberemos lá no fim da estrada, quando fizermos o caminho inverso ao que a Clara está fazendo agora. Eu tenho uma visão muito clara dessa passagem de vinda... a de ida ainda não consigo assimilar com tanta facilidade. Mas a de chegada eu percebo facilmente como representa uma dádiva: ter a chance de recomeçar, de se desafiar, de reencontrar pessoas queridas ou pessoas com as quais precisamos nos harmonizar.
Agora, com a minha filha às portas de entrada pra uma nova experiência, sinto a força da responsabilidade que é ser merecedora da tarefa divina de zelar por alguém. De ajudá-la nas escolhas, de alimentá-la, amá-la, protegê-la, perceber suas habilidades e limitações.
Estou profundamente emocionada, porque lembro que, nesse momento, espíritos positivamente ligados a mim, a ela e ao Frank estão todos aqui pelos arredores. Posso, inclusive, sentir suas influências benéficas, mudando minha sintonia, mudando meu ritmo, minha frequência de pensamento.
É um período de 9 meses que vai se findando. E eu quero aproveitar pra agradecer a pessoas que fizeram toda a diferença na minha gravidez, cuidando de nós na prática, mudando o rumo das coisas, e sem os quais metade da magia dessa fase talvez não existisse. Quero agradecer à Dra. Juliana Zanatta, que mudou a frequência de pânico que eu estava no início da gravidez, quando parecia estar certo que eu perderia a bebê. Agradeço à minha amiga Vanessa, que esteve junto comigo um pouco antes da descoberta e que, sendo a primeira a saber da notícia, me disse as melhores palavras que uma pessoa poderia ouvir nesse momento. À Sheila, que me apresentou esse mundo novo do parto domiciliar, que mudou toda a minha forma de encarar a vida. À minha irmã Lenita por ter vindo pra me ajudar aqui quando eu tive os descolamentos de placenta... e acabou descobrindo que também estava grávida. À Sulema, que cuidou da gente num momento tão complicado de uma forma que poucos fazem hoje. Ao meu compadre João, que sempre esteve presente me ajudando de todas as maneiras possíveis, mesmo estando longe. Aos meus amigos e compadres Livia e Pedro, que sempre se mostraram presentes e ofereceram ajudas de todo tipo. À minha irmã Livia, que se mostrou tão empolgada e empenhada com a chegada dos sobrinhos. A todos os amigos que ajudaram a montar, de uma forma ou de outra, o quartinho da Clara, com tudo o que ela precisava, com presentinhos fofos, lindos e úteis. Àquelas pessoas que nos enviam mensagens de otimismo e de amor, de onde tiramos, por várias vezes, inspiração pra fazer o melhor.
De uma forma mais que especial, porque sem essa força e ajuda eu não sei o que seria, eu agradeço ao meu pai, meu parceiro insubstituível, pelo cuidado e preocupação desde o primeiro dia da descoberta, pelas palavras de amor e incentivo que eu sempre ouvi durante todos esses meses. À minha mãe por estar de volta à minha vida de maneira tão presente, tão carinhosa, tão VOVOZONA, por estar ligada 24 horas em tudo o que tá acontecendo aqui, por aceitar retomar os laços fortes que sempre tivemos. Agradeço também a uma pessoa que não entrou na minha vida não, invadiu! Chegou chutando a mesmice e a falta de graça, com seu jeito Amelie Poulain da roça de ser. A comadre Cibele. Pela primeira consulta marcada pra mim, por todo o apoio e amparo que nos deu, por dividir a cama dela quando preciso, pela amizade tão forte com o Frank e, depois, comigo (isso é que foi incrível). Pelo carinho e amor.
E quero aproveitar pra dizer um OBRIGADA - que não comporta tudo o que eu precisava falar - pro Frank. Meu namorado, companheiro, amigo, parceiro, pela felicidade em ser sua namorada-esposa, pela honra que tem sido cuidarmos de tudo juntos, por me mostrar que tem um tipo de homem que eu nunca imaginei que existisse, por tanto amor e cuidado e paciência com meus xiliques de grávida, por ter trocado TODOS OS PERFUMES, DESODORANTES E SABONETES porque eu enjoava com os cheiros, por todos os cafés da manhã, almoço e jantares pra gravidona aqui, pedir desculpas pelas insanidades hormonais de todo tipo, e agradecer por que somos, depois de 9 meses construindo, virando a massa, juntando tijolo por tijolo, uma família. Sou mais feliz ainda, agora que a minha filha está chegando, porque ela é filha dele. Um dia ele me falou que não sabia de onde sabia, mas sabia que era eu. E que me amava antes de me conhecer. Disse isso três dias depois da minha defesa de tese. E eu achei que ele era louco... Hoje eu já sei que ele é louco mesmo. E é por isso que eu gosto tanto dele, porque são poucas as pessoas no mundo que têm uma loucura tão saudável e amorosa. Ao contrário de você, Frank, eu não sabia que era você, não... Mas vou te dizer: hoje não tenho a menor dúvida sobre isso.

Estou profundamente emocionada. Pelo "simples" fato de que sei que vou cuidar de um bebê que é meu mas não é. Porque é incrível saber que Deus confiou taaaanto em você a ponto de dizer: "Tó esse aqui. Cuida pra mim". Prometo que farei tudo o que eu puder, e o que eu não puder também, pra fazê-la feliz.

Não sou dada a orações pré-cozidas. Mas quero fechar esse depoimento hoje com uma que gosto muito:

"Meu Deus, Vós me confiastes a sorte de um dos vossos filhos; fazei, pois, que eu me torne digno da tarefa que me destes. Concedei-me a vossa proteção, e esclarecei a minha inteligência, para que eu possa discernir desde logo as tendências desse Espírito, que devo preparar para a vossa paz. Deus, já que te aprouve permitir ao Espírito desta criança voltar novamente às provas terrenas, para o seu próprio progresso, concede-lhe a luz necessária, a fim de aprender a conhecer-te e amar-te. Faze, pelo teu supremo poder, que esta alma se regenere na fonte dos teus divinos ensinamentos. Que, sob a proteção do seu Anjo da Guarda, sua inteligência se fortaleça e se desenvolva, aspirando a aproximar-se cada vez mais de ti. Lança o teu olhar paterno sobre a família a que confiaste esta alma, para que ela possa compreender a importância da sua missão, e faze germinar nesta criança as boas sementes, até o momento em que ela possa, por si mesma e através de suas próprias aspirações, elevar-se gloriosamente para ti".

Amém.

... e a Clarinha já começa a ver a luz no fim do útero...

Ilustra do papai Frank Maia!

É rock and roll, mamãe!


