30 setembro 2010

Quando 2 e 2 são 6! Dois meses de vida de Clara

Parabéns, minha filhinha! Hoje você completa dois meses de vida! Espero que o leitinho hoje tenha gosto de bolo de aniversário!

Pois é, Clara completa hoje 2 meses de vida extra-uterina! E eu comemoro 2 meses de um novo sentido de vida. Tenho vivido momentos de tensão desde anteontem em função do possível retorno à vida acadêmica, porque não sei como será essa transição, nem se vou dar conta do tranco. Mesmo porque, minha prioridade deixou de ser a busca desenfreada pelo sucesso profissional para ser felizmente substituída pela busca tranquila de felicidade para minha filha e minha pequena família. Isso também faz parte do aprendizado desses 2 meses...
Mas hoje não é só a Clara que está de aniversário não. Meu sobrinho Murilo está fazendo, hoje, 1 mês de vida! É muita alegria pra uma família só, ainda mais pra uma família que é toda intensa.
O que eu gostaria mesmo era comemorar todo mundo junto, com muito abraço apertado, beijo estalado e agarrão nos bebês. Mas venhamos e convenhamos que não é uma função assim das mais fáceis.
 Somando todos (pai, mãe e três irmãs com seus maridos), percorremos 4 cidades diferentes. Parecemos um bando de ciganos...
Mas na semana passada conseguimos um feito digno de registro: conseguimos apresentar Clara pra Murilo e vice-versa via MSN. Foi a primeira vez que minha irmã viu minha filha de outra maneira que não em fotos. Foi a primeira vez que vi meu sobrinho assim. E foi a primeira vez das familinhas juntas! Então está lá em cima o print screen, de presente de aniversário para minha filha: o primeiro encontro virtual das nossas novas famílias!
E a primeira vez que ela reencontrou o Murilo.
Eles deviam estar com saudades um do outro... Não se viam desde o mundo dos bebês, há 2 meses, quando a Clara saiu rumo à casa amarela da Lagoa. Note como ela esboça um chorinho de emoção.....
E viva a tecnologia cibernética a serviço dos que se amam mas moram longe!
Patrocínio: MSN Produções, Eventos e Encontros Familiares.

29 setembro 2010

Sobre prioridades

Passe a vida inteira dizendo o que você quer pra sua vida. Para o que você veio. Qual é o seu verdadeiro talento. Onde você quer estar e com o que quer trabalhar. O que te dá alegria. O que te proporcionaria realização plena. Quais são suas metas e objetivos. Quais são suas prioridades. E que você mataria e morreria por isso.

Aí tenha um filho.

E se prepare pra ver tudo mudar. E aceite que essas mudanças são as que valem a pena.
E se desconfiar que os planos anteriores não trarão mais felicidade, REMODELE-OS. Se pensar que outros caminhos serão mais bonitos, DÊ SETA E MUDE DE PISTA. Se o antigo não cabe mais: TROQUE E VISTA OUTRO.

Uma coisa é certa: seu filho será sua total e irrestrita prioridade.
E se alguém ousar sugerir que não, vai por mim: ATIRE PRA MATAR!

Encontros e despedidas


Todos nós lançamos mão de diferentes estratégias para evitar a tristeza e a dor.
Alguns se isolam, outros se enchem de companhias.
Uns enchem a cara, outros se apegam a religiões.
Uns comem até passar mal, enquanto outros mergulham nos esportes.
Uns se isolam em casa, outros enfiam a cara no trabalho.
Alguns se apegam aos filhos, outros aos livros.
Alguns não conseguem lidar bem com uma carga emocional tão forte, acabam sucumbindo, e aí vem a depressão, esse bicho estranho que fica ali à espreita: chega, mata e come, enquanto outros fingem ser alegres e até passam por comediantes...
Uns expressam toda a sua tristeza no mesmo momento em que estão vivendo a dor, outros têm um atraso no processamento de toda essa emoção, e acabam sentindo mesmo só lá na frente.
Cada um adota uma estratégia comportamental e cognitiva diferente e isso depende de sua própria constituição emocional, psíquica, biológica e de sua história de vida.
No meu caso, varia muito. Mas já percebi que, quando a carga emocional é muito forte e negativa, tendo a me comportar de uma maneira muito peculiar, principalmente considerando minha mente analítica de cientista: finjo, naquele momento, que nada aconteceu. Crio uma história mental que me ajuda a minimizar, pelo menos temporariamente, toda a dor que por ventura esteja sentindo.
O problema é que não me engano para sempre, dura apenas algum tempo... E lá na frente, sem poder prever quando, vem a realidade e cai como uma avalanche sobre a minha cabeça.
Foi assim há exatamente cinco anos atrás...

Em 29 de setembro de 2005, minha família, que já vinha de algumas perdas familiares, viveu um dos maiores baques que poderíamos ter vivido: a perda da minha irmã, Mara.
[O fato de estar conseguindo falar sobre isso hoje demonstra que, aqui dentro, já estou bem melhor... Mas foram 5 anos para isso. E acho que vou ficar para sempre no "quase"...]

Mara foi, para nós, a pessoa mais especial que poderia ter estado em nossas vidas. Era nossa irmã mais velha, ao mesmo tempo que, às vezes, parecia ser a mais nova. Amiga inseparável, dedicada, fiel e parceira da minha mãe. O braço direito de toda a minha família. E era nossa irmã por escolha, não por imposição genética.
Esteve ao nosso lado nos momentos mais felizes de nossas vidas e não tardava a segurar nossas mãos quando estávamos prestes a cair. Nos salvou da queda muitas e muitas e muitas vezes. E fazia isso com leveza, bom humor, sorriso e sua frase sempre salvadora: "Aguarda e confia". Pessoa de moral irretocável, dotada de uma ética incontestável, sensível, humana, forte e ao mesmo tempo frágil. Querida no mais alto grau da queridice.
Conseguia ser confidente de todas nós ao mesmo tempo, sem nunca dar sinal disso.
Tinha, com cada uma de nós, uma relação de amizade, irmandade e amor diferente.
Leal até debaixo d'água. Ninguém teve, nunca, nada a falar de ruim sobre ela.
Sim, isso parece ser difícil no mundo de hoje... Mas ela era assim.

E aí, um dia, veio a vida e a levou...

Do nada. No susto. De sopetão. Nos fazendo acreditar que era um erro e que Deus havia se enganado nessa...
Cada uma de nós reagiu de um jeito. E só cada uma de nós pode dizer exatamente o que a perda dela nos causou. Mas há uma unanimidade nisso tudo: nossa vida se divide claramente em "antes" e "depois" de sua partida.

Surpreendentemente, minha estratégia para lidar com essa dor foi contra tudo o que eu acreditava: neguei a realidade e fingi que ela não havia acontecido. Como ela viajava muito - com sua paixão por conhecer lugares diferentes do mundo -, simplesmente fechei os olhos e disse a mim mesma: "Ela foi viajar e dessa vez vai demorar um pouco mais a voltar. Só isso. Nada mais". Assim. Negação pura e simples.

Realmente não sei se já falei sobre isso com alguém... mas foi assim que eu fiz.
E, junto com esse pensamento, fugi como cachorro assustado de tudo o que pudesse trazê-la à mente. Foi, também, quando me mudei para Florianópolis. Esse não foi o motivo da mudança, mas foi um grande reforçador da decisão.
Eu não sabia, naquele momento, como lidar com aquilo e como ajudar minha família a lidar com aquilo também... Eu, que sempre estava pronta para ajudar, naquele momento não consegui - porque não sabia como - ajudar ninguém.
E essa fuga da realidade foi uma péssima ideia... Porque o tempo foi passando e ela não chegava nunca. E a saudade ia ficando mais forte, mas ela não voltava nunca. E aí, em 2007, eu me toquei que ela não voltaria mais. E tive que lidar com tudo o que eu havia jogado pra debaixo do tapete. E foi um senhor tombo.

Não estou curada. Nem acho que estarei um dia. Porque o desencarne dela não faz nenhum sentido pra mim, e acho mesmo que nunca fará.
Sinto mesmo que foi uma estupidez. Ao mesmo tempo, acho que fez sentido. Ela era muito boa para esse mundo, era muito diferente, ela destoava de tudo isso que aí está. Nisso, todas concordamos. Ela não combinava com toda essa lama terrestre. Com certeza está seguindo o caminho dela num lugar muito mais iluminado. Mas - quer saber? - isso também não me serve de consolo....

