sábado, 30 de outubro de 2010

Clara e seus 3 meses

Hoje, Clara faz 3 meses de vida! E a gente em plena mudança de lar. Ainda bem que ainda não pedimos pra desligar a internet de casa, porque eu ficaria muito triste se não pudesse escrever algo sobre o dia dela no dia dela.
Foram 3 meses de completo aprendizado, e posso dizer que hoje me vejo uma mãe muito eficiente - após muitos momentos de incertezas quanto a isso nesse trimestre.
Clara está uma criança incrível!
Lógico que tem embutido aí o depoimento de uma mãe coruja. Mas está mesmo, incrível. Cheia de personalidade, muito, muito, muito alegre e sorridente, e espertíssima. Já reconhece as pessoas - ou estranha algumas - e mostra completo amor por nós, mamãe e papai. E, olha que grande avanço, desde ontem começou a ficar sentadinha. Vimos isso com um grande espanto, olhando pra ela deitadinha do sofá e se impulsionando pra frente até ficar sentada. Claro que filmamos, mas no meio da confusão de caixas, não sei onde está o celular do namorado, onde está armazenada a relíquia histórica.
Hoje foi um dia diferente na rotina dela, já que em meio à mudança não podemos fazer o que habitualmente fazemos. Mas eu disse várias vezes no ouvidinho dela: minha filha, hoje você faz 3 meses e a mamãe está cada dia mais apaixonada e orgulhosa de você. Ela se acaba de rir... o que é um comportamento muito habitual.
Ah, que trimestre mais incrível! Quanto aprendizado diário, pra ela e pra mim. E essa semana em que ela completa um trimestre, foi uma semana de um monte de novidades. Além de estar sentando, agora ela interrompe as mamadas para, APENAS, rir pra mim! Tá lá mamando e, de repente, para tudo e dá uma risadinha de franzir o nariz. Sei lá como eu sobrevivo a isso... É amor demais, né? Tá louco... E ontem eu e o namorado também percebemos uma coisa muito divertida. Toda vez que a gente se beija na frente dela, ela dá uma gargalhadinha. No começo a gente achou que era impressão. Aí, pra tirar a dúvida, falamos: Ó Clara - nos beijando na sequência. E aí foi confirmado: veio uma gargalhadinha daquelas que ela dá de fechar os olhinhos e enrugar esse narizinho arrebitado que é a loucura de todo mundo.
Clara começará seu terceiro mês de vida de casa nova. E estamos arrumando tudo pensando, primeiramente, nela. O quartinho está ficando uma delícia. E, como Clara é uma criança especial, do quarto dela dá pra ver a Lagoa... Ela é muito especial e merece um lugar especial também pra morar.
Filha, que felicidade que é tê-la conosco. Quanto amor você trouxe pra nossa vida...
Nós te amamos muito. Chega a dar até coisa.
A fotinho lá de cima foi tirada ontem. É a cara da mamãe. E a gaiatice do papai.
Que misturinha mais mió de boa que deu...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Dr. Jekyll e Mr. Hyde, ou As aventuras pediátricas (nada agradáveis) de Clara


Hoje a Clara tem um pediatra que é show! Ele é super preciso; explica tudo o que é importante saber; se interessa pelo bem-estar tanto da criança quanto dos pais; pergunta da rotina e da amamentação; dá dicas sobre o que fazer quando eu estou cansada; não fica noiando a cabeça da mãe; é super observador e atento; quando tem dúvida sobre alguma coisa sugere que a gente vá em outra especialidade pra investigar (e ajuda a arrumar consulta pra isso); é delicado com a bebê e - muitissíssimo importante - sempre saio com as mãos abanando das consultas. O que significa que ele não fica medicando sem necessidade.
Mas foi o CÃO chegar até ele! O CÃO!
Cada bizarrice que a gente passou que nem dá pra acreditar...
Todo mundo dizia que era pra arrumar pediatra antes dela nascer. Mas quem disse que no final da gravidez eu tinha pique pra isso, minha gente? Acabei deixando pra depois do nascimento. A gente conta o que passou e o pessoal acha que é piada. Quer ver?
Médica 1: marquei uma pediatra bem pertinho aqui de casa, numa clínica que eu já conhecia e onde fui consultar antes de saber que estava grávida. A médica até que bem bacaninha. Até que abriu a boca e disse: "Você dá chupeta pra ela? Não?! Tem que dar, tem que dar!". Nessa época, o pai da Clara ainda era a favor de dar chupeta. Mas eu já havia deixado muito bem estabelecido, obrigada: sem chupeta! Aí a médica perguntou pro namorado: "Você é a favor?" e ele: "Eu sou, quando ela estiver chorando" e ela: "Pronto, perdeu. São 2 votos contra 1".
ALGUÉM TE DEU DIREITO DE VOTO, ô loca?! Quem perdeu, preibói, foi ela. Saímos de lá e nunca mais voltamos. Ainda mais porque ela queria que eu passasse uma pomada antibiótica na Clara, pra prevenir alguma desgraceira que ela disse lá na hora. Tchau! BeijoNÃOmiliga.