Eu conheci o Led Zeppelin ainda muito novinha, apresentado pelo meu pai. Aí fui fazer faculdade e encontrei um monte de maluco que também gostava de Led como eu. A começar pelo meu melhor amigo, que dormia a uma parede de distância do meu quarto - e que hoje é padrinho da minha filha. Lembro que meus amigos dessa época, sempre que começava a tocar Led, diziam: Ó lá, Boca - porque um dia já respondi por essa alcunha aí, pra alguns respondo até hoje - essa é procê hein?!
Todo mundo que me conhece um pouco melhor sabe que é a minha banda preferida, embora seja difícil escolher entre Led, Floyd, Purple, Queen, Sabbath, AC/DC e o restante da velharia do bom e velho rock and roll... Tem até um vídeo que eu adoro (preciso colocar aqui, inclusive) que fica tirando sarro dos bicho-grilos que habitam a região da Vila Madalena, dizendo coisas como "bicho-grilos ninam seus filhotes ao som de Beto Guedes e Led Zeppelin, e dão nomes como Aritana, Cauê, Krishna e Sidarta". Não sou mais uma bicho-grilo, mas continuo querendo ninar meus filhos, sim, ao som do Led.
Logo que fiquei grávida, pensei: êba, vem aí mais uma fã do Led; vai crescer ouvindo. Lógico que eu não teria coragem de colocar uma doideira do Led pra ela dormir... pela sanidade mental dela - e minha. Bebê tem que ouvir coisinha tranquila, coisinha relax, coisinha calminha.
Aí, de repente, não mais do que de repente, o namorado me aparece com um MOOOOONTE de arquivos MP3 mandados por um grande amigo dele e diz: vem cá que quero te mostrar uma coisa. E coloca um troço pra tocar. Paralisei. Choquei. Morri.
Led Zeppelin for Babies!
E depois, Queen for Babies!
E mais um monte de coisa. Tudo for babies!!
Quase pari!
O mundo mudou!
Já tô tentando ver que esquema que eu faço lá no quarto dela pra ela poder ouvir esses arquivos antes de dormir. Porque bom gosto vai embutido nos genes, mas também vem de berço, né?
Eu queria dar um agarrão no ser humano que inventou isso!
Pra você ter uma ideia de como fica lindo, tô colocando aí embaixo uma das minhas favoritas do Led, Over the Hills and Far Away. E uma do Queen, Bohemian Rapsody. Ambas, for babies.
Dá só uma ouvidinha, que coisinha mais linda...



E fuçando na internet ainda encontrei o site de uma loja que aumentou minha pressão arterial! Baby Rock! Espia só! Fala sério? Vale a pena divulgar essa. Ah, se eu fosse rica...


20 julho 2010

Dia da chegada do homem à lua

Alô você!

... que precisa de um DIA DO ALGUMA COISA pra dar valor a quem você ama. Um dia das mulheres pra dar flores pra sua; um dia das mães pra lembrar com carinho dela; um dia das crianças pra levar as suas pra passear sem pressa ou cobrança; um dia dos pais pra fazer um almoço pra ele ou dizer que o ama; um dia dos namorados, pra ser romântico e fazer um programinha diferente; um dia do homem pra enaltecer o seu e dizer que homem tem, sim, o seu valor; um dia dos professores pra lembrar dessa profissão incrível; um dia do amigo pra dizer ao seus o quanto gosta deles...

Alô você que se encaixa em uma dessas categorias: tá mals, ãh?

Hoje logo cedo eu recebi umas mensagens lindas de alguns amigos que não vejo faz um certo tempo, mesmo morando relativamente perto. Esses são aqueles amigos que a gente não precisa ficar encontrando sempre pra saber que são amigos. São e pronto. Tem gente que é assim...
Aí ao longo do dia fui recebendo "alôs" de um monte de gente, via celular ou e-mail, desejando um feliz dia do amigo... gente que NÃO é meu amigo, diga-se de passagem. Com os amigos mesmo, os parceirões, a gente nem precisa desse tipo de formalidade. Amigo é amigo e ponto. Não precisa de um dia pra isso... E eu, transparentona que sou, sempre faço questão de dizer pros meus amigos o quanto eles são importantes pra mim. Sempre digo. Sempre escapa um "amo você" no meio de uma frase sobre margarina, roupas e até mesmo sobre o clima. Gosto de finalizar uma conversa com um "adorocê", pra que não reste dúvidas. E é importante que as pessoas saibam o quanto são importantes pra alguém. Acho que quando é necessário baixar um decreto pra que alguma coisa bacana seja feita, a coisa vai muito mal...
Decreto pra não bater mais em criança?
Decreto pra que haja igualdade de direitos entre negros e brancos?
Decreto pra reconhecer a união entre pessoas do mesmo sexo?
Decreto pra ter um dia do amigo?
Se precisamos disso tudo pra olhar pra pessoa ao lado e ver nele um igual, uma pessoa querida, independente de sua idade, cor, credo ou preferência sexual, tá muito mal...
Pois saiba você que o dia do amigo foi internacionalmente criado em 1979, por um Decreto Lei, tendo sido idealizado por um argentino. E sabe qual foi a motivação dele? Comemorar os 10 anos de chegada do homem na lua. Pois é. Há exatos 41 anos, exatamente dia 20 de julho, o homem pisava pela primeira vez na lua... O idealizador do dia do amigo tinha, portanto, como objetivo, instaurar um dia para dizer mais ou menos o seguinte: olha, somos todos humanos, somos todos amigos, nada é impossível para nós quando estamos unidos. E aí ele quis criar um dia para que as pessoas pudessem se abraçar, trocar presentes e declarar sua amizade umas às outras.
O duro é que muita gente, nos dias de hoje, acha que é SÓ nesse dia...
Amizade por Decreto Lei. Ói que coisa...
Nóis aqui di casa, qui sêmo pobre e simprão, vivemos abraçando nossos amigos, damos presentes sempre que a conta bancária assim permite e declaramos nossa amizade com palavras e gestos.
Sinto saudade de amigos verdadeiros que vejo muito menos do que gostaria, mas com quem falo sempre. Pessoas como Tatá - um ser igual a mim; João - meu cumpadi véio de guerra; Mirtes - minha mentora; Silvana - parceira maracujeira; Livia e Pedro - cumpadis companheiros; e mais um par de gente. Todos estão fisicamente longe. E, mesmo que eu não fale com eles, eles sabem o quanto são queridos. Sem Decreto e sem nada.

Desejar "feliz dia do amigo" é muito bacana. Talvez por isso a data tenha seu valor. O ruim é deixar só pra esse dia...

A todos os meus amigos verdadeiros: FELIZ DIA DO AMIGO, RAPAZIADA! Amocêis... Mas isso eu digo sempre né?
Agora eu vou dar uma fugidinha ali, pro chá de bebê express da minha grande amiga Sil. Tão amiga, tão amiga, que conseguiu até me tirar de casa!

19 julho 2010

Tá todo mundo doido!


Esses últimos dias antes da chegada da Clara têm gerado ansiedade num tantão de gente. E cada um faz uma coisa pra aplacar a sua ânsia de conhecê-la.
E é um tanto de gente doida...
Felizmente! Que já falei que não gosto muito de gente normal.
E acho que por conta da ansiedade, tá todo mundo meio descompensado...
- A vovó Fátima tá angustiada porque estará longe no momento do nascimento. Aí tem transformado a angústia em... em... sei lá que nome tem. Em amor, em doideira, em maluquice. Quer entender melhor? Explico: ela comprou um jogo novo de louça, porque quer que os bebês que estão chegando aprendam a comer em coisa da boa (!). E comprou também - prepare-se - um sutiã pra Clara (!!). Tudo bem, tudo bem, ela sempre disse que seria a primeira a dar um sutiã. Tudo bem. Mas olha que lindo: ela tá mandando pelo correio o xale que foi meu e meu primeiro vestidinho, que agora serão da Clarinha (isso foi lindo demais...)
- Clara também ganhou, hoje, uma cartinha que a madrinha dela escreveu e publicou lá no blog dela. Bizarrinha fofa...
- E o namorado agora faz bolo quase todo dia, pra Clara, acho que pra diminuir a ansiedade também. Anteontem apareceu na sala com três ovos enfileirados na mão, dois pequenininhos (um em cada extremidade) e um grandão no meio, e disse: "Olha! Os bebês normais e a Clara no meio!". No mesmo dia, ainda, fomos a uma loja comprar um roupão bem quentinho e enfrentamos uma fila de carros. Ao ver que todos os carros entravam no mesmo lugar que nós, ele diz: "Olha, tá todo mundo indo comprar roupão pra hora do parto! Todo mundo vai ter bebê em casa!". E grita pela janela: "JÁ COMPRARAM SEUS LIQUINHOS?!"
- E eu ontem fui no quarto da Clara e vi um bichinho dela caído no chão (devo ter deixado cair depois de pegar umas coisas que estavam dentro do berço). Peguei e pensei: "Filha, jogando suas coisas no chão?!". Depois me toquei, parei e vi que não estava muito normal...

