30 novembro 2010

Os 4 meses de Clara

Fotinho tirada hoje de manhã, ela conversando comigo em baleiês

Há 4 meses atrás, exatamente na hora em que começo a escrever esse post (19:45), minha filha nascia. Clara completa hoje 4 meses. E se eu pudesse escolher apenas um adjetivo que representasse minha filha com 4 meses, com certeza escolheria SORRIDENTE. Mas aí eu pediria um chorinho nessa de um adjetivo só, conseguiria mais um de brinde e, nesse um a mais, escolheria TRANQUILA. Minha filha é uma bebê muito sorridente e tranquila. Salve!

Hoje eu remanejei minhas atividades e acabei ficando com ela o dia inteiro. Saímos na hora do almoço e voltamos umas 5 da tarde, fomos dar umas voltinhas. Tentei passear com ela no carrinho, mas lá ela só gosta durante pouco tempo, mesmo que agarrada com seu boneco favorito, o Cabeça (apelido carinhoso para o grande nome do Sr. Cabeça de Chocalho). Ela quer ver o mundo de frente e na altura das pessoas (ou quase): anda um pouco no carrinho mas logo quer vir pro sling. Então tive que fazer uma pausa no passeio, amarrar o sling em mim, colocar Clara dentro para, logo na sequência, vê-la abrir um sorriso. Assim que terminei o procedimento, percebi que umas 5 mulheres estavam ali paradas, olhando pra gente, com aquelas caras que ficam as mulheres (a maioria) quando vemos bebê gostoso. Aí foi um tanto de gente vindo conversar com ela, comigo e fizemos uma mini-confraternização ali mesmo. Cantaram parabéns pra ela quando souberam que estava fazendo 4 meses e eu quase morri de tanta vergonha, minha mãe do céu! Mas cantaram baixinho e fizeram a Clara rir bastante, então tá tudo bem.
Voltamos pra casa, ela toda suadinha de calor. Fui preparar o banhinho com ela no colinho, na posição "colo tradicional" - ela no meu braço esquerdo, olhando por cima do meu ombro, toda durinha. Eu ali preparando o banho e conversando com ela sobre coisas complexas da vida como "filha, o Cabeça tá ficando meio sujo, vamos ter que dar um banho nele" ou "logo você vai estar sentando firminha na banheirinha e aí a mamãe vai te dar os briquedos de banho, vai ser uma festa!" ou ainda "sabe, mamãe tava pensando... precisamos arrumar um chapeuzinho de papai noel pra você né?"... Quando percebo, Clara já estava dormindo sei lá há quanto tempo, queixinho apoiadinho no meu ombro, mãozinha apoiada no meu braço. Fiquei com dó de acordar e a coloquei deitadinha, pensando "logo ela acorda, aí dou o banhinho". Isso foi há duas horas atrás e ela não acordou mais. Tchau banho, prazer te conhecer, a gente se vê amanhã.
Aí eu fiquei aqui pensando que hoje é dia dela e tal. Pensando em todas as novidades desse último mês. Resolvi fazer uma lista:
1) ela já fica sentadinha, embora a cabecinha desequilibre o corpo e acabe tombando pra um dos lados;
2) aprendeu que pode "gritar brava porém com estilo": fica dando gritinhos finos que variam de entonação, quando quer alguma coisa. Algo parecido, assim, com um baleiês, como bem identificou o papai Frank.
3) já gosta de ver desenhos animados, fantoches, bonecos bem coloridos. Sei disso porque, quando coloco o vídeo da música top das paradas de sucesso aqui, ela não tira o olho nem se eu mostrar o peito (pensei no que poderia representar o máximo do que ela gosta e acho que o leitinho ainda ganha de tudo...)
4) música TOP ONE das paradas de sucesso: Metamorfose das Borboletas. Ela cresceu (!) ouvindo isso e agora já identifica a música. Quanto começo a cantar "Assim como nós que nascemos do ovo, a borboleta nasce também. Bla bla bla bla...", ela me enche de sorrisos (música linda, bem coisa de mãe bióloga);
5) gargalhadas gostosas modo ativado. E hoje ganhei umas inesperadas! Estava brincando com ela, dizendo como o narizinho dela é igual ao meu, sentada no sofá, com ela nas mãos, aproximando-a do meu nariz e dizendo: narizinho da mamãe... Tomei um susto quando ela ficou sem ar de rir! E morri de rir junto! E não tinha ninguém pra compartilhar isso, saco! Quando filho nasce, devia vir com "personal cumpliceitor de momentos especiais Tabajara". É um saco quando acontece alguma coisa incrível e só está você...