Médica 2: eu soube que na clínica onde fiz meu pré-natal, e onde sempre fui muito bem atendida e que conta com um grupo muito bom de profissionais da área da saúde, tinha uma pediatra. Pensei: "Numa clínica boa dessa, essa pediatra deve ser boa também. Vou ver qualéquié". Marquei e levei. E se arrependimento matasse eu tinha caído dura e seca na frente dela mesmo. A véia tava bêbada!!! Não é brincadeira isso. A véia tava bêbada, cara!! Tem meu namorado aqui pra confirmar. Nada contra véias (é só jeito de falar), nada contra bêbadas: MAS NÃO PRA SER PEDIATRA, NÉ BICHO?
Entrei, ela pediu a caderneta de saúde da Clara, ficou copiando coisas por 8 minutos, nem olhava pra gente. E aquele silêncio constrangedor. E eu e o namorado nos olhando com cara de piada... Aí ela vai examinar a Clara. Levanta da cadeira e dá uma cambaleada. Chega perto da gente e o bate aquele cheiro de marafo!  Eu nem sei como não dei um barraco ali mesmo. Acho que foi porque minha filha estava junto. Aí vai examinar a Clara com as mãos com uns puta anéizões. Eu já tava pra dar nela! Olha, olha, olha, e finalmente diz: "tá com uma bolinha aqui, vou receitar uma pomadinha que é ótima: Bepantol."............. Bepantol?! Bepantol é o que uso no bumbum da Clara. Como se fosse o maior medicamento do universo. Aí eu pergunto pra ela: "a senhora é homeopata ou alopata?". Eu já sabia, mas queria confirmar. E a doida: "Eu sou homeopata. Não, sou alopata. Ou sou homeopata? Nossa, me confundi". Eu olhei pro namorado e ele tava pra morrer de tanto segurar a risada. Aí ela mediu a Clara, mas não marcou na caderneta. No fim da consulta, eu e minha boca grande, com minha língua que não cabe dentro, resolvi perguntar: "Quanto ela tá medindo?". E a véia: "Eu medi? Eu acho que não medi. Medi? Não lembro...". Pô, aí fiquei puta. A consulta terminou. Saí da sala desembestada, e o namorado rindo do absurdo da situação atrás de mim. E a véia sem noção ainda veio atrás pra dar um abraço de tchau!! Vai abraçar a garrafa de cana, véia sem vergonha. Claro que a deixei no vácuo e me pirulitei... No dia seguinte, liguei pra clínica e fiz uma senhora reclamação. E sorte dela que não liguei pro CRM. Preferi fazer menos barraco e deixar que a clínica mesmo se livrasse daquele pudim etílico. Cruzes! Que trauma.

Médica 3: Nós já tínhamos encontrado o pediatra da Clara, mas aí uma noite ela chorava muito, agitava os bracinhos de tanto chorar e estava quentinha. Resolvemos levá-la, por via das dúvidas, numa clínica que dá plantões noturnos. Uma médica nos atendeu e disse que ela estava com refluxo. Sim, nós já sabíamos que Clara tem refluxo, mas o pediatra dela, depois de examinar muito, não viu nenhum indício de que esse refluxo estava atrapalhando o desenvolvimento dela. E todo refluxo em bebês é fisiológico, só se deve entrar com tratamento farmacológico no caso do bebê não estar ganhando peso adequadamente, por exemplo. A mulher nem mediu a temperatura da Clara, mas não teve a menor dúvida ao receitar Tylenol. Ela nem sabia se a Clara estava com febre, minha gente, e já saiu prescrevendo. Mas isso não foi o pior. O pior vem agora.
Frase dela: "Olha, quando ela ficar chorando sem motivo, não espera muito não. Dá logo Tylenol. Chorou, dá Tylenol. Porque Tylenol dá uma tranquilizada também, nos bebês". !!! (Espanto, espanto) Eu vou te dizer onde você poderia colocar esse Tylenol, ô pessoa...

Meu Deus, será que onde esse povo fez faculdade tinha também curso de medicina?

Por isso que eu sempre digo: muito cuidado com negócio de levar criança ao médico. Tem sempre um louco de hospício solto por aí. Claro que tem muito médico bom; o Dr. Cesar é um exemplo, junto com tantos outros médicos bacanas que existem. Mas digo sem medo de errar: a maioria se deixa levar pela febre da prescrição desenfreada, principalmente de antibióticos, antialérgicos e corticóides. Depois o pessoal vem se queixar da superbactéria que pintou por aí.
Outra coisa: médico é como você, é como qualquer pessoa. E, exceto pelo Dr. House, não é porque fez curso de medicina que virou uma divindade. E o modo como cada um se dedica à profissão que segue não tem nada a ver com o curso que fez. Nunca aceite sem questionar alguma coisa que tenha sido dita apenas porque a pessoa é da área da saúde. Eu me formei onde tinha curso de medicina. Fiz mestrado onde tinha um curso de medicina. Fiz doutorado onde tinha um curso de medicina. Por isso posso dizer: tem gente que não leva a sério. Já vi cada coisa, tanto como colega de alunos da medicina quanto como professora do curso de medicina.
Quando conhecer um médico, pergunte sempre à sua intuição de mãe: essa é uma boa pessoa?
Se não parecer ser, corra sem nem olhar pra trás!
Às vezes dá pra entender bem de onde Robert Louis Stevenson tirou inspiração pra sua obra mais famosa...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Nós, as cabeçudas