É. Tá todo mundo doido...

18 julho 2010

Comemorando as cólicas!

Noite complicada essa de sábado pra domingo... Mal conseguimos dormir aqui em casa. Passei o final do dia com cólicas, que foram embora após um banho bem quente e demorado. Quando eu estava quase conseguindo dormir, eis que voltam com força. Útero se preparando... As cólicas iam e voltavam, ou então ficavam por um bom tempo, mas eu sentia que era apenas uma preparação, que não era a hora da chegada não.
Bem, algumas coisas foram de grande ajuda para o alívio: me aquecer, com um chá relaxante e um banho bem quente, dar uma caminhada pela casa, me concentrar. Ou seja, alívio da dor com coisas facilmente disponíveis aqui em casa. E não farmacológicas - afirmou a doutora em farmacologia. E o namorado do lado, preparando o chá, segurando a minha mão, dando força - remédinho bão esse... Fui conseguir dormir mesmo eram quase 5 da manhã. E aí, já viu, descansamos o domingo inteiro. Não acho nada ruim estar vivenciando esses episódios um pouco dolorosos. Assim chego preparada e fortalecida para a Boa Hora. Mesmo porquê, quem tem esse monte de tatuagens espalhadas pelo corpo, não pode se queixar de qualquer dor porque isso seria meio hipocrisia, né? Durante o dia entrei em contato com uma das enfermeiras, que me disse que isso é absolutamente normal, e pode durar dias ou semanas. Preparação para o parto mesmo.
Aí estava lendo algumas coisas sobre o assunto hoje e encontrei um artigo muito bacana, escrito por várias pesquisadoras aqui de Floripa. Inclusive, uma delas é justamente uma excelente médica obstetra que apoia o parto domiciliar planejado. O artigo tem como título "Cuidado e conforto durante o trabalho de parto e parto: na busca pela opinião das mulheres". Se você quiser lê-lo, é só clicar aí no título. Foi nesse artigo que eu li o fundamental trecho: "Ao considerar o cuidado e o conforto durante o trabalho de parto, não se deve simplificar e considerar apenas o alívio da dor. Cuidar é olhar,enxergando; ouvir, escutando; observar, percebendo; sentir, empatizando com o outro, estando disponível para fazer com ou para o outro. A condição essencial para que ocorra o conforto é proporcionar um ambiente favorável, ou seja, um ambiente em que a pessoa seja cuidada e sinta que está sendo cuidada, pois lhe foi oferecido/ofertado afeto, calor, atenção e amor e estes favorecerão o alívio, a segurança e o bem-estar". Vale a pena a leitura.
Mas vou dizer uma coisa: nunca estive tão feliz por sentir cólicas!
E que venham mais!

Lá em cima, minha barriga quentinha clicada pela Sonia Vill.

17 julho 2010

Sobre a espera e a felicidade

Como era de se esperar, estou ansiosa pela chegada da Clara. Anteontem, tomando banho, eu tive uma longa, carinhosa e séria conversa com ela. Ela tem o costume de me ouvir, esse meu tiquinho de gente embutido dentro desta matrioska que vos escreve... Disse pra ela, nessa conversa, que faltava só completar uns detalhes da mala da mamãe (porque mesmo sendo um parto domiciliar, queremos estar preparadas para qualquer eventualidade), comprar um roupão bem quentinho, arrumar um botijãozinho de gás adicional (pra ajudar a aquecer a água da piscina) e terminar umas 8 lembrancinhas que ainda estavam incompletas. Disse pra ela que, assim que estivesse tudo pronto, pra ela ficar absolutamente à vontade pra chegar. Que a casa é dela, a mãe é dela e o pai é dela também. Que lá dentro, daqui a pouquinho, ia começar a ficar muito muito muito apertado, e que aqui fora, embora esteja bem frio, estará muito quentinho esperando ela chegar. Quentinho de amor e quentinho de aquecedor.
Agora não falta mais nada, terminamos tudo o que precisava desses preparativos. E ela é muito, muito atenta. Presta atenção em tudo o que a mamãe fala e faz... Viu que terminamos tudo e começou a dar sinais: comecei a sentir umas cólicas e umas coisas diferentes, sinais de que está havendo uma modificação pra preparar a gente pro parto.
E, como disse lá em cima, estou ansiosa e curiosa pelo momento, e sou exatamente como o Bob e o seu Fantástico Mundo: monto imagens de tudo o que eu penso ou ouço. Então eu imagino que minha filha está lá no lugar de onde vêm os bebês, numa fila, esperando a vez dela. Hoje cedo nasceu, assistido pelo Hanami, um bebê da leva dela. A mãe dele participou da mesma palestra de apresentação do parto domiciliar que eu e mantivemos um contato essa semana, uma dando força à outra. Ele tinha 1 semana a mais que a Clara. E chegou hoje. Então a minha imagem se completa: agora a Clara talvez seja a primeira da filinha... Se eu, que já conheço o mundo, estou ansiosa, como será que ela está? Sinceramente, não sei. Porque existem mais mistérios entre o céu e o útero do que imagina a nossa vã obstetrícia... No caso de dúvida, já falei pra ela: filha, estou aqui e vou estar sempre, do seu lado, te apoiando, te amparando. O papai também. Quando quiser, pode vir. Vai ser muito legal.
Agora é esperar ela subir no onibinhus, aquele que o namorado desenhou em um dos posts anteriores, e chegar. Pode ser até que já esteja a caminho, né? A gente é que não sabe se a viagem é longa...
Enquanto isso, eu fico aqui me preparando. Mas não sozinha.
Junto com esse cara incrível que não tem me deixado sozinha em nada que diga respeito à nossa vida e à da nossa filha.
Junto com o pai da Clara.
Agora mesmo a gente estava falando sobre isso: estamos vivendo um dos momentos mais incríveis das nossas vidas. Como é bom ter consciência disso.
Ainda tem muito homem bunda no mundo. Mas, como eu ouvi essa semana, uma porção deles está mudando em função das novas mulheres que estão surgindo.
Falando em homens que apoiam suas mulheres, uma pessoa que acompanha o blog, a Beatriz Bacci, gentilmente me indicou a leitura de um depoimento publicado em outro blog, dessa vez pelo pai que acompanhou o parto domiciliar da sua filhinha. Ontem o namorado leu e hoje eu li. Adorei! Então, compartilho com quem mais quiser ler sobre o assunto. É só clicar aqui. Obrigada, Beatriz!

Tem gente que é feliz, não tem consciência disso e, por não ter consciência, vive buscando a felicidade em outro lugar ou esperando ela chegar.

Ter a consciência de que se está vivendo um momento feliz já é a felicidade.

PS: Respondendo a uma pergunta que me fizeram. Por que eu imagino a Clara chegando num ônibus e não no bico da cegonha? Ué, simples. Primeiro porque nessa família todo mundo gosta de pegar a estrada e ver a paisagem. Segundo porque somos contra a exploração de animais... Coitada da cegonha. Já pensou ter que voar segurando um bebê de quase 4 quilos e que vai dando pitaco a viagem inteira?

16 julho 2010

Clara que é nossa filha...