Por isso, hoje, faço uso do direito que me foi outorgado por minha própria ignorância e insignificância perto de todos os mistérios que existem e digo: irmã, amiga, como eu queria que você estivesse aqui conosco ainda. Não queria chorar esse tipo de lágrima porque sei que não é bacana. Um dia espero não mais chorar... Mas enquanto isso, como eu gostaria que você estivesse aqui...
Tem tanta coisa legal acontecendo...

São 3 horas da manhã... Não consegui dormir pensando nisso...
Agora já é hora do lanchinho da madrugada da minha filha.
Que bom que a Clara, chegou. Que bom que o Murilo chegou.
As coisas estavam ficando muito vazias por aqui...

São só dois lados da mesma viagem...
Mas um desses lados dói pra cacete.

27 setembro 2010

Seres de jubas

Para tudo que eu tô bege!
O desenvolvimento das crianças está mesmo acelerado, né? Diz que tá, porque senão vou entrar na paranóia de que minha filha está acordando no meio da madruga pra ler "Manifesto Comunista" sem que a gente perceba, considerando que ela dorme ao lado das prateleiras com livros da mamãe, no nosso quarto...
Clara já vem, desde a semana passada, emitindo sonzinhos intencionais. Eu falo "conversa com a mamãe, filha" e ela começa "aaaahhh" "uuuuuuu" "auuuaaa", acompanhado de risadinhas, gritinhos e viradinhas de zóio. Ri das próprias piadas, a maluquinha, que só ela entendeu. Logo que percebi isso, montei o cantinho da conversa. Coloco ali no sofá uma das mantas lindas que ela ganhou de uma das vovós postiças, a deito, deito do lado olhando pra ela e começamos a conversa. Ela se agita toda e dá-lhe "aaahhhh", "uuuuuuuu" e tome gritinho e sorrisinho e suspirinho.
Aí hoje eu a coloquei sentadinha no meu colo e começamos nossa sessão diária de papos de meninas. Depois de um tempo, parece que cansou de ficar ali e começou a dar sinais de que queria sair. Como a mamãe insistia na posição "momento de conversa", não teve dúvida: franziu a testa e mandou um "RAAAAAAAAAAA" pra mim!! Tipoanssim beeem bravo! E bem alto! E depois ficou me olhando...
Te mete com a ferinha?!
Aí eu, bem carinhosamente, disse: Clarinha minha filha, o que é isso em nome do senhor?? E ela parece que ficou meio tímida... Aí eu disse: ó, filhinha, vâmo combiná que, a partir de hoje e para todo o sempre-amém, só palavras de carinho entre nós tá? Porque é muita leonina por metro quadrado. E eu te amo, e você me ama e o resto da música do Barney eu ainda não sei, que esse mundo de desenho infantil ainda não me pertence...
Ela concordou.
E passou o resto do dia bem feliz e tranquila no meu colo, ou dormindo.

Sei lá. Conheço isso de algum lugar...

Por falar nisso, o BlogMãe BlogFilha tá quase pronto. Logo logo, a gente se muda!

26 setembro 2010

O que queremos pros nossos filhos - Parte 1

Hoje choveu e fez friozinho o dia inteiro. Acho que, por isso, Clara se encheu de preguicinha e dormiu a tarde inteira, acordou, mamou, brincou comigo, tomou seu banhinho, mamou mais um cadinho e acabou dormindo mamando... foi do meu colo diretinho pra caminha.
Aí a mamãe aqui teve tempinho pra ler.
Olhando nos blogs que estão linkados no meu, vi um título que achei muito interessante e fui lá espiar. "Observação de humanos" é o post. De autoria da Christiane Santoro Balbys, a Nega, amiga do namorado há milianos e minha recém-amiga, que tem o blog Um bom bocado das coisas.

Eu adorei o texto não porque sou bióloga, mas porque nos últimos dias tenho pensado bastante sobre o que eu gostaria pro futuro da minha filha. Já está bem claro pra mim que o fato de querermos tal coisa pros nossos pequenos não garante que isso se torne a realidade. Mas temos que estar conscientes de que o tipo de coisa que se quer pra eles, o que se faz pra que eles tenham isso e os exemplos que damos contribui em muitos por cento... Aí caí no texto da Nega. E pensei: são coisas assim que quero pra minha filha. São coisas assim que eu quero que ela dê valor. São textos assim que eu gostaria que ela lesse. Com realidades assim que eu quero que ela cresça.
Quando eu estava quase pra ser bióloga, feliz pela conquista, um professor me disse: "ter contato com valores biológicos não é nada; difícil mesmo mesmo é honrar esses valores, torná-los humanos e passar à descendência..."

É difícil, Bernardi. Mas já estou tentando.

PS: hoje lembrei de um tanto assim de mestres da graduação, né? Sei lá. Acho que é o meu retorno à Academia que tá me deixando assim saudosista. Academia com A maiúsculo, tá? Essa é a que frequento.

Clara, a Teoria do Caos e o Efeito Borboleta

Eu tive um professor na graduação, o Tatão (que vi de longe quando retornei à cidade em que me formei, e o cara parece que tá num pote de formol), que tentou ensinar pra nossa turma da Biologia alguma coisa sobre a Teoria do Caos e Fractais. Eu digo "tentou" porque me lembro da cara de paisagem da maioria dos meus colegas hoje biólogos, com testa enrugada de quem diz "que porra é essa?!" (não que o cara fosse ruim de ensinar, pelo contrário; o assunto é que era mandarim mesmo, pra gente). Lembro também da explicação de uma colega de outra turma, mutcho loca, quando eu perguntei: ow, cê entendeu o que é fractal? E ela: ó, num sei direito, mas sei que no final aparece um troço que é tipo assim uma mandala, super lindo! - definições que só a bichogrilada dos meus amigos consegue formular...
Eu mesma me lembro vagamente desse assunto porque detestava Física e quase tomei pau na parada. Mas me lembro que tinha um tal de efeito borboleta no lance de caos, alguma coisa assim. O que sei sobre isso é o que o senso comum também sabe: é aquele lance lá de que se uma borboleta bate as asas lá na casa do chapéu, tipo a África assim, um furacão acontece não sei onde, do outro lado do mundo, tipo em Massachusetts, sei lá... Tá vendo o tanto que eu sei sobre o assunto, né?
Melhorando a explicação: algumas situações são causadas pela ação e interação de elementos de forma praticamente aleatória. Ou seja: você pode achar que uma coisa aconteceu simplesmente por acaso. Mas te digo: pode ser que não seja acaso, pode ser que você tenha contribuído para o processo...
Exemplos de interação aleatória de elementos que acaba culminando em algo:
- Acenda um cigarro no ponto de ônibus. Seu ônibus chega.
- Vá ao banheiro fazer o número 2. O papel acaba.
- Marque uma festa no quintal da sua casa. Chove.
- Chegou o dia de uma festa tão esperada. Você acorda com uma espinha monstro-promissora (outra definição da área da Biologia Evolutiva, um dia vou explorar isso melhor).
- O pneu do seu carro furou. Começa a chover.
- Você colocou uma carne pra assar no forno. Acaba o gás.
- Acabou de ensaboar os cabelos. Acaba a luz ou estoura a resistência do seu chuveiro (trauma, trauma).

E tem uma que eu só aprendi agora que sou mamis.

- Sentou pra almoçar. A Clara vaaaaaaaaai acordar e dar uma choradinha. Mas é batata! É certeza! E é na hora da primeira garfada! Se isso não acontecer, é correr pra ver porque ela deve estar em coma. Ou entraram pela janela e roubaram a criança.

Mas hoje não deu pra não rir. Clara já dormia há umas 3 horas. Até assistimos a um filminho, vê que progresso... Aí fomos fazer um almocinho, terminamos, sentamos, e eu pensando "é agora, é agora". Peguei o garfo. "É agora". Coloquei a comida no garfo. "É agora". Levei o garfo à boca e... lá vem o meu chorinho lá da sala...
Ufa!
Tá viva, a criatura!

Vai, Edward Lorenz! Se vira aí no além-túmulo pra chegar à equação matemática que simule o resultado desse sistema.
Vai Tatão. Quero ver fazer uma equação pra essa...

Ah, em tempo. É lógico que todos os exemplos que eu dei sobre efeito borboleta, teoria do caos e fractais é brincadeira. O assunto é super bacana e relevante para todas as áreas científicas, eu é que avacalhei... Tenho amigos que estudam isso, são pessoas normais e até conseguem ser muito felizes. Pronto, avacalhei de novo. É que é mais forte que eu...