6) todo mundo dizia que com o passar dos meses, as mamadas da madrugada se tornariam mais espaçadas. Pois há umas 2 semanas, Clara tem diminuído os intervalos entre elas. Ou seja, tenho acordado quase de hora em hora de madrugada. Oh yeah! Mamãe é rock and roll! All night long!  Não sei se é pelo calor (ela pode estar sentindo mais sede), se é pra ficar mais tempo comigo (já que saio pra trabalhar às tardes), se é alguma mudança natural ou se... se... se...
7) tem brotinho de dente saindooo! Sim, tem. Como todo bebê de 4 meses, tudo o que ela pega, leva pra boca. Fico pensando o que o Sr. Cabeça sente toda vez que ela o pega: "Lá vou eu, pro fabuloso mundo da baba de Clara...". Aí ontem eu bobeei com a mão, ela agarrou, levou pra boca (tô acostumada já), e esfregou meu dedo com força na gengivinha. Senti uma pontinha diferente e fui lá ver. Tá lá a pontinha branca. Por dentro ainda, mas se mostrando. Vovó, titias, dindas, dindos, vai todo mundo saber por aqui dessa novidade, porque foi ontem que vimos! Vai ver que foi por isso que ela...
8) teve seu primeira febrinha inexplicada. Foi a segunda na contagem geral (porque a primeira foi da vacina - escreverei sobre A Revolta da Vacina em momento oportuno). Do mesmo jeito que apareceu, misteriosamente, foi embora.
9) Clara desenvolveu um misterioso gosto por rua e, por mais que me esforce, não sei de quem ela puxou essa característica, meu pai eterno! Antes era uma suspeita, agora uma constatação. Ela desce pra passear no gramado 3 vezes por dia. O que acontece agora? Dá uns pequenos espetáculos de choro quando quer ver a rua. Como soubemos disso? Pé na sacada: choro para. Pé pra dentro do quarto: chora com tudo. Pé na sacada: choro para. Pé pra dentro: chora com tudo. Sim. Estamosferrados.com.br
10) paixão pelo banho, que é um dos momentos mais felizes do dia. Chuta tudo, água pra todo lado, sorri, dá gritinhos, uma festa!
11) joga o corpinho pra frente quando eu me aproximo pra pegá-la no colo
12) quando está no meu colo e vem alguém tentando pegá-la e ela não quer, não faz cerimônia: vira a carinha e enterra no meu pescoço. Sinto que vem aí mais uma pro time das sinceronas...
Bem, acho que é isso.
Muitas novidades pra bem pouco tempo de vida.
Todos os meses de aniversário dela são legais. Vê-la crescer e se desenvolver tem sido o ponto alto da minha vida. Mas agora tá ficando cada vez mais legal!
Filha: obrigada por ter me escolhido como mãe! Esse plano que você traçou lá do outro lado tá sendo show! Obrigada por me deixar ser uma coadjuvante nessa grande festa que tem sido a sua vida. Prometo estar sempre do seu lado cuidando da cenotécnica pra você fazer o seu papel.
E calma que logo logo a mamãe resolve essa parada de ficar longe de você algumas horas por dia... Tô quietinha, mas tô movimentando coisas...
Ah, enquanto a mamãe escrevia isso, o papai avisou lá da agência que tinha escrito algo pra você também.
Ele também tá cuidando da cenotécnica pra você. Então pode relaxar e curtir sua vida!
Ah sim, ia me esquecendo! Ontem eu quis fazer algo pra comemorar os 4 meses da minha filha. Pensei o que poderia fazer. Então resolvi fazer, na madrugada (porque, aqui, o departamento de cenotécnica funciona das 20:00 às 02:00) um pão pra comemorar. Simplesmente porque, quando eu estava grávida e passando perrengue, todo mundo me dizia pra ficar tranquila que tudo se resolveria, porque quando uma criança chega, ela sempre chega trazendo um pedaço de pão. E Clara trouxe logo um monte deles... E aconteceu uma coisa bem significativa. Fiz uma receita que não fazia há 3 anos, que dava apenas 1 pão. A massa cresceu misteriosamente mais do que o esperado e deu 1 pão imenso, 1 pão grande, 1 pão médio e 6 minis.
Vai explicar...
Salve Santa Clara!
Os pães da Clara