Existe uma situação sobre a qual eu nunca havia pensado antes. Na hora de registrar o seu filho, como você prova que ele é mesmo o seu filho (ou filha)? Bom, tradicionalmente, o pai, mãe ou familiar próximo da criança sai do hospital com uma declaração de nascido vivo, vai até o cartório e registra o bebê.
Mas e se o parto não foi feito no hospital, como será o nosso caso, como provar que o bebê é da pessoa mesmo? Existem relatos de pais que enfrentam dificuldades em registrar seus filhos quando o parto acontece fora de instituições médicas. A novelista Renata Dias Gomes, por exemplo, neta do também novelista global Dias Gomes, enfrentou uma desagradável investigação e teve que provar que o bebê era filho dela mesmo. Ela optou pelo parto domiciliar e, ao tentar registrar o filho, teve a desagradável surpresa. Você pode ler a notícia completa clicando aqui. Concordo que, considerando que vivemos num país onde a bandalheira parece ser a regra, e onde todo tipo de coisa estranha acontece, realmente os cartórios precisam de medidas rígidas para evitar a adoção ilegal. Mas quando o exagero acontece é que a coisa vira uma triste piada. E, mesmo enrijecendo o protocolo, quem realmente quer burlar o sistema, deve conseguir - é o famoso, e deplorável, "pagando bem, que mal tem?".
Pra evitar um susto desse, uma das enfermeiras que vai nos ajudar no parto domiciliar nos instruiu, ontem, a ir no cartório aqui perto de casa, me apresentar e apresentar a minha barriga.
Aí fomos - porque fazemos toda a lição de casa. Pra não chegar lá e dar uma de louca, dizendo: "Oi, tô grávida, tá vendo?" e sair fora na sequência, aproveitei pra me informar sobre como devemos fazer pra registrar a Clara depois do nascimento. Cheguei e falei: "Oi. Tô grávida. De 9 meses, como você pode ver. E minha filha vai nascer por esses dias, em casa. Queria saber o que precisamos de documentação para registrá-la depois". E saiu mulher de tudo quanto era portinha do cartório, funcionárias, acho que querendo ver do que se tratava...
E sabe que eu gostei muito do procedimento? Ao contrário do registro tradicional, em que basta o pai se apresentar com a documentação, a mãe deve, obrigatoriamente, estar presente. Gostei dessa! Então os pais devem estar lá, portando toda a documentação, que inclui: documentos pessoais dos pais; declaração das enfermeiras que realizaram o parto, que devem ter registro do conselho regional; comprovante de residência; fotos da mãe grávida e da hora do parto; e, principalmente, duas testemunhas que tenham acompanhado a história da gravidez.

Aí me deu vontade de perguntar: e vocês têm cadeiras suficientes?

Se bem que eu tenho certeza que, se chegarmos lá só com a Clara no colo, elas olharão o tamanho das bocas e dirão: taqui a certidão ó!

15 julho 2010

Uma "Boa Hora"


Quando tenho alguma grande tarefa pela frente, para garantir que ela seja bem feita eu uso uma estratégia poderosa: me preparo. Muito.
Estudo. Pesquiso. Me dedico. Faço as coisas bem feitas - tento, pelo menos.
Sou meticulosa e detalhista.
Até faço umas besteirinhas no caminho, mas logo pego o rumo de novo.
Apavora-me a ideia de não conseguir um bom desempenho apenas por não ter me dedicado como deveria. Uma coisa é você não conseguir por motivos que fogem ao seu controle. Outra coisa, bem diferente, é você não conseguir um bom resultado porque não se dedicou e se preparou como deveria... Montes de pais dizem isso para os filhos e, na prática, também não fazem. E isso vale para tudo: trabalho, sonhos, relacionamentos, tudo.
Eu não consigo agir assim, ir na louca, na cara e na coragem, sem uma boa preparação anterior.
Tenho uma defesa, uma prova, uma entrevista, um qualquer coisa, PRECISO me preparar. Se achar que não estou preparada, nem me meto a besta.
Assim foi com a minha gravidez. Assim tem sido. Assim será até o finzinho.
Mas acontece que eu já estou no finzinho...
Antes eu contava o tempo que faltava em meses. Depois, em semanas. E agora, entre semanas e dias. Está chegando a hora do parto.
Está chegando aquela hora que todas as mulheres sensíveis com as quais cruzei durante esses 9 meses profetizaram: está chegando a BOA HORA.
É a coisa mais linda, mais querida (como diz o manezinho da ilha...), ouvir as pessoas te desejando uma boa hora.
Mas o que é uma boa hora?
Tradicionalmente, são os votos que são feitos às mulheres grávidas, principalmente àquelas que se encontram próximas ao momento do parto.
Uma bora hora seria, assim, um parto tranquilo, sem complicações, com mãe e filho saindo dessa bem saídos.
Mas a boa hora não acontece do nada, apenas porque Nossa Senhora do Bom Parto assim o quis.
Andei procurando a oração de Nossa Senhora do Bom Parto para ler nesses próximos dias. E decidi, depois de pensar nela, que não a utilizarei.
Achei a oração meio catastrófica, sorry...
Nada contra a Igreja Católica e suas orações, nada. Mas veja só:

"Ó Maria Santíssima, vós, por um privilégio especial de Deus, fostes isenta da mancha do pecado original, e devido a este privilégio não sofrestes os incômodos da maternidade, nem ao tempo da gravidez e nem no parto; mas compreendeis perfeitamente as angústias e aflições das pobres mães que esperam um filho, especialmente nas incertezas do sucesso ou insucesso do parto. Olhai para mim, vossa serva, que na aproximação do parto, sofro angústias e incertezas. Dai-me a graça de ter um parto feliz. Fazei que meu bebê nasça com saúde, forte e perfeito. Eu vos prometo orientar meu filho sempre pelo caminho certo, o caminho que o vosso Filho, Jesus, traçou para todos os homens, o caminho do bem. Virgem, Mãe do Menino Jesus, agora me sinto mais calma e mais tranquila porque já sinto a vossa maternal proteção. Nossa Senhora do Bom Parto, rogai por mim!"

Calma.
Clara não foi feita por pecado original não, calma.
Foi feita é com muita alegria. Não sabia que estava fazendo, mas fiz feliz.
Senti mesmo umas ziquiziras esquisitinhas na gravidez, como azia, cansaço, dor no ciático, nos ligamentos pélvicos, mas não acho que isso foram "incômodos da maternidade". Foram coisas facilmente explicáveis pelas mudanças que se passaram (e ainda se passam) no meu corpo.
Sabe... acho que prefiro uma conversa menos dramática com Nossa Senhora do Bom Parto. Uma coisa mais de "mulher pra mulher".
Então fiz minha própria oração:

"Nossa Senhora todas - da Graça, de Fátima, Aparecida, Desatadora dos Nós, do Bom Parto, todas.
A senhora é mãe.
Sabe o que é ter um filho corajoso, destemido, obstinado, líder e ousado para o seu tempo.
Sabe que isso traz uma grande alegria ao coração, mas também um medo tremendo de perdê-lo...
Então conhece melhor do que todas as outras mães a tal "dor e delícia" de ser mãe.
Eu não devia pedir mais nada nessa altura do campeonato, visto que fui tão protegida e amparada durante essas 37 semanas e 5 dias em que gesto minha filha.
Devia, agora, dizer: obrigada, muito obrigada, e ponto e basta.
Mas, sabe como é, sou humana, não sou santa, sou imperfeita e cara de pau.
Então vou pedir à Senhora só mais uma coisinha: proteja minha pequena família durante o meu trabalho de parto.
Que possamos ser corajosos, fortes, amáveis, carinhosos e biológicos.
Que eu sinta todas as mudanças como processos naturais e, assim, deslize suavemente pela Boa Hora.
Que eu transforme eventuais dores em compreensão de que elas são, apenas, consequência de termos adquirido a característica bípede, com consequente estreitamento da bacia, e não como sofrimento.
De que são etapas fundamentais de preparação física e espiritual para a chegada da minha filha.
Que eu me lembre, a cada contração, a cada segundo, que são minutos a menos que me separam do momento de ver o rosto da Clara.
Que o trabalho de parto seja, para todos nós, um momento tranquilo, seguro e natural.
Que a Clara encontre, feliz, o caminho de volta, a fim de nos reencontrar.
Que eu tenha força até o fim.
Força e fé.
Que o Frank também seja forte e seguro, para vivermos isso juntos.
E que nossa filha venha cheia de saúde, de alegria, de energia e vigor pro início de uma nova experiência de vida.
Que todas as nossas amigas do parto sejam envoltas por uma energia de amor e tranquilidade para que, durante as horas em que estaremos juntas, possamos ser uma grande família.
Está meio frio lá fora, mas eu peço à Senhora que nossa sala seja, durante essas horas, um grande centro de calor humano e confiança na vida.
Por fim, peço que proteja a mim e a todas as mulheres que encaram suas missões sem pavor, com a cara, a coragem e a barriga.
E que dê força àquelas que ainda não são seguras de si.
Esteja conosco na Boa Hora, como tem estado sempre.
Amém."