24 setembro 2010

Mãe na madruga fugindo do sono picado

Uma e meia da madrugada e eu aqui viajando na internet, lendo umas coisas muito boas, conversando com o namorado, relaxando. Ontem isso se repetiu.
A pergunta que não sai da minha cabeça é: eu tô acordada por que tô sem sono, por que tô adorando ler o que estou lendo ou por que estou esperando a Clara acordar pra mamar e, assim, evitar dormir picado?

... acho que voto na última opção.

Da acordada das 2 da madruga eu escapo. Mas a mamada das 6 me pega todo dia.

Evite dormir picado: mantenha-se acordada!

23 setembro 2010

Clara no clarinho do cinema

Quando a Clara morava na minha barriga, fomos muitas vezes ao cinema. E era incrível, porque eram momentos em que a bebezinha ficava doida em seu mundo intra-uterino e se mexia mais que uma lagartixa. Depois que ela nasceu, claro que ficou mais complicado ver um filminho na telona...
Ainda bem que tem o CineMaterna! Assim pudemos ver um filme junto com a nossa cria.
Ela chegou, mamou e dormiu o filme inteiro. Saiu slingada de lá e capotada.
Foi lindo ver um monte de criança na sala com seus pais, algumas andando pelo espaço, outras se aventurando pelas escadas no nem-tão-escurinho do cinema.
Adoramos!
Pena que só tem uma sessão por mês...
Quem vota em, pelo menos, uma sessão por semana põe o dedo aqui.
Foto linda clicada pela fotógrafa Graciela Lindner, que manda bem demais. Aproveite e veja o trabalho dela - super sensível - clicando aqui.

22 setembro 2010

As cachaças que eu tomo, os tombos que eu levo e as reerguidas que eu dou


Começo esse post com uma frase do poetinha dos campings, Antonio Joaquim Moreiras, meu tio.
Frase doce e meiga:

"Esse povo vê as cachaças que eu tomo, mas não vê os tombos que eu levo".

Como é de conhecimento dos amigos, eu soube que estava grávida exatamente 1 mês depois de receber o título de doutora. Mesmo porquê, a Clara foi feita nas comemorações do mesmo - sem comentários adicionais para o momento.
A partir desse dia, acabou-se o que era doce e quem comeu arragalou-se: findada estava a temporada de bolsas.
Eu, que já havia passado por uma bolsa de iniciação científica, uma de mestrado e uma de doutorado. Acabava, também, o meu auto-sustento.
Bem no momento em que eu teria uma barriga em crescimento exponencial pra sustentar...
O plano A era começar um pós-doutorado enquanto eu prestava concurso para docente em universidades públicas. Mas a bolsa de pós-doutorado que eu havia pedido havia sido negada - porque nesse país estranho, o governo parece não apoiar mais pesquisas sobre plantas medicinais.
Grávida, tornara-se muito difícil deslocar-me para prestar tantos concursos quanto eu gostaria - ainda mais difícil seria conseguir aprovação ostentando uma barriga de responsa.
E, naquele momento, fiquei sem plano B...
Antes mesmo de saber que estava grávida, eu e meu namorado já havíamos decidido ir morar juntos. Estando eu sem bolsa e sem trabalho, ele assumiu a responsa financeira da casa e trabalhou duro durante muitos meses pra dar conta de tudo.
Embora gravidíssima, não me dei por vencida: batalhei várias oportunidades como se a barriga de grávida não pesasse, em todos os sentidos.
Viajei em busca de trampo, dei palestras, criei planos Bs de onde nem tinha como criar, escrevi projetos e mais projetos. Mas nada... Parecia que a vida queria, mesmo, que eu me dedicasse a curtir minha gravidez e a fazer planos para a chegada da minha amadíssima filha.
Curtir a gravidez é lindo, mas não dá pra esquecer que também é preciso ter um mínimo de dinheiro no bolso.
Bem, não era muito o nosso caso...
O namorado trabalhou duro, varou madrugadas, e foi dando conta, mas às custas de muito estresse.
Mas a coisa não foi brincadeira, não.
Na verdade, não foi nada brincadeira, eu é que estou minimizando a coisa.
Foi punk-rock meeeesmo. Tiramos leite de pedra - talvez num ensaio pra tirar leite do peito... Cobria de um lado, descobria de outro. E eu grávida, cada dia mais grávida. Tive ataques de pelanca por não poder comprar tudo o que eu achava que uma criança precisava (é preciso dizer que eu não sabia nada sobre isso e achava que ela precisaria muito mais do que de fato precisa).
Mas tenho plena consciência de que, do muito pouco, fizemos muito: Clara tem hoje um quarto lindo que foi feito na base do esforço, da criatividade, do bom gosto, do amor e do zelo extremoso. Fui buscar no em mim dotes que nem sabia que tinha e fiz todas as lembrancinhas do nascimento dela, que hoje as pessoas olham e se admiram - e que fiz com amor e alegria.
Muitas vezes bateu o desespero porque a água bateu, mesmo, na bunda.
Mas a gente nasceu pobre, pelado e sem dente, o que veio foi lucro. Ainda assim, foi muito difícil.
Graças ao Poderoso Chefão, nunca nos faltou nada. Quer dizer, quase nada. Faltou paz em muitos momentos, por conta desse maldito assunto monetário.
Nos meus 9 meses de gravidez, eu poderia ter tido uma paz que não consegui ter em função disso. Fiquei sem dormir muitas noites. Pensando em como seria meu futuro profissional, uma vez que estava para ser mãe e queria cuidar dela como ela merecia. Pensando no que eu poderia fazer pra ajudar em casa.
Escrevi, pelo menos, uns 5 projetos de pesquisa nesse tempo. Vale inclusive dizer que estava escrevendo um último quando entrei em trabalho de parto. E fiquei 4 horas, das 29 que durou meu trabalho de parto, escrevendo - por não acreditar que estivesse, realmente, em trabalho de parto.
Mas parecia que não era pra eu conseguir nada naquela época que não estivesse ligado à maternidade... nada saía, nada parecia desenrolar, a não ser a minha filha, que crescia com saúde dentro de mim. Recados que a vida dá e que, se você é uma retardada como eu fui, você não capta.
A coisa foi ficando feia, foi ficando feia. Não é todo mundo que sabe disso em função daquela frase lá de cima, com a qual eu comecei o post... e porque também a gente não precisa ficar falando pra todo mundo - só depois que passa.
E não era só a preocupação financeira. Era a profissional também. Porque nessa minha área de pesquisa maníaca-suicida-sádica-masoquista, 1 ano sem atividade representa um grande buraco, perto dos doentes por produção científica que existem por aí. Eu tinha medo de que, depois da chegada da minha bebê, não conseguisse me reinserir.
Aos 7 meses de gravidez, acordei no meio da noite com uma ideia que, com certeza, havia sido soprada por um dos meus que já estão do lado de lá. Esperei a manhã chegar e fui atrás daquilo. E o prazo para envio do projeto findava em 5 dias. E, a despeito da azia, da dor no ciático e dos trocentos quilos a mais, sentei a bunda na cadeira e escrevi um projeto de pesquisa sobre um tema incrível. Mas eu era realista, 5 dias era muito pouco... Mandei o projeto. A resposta sairia só dali a 3 meses.
Ontem, aqui em casa, a coisa estava tensa. Parecia que não tínhamos mais saída. E também não tínhamos mais ideias - nós, que somos cheios delas. Bateu um cansaço, bateu uma desesperança, bateu um saco cheio.
E eis que, à meia-noite e pouquinho, chega a sétima cavalaria para salvar os mocinhos e a pequena mocinha que dorme ali no sofá. Uma sétima cavalaria que foi gerada no sétimo mês da gestação da Clara. Chega a salvação da lavoura - e do meu currículo, e da minha paz, e da minha carreira: meu projeto de pesquisa em nível de pós-doutorado acaba de ser aprovado pelo CNPq. Aquele, que eu escrevi xingando a dor no ciático aos 7 meses de gestação. E quando faltavam 5 dias pro prazo de envio...

Ao acessar o site - que eu já havia acessado de manhã e não havia nada - li a palavra: DEFERIDA e tive uma crise convulsiva de choro.

Vou poder terminhar a minha formação. Vou poder fazer meu pós-doutorado. Vou poder me reinserir na minha área. Vou poder dar uma folga ao namorado, que está tão cansado. Vou poder dar à minha filha aquilo que ela precisar. Vou poder, enfim, responder àquela pergunta que não saía da minha cabeça nesse quase 1 ano: será que vou conseguir?
Porra, que estresse (depois de tudo isso, eu até me libero um palavrão...).

Agora é exatamente meia-noite.
Daqui a 9 minutos começa a Primavera.
Será a primeira primavera da vida da Clara.
E que sejam só flores...