29 novembro 2010

Minha primeira vez... Fui sorteada!

E já tô eu aqui na madrugada de novo. 
Eis que vou dar minha última olhadinha nos e-mails antes de ir dormir, pra ver se nenhuma bomba me espera no dia seguinte, quando recebo um e-mail da Bianca, autora do blog Parto no Brasil, um site muito bacana, vale a pena conhecer.
Dizendo o que?!
Que eu fui a feliz sorteada do concurso que elas promoveram em conjunto com a Ninho Slings, da querida Gabi.
Ganhei um wrap sling! Aqueles slings que eu amo e vivo fazendo propaganda...
Eu, que nunca fui sorteada nem em bingo de igreja, mas nem pra ser mesária em eleição (não que eu esteja me queixando disso...), acabo de ser sorteada pra ganhar um sling!
O mais incrível e engraçado foi a coincidência da coisa.
Eu tinha dois wrap slings da Ninho. Aí minha irmã veio pra cá nos visitar e eu aproveitei a volta dela pra mandar para nossa irmã caçula, que também teve bebê há pouco, um dos meus de presente. Como eu uso todo santo dia, é ruim ficar com um só... Aí liguei pra Gabi no maior esquema urgente-urgentíssimo e nessa sexta que passou, dia 26, ela veio aqui em casa pra me trazer o novo. E hoje, dia 28, eu ganho um!
É uma prova daquela máxima que diz que quem faz o bem, recebe o bem, com certeza!
Ontem mesmo saímos pra caminhar, todo mundo de sling. Nós carregando e as meninas (Clara e sua irmã Alice) bem faceiras dentro dos slings, vendo a paisagem. Caminhamos 5 km. Saímos de tarde e voltamos já era noite...

Essa Clara não para de me trazer sorte desde que chegou, há quase 4 meses.
Amanhã mesmo tô indo jogar na mega da virada.

28 novembro 2010

Pra que rimar amor e dor?

 Falar sobre violência infantil é uma coisa muito difícil para mim, que não assisto nem leio notícias que falam sobre maus tratos a crianças. 
Não gosto de saber, não gosto de ver, não gosto nem de ouvir falar. 
Perdi as contas de quantas vezes já me intrometi em um ato de violência contra criança, na rua. Já chamei o conselho tutelar para denunciar vizinhos que espancavam seus filhos. E farei isso sempre que precisar. Para mim, bater em criança é uma coisa inadmissível, horrível, cruel, injusta e pronto. Sem discussão. Nada justifica.

A questão é que, quando se fala em violência infantil, logo se pensa numa criança tomando porrada. Falo assim bem claramente mesmo, sem florear a coisa, porque esse assunto não pode ser floreado. Criança que sofre abuso físico é criança que toma porrada.

Mas violência física não é a única forma de violência infantil. Na verdade, talvez seja a mais simples de ser combatida, porque ela deixa marca, deixa roxo, deixa marca de cinta, deixa marca de tapa, de beliscão, de cigarro e de todo tipo de baixeza torpe. E, vendo, é mais fácil de saber que está acontecendo. Mas como violência infantil ainda se incluem negligência e violência psicológica ou emocional. E essas são as mais difíceis de serem combatidas. São camufladas. Não deixam marcas visíveis. E, no entanto, marcam tanto quanto - ou mais... Chego a dizer que a violência emocional, psíquica, chega a ser mais deletéria que a física, porque mexe com o modo como a criança se vê no mundo.