Hoje tive mais uma consulta domiciliar de preparação para o parto. E hoje me senti totalmente preparada. Acredito de corpo e alma que terei, realmente, uma Boa Hora. Mas essa segurança não veio do nada não. Veio da preparação prévia que mencionei no início. Da dedicação, da entrega, da aceitação e do aprendizado.
É inevitável que, agora que está chegando a hora, eu vá fazendo uma retrospectiva de todo o percurso. Aprendi muito, meu Deus do céu, como aprendi.
Que experiência tão incomparável...
Aprendi mais do que havia aprendido durante grande parte da minha vida.
Não dá pra dizer o que foi mais importante.
Mas talvez eu possa tentar enumerar - correndo o risco de errar - aquilo que provavelmente vai me deixar mais marcas.
1 - Confiar na vida.
2 - Confiar em si mesma.
3 - Confiar nos outros.
Agradeço a todas as mulheres queridas que me desejaram um BOA HORA.
Tenho tido Boas Horas desde que soube da minha gravidez. Tive horas difíceis sim. Muitas. Mas em termos de importância na construção de quem sou hoje, até essas horas se transformaram em Boas.
Essa semana, uma senhora muito simpática, chamada Fátima (o mesmo nome da minha mãe), que não conheço, me sugeriu a leitura da Adélia Prado nesses dias que antecedem o parto.
Obrigada, Fátima! Já leio a Adélia há muito tempo, mas, realmente, esse é um momento ainda mais especial para lê-la.
Então eu escolhi um poeminha dela pra fechar minhas elocubrações de hoje:

"Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
"


Boa Hora pra todas! Grávidas, não-grávidas convictas, já-não-mais-grávidas e ainda-não-grávidas.
Imagem disponível em www.pattirondolino.com

14 julho 2010

Coisa de cinema!


Um tempo atrás, já na gravidez, eu estava na sala começando a assistir a um filme quando pensei em algo e tomei um susto: será que eu não poderei mais ir ao cinema depois que a minha filha nascer, gente do céu?! Não que isso fosse um problema importante... Mas é que quando a gente tá grávida, principalmente de primeira viagem, surgem as dúvidas mais esquisitas. Já cansei de perguntar aqui em casa coisas como "a gente vai conseguir ver filmes mais alguma vez na vida depois do nascimento da Clara?". Ou "a gente vai ter uma vida normal ou vamos viver trancados em casa?". Ou ainda: "Com quanto tempo a gente pode sair de casa com ela depois que ela chegar?". Outro dia eu estava pensando: "Como vai ser tomar banho?" "E se eu quiser fazer xixi?" "Vou conseguir secar o cabelo?" "E as unhas, vou conseguir fazer?" "Quanto tempo antes a gente vai ter que começar a se trocar quando for sair de casa?", "E livro?? Vou conseguir terminar um livro???".
Normal, gente, eu nunca tive filhos... Não sei mesmo como funciona. E esse é o tipo de coisa que a gente não pergunta pro Google, nem pra ninguém, porque cada um tem ou teve uma experiência que pode ser absolutamente diferente da sua.
Outro dia, ainda, perguntei pro namorado: "Quanto tempo por dia um bebê dorme? Ela vai dormir mais ou vai interagir mais?"
Pois é... não sei nada sobre criar filhos. Teoricamente... Porque sei que, quando ela chegar, vou me lembrar de todo o arcabouço biológico que trazemos desde o início da evolução humana, embutido nos nossos genes, e vou saber me virar. Não tenho grandes pavores não. Apenas pequenas - e fundamentais - dúvidas. E dúvida todo mundo tem né?
Mas ainda sobre a questão do cinema (que eu adoro!), eu e o namorado já tínhamos até combinado: um dia eu iria ao cinema com os amigos e ele ficaria fofando nossa gordinha e, outro dia, iria ele enquanto eu beijava o cangotinho.
Agora, chegou a notícia boa: podemos ir juntos ao cinema! Nós três! Ou eu e ela, ou ele e ela. Ebaaa!
Agora em agosto, chega em Florianópolis o CINEMATERNA. Clique aí pra conhecer!
O CineMaterna funcionará com sessões de cinema para mamães, papais e seus bebês (até 18 meses), olha que coisa mais legal. São filmes que interessarão aos pais, mas que os babies poderão aproveitar também, e a sala será toda adaptada para o conforto das famílias: som mais baixo, trocadores, ar condicionado sem congelar os ossinhos (como tantas vezes acontece) e filmes que são escolhidos por meio de enquetes. E depois, ainda tem um cafezinho. Muito boa ideia! O projeto já existe em outras cidades brasileiras, mas está chegando agora a Floripa.
Que sorte a nossa!
Tô fazendo propaganda mesmo - e espero que outras mamães e papais possam aproveitar a dica!
Agora só falta o CabeleireiroMaterna, o ManicureMaterna, o Pós-DoutoradoMaterna, o AcademiaMaterna, o BibliotecaMaterna e outras coisas que você, mamãe, poderá fazer tranquilamente junto com seu filhote... Ó que filão!

13 julho 2010

Filhas de Gandhi, ê povo grande!

Hoje fizemos aquele que pode ser o último ultrassom da Clara, pra avaliar o bem estar fetal e tudo mais... Algumas pessoas acham que fazer mais ultrassom nessa fase final pode aumentar a ansiedade da mãe. Mas, no meu caso, diminui, porque eu vejo que está tudo bem com ela e relaxo. Queria saber como ela está de líquido, de cordão, de bem estar, enfim. E, como já mencionei aqui e repito, acho que a mãe deve escolher os procedimentos que a deixar mais confiante e tranquila na gravidez. Desde a escolha do médico até o tipo de parto, passando pelos exames que deverá fazer. E eu escolhi fazer os exames que aplacam minha ansiedade - que é grande. Fico mais tranquila assim...
Bem, vi minha filha hoje. Quer dizer, tentei ver. Porque agora tá tudo engruvinhado lá, gente pra todo lado. É cabeça junto com pé, mãozinha junto com peitinho, com bumbum, uma doideira de gente e cordão e placenta e líquido. Tudo ao mesmotempoagoraejunto.
E ela já tem uma vasta cabeleira! Filha de leão, leãozinho é... E diz o médico: já separa a escovinha de cabelo e as chucas, que vem uma cabeleira aí. E é uma bebezinha de peso: 3,600 kg!! OH CÉUS... Ok, começarei amanhã mesmo minha sessão de agachamentos. Vou andar pela casa como uma sapa agachada porque a ordem é: VAMOS ALARGAR ESSA BACIA, MINHA FILHA!
3,600 kg em 49 cm de bebê. Uma bebê saudável e forte. Que é tudo o que uma mãe quer e precisa saber.
Agora é esperar... Estou apostando na virada da lua cheia do dia 25 pro dia 26 de julho, como já mencionei. Mas qualquer hora é hora, agora.
Agora tá bem no finzinho, né? Bem no finzinho... Tá dando medinho. Mas já falei sobre medos, aqui e em outros blogs. Tenho medo mesmo e não acho absurdo ter, porque o medo é como a dor, eles nos protejem... E procuro controlar o meu a tempo. Mas ontem não consegui... Tive uma crise ME-GA dele. ME-GA! TOTALMENTE PARALISADORA! Como há anos eu não tinha, muitos anos... Por motivos que não diziam respeito diretamente à gravidez, mas na hora tudo se mistura. Mas hoje acordei melhor e fui atrás das coisas que precisava ir. Não tinha vontade. Mas me forcei e fui. Namorado comigo - que isso é um guerreiro highlander, como eu...
E no fim o dia foi muito bom. Com direito a palestra de Lya Luft e tudo mais...
Se eu pudesse escolher uma música pra representar toda a minha gravidez, eu escolheria "Ijexá" (também conhecida como "Filhos de Gandhi"), cantada pela Clara Nunes com o Gil. Na verdade, eu já escolhi. Fiz um videozinho com as melhores fotos da gravidez, com essa música de fundo. É uma música muito especial e forte, e traz um monte de axé, de força e de boas energias.
Filhas de Gandhi!
Ê povo grande!