Depois que a Clara nasceu, comecei a perceber em mim habilidades que antes eu nem imaginava que poderia ter. Na verdade, essa percepção começou ainda na gestação, quando comecei a fazer coisas que não sabia que conseguiria fazer. Mas está mais evidente ainda agora, que sou mãe pra valer.
Fiquei pensando se essas novas habilidades não poderiam ser fruto das inúmeras tarefas que uma nova-mãe passa a realizar. Mas aí caí naquela história: desenvolvi novas habilidades porque faço muita coisa ou faço muita coisa porque desenvolvi novas habilidades? Acho que os dois. Afinal, esse nosso corpo é um sistema dinâmico, não funciona apenas unidirecionalmente.
Hoje consigo fazer coisas que antes não conseguia - como escrever (mesmo que um garrancho) com a mão esquerda quando a Clara tá no colo ou embalá-la enquanto separo a roupinha pro banho, por exemplo. Do jeito que eu sou meio estabanada, se eu tentasse fazer algo assim antes, com certeza alguma das duas coisas iria parar no chão. Ui, credo! Já pensou? Ainda bem que teve atualização do sistema. E tem aquela história que inúmeras mães contam, de estar fazendo trocentas coisas ao mesmo tempo em que se balança o carrinho. Bom, isso pra nossa geração já pode ser resolvido com o uso do sling, mas já aconteceu por aqui também...
Mas essas novas habilidades não se restringem apenas à esfera motora. Pelo contrário. Acredito que as maiores novas habilidades estão é na parte psicológica mesmo. A capacidade de amar parece que dobrou; o senso de responsabilidade fez um upgrade inédito; a noção de horário parece mais clara; o afeto está ultradesenvolvido; a empatia e a compaixão parece que melhoraram também; e a gente se sente muito mais motivada a fazer coisas boas. Isso sem falar na audição supersônica e na intuição poderosa. Ontem mesmo eu disse: "deixa eu fazer isso logo que tô sentindo que ela vai dar uma acordadinha", embora já fosse a hora em que ela chapa de sono... Dito e feito: lá pelas onze da noite, Clara cumpriu a profecia da mamãe.
Aí eu ficava pensando, como uma boa interessada por neurociência: tenho certeza de que meu cérebro está se remodelando. Pena que o cérebro não faz barulhinho de processamento, como o estômago. Senão eu jurava que poderia ouvi-lo se reestruturando. Mas se eu, uma pobre maria-ninguém, falo uma coisa dessas, que o cérebro aumenta sua atividade ou, pelo menos, a remodela, todo mundo me perguntaria: e quem disse isso? E, nesse caso, dizer Sena (2010) não valeria muito, já que não sou especialista nisso...
E eis que hoje saiu uma matéria no jornal dizendo que pesquisadores do National Institute of Mental Health, nos EUA, mapearam os cérebros de mulheres que deram a luz e perceberam que, SIM, o cérebro cresce. E, olha que legal: cresce exatamente em áreas relacionadas àquelas mudanças que a gente observa: áreas relacionadas com a motivação, a recompensa, as emoções, o raciocínio e o julgamento.
Eu me lembro, quando era adolescente, de ouvir muito dizer que, depois de adulto, não nascia mais neurônio novo. Lembra disso? O próprio "avô" da neuroanatomia, Santiago Ramon y Cajal, já dizia isso, que não havia mobilidade ou regeneração nervosa cerebral. E eu, particularmente, do alto da minha ignorância, acredito que uma das maiores descobertas científicas dos últimos tempos tenha sido a comprovação da neurogênese cerebral.
Aí, ao ler essa notícia no jornal, fiquei com duas dúvidas - como uma boa pesquisadora... Primeiro: o cérebro se desenvolve mais porque outras funções nos são requeridas na experiência materna ou a experiência materna é promovida pelo maior desenvolvimento cerebral? Novamente, eu acredito que sejam as duas coisas, embora não possa dizer com certeza. Mas é isso que eu sinto, pelo menos, que uma coisa leva à outra, ciclicamente.
Se eu tivesse um tempo agora, faria uma revisão bibliográfica sobre os estudos que existem na literatura científica sobre isso, pra ver que tipo de mapeamento cerebral já foi feito em mães.
Será que os diferentes envolvimentos maternais (já que cada mãe se comporta de maneira diferente em sua experiência de maternidade) está relacionado também a constituições cerebrais diferentes?
Olha, eu realmente não sei. Embora ache que sim...
Só sei que, no meu caso, a área cerebral relacionada ao amor, à entrega, ao afeto, à dedicação e ao zelo intenso deve estar imensa!!!
Tá liberado: pode me chamar de cabeção!
Com muito orgulho!


Você pode ler essa matéria que mencionei clicando aqui. Fica relax que não é link pro artigo científico em inglês não, é pra matéria do jornal mesmo...

A imagem lá de cima é de autoria da artista plástica Rosana Pascale e está disponível no blog dela.

Pra começar uma boa semana...

... nada como um sorriso desse.
Pra dizer: vai, mamãe, força na peruca que a gente guenta!
Fazer mudança é uma doideira. Mas fazer mudança com um baby de 3 meses, num esquema total de "se vira nos trinta" é uma coisa surreal. É uma caixa a cada 3 horas, pelamor...
Mas com calma e com jeito... a gente chega lá!
Mudança marcada pro feriado prolongado.
Se a gente vai conseguir, bom... aí é outra história.


O pretinho básico foi presente da tia Aline e do tio Gusta. Te mete?!

sábado, 23 de outubro de 2010

Cuma?!