Criança que sofre esse tipo de violência passa a questionar seu valor, a se achar incapaz de ser amada. Ela não entende como aquela pessoa que mais deveria amá-la pode dizer aquelas coisas para ela, ou ameaçá-la, ou tratá-la com desprezo, ou humilhá-la, ou privá-la de amor. Fica pensando "Por que? Por que?" sem que encontre a resposta. Às vezes, como resposta, convence-se de que é porque ela merece. E talvez cresça achando que merece ser tratada assim. E criança alguma merece crescer pensando isso...

O Conselho Americano de Pediatria alertou, em 2002, que crianças submetidas a violência psicológica podem apresentar os seguintes traços: medo, baixa estima, sintomas de ansiedade, depressão, pensamentos suicidas, instabilidade emocional, problemas em controlar impulso e raiva, transtorno alimentar, abuso de substâncias, comportamento anti-social, problema de apego, entre outros problemas.

Aí tem gente que pergunta assim: por que algumas pessoas levam uma vida normal mesmo tendo sido submetidas à violência quando crianças, enquanto outros viram delinquentes ou desenvolvem problemas severos?
Entra aí uma ideia ainda pouco discutida que é o conceito de resiliência. Ser resiliente significa ter a habilidade de se adaptar, com êxito, a eventos estressantes, mesmo tendo sido um indivíduo exposto a fatores de risco. Em outras palavras, seria a habilidade de continuar com uma baixa suscetibilidade a futuros estressores, mesmo tendo sido exposto a um. Ou ainda, seria conseguir se recuperar de uma adversidade, se adaptar e ter uma vida significativa e produtiva "a despeito de".

Existem indivíduos mais resilientes, outros menos - ou nada - resilientes. Os primeiros são os "duro na queda": envergam com dificuldade, quebram raramente, aguentam aparentemente tudo sem muitos danos aparentes. Os segundos são os mais frágeis, os que adoecem (física ou mentalmente) ao menor estresse, que não têm uma estrutura emocional capaz de aguentar muito tranco.

Por que essa diferença?
O que faz com que as pessoas sejam assim diferentes nesse aspecto?
A explicação está (como não poderia deixar de ser) no cérebro.
Qual a diferença entre o cérebro de uma pessoa mais resiliente e o de uma menos resiliente? Ainda não se sabe exatamente, embora se saiba que envolve complexos mecanismos de neuroplasticidade e neurogênese em estruturas-chaves do sistema que controla a resposta ao estresse.
E como saber se uma criança faz parte do time dos mais resilientes ou dos menos resilientes? Não, não tem como saber. Talvez só se saiba mesmo lá na frente... O resiliente levará uma vida aparentemente normal. O não-resiliente talvez tenha uma vida completamente desestruturada. Mas uma coisa é certa: AMBOS sofrerão com as lembranças da violência a que foram submetidos. Porque ser resiliente não afasta o sofrimento de saber que alguém te tratou mal, te machucou e te fez chorar até dormir...

Esse ano rolou uma polêmica grande sobre a lei da palmada. Muita gente criticou o fato do governo querer se intrometer em assuntos familiares (como se já não se intrometesse...). Outros foram contra, dizendo que palmada serve pra educar ou dar um "susto" na criança, evitando que ela perca os limites. Na verdade, a lei não regulamenta, simplesmente, a palmada. Ela fortalece o direito de crianças e adolescentes de serem cuidados e educados sem o uso de castigos corporais ou tratamento cruel.

Muita gente atribui a violência contra criança à falta de instrução, de educação, à privação financeira ou ao fato de ter sido agredido quando criança. Mas NADA disso serve como justificativa. Muita gente passou por essas condições e é incapaz de fazer mal a uma criança. Qual a diferença entre esses dois tipos de pessoas? Simples!
Não, não é cérebro não.
É coração...


... olho pra minha filha dormindo e cada vez mais me pergunto: como pode alguém surrar um filho?

Essa é uma postagem retroativa ao dia 19 de novembro, dia nacional de combate à violência contra crianças e adolescentes.
Sim, sou uma pessoa bizarra: não deixo bebê chorar desnecessariamente, sou a favor da amamentação exclusiva até os 6 meses e continuada, minha filha está quase sempre no colo ou no sling, e ela não apanhará de mim nem do pai. Acho que o melhor tratamento pra tudo é o amor. Em doses alopáticas. "Moderninha", né? É.
Como se amor, respeito à condição humana e valores baseados em afeto fossem coisas da modernidade...