11 julho 2010

Preparando a chegada...


Essa semana foi quase totalmente dedicada aos preparativos para a chegada da Clara. Tivemos duas consultas pré-natais. Uma com a médica que já vem acompanhando a gente desde o início da gravidez. A outra, a nossa primeira consulta com as enfermeiras do Hanami. Se eu já estava tranquila com a decisão de ter a bebê em casa, agora fiquei mais.
Claro que com a proximidade do parto uma tensão emocional se faz mais presente, mas com relação ao tipo de parto que escolhi, estou muito tranquila. A assistência que esse grupo já começou a me dar contribui em muito para a confiança em um parto respeitoso e tranquilo. Essa semana foi a primeira consulta aqui em casa: pressão arterial conferida, barriga medida, posição da bebê verificada. E a partir de agora, uma consulta domiciliar por semana até o dia do parto - que será sabe-se lá quando... A Clara já está em posição cefálica - ou seja, de cabecinha pra baixo, mas ainda não encaixou. Nós ficamos muito felizes porque, pela primeira vez, conseguimos sentir sua cabecinha, apalpando a base da barriga, bem no finalzinho do abdome, entre a barriga e o osso púbico. Agora é aguardar a hora dela. Estamos apostando na lua cheia do dia 26, quem sabe... Mas é uma coisa intuitiva mesmo. Se isso acontecer, será o aniversário mais especial que eu poderia imaginar, já que faço 32 anos dia 27. Enquanto isso, ela continua numa mechilança incrível. Tem pezinho mexendo até em lugar que eu nem sabia que tinha útero.
Depois do nascimento, as enfermeiras ainda nos darão todo o apoio pós-parto, vindo nos visitar no primeiro e terceiro dias. Depois, no décimo, a gente faz a finalização do apoio. Muito, muito legal.
E hoje falei com minha irmã caçula, que carrega o Murilinho. E fiquei muito contente ao saber que ela também optou pelo parto normal.
Então, tudo sendo encaminhado. Ansiedade no limite saudável. Mas a parte emocional está bem frágil. Acredito que seja um processo normal que acontece às vésperas do nascimento. A gente acaba fazendo uma revisão da vida, das coisas que viveu até aqui, fica muito incerta sobre o futuro, aflora um monte de coisa, dá uma sensação de fragilidade. Por isso - e por uma questão física também - tenho preferido me entocar ainda mais aqui em casa. Fico quietinha aqui, chocando meu ovinho. Mesmo porquê, agora está mais difícil fisicamente. A barriga está imensa, a azia está me matando e os pés andam bem inchados. Junta essas alterações físicas à fragilidade emocional e fica claro como tem sido melhor, pra mim, ficar em casa. Bem bicho mesmo, bem mamífera, juntando paninhos e se escondendo no cantinho pra ninguém te achar e parir tranquila. Mas nessas horas já aprendi que preciso respeitar isso, ao invés de ficar lutando contra e fingindo que não existe. Deu tudo certo até aqui, não tem porquê não continuar dando... mas preciso respeitar meu tempo.
Minha mãe hoje me perguntou se eu não queria ir lá pra casa dela, no interior de SP, durante a minha recuperação, pra ela ajudar a cuidar da gente, já que ela não poderá vir pra cá pra me ajudar, em função do trabalho. Mas era tudo o que eu queria... Ando meio precisada mesmo de carinho de mãe. Mas agora somos três. Deslocar uma vida, é fácil. Foi fácil pra mim até agora. Mas três vidas, é mais complicado. Então vou ficar por aqui mesmo, aprendendo a brincar de boneca.
Pra ajudar a entender esse período, tenho lido umas coisas muito boas, em livros e sites. Dois sites que recomendo: o Parto do Princípio e o Amigas do Parto. Lá tem coisa sensível, útil e importante, que te ajuda a não se sentir uma extraterrestre, nesse período de tantas indefinições e dúvidas...