21 setembro 2010

Aos avós da Clara e aos meus avós


Esse post faz parte da blogagem coletiva junto com o pessoal da Rede Mulher e Mãe, sobre o tema AVÓS.

No dia 23 de novembro de 2010, tive o mais incrível susto que eu poderia ter na vida.
Às 15 horas da tarde, vi pela internet o resultado de um monte de exames que havia feito para investigar a causa de uma tontura que me acompanhava há uns cinco dias...
Resultado negativo para anemia, resultado negativo para alterações da tireoide, resultado negativo para diabetes.
Resultado positivo para gravidez!
Naquele dia nascia uma mãe. E naquele dia, nasciam dois avós. Meu pai e minha mãe.
Digo "nasciam" porque o meu bebê, que até então não sabíamos que seria a Clara (que dorme aqui do meu ladinho, enquanto escrevo esse post), era, até então, o primeiro neto deles.
Se era surpresa para mim, imagine para eles...
Algumas horas depois do resultado, liguei para meu pai e disse: "Tenho uma coisa pra te dizer, véio. Você vai ser avô". Assim, à queima roupa. Ele ficou mudo. Depois me perguntou: "Você tá brincando?". E eu: "Vai, pai, vai ser vovô. Tô grávida!". A reação? Deu uma gargalhada, depois deu uma choradinha, depois deu uma gargalhada e assim por diante... Logo depois, me ligou novamente, e começou de novo. Estava muito feliz com a novidade!
À noite, eu e o namorado passamos na casa dele para ganharmos um abraço - como novos pais - e para dar um abraço ao novo vovô. E celebramos juntos as novas alcunhas - pais e vovô.
Nesse dia, fazia 2 anos e 8 meses que eu e minha mãe não nos falávamos... Estávamos distantes uma da outra durante todo esse tempo. Tempo de grande sofrimento e vazio pra mim. Não houve, nesse tempo, um só dia em que eu não pensasse nela e não sofresse por termos nos desentendido. Sentia sua falta em cada acontecimento importante da minha vida, em cada dia de sol e em cada dia nublado - nos dias nublados ainda mais... Sentia falta dela e de tudo o que ela representava na minha vida, das nossas semelhanças e das nossas diferenças. Foram dias tristes, aqueles...
E naquele dia em que soube que estava grávida, deixei tudo de lado e pensei: chega disso. Podíamos ficar sem nos falar mais um tempo, caso fosse a vontade dela, mas eu queria que ela soubesse que, depois de tantas perdas familiares dolorosas, estava chegando alguém que era nosso.
Da casa do meu pai, eu liguei para ela.
Ela atendeu. E antes que desligasse, eu disse rápido: "Mãe, sou eu, preciso falar com você, pode falar comigo?"
E ela disse: "Pode falar...".
E eu: "Você vai ser vovó..."
Se eu estivesse escrevendo sobre um papel, já teria uma pocinha aqui, de tanto que choro lembrando desse dia... Ainda bem que o teclado está longe do rosto, senão me eletrocutava agora.
Lembro-me que se seguiu um silêncio. E na sequência, lembro-me dela perguntar se era verdade mesmo. E eu confirmando.
E foi assim que eles souberam que seriam avós.
Mas não foi aí que se tornaram avós. Foram se tornando avós ao longo dos 9 meses das nossas gravidezes. Gravidezes assim, no plural, porque dois meses depois, Lenita, minha irmã caçula, descobria (enquanto tinha vindo a Floripa me ajudar, em função de um forte sangramento que tive) que também estava grávida!
E foi assim que eles se tornaram avós duas vezes, de uma só vez.
Meu pai esteve fisicamente ao meu lado durante os 9 meses, me ajudando e fazendo o possível (e em algumas vezes até o impossível) para que não me faltasse nada. Dando carinho e colo. Passou os 9 meses selecionando, entre a coleção infinita dele de CDs e bolachões, quais músicas seriam dedicadas à Clara. Hoje tenho aqui uma sacola com CDs com essas músicas, que ela ainda não começou a ouvir. Sempre que falava comigo, falava com minha barriga, que era "Para ela ir se acostumando com a voz do vovô", segundo ele mesmo dizia. Perdi as contas de quantas vezes eu o ouvi dizer "Logo mais, ela estará correndo aqui". Não sei se foi coincidência, mas ela sorriu para ele na primeira vez que se viram, talvez lembrando da voz...
E minha mãe?
Bem, ela continuava longe de mim fisicamente. Porque moramos há muitos quilômetros de distância.
Mas aí a vida, que é essa coisa doida e imprevisível, aprontou uma outra. Minha avó, uma portuguesa querida e turrona de 85 anos, estava se preparando para partir, sem nem dar aviso prévio.
Mesmo grávida e tendo enfrentado dois sangramentos e um repouso, passei a mão no carro e dirigi 700 km pra estar com minha mãe naquele momento. Fui, mas não tive coragem de encontrá-la imediatamente. Esperei minha intuição apitar e, quando ela apitou, corri para vê-la. E naquela noite ouvimos, juntas, a notícia de que minha avó havia partido... Eu estava com 4 meses de gravidez e ela partiu me deixando órfã de avós. E de padrinhos. Ela, que era a última deles a estar aqui com a gente. Não conseguiu ficar tempo suficiente para ver minha filha nascer...
Mas daquela morte nasceu uma vida nova. A minha nova vida com minha mãe. Não sei se por causa da morte da minha avó, do nascimento da minha filha ou dos nossos próprios renascimentos como pessoas mais experientes e maduras, nasceu uma nova relação. Uma relação nova sobre um amor antigo.
Ela quase não me viu barriguda pessoalmente, em função da distância e das coisas da vida. Mas esteve presente em tudo. Quase pariu comigo quando eu estava "parindo", de agonia. E está por dentro de tudo o que anda acontecendo com a Clara.
Ontem ficamos horas nos vendo e nos falando com o auxílio de uma câmera - essa tecnologia milagrosa... E a Clara ouvindo a voz dela. Elas ainda não se encontraram pessoalmente. Também em função da distância e das coisas da vida que já mencionei. Mas já existem uma no coração da outra de maneira indelével.
Agora estamos todos na torcida para irmos para a casa dela passar o final do ano juntos.
E eu não sei o que será de mim quando elas se apresentarem pessoalmente uma à outra.
Não sei se ficarei de pé quando eu disser para minha filha: "Filha, essa é a sua vovó...".
Espero que o namorado esteja ao meu lado nessa hora, com um lençol para secar as lágrimas todas que vão jorrar...
Porque tem uma coisa: todas nós temos sangue português e somos, de um jeito ou de outro, portuguesas. E portuguesa choooooooora que é um drama. Não foi à toa que Camões disse aquele lance lá de "Ó mar salgado! Quanto do teu sal são lágrimas de Portugal".
Minha avó, que se foi, se estivesse aqui, não me deixaria mentir...
Eu mesma não me deixo mentir...

Dedico esse post e tudo de bom que eu senti enquanto o escrevia a quatro avós mais que especiais: Cesário e Alice, meus avós tão amados, que se foram e de quem sinto tanta falta.
E Lau e Fátima, os avós da Clara. Meus pais. Meus amigos. Que ajudaram a construir essa coisa doida - mas do bem - que eu sou hoje.
Lá em cima, os avós da Clara, meus pais. Há muitos e muitos anos. Talvez, até, em outra encarnação, tamanha mudança de contexto que houve...
Aqui embaixo, os meus avós, no meu batizado (ao lado da minha mãe, me segurando).

Um comentário só, para passar esse tom melancólico: que bom que a moda daquela época mudou, né minha gente?
Porque meu pai, com aquele bigodinho e cabelinho Charles Bronson, não dá né?
Agora, o vinco na calça do meu avô tá de fazer inveja aos que tem TOC... benza Deus.

20 setembro 2010

Blogagem coletiva - AMANHÃ


Queridos amigos, um avisinho.
Amanhã, 21 de setembro, haverá uma blogagem coletiva. O que é isso?
É simples.
Algumas blogueiras vinculadas ao portal Mulher e Mãe farão um post sobre um tema comum.
Qual será o tema da vez?
AVÓS! (no plural de avô com avó)
Então aguardem que amanhã tem blogada coletiva.

Os embalos de sábado a noite

Sobre a baladinha de sábado, uma notinha rápida.
Em vários momentos, nós, mães com seus bebês, estávamos conversando em pé, cada uma com seu respectivo sling e embalando nossos filhotes.
Houve até um momento cômico: parecia um bloco de carnaval ensaiado, todas embalando e balançando ritmadamente, pro mesmo lado, com o mesmo pezinho na frente.
Aí vem a minha amiga Sheila e diz que o nome não deveria ser "Baladinha de Sábado".