27 novembro 2010

Tempo rei

Perdi a blogagem coletiva sobre violência infantil...
Perdi a blogagem coletiva sobre doação de sangue...
Perdi a chance de comentar umas coisas bacanas que aconteceram essa semana.
Tenho 4 abas abertas aqui no computador fazem 6 dias, esperando o tempinho de escrever sobre elas.
Tudo por que?
Porque eu sou doida, lógico.
A pessoa mal dá conta de si, ainda tem que dar conta de um pós-doutorado, uma transição para um outro pós-doutorado, a organização de um bazar, a leitura e escrita de uns artigos, cuidados básicos de beleza como escovar os dentes, tomar banho, pentear cabelos, tirar sobrancelha, fazer unhas (?!), organizar a casa ao mínimo para que possamos nos sentir mais humanos e dormir. Tô revoltada com esse negócio de dormir, inclusive. Chega 2 ou 3 horas da manhã e eu tenho que dormir, olha que absurdo?! Que erro de projeto foi esse que fez o corpo esgotar sua bateria? Aí o que acontece: a mulher dorme, acorda zentas vezes na madruga pra dar de mamar e fica cansada. Não parece uma idiotice isso? Melhor seria se não precisássemos dormir, saco.
Ainda bem que, no meio disso tudo, tenho um hobbie que me faz esquecer de todo o resto: cuidar da Clara.
Mas ontem me revoltei! Saí mais cedo do trabalho, larguei tudo o que precisava fazer, vim pra casa, passei a mão no meu sling novo, coloquei Clara dentro e falei: vâmo filha, vâmo nessa passear! Caminhamos 2 km e meio, eu, ela e nosso sling. Encontramos amigos, jogamos bastante conversa fora, rimos muito e voltamos pra casa já era bem tarde. Ela viu um monte de amiguinhos, aprendeu que jogando a cabeça e o corpinho pra trás consegue ver as pessoas de ponta cabeça (e riu muito disso, fazendo repetidas vezes), dormiu no sling quando ficou cansadinha, acordou de novo e deu mais um monte de risadas. Chegou em casa até molinha de cansada e eu deixei ela dar um WO no banho. Sexta-feira é assim: a gente sai pra encher a cara! Eu de água e ela de leite.
Ter tempo? Esquece isso... Tempo é só uma questão de tempo.