Nada como saber cozinhar, fazer um bacalhau Gomes de Sá pra comemorar o "1 ANODETUDO" (namoro, final de doutorado e concepção da Clara) para arrancar - inesperadamete - uma confissão do seu namorado.
Em plena degustação do menu confiança, ele desabafa:
"Amor, tenho que confessar uma coisa".
E você: "Ai, danou-se".
E ele: "Eu tinha medo do Carga Pesada"
... casar com gente bem-humorada faz toda a diferença na vida da pessoa...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Cansaço

Hoje eu estou tão cansada que parece que nem sou gente...
Cansada de um cansaço cíclico, ininterrupto, que não se descansa à noite.
É simplesmente impossível dar conta de tudo, manter a saúde mental em dia e ainda querer ser gente normal, com hábitos e gostos de antes.
"(...)Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço..." (Álvaro de Campos)
Tem horas que o que você precisa mesmo não é de dinheiro, não é de uma ajudante, não é de uma rotina.
É de um abraço...
"Eu não sou tão triste assim. É que hoje estou cansada..."

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

1 ano de namoro e uma filha de 3 meses

Hoje é um dia especial! Nós fazemos 1 ano de namoro.
Sim, você leu certo. É 1 ano mesmo. Mas entendo sua surpresa...
Bom, até onde eu sei, 1 ano tem 12 meses. E você deve ter feito as contas, rapidamente: 9 meses de gravidez + 3 meses de vida extra-uterina de uma filha, também dá 12 meses.
Si, guapo, nós engravidamos aos 3 segundos do primeiro tempo, quase nem esperamos o juiz apitar o início da partida.
E hoje, tuitando coisas como essa, descobri que tem um monte de amigos que não sabiam da história exatamente, e muitos me pediram pra contar aqui no blog. Então hoje eu vou contar como é que foi tudo isso.
A história é longa, então vou resumir em Atos.

Ato 1: estava eu de perna quebrada sentada numa mesinha de um buteco, com amigos comuns a ele. Ele entrou, me olhou e se apaixonou. Isso é que é versão tendenciosa.... Que nada. Ele me viu e eu o vi. E nosso elo em comum era a Vanessa, minha amiga. Amiga dele.
Ato 2: Vanessa (que diz que já sabia no que aquilo ia dar...) dá um golpe em mim: me chama pra um café e eu vou. Quando vejo, não estamos num café, estamos numa agência de comunicação. Onde ele trabalha. Isso era maio, mais ou menos, de 2009.
Ato 3: Começa aquele lance de "você tem msn?", e troca msn, troca blogs, troca tudo. E começam as conversinhas esquisitinhas pelo msn. Pra cima de mim, negão? Nãnãnãnãnão.
Ato 4: Na época eu era uma garota solteira que morava sozinha, era totalmente independente, mas andava bem confusa. Repeli a tentativa de aproximação dele.
Ato 5: Os Demônios da Garoa vieram a Floripa e eu, boa paulistana que sou, fui lá cantar o Trem das Onze. E acabei pegando foi o trem errado, porque exagerei na cerveja, encontrei com ele depois, mas não estava em condições, digamos, de ser boa companhia pra ninguém. Tomei um tombo na calçada, ele me ajudou suuuper solícito - diz que sem segundas intenções, rá! pra cima de mim travêis... - mas eu corri com ele. Ele ficou puto e foi embora jurando nunca mais falar comigo (ele confessou isso, uma vez...). Isso era junho de 2009.
Ato 6: O nunca mais dele durou só uns dias...
Ato 7: Eu, Vanessa e Chico formávamos, na época, um trio inseparável de amigos unidos por estarmos vivendo coisas parecidas. Organizamos uma festa julina bem bacana num sítio e chamamos um monte de amigos. Ele foi. Mas o vinho de boa qualidade foi preterido pelo vinho quente que rolava e ele, numa atitude muito altruísta, se voluntariou a beber aqueles vinhos bons. Vez dele agora: se passou. Eu fiquei puta e jurei que nunca mais falava com ele. Isso era julho de 2009.
Ato 8: O meu nunca mais durou um pouquinho mais, 2 meses. Embora perguntasse dele com frequência para nossa amiga Vanessa, não falava mais com ele mesmo. Até o dia em que o encontrei numa balada, agarrando uma moça. Fiquei puta. Despeito, puro despeito... Quase comi meu cotovelo até chegar à mão.
Ato 9: Aquilo ficou na minha cabeça e aí acabou o meu "nunca mais". Três dias depois, voltamos a nos falar.
Ele me convidou para um café, eu num puta estresse de final de doutorado, aceitei o café, do café emendamos na janta, da janta emendamos na balada - um inferninho que a gente frequentava direto - na balada, emendamos um no outro e... parou por aí, que eu sou moça de família.
Ato 10: O hómi ficou confuso e me deu uns perdidos... Dizia que sabia que comigo a coisa seria séria e que estava fugindo de mim. Cá pra nóis: pura desculpinha! Tava era me dando o troco do perdido que eu dei nele lá no Ato 5, após o show dos Demônios da Garoa.
Ato 11: Ele me aprontou uma que prefiro nem comentar... Aqui em casa esse assunto é proibido, e uma faca fica ali bem à minha mão para o caso de recidivas.
Ato 12: Eu naquele puta estresse de fim de doutorado, ele quis dar uma de me acalmar e no dia 20 de outubro de 2009 a gente começou a namorar.
Ato 13: Defendi minha tese de doutorado no dia 23 de outubro de 2009. Depois da defesa, rolou uma festa. Depois da festa, rolou outra. E aí... aí vem aquela historinha... que termina com uma tal de cegonha com um bebê no bico.
A gente se apaixonou de tal forma que, 1 mês depois, decidimos morar juntos. Eu nem sabia que estava grávida... E uma semana depois de termos alugado a casa de onde estamos saindo semana que vem, eu soube que estava grávida.
Bom, eu já tinha descoberto que aquele episódio do Ato 8, dele agarrando a moça, era pura encenação. Ele me viu e pediu para uma amiga dele dar uma agarradinha pra me fazer ciúmes. E eu acrediteeeeeeeeei! Tudo bem. Pra ver como é a vida, ela se tornou madrinha da Clara. E a Vanessa é nossa "madrinha de casamento", no casamento mais forte que temos que foi a vida quem celebrou.