Deveria ser "Embaladinha de Sábado".

Agora é rezar pra essas crias não desenvolverem labirintite...

19 setembro 2010

Baby Ballads!


No dia 11 de setembro postei aqui um textículo que deu o que falar, sobre coisas de uma vida gravidesca ou amamentesca. Um monte de gente me escreveu dizendo que morreu de rir e tal, e que só quem vive essa aventura off road da maternidade sabe bem o que é. Escrevi super despretensiosamente, pra compartilhar as coisas novas que vou vivendo como nova-mãe.
No texto, eu brinco dizendo que estava a fim de organizar uma baladinha para papais e mamães com seus bebês, pra quem vive esse início de maternidade e paternidade, pra gente poder se divertir um pouco, aproveitar o sábado a noite, rir, conversar, com pessoas com rotinas parecidas. Falei na maior ingenuidade, na brincadeira mesmo.

E NÃO É QUE VIROU REALIDADE, MINHA GENTE???

Algumas mães do grupo de discussão do qual fazemos parte, após ler o post que mencionei, se animaram com a ideia e ontem a noite, sábado, aqui em casa, nos reunimos e fizemos um churrascão, mães, pais e crianças. Foi a coisa mais divertida do mundo! Conversamos horrores, rimos mais ainda, e foi muito muito bom, uma energia super boa e um astral lá em cima. A sala de casa parecia um estacionamento de fofuras, com um bebê mais lindo que o outro. Estiveram presentes Pila e Cris, com sua Yanne, de 3 meses e meio; Cecília e Rapha, com sua Heleninha, de 2 meses; Ana e Paulo, com o Bernardo na barriga, quase chegando; Sheila e Fabinho, com o nosso novo e bom Caetaninho, com 2 anos e 4 meses; e nós, o trio. Mas que delícia de noite! Coisa mais bacana!
Mais bacana ainda era passar e ouvir os homens conversando. Sobre? Chuta! Sobre PARTO! Muito, muito bom!
Conversando com a Ana, que tá gravidíssima do Bernardo, perguntamos: e aí, Ana, e o parto, como vai ser? E ela: em casa! E nós: EBAAAA! E ela: puxa, esse é o único lugar em que eu falo que vou ter o bebê em casa e todo mundo apoia e acha bom! Pois é, que coisa bacana esse negócio de se encontrar com quem pensa como nós.
Esse mundo da internet pode ser muito bem usado mesmo... Essa amizade que se inicia agora começou com discussões sobre o parto domiciliar. Todo mundo escreve, se ajuda, mas poucas realmente se conhecem. Que coisa incrível isso!
Quero continuar a fazer isso: usar a maternidade pra aproximar pessoas.
Foi assim com esse encontro.
Está sendo assim com o bazar.
E ainda vou criar outros meios de aproximar esse povo todo.
Lá em cima, fotinho das mamães com seus bebês (da esquerda para a direita: Pila e Yanne, eu e Clara, Sheila e Caê, e Cecília e Helena). Pena que faltou a Ana e sua barriga, que estavam tirando a foto, e os papais, que tocavam violão no quintal...

15 setembro 2010

Clara e os correios


Os correios já sabem que aqui nessa casa amarela mora uma menina que é muito querida pelas pessoas...
Hoje de manhã eu estava com ela lá em cima, fazendo todo tipo de palhaçada e papagaiada e me deliciando com a novidade do dia (pequenas gargalhadinhas pra mamãe, só porque eu fiz brrrrrrrruuuuuu pra ela...), quando ouvi uma buzina de moto. Olhei pela sacada e o cara: por favor, a dona Clara Sena?
Ãhn?
O cara queria falar com a minha filha, caraaaa!!!
E eu: um minutinho que vou descer.
Cheguei aqui embaixo e ele: encomenda pra dona Clara, ela está? Precisa assinar.
E eu: olha moço, vai ser um pouco difícil. A dona Clara tem só 1 mês e meio...
E ele: ahhh que fofa. Então deve ser um presentinho pra ela.
Assinei no lugar da minha filha - olha que responsa - e entrei.
Quando abro: um livro liiiiiiiindo, intitulado CLARA. De autoria de Ilan Brenman e Silvana Rando, a coisa mais linda do mundo!
Fiquei toda emocionada... o primeiro livrinho que a Clara ganhou de presente.
Quando fui ver quem foi a querida pessoa que mandou, a surpresa: não tinha remetente...
Estou sem saber quem deu o presentinho.
Algumas pessoas me pediram o endereço de casa pra mandar um presentinho pra ela, então como farei pra saber? Eu tenho uma suspeita, mas ficaria indelicado dizer. E não vou sair mandando e-mail pro povo perguntando: "escuta, você mandou alguma coisa pra Clara?" porque vai parecer que tô pedindo...
Eu poderia estar pedindo, eu poderia estar roubando, eu poderia estar matando, mas no momento vou ficar sem saber quem foi que fez essa delicadeza com a gente, até que alguém se manifeste.
Então aproveito o momento pra agradecer, pela Clara, pelo livro lindo que ela ganhou! A ilustração da capa eu achei na internet e coloquei ali em cima, ói que lindeza!
Obrigada!
Só pra vocês saberem, a historinha é a seguinte: "Quem nunca disse que queria ser grande? Qual a importância dos adultos na formação das crianças? O livro CLARA trata desses assuntos por meio de uma divertida personagem que, quando crescer, quer dirigir o carro da mamãe, assobiar como o tio, dançar como o vovô...". Que legal!

E por falar em presente, estou devendo uma foto aqui no blog de um outro presente trazido pelos correios diretamente de Botucatu, aquela terra que eu amo. Mas é que esse presente me causou uma comoção tão grande que nem foto consegui tirar... Foi a maior sensação aqui em casa, quando abrimos a caixa, que também veio para a senhorita Clara Moreiras Sena Maia Bretas, aos cuidados da mamãe aqui. Foi abrir e a gente fazer: AHHHHH, MEU DEUS! Personalizado e tals...
Não vou dizer o que é. Vou tirar uma foto depois e colocar aqui. Quem deu? Ah, aquela querida da Mirtes... tá loco, viu?

14 setembro 2010

I BAZAR COISAS DE MÃE


Estamos pensando nisso já a algum tempo.
Agora saiu do mundo das ideias e virou realidade.
Dia 09 de outubro, na Brinquedoteca BrinQtal, vai acontecer o I BAZAR COISAS DE MÃE, unindo mamães empreendedoras que produzem artigos relacionados à maternidade. O convite está aí em cima, é só clicar nele.
Mas não é só isso não.
Vai ter apresentação teatral com o pessoal do Circus Fever e uma palestra bem bacana sobre o pós-parto com a psicóloga Juliana Sell, do blog Apoio Materno, linkado aí na lista de blogs ao lado.
Mas chega de dar informações.
Vai ali no blog do evento (www.bazarcoisasdemae.blogspot.com) e veja o que vai rolar por lá.
A cada dia, uma coisa diferente sobre o que vai rolar no evento será postada lá.

Se você é uma mamãe empreendedora, junte-se a nós!
Se você já é mamãe, vá nos visitar!
Se ainda não é, mas quer ser, vá também pegar as boas vibes do mundo dos bebês!
Se é simpatizante da maternidade e paternidade consciente, estamos te esperando!

E, please, ajude a divulgar!

Beijomiliga

13 setembro 2010

É nóis nas xarji


Não é só criança que nóis sabe fazê junto...
Charge do Frank, publicada no jornal A Notícia em 12 de setembro de 2010.
É nóis nas xarji.
Criatividade nós temos. Só nos-falta-nos dindin...
Quem não conhece ainda o blog do Frank, o Xinelão, clicaqui e vai.

11 setembro 2010

Coisas descoisificadas de uma vida gravidesca ou amamentesca

Coisas de uma vida gravidesca ou amamentesca:
- Cerveja. Sem ácool.
- Café. Descafeinado.
- Leite. Sem lactose.
Aí, de manhã, peço pro namorado: "Amor, me traz um copo de café com leite, por favor? Ah, leite daquele sem lactose e café do descafeinado"
E ele: "Ah sim, adoçado com açúcar desaçucarado, com um pãozinho despanificado, com queijo desqueijado e presuntinho despresuntado, xá comigo".
É, companheira, não tá fácil pra ninguém...