23 novembro 2010

Quando as coisas dão certo

Agora são 2 e 15 da madrugada do dia 22 pro dia 23 de novembro. Estou acordada porque estava trabalhando até agora a pouco. E às 2 da manhã, mais ou menos, Clara faz o seu tradicional lanchinho da madruga. Fui dar o mamazinho da minha filha e, enquanto ela mamava, eu fiquei olhando encantada pra ela, como sempre faço. Mas hoje não sei o que me deu que fiquei muito emocionada. Olhei aquela bebezinha dormindo enquanto mamava, vestidinha de lilás, entregue a mim como se eu fosse o mundo dela, como se o mundo se resumisse, naquele momento, àquela mamadinha. Ela esticou o bracinho esquerdo e colocou no meu rosto. Olhinhos fechados, mamando. Eu senti um amor tão profundo, um carinho tão forte, uma coisa tão envolvente que, quando vi, estava toda emocionada. Dizendo mentalmente a ela o quanto eu a amava, o quanto ela havia me modificado pra melhor, a importância que ela tem na minha vida, o quanto quero ser uma pessoa melhor pra ser digna de sua educação, para ajudá-la e orientá-la nesse mundo tão esquisito e cheio de contradições. Mentalmente, lembrava de como minha vida estava antes de saber da chegada dela. Não estava ruim não... Mas eu sentia falta de alguma coisa para a qual eu pudesse me doar completamente, uma situação em que eu pudesse dar o meu melhor e descobrir coisas que me engrandecessem como ser humano, conhecer valores mais profundos e o amor em toda a sua potencialidade. E aí eu olhei pra Clara e vi ali isso tudo. Por ela eu quero ser cada dia melhor; por ela quero descobrir em mim um lado mais sereno, mais tranquilo, pra poder confiar no fluxo natural da vida. Quero dar a ela uma vida calma, embora eu seja tão agitada. Quero que ela se sinta sempre amada, querida, compreendida e amparada. Ali, naquela hora, com ela no meu colo, lembrei-me dos dias em que sangrei, durante a gravidez, e nos quais pedi encarecidamente a Deus que não me tirasse a oportunidade de ser mãe daquele bebê. Dizia à minha barriga que era pra ela confiar em mim, que eu seria uma ótima mãe, que eu aprenderia o que fosse necessário pra cuidar dela. Que aqui tinha sol, tinha chuva, tinha um monte de coisas bonitas que eu queria mostrar pra ela. Pedi pra ela não desistir de vir, porque eu a queria muito. Lembrei da médica que me disse, insensivelmente, que era pra eu me preparar, pois a primeira gravidez era mesmo difícil de segurar, e eu já estava sangrando... Lembro da alegria que senti quando saí da fase de risco, da alegria de cada ultrassom, de saber que era menina, que era grande, que tinha um narizinho parecido com o meu. Ela mamando e eu ali viajando. Fiquei tentando entender porque aquela emoção toda àquela hora da madrugada. Ela terminou de mamar, eu a levantei um pouquinho, como de praxe e, automaticamente, ela capotou sobre o meu ombro esquerdo, colocando o bracinho em torno do meu pescoço, num abraço involuntário em que me deixei ficar por muito tempo. Ficamos ali um tempão abraçadas, ela com aquele ronquinho meu novo-velho-conhecido. Naquela hora, agradeci a Deus pelo dia de hoje, porque choveu muito o dia inteiro e, da sacada do quarto, pude mostrar pra ela o que eu havia prometido naqueles dias ruins: olha, filha, a chuva. Olha que chuva linda. E chovia a cântaros, e ela olhava aquela água toda com o bico que ela faz quando alguma coisa é surpreendente no novo mundo dela. Me deixei ali naquele abraço, me sentindo feliz por estar com ela. E foi quando eu entendi o porquê daquele momento tão especial...

No dia em que ela nasceu, por ter um perímetro cefálico grande, ela não desceu o suficiente para que eu pudesse recebê-la no parto domiciliar planejado para o qual eu havia me preparado. Após 25 horas de trabalho de parto intenso, precisei ir pra maternidade. Lá, tentei mais 4 horas o parto normal, estimulada pela médica que estava de plantão e que me recebeu tão carinhosamente. Após esse tempo, e vendo que a bebê não descia, eu e ela decidimos, juntas, fazer a cesárea. Após o nascimento da Clara, eu já suturada e ela se preparando pra finalizar tudo, olhei pra médica e perguntei algo que havia guardado para o final. Perguntei se ela não se lembrava de mim. Ela disse que tinha a impressão de me conhecer de algum lugar, mas não sabia de onde. Expliquei de onde.
"Eu precisei passar por uma consulta de emergência há 7 meses atrás, por conta de um sangramento. Você estava de plantão e me atendeu. E pediu pra que eu me preparasse porque toda primeira gravidez era difícil de segurar, e eu já estava sangrando. Que era provável que eu perdesse o bebê... Viu? Eu não a perdi."
Ela ficou me olhando com uma cara de tristeza e disse: "puxa, eu disse isso? Me desculpa, por favor... nem sei o que te dizer".
Tudo deu certo.
Ela está aqui comigo hoje e eu posso fazer tudo aquilo que quero: ser uma pessoa melhor, ajudá-la, orientá-la, amá-la. A amo mais do que pensei que pudesse amar alguém um dia e isso é uma coisa incrível.
Enquanto eu estava ali abraçada com ela, me toquei que hoje, madrugada, já é dia 23 de novembro. Faz 1 ano hoje que eu descobri que seria mãe e que meu mundo nunca mais seria aquele que eu conhecia.
Ainda bem.