Nossa história de namoro, portanto, se confunde com a luta de 1 ano inteiro... Com muitos problemas que tivemos que vencer, muitos, vocês nem imaginam quais e quantos. E estamos vencendo ainda. Esse é o último mês dessa batalha intergaláctica (pelo menos, a gente espera que seja). Mas se confunde também com a história mais linda da minha vida, que tem seu ponto alto no nascimento da minha filha Clara, com ele do meu lado durante as 29 horas de trabalho de parto que passei.
Muitos momentos românticos que as pessoas normais vivem durante o primeiro ano de namoro foram substituídas por enjôos gravídicos, por falta de grana de uma vida em família que estava começando, por fraldinhas para trocar e por noites embalando bebê. Não, isso não é fácil. Mas isso não é ruim. E, na boa? Não é pra todo mundo.
É pra gente intensa.
É pra gente forte.

Hoje estamos aqui. Juntos, firmes e fortes.
E semana que vem a gente se muda para um lugar muito especial. Eu morei nesse lugar de julho a outubro de 2008. Ele morou de julho a outubro de 2009. Nunca havíamos nos encontrado lá. Vai ver que era porque a Clara ainda não estava pronta para chegar...
Isso é que é um time que joga bem (como disse uma amiga hoje): marcamos gol aos 3 segundos do primeiro tempo. Foi imprevisto, foi no susto, foi de sopetão. Mas vendo a Clara dormir ali na frente e ele trabalhando aqui do lado, sei que foi tudo certo.
Como ele disse pra mim, num dos xavequinhos que me passou quando a gente se conheceu:

TUDO QUE ACONTECE É BOM.

Esse texto é especialmente dedicado a Frank Maia, meu marido, a quem sempre vou chamar de "namorado" porque no meio dessa palavra tem "amor" escrito.
A foto lá de cima, foi a primeira foto que tiramos juntos. Quando eu ainda resistia à jinga do negão...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sobre quase-macacas e quase-humanas

Sim, o texto é longo. Porque o papo é sério.

Resolvi escrever esse texto após ler muitas coisas sobre um método chamado "Método Estivill", que é explicado no livro de mesmo título e cujo subtítulo é "Um guia rápido para os pais ensinarem os filhos a dormir". Já começo dizendo o seguinte, sem muito medo de errar: com exceção do blog da Mariana, o Pequeno Guia Prático Para Mães Sem Prática, que é show de bola e ajuda um monte de mães, além de fazê-las rir, tudo que começa com "guia rápido", "método fácil" ou "sem esforço" deve ser lido sempre com uma sobrancelha meio levantada, quando diz respeito a modificação de hábitos e comportamentos... Coisas como "Guia rápido para enriquecer" ou o "Como perder 10 quilos em uma semana sem fazer esforço" são meio esquisitas, não?
Bem, todos somos animais. Animais que tiveram um maior desenvolvimento do córtex cerebral com o passar das gerações, mas animais. Hoje temos um neocórtex, mas somos animais.
Tá entendido isso?
Beleza.
Sendo animais, reagimos instintivamente como tais. Com a diferença de que conseguimos - ou deveríamos conseguir, pelo menos - ponderar sobre uma série de questões e compreender o que outros animais não compreendem. Mas o comportamento humano tem base justamente na animalidade de nossa condição.
Agora imagine a seguinte situação: você é uma mulher Neanderthal. Ou uma fêmea de uma espécie prévia ao Homo sapiens. Uma quase-macaca, digamos assim. Ou uma quase-humana, dependendo do ponto de vista... Bom, aí você ficou prenhe. E aí o filhote nasceu. Vocês vivem numa caverna. Mas você é uma quase-macaca e sabe que tem outras espécies de animais andando por aí que adorariam saborear seu filhote como se fosse um cheetos, afinal, até formato de cheetos tem o filhotinho. Aí, depois de mamar nas suas tetas, seu filhote dormiu. Sim, porque você é uma quase-macaca, e naquela época as tetas ainda não tinham adquirido status de "peitos" ou "seios", são tetas mesmo. O filhote dormiu e você o colocou pra dormir em cima de um monte de folhas, porque ao contrário dos filhotes dos outros macacos, os filhotes da quase-macaca não conseguem dormir agarrado nos pelos da mãe... Então ele ficou lá dormindo na caminha de folhas. E você aproveitou pra ir colher umas amoras selvagens, umas bananas da terra ou um tubérculo qualquer. Aí você tá lá colhendo alimento, enquanto o seu macho (nada de feminismo, pessoal, era macho mesmo, naquela época... ainda não tinham adquirido o status de homens) foi caçar uma carninha vermelha. E você tá lá colhendo, tranquila. De repente, seu ouvido supersônico capta: FILHOTE CHORANDO! Você, na sua condição de quase-macaca, corre pra acudir: pode ser um animal daquelas outras espécies que adoram comer filhotes de quase-macacas! Corre! Corre! Chega lá, seu filhote está são e salvo e você, quase-macaca, fica muito mais tranquila. Garantiu a sobrevivência do seu filhote por mais um dia...
Aí você aprendeu que chorou, tem que acudir. E esse aprendizado foi junto com seus genes na forma de conexões neuronais altamente elaboradas. E deu tão certo que, como quase todas as quase-macacas acudiram seus filhotes, a raça das quase-macacas foi pra frente ao longo das gerações, e deu origem aos humanos sapiens (que às vezes são quase-sapiens ou nem-tão-sapiens-assim).