07 julho 2010

O lado negro da humanidade

Um assunto: há cerca de 3 semanas ou mais, uma triste e deplorável notícia se tornou um hit aqui em Santa Catarina, sendo disseminada através de incontáveis e-mails e infindáveis mensagens no Twitter, com uma riqueza macabra de detalhes que, sinceramente, feriu os meus sentimentos. Não vou dar detalhes sobre o caso, mesmo porque ele já atingiu conhecimento nacional. Mas o fato diz respeito a uma menina de 13 anos que foi estuprada por três garotos de cerca de 14 anos, aqui em Florianópolis. O que causou todo o rebuliço é que um dos supostos agressores é filho do dono da maior empresa local de comunicação e outro é filho de um delegado. Foi um alvoroço horrível. Todo mundo propagou a notícia como se fosse de fundamental importância falar nesse assunto, alegando que isso devia ser espalhado como forma de exigir que a empresa de tv se manifestasse e não sonegasse informações, uma vez que, quando se trata do estupro de outros menores, a empresa não se omite e noticia.
Outro assunto: esse caso envolvendo o assassinato de uma moça pelo goleiro de um time de futebol brasileiro. Hoje isso inundou os meios de comunicação, suplantando até mesmo a Copa do Mundo em dia de semifinal, com direito a cobertura 24 horas e tudo mais.
No primeiro caso, foram espalhados aqui em Floripa trechos de diálogos abomináveis dos supostos criminosos, detalhes sórdidos do crime, nomes dos menores, locais onde possivelmente estudam e tudo mais. Sei disso porque todo mundo comentou isso. Fiz absoluta questão de não querer saber dos detalhes, o que foi dito ou não, o que escreveram ou não. E explico o porquê: me basta saber que uma criança de 13 anos foi estuprada. Ler o que foi dito sobre ela pelos infratores nada mais é do que estuprá-la novamente. Uma criança que, com certeza, deve estar sofrendo uma dor que nós não imaginamos... Mas parece que as pessoas têm uma sede insaciável de coisa desse tipo pra comentar.
No segundo caso, da jovem assassinada, impedi que algumas pessoas me contassem detalhes dignos de um filme de terror que foram sendo descobertos, e ouvi somente o inevitável na cobertura jornalística. Para frases como "você viu o que fizeram com o corpo?" eu respondi, repetidas vezes: "não me conta, não me conta, não quero saber, por favor!", porque já me basta saber que uma mulher foi assassinada, deixando bebezinho pequeno...
Por que esse meu comportamento?
Porque eu fico enojada, horrorizada, extremamente ferida com a exploração que se faz da tristeza desses seres humanos, vítimas e familiares. Tanto pela mídia como pelas pessoas em geral. Mas, principalmente, porque eu acho de uma hipocrisia violenta.
E tem gente dizendo que saber de tudo isso é combater a alienação!!
Mentira descabida e mal lavada: saber dos detalhes sórdidos é alimentar a sede de desgraça que o povo, infelizmente, tem. Independentemente da classe econômica e do nível de formação.
Quantas crianças são violentadas por dia somente em nosso país?
Quantas mulheres são assassinadas por dia aqui no Brasil?
Quanta gente inocente é vítima de todo tipo de atrocidade?
Quantos desses casos recebem toda essa atenção da mídia, exigindo punição, evitando que o foragido realmente permaneça foragido, auxiliando nas investigações?
O que justifica realmente todo esse apelo: o fato de que ali tinha um ser humano que foi violado ou o fato de que os crimes foram cometidos por "gente famosinha"?
Eu gostaria muito de pensar que toda a mobilização se deve por uma razão humana. Mas é claro que não é... É porque os meios de comunicação precisam de torpezas assim pra se manterem funcionantes. E como meios de comunicação incluam-se cada uma das bocas e computadores que repercutem o fato.
Existe uma deprimente estatística que afirma que, no Brasil, uma mulher é estuprada a cada 12 segundos. Por que elas não recebem a mesma atenção, no sentido da população exigir divulgação e punição?
Não conheço o número de mulheres que são violentamente agredidas e, quiçá, assassinadas por seus amantes, namorados, companheiros e afins, mas acredito que seja um número muito maior do que é contabilizado. Por que esses assassinos também não são perseguidos pela mídia, mais do que pela polícia, a exemplo do que acontece quando é um famoso quem comete o crime?
Não quero dizer com isso que esses dois casos não devessem ser expostos na mídia. Pelo contrário. Acho que tem sim que ser divulgado. O que eu acho é que nenhuma atrocidade envolvendo seres humanos deve ser tão explorada dessa maneira, grosseira e repetidamente... Mas esse gosto popular pela desgraça é um filão que a mídia capitalista não pode deixar de comercializar, segundo sua filosofia...
Então eu quis escrever isso hoje em solidariedade não somente à criança violentada e à família da jovem assassinada, mas também, e principalmente, às centenas de vítimas da violência que não têm seus casos tão intensamente investigados quanto esses. E que, muitas vezes, precisam tocar suas vidas sabendo que seus algozes andam livres por aí.
Você sabia que, no início deste mês, foi descoberto que duas crianças eram repetidamente violentadas por seu padrasto dentro de sua casa e com a anuência da própria mãe? Pois é, eu também não soube. Só soube agora, porque fui procurar uma notícia sobre neurociência e encontrei essa matéria mencionada na barra lateral.
Sabe por que não soubemos?
Porque o criminoso é um joão ninguém que não daria Ibope na tv. Ainda mais em tempos de Copa do Mundo e de um polvo que antecipa o resultado dos jogos...
Vivemos em tempos muito loucos mesmo.
Em tempos em que já deve ter gente pedindo a Deus, em suas orações, pra que nenhum tipo de violência aconteça a si mesma ou à sua família. Mas, no caso de acontecer, que seja feito por gente famosa. Assim, pelo menos a chance da impunidade cairia...
Mundo mundo, vasto mundo. Se eu conhecesse um outro, nessas horas gostaria de ir para lá...

04 julho 2010

9 meses gestando a vida - a dela e a minha


Pense no seguinte: como estava sua vida em outubro passado?
Agora pense: como está a sua vida hoje?
O que mudou? O que permaneceu como estava? O que você gostaria que tivesse acontecido e que não aconteceu? O que aconteceu de acordo com o esperado?
Qual o seu balanço: mudanças positivas, avanços, ou tudo como antes no quartel D´Abrantes?
Pois aqui, mudou tudo e mais um monte!

Hoje, 04 de julho, completo 9 meses de gravidez.
9 meses de profundas mudanças físicas, psíquicas e emocionais.
9 meses...
Há 9 meses e 1 dia atrás eu era mestre, pós-graduanda, solteira, morava sozinha e não sabia direito o que faria da vida dali por diante.
Hoje sou doutora, sem um emprego definido, lancei-me em novos projetos, moro com meu namorado, sou mãe e, embora ainda não saiba direito o que farei da vida daqui pra frente, uma coisa sei: Clara estará sempre comigo.
Ontem, assisti a um filme que muitas pessoas já tinham me recomendado.
Plano B (The Backup Plan), com Jennifer Lopez. Confesso: só assisti porque foi muita gente falando que eu "precisava" assistir... não curto nada esse tipo de filme.
E no fim, foi bom ter assistido.
Em três momentos, tivemos que fazer uma pausa pra que eu pudesse me recuperar da crise de riso, daquelas que você chia o peito e perde o ar...
Não. O filme não é uma comédia assim incríííível. Mas como fala sobre gravidez, foi inevitável, para uma gravidona de reta final como yo, rolar uma baita identificação em muitos momentos.
Tem uma cena de parto domiciliar, inclusive - o motivo das pessoas dizerem que eu "precisava" assitir.
BI-ZAR-RA!
O que me fez pensar em como as pessoas realmente desconhecem essa escolha de parto...
Fiquei meio contrariada nessa hora, até que meu namorado me lembrasse que era APENAS um filme de comédia.
Bem, não vou fazer aqui uma sinopse do filme.
Mas claro que muitas vezes me identifiquei. Chorei em alguns momentos - em que, definitivamente, não precisava chorar... - por lembrar de algumas coisas que passei.
Adoro estar grávida. Ver todas as mudanças acontecendo, sentir a Clara crescendo, mexendo. Mas não posso negar que, especificamente no meu caso, foram 9 meses muito difíceis...
Muito difíceis.
De profundo amor.
Mas difíceis.
Foi difícil saber que estava grávida, pois tinha recém começado um namoro.
Foi estranho parar de fumar, quando soube que estava grávida.
Foi difícil (esse foi muito) não tomar uma cervejinha com os amigos.
Foi difícil ter meu humor arrasado e meu componente emocional completamente alterado pelas mudanças hormonais.
Foi difícil estar fisicamente longe da minha mãe num momento tão especial para uma mulher.
Foi difícil ver meu corpo mudando tão rapidamente.
Foi difícil a adaptação.
Mas o que eu julgo mais difícil de tudo foi, sem sombra de dúvidas, a mudança no meu comportamento geral. Eu consigo facilmente identificar uma de mim antes e uma de mim durante a gravidez. E, com certeza, ainda virá uma terceira, após.
Claro que virá. Sobre essa, estou curiosa. Por essa, estou ansiosa.
Nunca fui uma pessoa caseira, embora gostasse de curtir momentos de isolamento vez ou outra. Mas nunca fui de ficar muito em casa. Na gravidez, tornei-me um bichinho entocado que dificilmente sai de casa, que adora ficar em casa horas a fio. E sair me deixa meio incomodada.
Meu humor ficou extremamente ácido e implacável. Fiquei um pouco intolerante com futilidades também. E, no momento, não tenho muita paciência para coisas que antes eu teria...
Não foi fácil perceber todas essas mudanças e, principalmente, vê-las acontecendo na minha vida. E, sinceramente, espero voltar ao meu estado anterior após a chegada da minha filha (ok, sei que será difícil, mas me deixa ser Pollyanna). Gostava mais de mim antes, quando meu humor não havia sido tão alterado. Mas sei que os hormônios realmente atuam sobre nossa parte emocional, então acho que é esperar passar tudo isso.
No filme, em determinado momento o namorado/pai pergunta para a namorada/mãe:
"Você ainda está aí dentro?"
Aí meu peito apertou forte... Porque eu passei 9 meses perguntando isso pra mim: "Ligia, você ainda está aí?"
E me angustiava muito quando não ouvia sinais de mim...
Mas agora, que estou no finalzinho, comecei a me ver de novo, em algumas coisas.
Olho pra mim e vejo que estou voltando aos poucos. Coisa incrível essa...
Embora tenham sido meses difíceis, foram meses incríveis. Malucos, mas muito legais. Porque o que eu aprendi sobre a vida, não está em nenhum compêndio, ou tese, ou universidade.
Eu perdi a minha avó. Mas ganhei a minha mãe de volta.
Eu passei aperto sem poder tomar uma cervejinha, um vinhozinho. Mas ganhei um pulmão novo.
Deixei o meu cantinho, o meu apartamento, que eu adorava.
Mas ganhei uma família, uma casa deliciosa, com plantas no quintal e sacadas nos quartos.
Deixei uma vida single e hoje tenho um parceirão engraçado, inteligente e espirituoso.
E, por fim.
Eu podia ter perdido ou deixado tudo o mais... Porque, agora, eu tenho uma filha. E uma outra razão de ser e de viver.
O título do filme, "Plano B", chega a ser até irônico, pra mim.
Sempre tive o meu plano principal, o B, o C, o D e, de vez em quando, o E. Sempre tive a vida muito controlada e definida, planejada mesmo. Até que, sem planejamento, fiquei grávida e não tive mais planos Bs. Todos eles mudaram.
E, quer saber?
Embora não saber exatamente o que se vai fazer a seguir te traga uma sensação de insegurança, também te mostra claramente que a vida se faz por si própria. Independente dos seus planos. Independente de você querer controlá-la, independente de querer ter domínio de tudo.
A vida chega e faz o que quer.
Muita gente leva uma vida inteira pra aprender isso. Outros nem conseguem aprender em todo o tempo de que dispuseram.
Sou uma felizarda, portanto.
Aprendi isso rápido.
Em 9 meses.
Junto com mais um monte de coisa bacana...