22 novembro 2010

A revolução da filha e a canseira da mãe

Caramba, que loucura, bicho. De uma hora pra outra a coisa ficou quente. De sexta pra cá, o que me apareceu de coisa pra fazer - e escrever - não foi brincadeira não. Tenho que preparar, em tempo recorde, um curso que vou dar quarta-feira sobre neurobiologia das deficiências mentais e escrever duzentas coisas, além de botar ordem na vida e cuidar da Clara. Resultado: não está sobrando tempo pra muita coisa.
Estou com umas coisas interessantes pra colocar aqui, que vão desde uma exploração científica sobre o tema "violência infantil" até um estudo que acabou de sair falando sobre a capacidade que os bebês têm de identificar intenções - muito boa essa.
Mas dei essa passadinha por aqui pra dizer: Clara está vivendo uma espécie de revolução. Desde o início da semana passada, começou a mostrar uma série de novidades que estão deixando o papai e a mamãe mais babões e tontos do que já são. A mais legal de todas: ela está gargalhando com gosto. Pra aproveitar que ela cresceu mooooito e engordou mooooito nos últimos dias, deixando de ser um bebêzinho com cara de fragilzinho-vou-quebrar, agora resolvi me liberar: agarro pra valer e meto-lhe um monte de beijo misturado com cheiro no cangote. Pego, agarro e aperto. E ela tá achando o maior barato, porque grita e ri que é uma delícia. Tá num conversê delicioso, num bom humor escancarado. Sentando. Balbuciando todo tipo de som. Gritando pra gente. Uma explosão de comportamentos. Ela está dormindo 12 horas por noite, mas acordando de 3 em 3 pra mamar, para desespero de la madre. É uma maratona noturna, ainda mais para uma pessoa que sempre foi boa de sono como yo. Tem dia que parece que vou ter uma crise esquizofrênica de tão cansada, fico de mau humor, irritada, efeito da privação parcial de sono. Mas aí ela olha pra mim e dá aquele sorrisinho que só ela sabe fazer, enrugando o narizinho e virando a cabeça, tipo: "ai, sou charmosa mas sou tímida" e passa tudo.

Acho que ela sentiu que o bicho pegou pro lado da mamãe e disse: "deixa eu dar um bônus pressa pobre criatura alucinada que me ama tanto". Desse jeito, nem ligo pra mega carga de trabalho que está se abatendo sobre a minha não-dormida pessoa...

20 novembro 2010

Dia mundial contra a violência doméstica a crianças e adolescentes

Hoje, 19 de novembro, é o dia mundial contra a violência doméstica a crianças e adolescentes. A Ingrid Strelow, autora do blog Desconstruindo a Mãe - um blog muito bacana, vale muito a pena conhecer - me mandou uma mensagem convidando pra participar de uma blogagem coletiva sobre o assunto, que seria ontem.
Mas essa semana eu tive tempo só pra respirar, trabalhando todo dia até as 2 da manhã pra dar conta do recado. Acabei ficando sem tempo pra passar por aqui. Mas já estava querendo escrever sobre isso há muito tempo e andei estudando algumas coisas a respeito desse tema.
Então estou preparando um texto sobre isso, que pretendo publicar esse final de semana.
Obrigada, Ingrid, pelo convite.

Ah, aproveitando a rapidinha: começamos a organizar o Segundo Bazar Coisas de Mãe - Bazar de Natal. A partir de amanhã, o blog do bazar será reativado com muitas novidades e notícias sobre mais esse evento para mamães, filhos e famílias. A grande novidade, que está deixando todas nós muito felizes, é que conseguimos um novo parceiro. E de peso. O próximo bazar será organizado no SESC-CACUPÉ, no centro multiuso, ao lado da brinquedoteca! Existe, inclusive, a possibilidade de torná-lo um evento periódico.
Então marque aí na sua agenda: 12 de dezembro, no SESC-CACUPÉ, Segundo Bazar Coisas de Mãe - Bazar de Natal. Visite o blog do bazar sempre que possível e participe enviando comentários, sugestões e dicas. E não deixe de nos visitar no dia 12!

17 novembro 2010

Minhoquinha requebrante

A semana sempre vai melhorando conforme vai chegando o final de semana.
Ainda bem que tem amigo que manda coisa engraçada pra gente espantar a deprê pós-feriado.
Essa foi a querida Ana Tuyama quem mandou pra gente. Olha que coisinha mais requebrante essa mini-pessoa!
Aproveita a chance e dá uma fuçadinha no blog da Ana. Ela faz cada coisa que nussinhora!