E aí tá explicado o porquê de nós, humanas, corrermos ao menor chorinho dos nossos bebês.

Aí um dia vem um quase-humano e diz assim pra você, humana sapiens: "Deixa chorar cada dia um tempo maior. Não precisa sair correndo pra acudir. Você não é mais uma quase-macaca; você se tornou uma humana sapiens dotada de um neocórtex crítico e pensante e já sabe que não tem nenhum animal querendo se alimentar do seu bebezinho. Não precisa se comportar como uma quase-macaca".
Faz sentido isso... Desse ponto de vista, faz sentido. Se esse ser quase-humano que te disse isso usar um Doutor antes do nome, aí você se impressiona e fica pensando que, se ele é doutor e você não, então ele deve saber do que está falando... (Humpf, se você soubesse cada doutor que eu conheço...)

Mas agora pense de outra maneira.
Faz de conta, agora, que você é o filhote da quase-macaca. Você acordou, se viu sozinho na caverna, seus genes sabem que você é alimento de outros bichos, você não vê sua mãe quase-macaca. Você começa a chorar instintivamente, porque está com medo, e o medo salva a sua pele! Desde que você chore pra sua mãe ouvir e correr pra te acudir, e dar a sorte dela chegar antes do devorador. E isso deu certo. Deu tão certo que você chorou de medo, sua mãe quase-macaca te ouviu e chegou antes dos devoradores.
Aí as gerações se passaram e você, como filhote de quase-macaca, evoluiu para um filhote de humana sapiens, e agora recebe o nome de "bebê". Aí você, bebê agora, acordou e se viu sozinho. O que você vai sentir?
Vai se sentir seguro, porque afinal você já é um bebê de humana sapiens e sabe que não tem mais nenhum devorador? Não! Você não sabe disso! Porque embora você seja um bebê com neocórtex, quem ainda manda é a parte cerebral que comanda seu comportamento defensivo instintivo. Ou seja, embora você tenha menos pêlos, seja mais cheiroso e até use um macacãozinho lindo cor-de-rosa, no que diz respeito ao seu padrão comportamental,  você tá mais pra filhote de quase-macaca do que pra bebê de humana sapiens, meu querido...
Ou seja: você vai acordar com medo ao se ver sozinho; você não sabe que sua mãe está ali no quarto ao lado; você não sabe nada sobre nada, só lembra - geneticamente - que sua sobrevivência está em risco.
Se você é filho daquela mãe humana sapiens que ouviu aquele doutor quase-humano dizendo pra ela parar de se comportar como uma quase-macaca, você se ferrou, bebezão: vai ficar ali chorando apavorado sem saber o que está acontecendo e onde está a mamãe.
Portanto, a questão não é saber que nós, hoje, podemos usar estratégias comportamentais diferentes do que as quase-macacas usavam porque, afinal de contas, somos humanas sapiens... É saber se eles, os filhotes, também mudaram do ponto de vista comportamental.
E te digo: não mudaram! O arcabouço biológico continua o mesmo, gente boa...
Um bebê de humana sapiens continua a ser o mesmo filhote de quase-macaca.
Ou seja: não adianta dizer pra um bebê, quando ele estiver chorando sozinho no berço: "meu amor, mamãe e papai te amam muito. E é por isso que a gente vai te ensinar a dormir sozinho e não vai pegar você no colo. Mesmo que você grite. Fica aí um pouquinho que aí também é gostoso, olha a sua bonequinha, que linda... É por amor, querida, pra você não ser uma pessoa birrenta e ser corajosa..."
Não adianta dizer isso porque o neocórtex do bebê ainda não fez conexões neuronais que permitam a compreensão do mundo, minha gente.

Tá entendido isso?

E se algum Dr. Estivill vier te dizer isso, do alto de sua formação médica e de seu DR. antes do nome, manda ele pentear quase-macacos. Que enquanto ele penteia quase-macacos, a gente vai embalando nossos filhotes no colo para que durmam... Que nós somos quase-macacas tentando ser mais humanas do que mais sapiens. Mesmo que algumas tenham, até, doutorado na área de neurociência.
Por isso, eu digo: mais vale uma quase-macaca do que uma quase-humana...
Com todo o respeito.

Esse é um manifesto pessoal contra a política do "vamos deixar chorando no berço, que é pra ensinar esse povo pequeno a dormir sozinho". Se você quer criar seres humanos inseguros e frágeis, esse é o melhor caminho mesmo, vai fundo. Fazendo uma pesquisa sobre esse método do Dr. Estivill, fiquei chocada com o número de mães que adoraram esse livro e esse método e dizem orgulhosas: minha vida mudou depois que meu bebê chorou 3 horas seguidas, deu uma vomitadinha de tanto chorar, mas aprendeu a dormir sozinho.
E ainda dizem que a espécie evoluiu...