E terça-feira começam as consultas pré-natais aqui em casa, para o parto domiciliar.
Agora, minha filha não é mais prematura.
Posso ficar aqui na minha toca, numa boa.
E força nesse útero!
Que está chegando nossa hora...

01 julho 2010

Eu, minhas irmãs e nossos filhos



Eu sou a mais velha de três irmãs.
Minha irmã do meio é a Livia, que tem 3 anos e meio a menos que eu.
A caçula é a Lenita, que é 4 anos e meio mais nova que eu.
Do meu ponto de vista, tivemos uma infância muito, muito feliz, sendo três irmãs.
Fomos crianças muito ligadas umas às outras. Principalmente as duas que, por terem pouquíssima diferença de idade, sempre faziam tudo juntas. Lembro-me de ir no quartinho delas e vê-las dormindo, cada uma em sua cama, uma ao lado da outra, e dois bracinhos pendendo das camas para que pudessem dormir de mãozinhas dadas.
Sempre fui muito apaixonada por elas, sempre.
Lembro-me da chegada de cada uma em casa, quando minha mãe voltava da maternidade.
Lembro de dar mamadeira pra Livia - tenho uma foto disso na sala da minha casa.
Lembro de rezar pedindo a Deus que transferisse a dor da minha irmã caçula, quando ela tinha crises de alergia, pra mim.
Nunca suportei a ideia de vê-las sofrer. Não suporto até hoje.
Éramos crianças animadas, brincávamos juntas, inventávamos histórias. Dançávamos ao som de uma fitinha cassete dos Smurfs, enrolávamos fraldas na cabeça pra parecer que o cabelo estava maior, estávamos sempre juntas.
Depois que crescemos, coisas diferentes aconteceram com cada uma, como acontece com todas as famílias. Hoje sou bióloga e moro em Florianópolis. Livia é bióloga também e mora no interior de São Paulo. Lenita é professora de Educação Física e continua na cidade onde crescemos.
Nos afastamos por alguns períodos mas hoje, com a maior alegria e agradecimento possível, estamos juntas de novo, mesmo que os quilômetros de estradas nos separem.
Sinto por elas um amor que eu não sei nem explicar...
Sou orgulhosa demais por tê-las como irmãs.
E sempre que possível falamos de coisas nostálgicas de nossa infância.
Temos aquelas coisinhas íntimas que só irmãos têm uns com os outros. Por exemplo, eu e a Livia sempre falamos das dancinhas e dos mistérios da meia-noite. Coisa que só a gente entende... Eu e a Lenita temos o nosso famoso encaixe, que é um abraço que só nós sabemos dar, e também tem a cara de urso... Nós três, juntas, temos coisas como AGUUUUOOOORA, FRIEEEENDS e COMÊRUÔTRO?!, que as três juntas entendem. As duas também têm essas coisinhas entre elas, e que, por serem delas, eu não sei... Mesmo com 30 anos nas costas, cultivamos isso.
Hoje estamos vivendo, com certeza, uma das fases mais importantes das nossas vidas.
Simplesmente porque eu e a Lenita estamos grávidas juntas, como já mencionei aqui. Eu estou de 36 semanas. Ela, de 33. O parto da minha filha Clara está previsto para o final de julho. O parto do meu sobrinho Murilo, filho da Lenita, está pevisto para o fim de agosto. E a Livia tá enlouquecida de alegria. Curtindo muito mesmo. E eu admito que não vejo a hora de tirar uma foto dela segurando os dois bebês.
Embora sejamos muito ligadas, nunca em nossas vidas pensamos que isso fosse nos acontecer: engravidarmos juntas.
E é uma felicidade incrível, redobrada!
Como a Lenita me disse hoje, às vezes dá uma atrapalhada nas ideias, porque gostaríamos de estar curtindo mais nossos sobrinhos, mas mesmo assim é de uma alegria infinita.
Teve uma época em que minha mãe temia que os vestibulares das três coincidissem. Rá! Tinha coisa muito mais louca pra coincidir, né mãe? Agora tá lá ela, a vovó, doidona pra receber os dois netos de uma vez.
Bom, a questão é que agora, que o parto da minha filha está muito próximo, tenho estado muito emocionada com essa situação. Ainda mais porque sei que o parto do meu sobrinho também está muito próximo.
E fico imaginando que eles estão do lado de lá se preparando pra chegar.
Que vão chegar juntinhos.
Que já estão fazendo suas mochilinhas.
Que já estão se despedindo de quem gostam.
Que vão tomar o mesmo ônibus em direção à Terra.
E que, pra não ficarem com medo, virão de mãozinhas dadas.
Fico pensando em como é especial essa situação, de duas irmãs grávidas juntas.
De um casal de netos chegarem juntos - nosso pai tá completamente babão, nossa mãe está toda eufórica.
De um casal de sobrinhos chegarem juntos - quase posso ver a Livia fazendo as dancinhas...
E pra esses bebês também deve ser uma coisa muito especial.
Aí, como é de praxe, eu criei uma imagem mental deles: os dois de mochilinhas prontas, de mãozinhas dadas, esperando pelo ônibus que os trará pra essa experiência.
Falei pro namorado e..... adivinha?
Desenhinho pra mim!
Ele fez na surdina, enquanto eu escrevia o post anterior, e me entregou.
E agora tô aqui toda inchadinha e ranhenta de chorar...
Porque não tenho como não me emocionar olhando pra esses dois pequenos esperando o onibinhus, de mãozinhas dadas.
Eu e minhas irmãs sempre tivemos o hábito de nos beijarmos, de nos abraçarmos e sempre tivemos orgulho de estarmos juntas em diferentes situações.
Sinto que com nossos filhos a história se repetirá.
Clara e Murilo já estão lá, com suas mochilinhas prontas.
Agora é só esperar...
Lá em cima está o lindo desenho que o papai-titio fez pra nós...
Ai que lindo...
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