Termos e expressões de uma vida gravidesca ou amamentesca:
- colostro
- mecônio
- puerpério
- vérnix
- lanugo
Aí vem o namorado, explicando - orgulhoso - logo após o parto:
"Que bom que tá saindo bastante mecônio do peito, né amor? E que ótimo que a Clara tá liberando o colostro".
Oi?
Pois é, agora somos bilíngues.
Ah, sim. Tem uma que não pode faltar.
Nós não conseguíamos falar PUERPÉRIO. Na hora de falar, sempre dava uma travada, uma esquecida, um branco. Já saiu até: "A Ligia está no PAUPÉRRIMO". Não deixa de fazer sentido. Tô mesmo. Num puerpério paupérrimo. Mas tudo bem, vamos que vamos.

Baladas de uma vida gravidesca ou amamentesca:
- Rave do nana nenê ("Nana nenê, que a Cuca vem pegar...", coitadinha da criança, perseguida pela Cuca)
- Lounge do pintinho amarelinho ("Mas tem muito medo do gavião" pode trocar por "ele é o amiguinho do meu coração". Porque, né? Sem essa de botar medo na criança).
- Happy hour do Cocoricó ("Tá na hora do Cocoricó, tá na hora da turma do Júlio", essa aprendi há pouco)

E no sábado a noite, a balada rolando solta na sala de casa, com revezamento Clara-por-dois. Eis que ela dorme. A família, que nem católica é, faz a saudação: "Sangue de Jesus tem poder!", com direito a dancinha comemorativa do casal no meio da sala. E o pai diz, como quem declara um ato ilícito: "Sabe o que eu vou fazer? Vou radicalizar. Vou abrir uma lata!!!". Abre a lata como quem pode tomar um choque de 570 volts, pra não fazer barulho e acordar o bebê. E o bebê se mexe. Lá vai a mãe exorcista, com a mão estendida em cima do bebê, proclamando: Em nome de Jesus, não acorda! E o bebê continuar a dormir. A fé move montanhas... Conseguimos.

E, sabe, estava aqui pensando.
Acho que vou organizar um evento nas noites de sábado para pais e mães que têm bebês em casa mas estão loucos por uma baladinha interativa, um bate papo com outras pessoas num sabadão a noite. Uma balada ex-clu-si-va para casais com bebês novinhos, com lugar pras mães amamentarem enquanto batem um papinho, pro pessoal interagir. Um churrasco, uma pizzada caseira, alguma coisa assim... Podia ser quinzenal, por exemplo.
Cena de "Mulheres à beira de um ataque de nervos".
Mais ou menos isso, digamos...
As famílias se divertiriam, criariam laços, os bebês estariam protegidos no quentinho, as mães teriam um momento pra se arrumar e sair, as demais crianças da família poderiam brincar, enfim. Não tem o CineMaterna?
Então. Esse seria o BaladinhaMaterna. Seria bom...

E, lógico, não faltariam os itens importantes:
Cerveja. Sem álcool.
Café. Descafeinado.
Leite. Sem lactose.
Mas se me inventarem o churrasco desachurrascado, a picanha despicanhizada ou a linguiça deslinguiçada, eu juro: MATO UM.

09 setembro 2010

Desengravidando: diário da ex-grávida destrambelhada

Acho a coisa mais esquisita do mundo quando eu começo uma frase com "Quando eu estava grávida...". Afinal, foi ontem!
Passei a vida ouvindo mulheres dizendo "Quando eu estava grávida..." se referindo há no mínimo 4, 5 anos... algumas a 20, 30 anos. E agora eu já digo isso, mesmo ainda tendo o espírito da grávida dentro de mim. Porque, olha, vou contar uma coisa pra você, esse lance de estar grávida é como uma entidade espiritual. E como demora pra desencorporar!
Já passei um monte de situações-mico, desde que desengravidei, por conta disso.
Outro dia a mulher do mercado me perguntou: "Moça, você não está grávida né?". E eu: "Não, por que?". E ela: "Porque essa fila é preferencial...".
Mico.
Esqueço que sou uma ex-grávida...
Também fui preencher uma ficha on-line que perguntava: se grávida, quantos meses de gestação? E eu: nove. Nove?? Chama o pai que a mãe tá louca!

Mais uma: fui pesquisar se determinado medicamento poderia influenciar a amamentação e digitei: medicamento tal e gravidez...
Tá difícil de sair da mente, a coisa...

Tô achando esse lance de desengravidar mais difícil do que foi engravidar. Porque, apenas para refrescar memórias, eu engravidei assim buf. Assim, pá. Assim, pá-buf. Nem tentando eu estava. Fiz uma pausa no anticoncepcional pra trocar de marca e ver se impedia o aumento de umas manchas faciais e pá-buf, pronto, já tinha ido. Lógico que nós demos uma ajudinha... mas foi assim. Mas pra desengravidar está sendo mais difícil. Tem vãos e espaços que eu ainda penso duas vezes antes de tentar passar, achando que ainda tenho um tamanho n-dimensional.

Embora seja psicologicamente difícil desengravidar, tem coisas muito boas no mundo do desengravidamento, embora estar grávida também tenha sido uma delícia. Por exemplo: não chorar mais com comerciais televisivos, dormir melhor (quando dorme...), e... e... voltar a usar aquela calça jeans que não passava nem dos seus joelhos!

Vitória! Foi quase a comemoração do hexa aqui em casa essa semana, quando a calça entrou, com direito a dancinha comemorativa e tudo mais.
Fui uma grávida destrambelhada e engordei zentos quilos. E está sendo ótimo saber que já se foram, em 40 dias, 15 quilos!!
Tchau 15 quilos, tchau!
Estamos na luta, companheiras!

06 setembro 2010

Peraltices da dupla

Hoje, pela segunda vez, saí rapidíssimo e deixei os dois sozinhos em casa...
Pois é.
Dei de mamar e saí correndo, pra voltar antes do peito doer - claro sinal de que Clara quer o seu lanchinho.
Fui resolver umas coisas que estamos bolando, eu e minha amiga Sheila, e que vai ser super legal, além de dar uma agitadinha no mundo das mamães aqui.
Fui com o coração apertado. Mas é bom, assim eles ficam se curtindo um pouco e a mamãe dá uma de fralda de marca boa: respira bumbum!
Quando voltei, olha o que encontrei (clicaí pra ficar maior):

Olha só o que me espera... Esses dois...

04 setembro 2010

Mama, filharada, mama!

Não sei se foi ontem ou anteontem - ando um pouco atrapalhada com as datas... - que liguei pra minha irmã recém parida e conversamos sobre as mamadas dos bebês. Pois é... os assuntos das conversas mudaram... hoje falamos de mamadas, roupinhas, essas coisas todas. Ainda bem, porque o mundo muda e que bom que mudamos junto.
Bem, aí minha little sister desabafou sobre as dificuldades que tem encontrado no nobre ato de amamentar.
Como a minha pequena tem 1 mês a mais que o pequeno dela, posso dizer que já passei as piores fases ligadas à amamentação. Sim. Porque até o sublime e necessário e importantíssimo ato de amamentar exige dedicação e persistência.
Então esse é um post-help, ou seja, voltado a ajudar outras mamães de peito a manter a apeitança dos seus filhotes e a diminuir os inconvenientes.

A primeira coisa que eu incentivo, sem fazer propaganda nenhuma: COMPRE AS CONCHAS COLETORAS! Ou peça no chá de bebê. Ou peça pra alguma amiga. Ou peça pra Deus. Mas garanta que as terá quando o bebê chegar. Por N motivos: evita o atrito do peito com a roupa, o que pode machucá-lo mais, evita a possibilidade inconveniente de vazar leite na roupa, mantém o bico do seio íntegro e no formato ideal pra criança pegar, entre outras benesses... Tenha as conchas e use-as TODOS OS DIAS. Não só depois das mamadas, mas SEMPRE! É mais ou menos como Deus no céu e as conchas na Terra, nos peitos.

Se no primeiro ou segundo ou terceiro dia depois do nascimento você achar que não tem leite suficiente (isso no caso de quem passou pelo trabalho de parto; no caso de ter sido cesárea marcada antes do trabalho de parto começar, pode demorar uns dias a mais, até mais ou menos 7 dias), não se desespere: você não tem mesmo. Isso porque esse primeiro líquido é o colostro. Ele é mais amarelinho e não é o leite, e contém vários compostos essenciais à primeira proteção do filhote. O reflexo de sucção é que vai estimular a descida do leite propriamente dito. Portanto, não se apavore nem entre em crise porque, isso sim, pode prejudicar ou atrasar a descida.