Sou uma doutora quase-macaca, muito prazer. E aqui em casa, nós não deixamos chorar. E tá todo mundo bem feliz com isso. Né, Clara?

(foto de quando ela estava com 1 mês e meio, dormindo em cima do papai)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

"Eu tô bem, eu tô legal..."

Tem uma parte de A Era do Gelo I com a qual me identifico muito. É uma fala do Sid, a preguiça. O trecho é tão a minha cara que minhas irmãs me chamavam de Sid justamente por isso.
É uma parte em que ele está pra cair num precipício, agarrado numa pedra. Aí o Mani, o mamute, pergunta pra ele: "Tudo bem aí, Sid?", e ele grita: "Tudo bem, eu tô legal, eu tô legal. Eu vou morreeeeeeer!". Então. Sou eu, o Sid. Exagerada, dramática, porém destemida e resistente. Só avisa que tá pra morrer quando tá mesmo, mas mesmo assim acha que ainda tá legal, que tá bem.
Então.
Nesses últimos dias, eu tô bem, eu tô legal. Eu vou morreeeeer!
Como se não bastasse a filhota pra cuidar, tentar manter um lugar no chão pra pisar que não seja em bagunça, ir pra universidade por conta do pós-doc e a geladeira ter decretado revolta armada, nos remetendo à era da carne salgada, agora a gente ainda vai mudar de casa. Sim, somos loucos. Em que hora eu vou encaixotar as coisas e com qual disposição, eu ainda não sei. Mas que eu vou conseguir, vou.
Embora eu esteja numa podridão incrééével, não dá pra perceber olhando pra mim. Nem sei como consigo tal proeza... Até ouvi esses dias: nossa, mas você tá com uma cara ótima. É. Tô. Não sei nem como...
Mas a verdade seja dita e a realidade contemplada: não tenho do que me queixar. A cada dia que passa, uma boa e nova notícia chega. Hoje tive mais uma vitória, coisa que vai me dar uma tranquilidade maior... E venhamos e convenhamos que fazer mudança pro novo apartamento não será nenhum terror, porque embora ele seja 1/3 da casa em que moramos hoje, o lugar é o máximo! Tem trilha pra Joaquina e um espaço verde maravilhoso pra Clara. Abrimos mão da praticidade que seria a proximidade da universidade, pela qualidade de vida e um lugar bonito pra Clara viver... E a gente também, que somos filhos de Deus e quase não temos aproveitado essa paternidade divina. Já somos velhos conhecidos do lugar. Eu morei lá de julho a outubro de 2008. O namorado morou de julho a outubro de 2009. Um apartamento de frente pro outro. Mas, como foi em anos diferentes, não nos encontramos. Gostamos tanto de lá que o chá de bebê da pequena foi lá também. E agora resolvemos voltar, de mala, cuia e filha.
Então, em função dessas multitarefas - ah sim, esqueci de dizer que também já começamos a organizar o Segundo Bazar - , estou com um monte de assuntos sobre os quais gostaria de falar aqui, mas não tenho conseguido. Coisas como "As aventuras pediátricas de Clara", "Coisas que o povo diz" e "A grande alegria do Bazar Coisas de Mãe". Mas qualquer hora eu consigo. Juro.
Enquanto isso, vou ali tentar encaixotar uns livros, dar um cata nas coisas pra ver o que vai embora e o que permanece, dar espaço pro novo.
Mesmo porque, o novo tá chegando todo dia, e tem sido super bom!
Enquanto isso, agarrada na pedra, eu tô bem, eu tô legal, eu vou morreeeeer!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Esse povo pequeno...


Esse vídeo tá rolando pela internet. Primeiro chegou pela lista de discussão sobre parto humanizado da qual eu faço parte e depois minha irmã mandou também.

Trouxe pra cá porque achei demais!

Assisteaí!

E não fecha a porta, tranquilo?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Felicidade...

Eu estive meio ausente do blog porque estava, junto com minha amiga querida Sheila, organizando o I Bazar Coisas de Mãe, que foi sábado... E, ó, vô falá: foi uma das coisas mais incríveis que eu já me meti a fazer! E olha que me meto até onde não sou chamada... Foi lindo, lindo, lindo! Lindo ver as famílias se ajudando, as mães com as crianças, o grande número de visitantes, foi incrível mesmo. Pra falar a verdade, ainda estou processando tudo. Logo mais a Graciela Lindner, fotógrafa profissionalíssima e parceiríssima que entrou como colaboradora do evento, vai me mandar as fotos e aí eu trago umas pra cá.
Essa semana eu vou escrever especialmente pra falar do Bazar e do que eu aprendi com essa experiência.
Mas agora estou aqui só pra falar do dia de hoje.
Que dia tão especial...
Fez um sol lindo e aí aproveitamos pra dar uma caminhada com a Clara no sling. Como foi um dia incrível, trouxe umas fotinhos pra cá pra compartilhar... Olha como tá linda essa minha Clarinha.

Clara e seu chapéu, dentro do sling.

Ai, que eu me morro...

Caminhamos uns quilômetros aí, com a Clarinha no sling da Ninho Slings, da querida Gabi. Faço propaganda mesmo: os slings da Gabi são tudibão. Nós temos dois!

É a mamãe quem caminha, mas é a filhinha quem fica cansadinha...