Outra coisa: a primeira semana dói mesmo. Tenha fé e persistência. Embora pareça, eles não tem dentes, os pequenos filhotes... Vai passar. Pode ser que os bicos dos seios fiquem machucados também. Isso acontece quando o filhote pega errado o peito, e pega somente o bico, quando deve abocanhar todo o mamilo. Pra isso, existem pomadinhas de lanolina que ajudam na cicatrização e que não precisam ser removidas antes do bebê mamar (outras pomadas precisam, sim, ser retiradas - e pense que dor retirar uma pomada de um bico já machucado... ui). Caso já tenha machucado muito e você esteja se sentindo extremamente desconfortável pela dor gerada, existem bicos de silicone que podem dar uma forcinha. Mas é importante não fazer do seu uso um hábito, porque o filhote depois pode rejeitar o bico ao natural. Mas se temos esse recurso pra facilitar a vida das mamães que estão sentindo muita dor, por que não usar né? O objetivo SEMPRE é o de promover a continuação da amamentação.

Uma outra coisa importante, que eu mesma passei aperto. Pode ser que, em determinados momentos, o bebê não consiga sugar direitinho. Aí a mãe fica irritada, preocupada, o bebê chora e é aquele pegapacapá. Simples: pode ser que seu peito esteja ingurjitado demais, cheio demais, e aí é bom tirar um pouquinho de leite antes, pro mamilo esvaziar e ficar mais molinho. Aí o filhote vem que vem...

Por falar em tirar leite, vai aqui uma outra dica. BOMBINHAS DE RETIRADA DE LEITE NÃO PRECISAM SER USADAS DE IMEDIATO. Principalmente pra quem já está com os seios machucados ou doloridos. Melhor tirar com as mãos mesmo. Sempre tomando cuidado com a higiene, lavando bem as mãos antes e procurando não conversar nesse momento. Se você acha que tirar com a mão não é produtivo, porque não sai muito leite, engano seu: ontem o pessoal do Hospital Infantil veio aqui em casa buscar quase 1,5 litro que eu coletei assim ao longo de 1 semana. Deixe-as para mais pra frente, se você precisar voltar a trabalhar e tiver que tirar uma quantidade maior em pouco tempo. Até lá, você já estará fera no assunto.

Agora vou fazer propaganda mesmo. Se, por acaso, sua produção de leite não for suficiente e o pediatra recomendar a complementação, não se desespere achando que não vai poder amamentar mais e que vai perder a oportunidade de estabelecer e aumentar o vínculo com seu filho. Existe hoje uma coisinha bem legal que se chama MAMA TUTTI. É um frasquinho onde será colocada a complementação e que você vai deixar entre os seios no momento da mamada. Desse frasquinho, sai um caninho flexível fininho, que você leva até o bico do seio, colocando-o ao seu lado. Assim, o bebê vai pegar o peito e, ao sugar, além de ingerir o leite materno, ainda vai junto a complementação. A sucção vai ajudar a estimular suas glândulas e a, quem sabe, aumentar o aporte de leite. É legal também pra quem adotou um filhote e quer tentar amamentar, ói que maravilha!! Vai nessa, nega, e não desanima! A pior coisa que pode acontecer pra você e sua amamentação é entrar em desespero! Estresse influencia, sim, a produção de leite.

Ah sim, outra coisa importante: quem sai da maternidade, geralmente sai ouvindo que tem que dar de mamar a cada 3 horas. Ah sim, então quer dizer que quando o bebê estiver bem gostosinho e relaxado dormindo, vou lá acordá-lo e dizer: tó aqui o peito, meu nego? Ou então que, 1 hora após uma mamada, ele quer mamar de novo e eu vou dizer: nananinanão, queridão, nem vem que não tem, agora só daqui a 2 horas? Pára né? A gente pariu bebezinhos, não máquinas pré-programadas. Por isso que, não sei você, mas eu adotei a amamentação em livre demanda. Teve fome, mamou. Que eu não pari pra ver filhote meu chorando de fome sem ter motivo. Lógico que a amamentação em livre demanda não é fácil: requer disponibilidade total da mãe, parar tudo o que se está fazendo, e, às vezes, não ter tempo nem pra coisas báááásicas e fundamentais como uma depilaçãozinha básica das pernas ou um jeitinho nas unhas. Mas quem falou que seria fácil?

Quê mais?
Bom, acho que por enquanto tá bom. Deu pra dar um helpzinho pras mamíferas que, como eu, estão aprendendo cada dia um pouquinho. Falando assim, pode parecer que foi tudo tranquilo por aqui. Mas a primeira semana foi complicada também, porque meu peito ficou machucado sim, as mamas ficaram doloridas sim e eu sentia muita dor pra dar de mamar. Algumas vezes, dei de mamar chorando. Quando passava, eu conversava com a Clara, dizendo que não era com ela não, que era o peito da mamãe que estava se acostumando. Mas mesmo sendo um difícil começo, como diria Caetano, eu já tinha lido muito a respeito antes dela nascer, me preparando, e sabia que isso ia passar... Passou.

Se todo mundo que estiver passando por essas experiências incríveis e doidas da maternidade compartilharem suas descobertas, tudo pode ficar mais fácil. E quanto mais a gente entender de uma coisa, menos apavorante ela será. É o que eu sempre digo para os meus alunos...

Aí embaixo tem um videozinho bem bacana sobre amamentação.
Que amamentar é importante, a gente já sabe. Mas como ele influencia a vida futura das pessoas e como a cultura pode influenciar o processo de amamentação é que não se fala muito ainda. Então, eu encontrei um artigo muito bacana sobre isso e estou disponibilizando aqui. Clica e vai.

Cai de boca, filharada!!!

03 setembro 2010

Chegou 2012!!

Saindo um pouco do assunto maternidade - que é ótimo, mas também é importante dar umas bandas por aí -, é chover no molhado falar das bizarrices dos candidatos às eleições desse ano. Mas também, não é de se espantar... A política brasileira toda tá tão bizarra que deviam pagar royalties pra minha comadre Cibele, blogueira do Bem Bizarro.

Mas confesso que esses dois jingles me deixaram PAS-SA-DA!

É muita cara de pau do cabra, né não?

Antes de colocá-las aqui, eu pensei: não vou dar ibope pro cara. Mas como sei que conta ponto contra, vou colocar sim... Dá pra acreditar? Ói só... Aperte o play e liga a caixa (mas liga baixo, pra não passar vergonha).





Chegou 2012 e nem me avisaram...

02 setembro 2010

Mulheres-cegonhas

Eu estou pra postar essas fotinhos faz tempo. Mas primeiro eu não as tinha em mãos, e depois meu computador ficou louco.
Então elas vão agora.
Pra quem leu o relato do parto da minha filha Clara, essa é a parte ilustrada.
São as pessoas que tornaram possível a humanização, a delicadeza, a poesia do momento mais especial da minha vida. São pessoas que sempre terão um lugar de destaque na minha história, porque estiveram do meu lado na hora da metamorfose.
São as queridas Hanamigas, as enfermeiras obstétricas do Hanami, que fizeram da chegada da Clara uma hora de grande alegria, mais ainda do que seria naturalmente. E que me ajudaram a mudar a energia e aceitar, após 29 horas de trabalho de parto (25 delas em casa), a chegada da Clara por parto cesáreo.
Nenhum tipo de agradecimento é possível nessa hora que diga exatamente o que vai no meu coração.
Que bom que elas puderam fazer parte da minha vida.
As fotos em que elas não estão presentes foram tiradas por elas também.

Lá vai!

O Frank anotou os intervalos das contrações até que as enfermeiras chegassem, quase 2 da manhã... Atente para o comentário "Essa foi fd!". Hoje eu morro de rir, mas na hora eu não ri não...

Na hora do pico de dor de uma contração, se sentir amada e amparada fez toda a diferença. Acho que só por isso eu aguentei vinte e tantas horas de trabalho de parto...

Eu adoro essa foto! São as queridas Iara e Renata, com carinhas de sono, depois de virarem a madrugada comigo, me ajudando no trabalho de parto. Eu fui guerreira sim, como elas me disseram, porque aguentei tantas horas... E elas? Que fazem isso sempre? Nem tem nome pra isso...


Essa foi tirada quando a Clara completou 10 dias de vida. Do meu lado, a Vânia, e do lado dela, a Tânia - o anjo da guarda que me reergueu na maternidade e, praticamente, trouxe a Clara no colo do mundo dos bebês para o nosso. Embaixo, Renata e Iara, sempre sorridentes. Do meu outro lado, meu namorado querido, com sorriso de orelha a orelha pela chegada da filha.


Vânia. Querida. Nada me tira da cabeça que ela tem poderes... hehehe

Elas, Vânia e Tânia...

Infelizmente, ainda falta gente nessas fotos: Clariana, Manu e Joyce.
Ê mulherada especial!
Ó pra vocês, ó:

01 setembro 2010

O primeiro mês do início da nossa vida juntas


Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia.
Verdade verdadeira essa frasezinha da música do Lulu. E isso eu percebi nesse 1 mês de vida da Clara...
Tantas mudanças que eu acho que o tal do blues, que pega as recém paridas, nada mais é que o cérebro começando a processar a transformação total que acontece com a gente. Transformação de horários, de preocupações, de corpo, de prioridades, de sono, de apetite, de rotina, de hábitos, de concentração, de audição, de força no andar, de volume de voz, de emoção, de tudo.
De horários porque aquela vida que cabia dentro de certos horários já não existe mais... e o novo cronograma também ainda não está definido dentro desse primeiro mês. Eu acordava, arrumava a cama, já tinha o dia todo planejado na cabeça (mesmo quando não se tinha nada importante pra fazer), sabia mais ou menos quando comer, quando tomar banho, quando sair pra fazer as coisas, quando cada coisa poderia acontecer. Agora, cada minuto é uma surpresa.
Transformação de preocupação porque as velhas ainda permanecem, mas surgiram umas que a gente, mães novas, nem fazia ideia de que poderia existir.
De corpo porque, obviamente, tudo vai voltando aos poucos pros seus lugares (é rezar pra isso, pelo menos...). A nova mãe vai emagrecendo, perdendo o que ganhou durante os 9 meses, e isso gera um pouco de ansiedade. Mas é legal ver a balança diminuindo seus ponteiros a olhos vistos. É legal também voltar a usar roupas que não serviam mais, é como se você adquirisse um novo guarda-roupa. E também tem aquelas que ainda não servem, que vão servindo de estímulo pra continuar na maratona "sai desse corpo, gordurinha mala, que não te pertence!". Às vezes, dá uma desanimadinha ver como é lento o processo, mas tem que ter paciência - que parece ser a frase símbolo do momento, inclusive. A barriga já vai voltando pro lugar, embora ainda tenha a linha negra nela, que vai demorar ainda um pouquinho pra ir embora. Eu olho pra linha hoje e me lembro de quantas vezes eu olhei pra ela e pensei: meu nenê tá aqui dentro...
Mudança de prioridades porque, antes, as quase-mães sempre pensavam em si em primeiro lugar. Era a sua fome, o seu sono, o seu cansaço, o seu descanso, o seu banho. Agora é a fome do filhote, o sono do filhote, o cansaço e o descanso dele, o banhinho dele. O que é ótimo, porque se tirar do centro dá uma outra perspectiva, muito mais ampla por sinal, pra vida. E saber que tem alguém que depende EM TUDO de você, é uma coisa muito especial. E dá uma motivação ainda maior pra querer fazer tudo bem feito.
Transformação de sono... essa é autoexplicativa, né? A madrugada de uma recém-mãe muda totalmente. A gente dorme picadinho e não é mais aquele sono profundo. Ao menor barulhinho, lá estão os olhos abertos e o corpo levantado, quase que automaticamente, em alerta pra ver se o filhote não está pra ser atacado por um ser devorador de filhote dos outros. E tem também o acordar pra dar de mamar... Esse dá um capítulo a parte. Pega o filhote, dá o peito, espera ele mamar tudinho, fica ali babando (de amor e de sono), às vezes hipnotizada e se perguntando "Como pode ser tão linda, meu Deus?", ainda mais quando o filhote segura no seu indicador enquanto mama e te olha com olhinhos de "Que gostoso, mamãe...". Aí levanta o filhote, põe pra arrotar, espera um tempo indefinido por isso (às vezes acontece antes mesmo de dar o primeiro tapinha nas costas, às vezes não acontece e, nesse último caso, a nova mãe fica paranóica...). Aí coloca o filhote pra dormir de novo e tenta voltar a dormir... pra acordar novamente dali a poucas horas e dar leitinho pra pequena gente que tá ali do seu ladinho. Isso se você tiver uma sorte megaseníaca do filhote dormir logo depois de mamar... Porque existem filhotes que gostam da madrugada como seus pais e resolvem cair na balada depois de mamar. E aí é um pegapacapá, um vucovuco, um tal de balançar, ninar, cantar até jingle de propaganda de farmácia, revezar "um pouco o pai, um pouco a mãe", botar pra dormir no peito, uma loucura... Aqui, a opção botar pra dormir em cima do peito, seja do papai ou da mamãe, tem se mostrado a mais sedativa e calmante... Mas aí o dia já amanheceu. Sorte de quem, como nós, tem a possibilidade de flexibilizar o seu horário e tirar a manhã pra repor o sono perdido da noite. Mas eu fico pensando nas famílias que batem ponto e que não têm outra opção a não ser levantar e partir pra vida, ostentando uma bela máscara de urso panda, com olhinhos fundos e negros... E salve o Chronos, o Renew, o qualquer creme, desde que seja "para a área dos olhos".
E mais um monte de tranformações... A gente passa a ter ouvidos supersônicos e a ouvir o chorinho mesmo quando o filhote está longe. E também passa a alucinar, ouvindo choros quando eles nem aconteceram... Aí é um tal de correr pra acudir e encontrar a criatura no sétimo sono do Morfeu. Tem também a mudança na forma de andar, agora na ponta dos pés, pra que o filhote não acorde e não assuste... que coisa mais dó do mundo é filhote acordar assustado. Tem mudança no tom da voz - ainda mais pros papais e mamães que são conversadores e escandalosos - ouvi falar que existem pessoas assim...
Quando se é meio estabanadinha, parece que o quesito estabação (existe isso?) fica mais evidente ainda. Porque o filhote tá lá dormindo e você deixa cair tudo o que existe na face da Terra e que vai parar na sua mão. Aí é um tal de encolher ombros, fechar os olhos, ficar imóvel e rígida e rezar pra Santa Clara pra que não tenha acordado a filha, acompanhado, logicamente, por um SHIIIIIIIIUUU do papai, ou da mamãe.
Um mês parece pouca coisa, mas é muito. Um mês parece muito, mas é pouca coisa.
Em um mês, ela cresceu, engordou, começou a fazer barulhinhos com a voz, já nos segue com os olhinhos, já perdeu roupinha e mudou o tamanho da fralda (mas aprendi que depende da marca). Já cabe em roupinhas que não cabia antes, já encara a gente querendo conversar, já desenvolveu uma paixão por andar de carro (outro poderoso sedativo, junto com o caminhar dentro do sling) e já mostra expressões "essas são da mamãe", "essas são do papai". Já aprendeu que tomar banhinho em água quentinha é uma delícia, mas que sair de lá é o apocalipse, ou uma tentativa de assassinato, pelo tamanho do choro.
Um mês parece pouca coisa, mas é muito. Um mês parece muito, mas é pouca coisa.
É pouco perto do tamanho do meu amor por ela.
É muito quando penso que ela já foi um grão de arroz.
É pouco perto do tanto que eu quero tê-la ao meu lado.
É muito quando eu vejo que ela tá crescendo rápido.
Um mês de Clara foi o mês mais off road que eu já vivi, cheio de aventuras, de surpresas, de imprevisibilidades, de intensidade.
Mas foi o mês mais incrível da minha vida. Olhando essa carinha linda, esses dedinhos pequenos, esses pezinhos gordinhos e essas perninhas que já foram magrelas e agora estão ficando cheinhas.
E pensando: meu Deus... tudo isso se fez dentro de mim!
Por mais que se entenda de biologia, tem coisa que a gente nunca vai conseguir assimilar... Que a minha filha, hoje com 56 cm e toda rechonchuda, tenha sido feita dentro de mim é uma delas.

Você já foi à Bahia, nêgo? Não?! Tem que ir, tem que ir...
Você já teve um filho, nêgo? Não?! Tem que ter, tem que ter...

Lá em cima, soninho no dia de mesiversário.
Lá embaixo, videozinho de poucos segundos que a mamãe fez, com a câmera virada do lado errado, mas fez...

PS: esse mês foi tão importante, que eu estou criando um novo blog. Mas esse novo blog está sendo criado com calma e carinho. É filho do Intensa, a Mente. E, como todo filho, sempre sai aperfeiçoado... Logo logo, esse novo blog vai substituir esse aqui. E aí será um blog de duas. Não mais de uma só. Bom isso, ser pra sempre duas.



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