Meus diliços

Ela também gostou do dia...

Eu falei: filha, vambora? E olha só a malcriação...

Era brincadeira, mamãe...

É filha... você já sabe que um cafezinho na Lagoa é coisa boa demais.

Pra ser feliz, não precisa muito mesmo.
Basta um dia de sol, um sling, um bebê fofo e um namorado...

PS: nós somos adeptas do "Reciclê". Um bebê passa a roupinha pro próximo na ordem de nascimento. Esse bodyzinho lindo colorido foi da Lelê, filha da Nani - campeã absoluta de vendas no bazar, com sua Amorà Cupcakes. Se você deixar de conhecer a Amorà, você é completamente louco... E juro que não tô ganhando pra fazer merchan!



terça-feira, 5 de outubro de 2010

I Bazar Coisas de Mãe chegando...


Tá uma correria aqui porque, além de cuidar da filhotinha e estar voltando pra pós-doutorado, estou organizando, junto com a Sheiloca, o I Bazar Coisas de Mãe, que será no próximo sábado (09 de outubro), das 10 às 18hs, na Brinquedoteca BrinQtal. E VAI SER MUITO LEGAL!... pra aproveitar a rima.
Vai ter aula experimental de yoga pra gestantes, palestra sobre pós-parto, pocket show com o Circus Fever, sessão de autógrafos com Simone Guimarães (autora do livro Palavra Encantada) e Círculo Materno com a Tai Tikai, além de um monte de mamães expondo seus produtos.
Visite o blog do evento, clicando na imagem ali em cima, e veja os produtos e a programação!
E, lógico, é bom avisar que é I Bazar Coisas de Mãe porque em dezembro faremos o II.
Se você estiver em Floripa, espero vê-la por lá!
Como eu disse ali em cima, eu vou, Clara vai e Frank vai!

sábado, 2 de outubro de 2010

Eu tô calma!!

"Como você consegue?"

Perdi as contas de quantas vezes ouvi essa frase nessa última semana, de pessoas de diferentes lugares falando sobre diferentes assuntos. Bem, a questão é: saiu a minha bolsa para pós-doutoramento. Saiu agora, essa miserável. Me deixou passando aperto durante 1 ano pra sair exatamente quando minha filha completa 2 meses. Uma outra mulher, contemplada com dotes financeiros avantajados, mandaria essa bolsa pra casa do Bulhões de Carvalho (piada interna que meu namorado anda falando aqui em casa nos últimos dias) com a consciência mais leve que a Carolina Ferraz em propaganda de adoçante. Mas não é o meu caso. De forma que tenho começado a sair alguns dias e ficado 3 ou 4 horas fora, no período da tarde. Eu fico com a filhota de manhã, namorado a tarde, eu a noite novamente pra ele poder trabalhar. Foram 3 dias essa semana. PÂNICO ABSOLUTO! Nesses três dias não houve um único momento de paz de espírito pra mim. Saí de casa chorando, levei um tempo pra me recuperar, não consegui produzir nada porque minha cabeça fica em casa com ela e tenho me sentido o ser mais idiota da face da Terra. Mas, infelizmente, no momento não tenho outra opção. Porque se tivesse, juro que jogava tudo pro alto e ficava em casa cuidando do que realmente vale a pena... E não vou mentir não: estou quase fazendo isso. Minha gastrite voltou, tô com uma insônia monstro e choro só de pensar no assunto. Claro que o terceiro dia foi melhor que o primeiro. Mas mesmo assim... Tá foda. Ponto final.
Deixo leite com o papai para o caso dela querer mamar desesperadamente. Graças a Deus ainda não foi necessário usar... E agora estamos procurando outra casa para que eu fique mais perto da universidade. Vou te contar: nenhuma mãe deveria passar por isso. Nenhuma. Mas pode ser que seja apenas uma fase de transição. Pode ser... vai saber.
Aí aquela frase lá de cima tem entrado em diversos contextos.
Contexto 1) - As pessoas me vêem de volta ao departamento e perguntam: mas e a Clara?! E eu: ela está ficando com o pai na parte da tarde. E as pessoas: "como você consegue?!".
Contexto 2) - As pessoas me perguntam: com certeza você tem uma ajudante em casa pra dar conta da casa, da bebê, de você e ainda estar voltando pra pós-doutorado, né? E eu: não. E elas: "como você consegue?!"
Contexto 3) - Ahh, mas você tá com uma cara boa. Sua mãe ou sua sogra com certeza estão te ajudando nessa né? E eu: não. E elas: "como você consegue?!"
Então eu vou responder pra todo mundo junto:
NÃO. EU NÃO CONSIGO.
Tem dias que estou mais explosiva que a Faixa de Gaza. Cansada, tensa e preocupada.
Sou só eu e o namorado, tentando nos virar, sem mais ninguém pra ajudar. Só os dois no maior caos.
E eu ainda tive que ouvir um discursinho lazarento sobre "me desprender, me acostumar" ou "lembrar que sou doutora".
Sabe qual a relevância do meu título de doutora perto da importância da minha filha pra mim: ZERO!
A minha vontade era desprender a cara desse ser de cima do pescoço...
Minha filha tem 2 meses, cara!! Quer que eu me desprenda? Vai ver se eu tô em Serra Leoa! Desprende você do seu corpo e vai!

Se eu pego a barraqueira que queimou o primeiro sutiã, eu bato até criar bicho!

E me larga que eu tô calma!!
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