O difícil retorno ao trabalho e o pediatra dos 3 meses

Amarrei uma puta deprê hoje que pelamor... Na verdade, ela começou ontem no começo da noite, depois da partida da minha irmã, quando me dei conta de que a semana iria começar - e eu ficaria, novamente, distante da minha família-mãe muito tempo e da minha família-filha algumas horas por dia (tem a família-mãe, que é de onde viemos, e a família-filha, que é a que nós formamos).
Bom, aí a semana começou. A Clara tinha pediatra logo cedo, então precisei acordá-la antes do horário que ela acorda habitualmente (que seria umas 9 horas da manhã). Qualquer outro ser humano poderia ficar puto da vida com a acordada (tipo eu assim, quando me acordam antes do que precisava), mas Clara é um ser evoluído: ao ser acordada com beijinhos, esticou os bracinhos, coçou a cabecinha e me deu um sorriso de matar... seguido por vários outros sorrisinhos. É. Havia esperança para a semana que se iniciava naquele momento.
Fomos ao pediatra para a consulta do terceiro mês, que, de acordo com o Dr. Cesar, pros bebês que estão vindo num bom desenvolvimento (como a Clara), basicamente se resume a pesar e medir. Além de pesar e medir, aproveitei pra tirar algumas dúvidas, como procedimentos para o verão, procedimentos para a mamãe, entre outros. Clara engordou 800 g num mês e cresceu impressionantes 8 cm. Ou seja, é uma bebê comprida e barriguda. Está com 6 quilos e 60 cm. Feliz e sorridente.
Respostas interessantes para perguntas sobre procedimentos para o verão: 1) preferir o mar à piscina. Piscina de condomínio geralmente tem muito mais cloro que é pra aguentar a turma toda que usa (se bem que aqui, pouca gente usa). 2) bebezinhos com a idade da Clara podem, sim, de acordo com a opinião do nosso médico, usar protetor solar. Essa foi uma novidade pra mim, que até então achava que só após o sexto mês de vida.
Respostas interessantes para perguntas sobre procedimentos para a mamãe: 1) não, ainda não dá pra fazer nada no cabelo que envolva química. É, minha juba querida, vamos ter que aguentar mais um pouco... 2) tirar bastante leite pra deixar pra pequena e compensar a tristeza da curta separação diária com bastante mamazinho. Amamentação tem três funções básicas: imunológica, nutricional e afetiva. Aproveitar bastante a terceira função.
Notícia ruim do dia: Dr. Cesar tá indo pra um curso de 4 meses na Espanha e nos deixará órfãos nesse período... Voltar pra roleta-russa da escolha de pediatra novamente? Nããão. Dr. Cesar tem um irmão que também é pediatra. Em caso de necessidade, lá vamos nós com a família Lemos. Por falar nisso, colegas de função maternística, quem quiser a indicação, me manda e-mail. Porque por comentário eu não consigo responder pessoalmente. Umas 4 ou 5 mães já me pediram a indicação e eu fiquei sem ter como indicar...
Continuando o dia... Hoje foi o primeiro dia em que contamos com a ajuda de uma babá. Por indicação de amigos, encontramos uma. Nos encontramos na semana passada e acertamos que ela irá nos ajudar 3 tardes por semana, nesse início. Ela fica com a Clarinha enquanto eu vou trabalhar (sofrendo que nem uma cachorra) enquanto o namorado também fica trabalhando, mas em casa. Ou seja, foi um dia de adaptações gerais. Mas parece que não minimiza nunca esse sofrimento da separação diária... Produzo duas linhas quando deveria produzir 2 páginas, uma desgraça isso.
Como as pessoas são diferentes, não é? Para algumas mulheres, a volta ao trabalho depois do nascimento dos filhos parece ser uma coisa natural, para outras, como eu, é extremamente sofrido. As pessoas são mesmo muito diferentes... Para uns, o copo pode estar meio cheio. Para outros, meio vazio. Mesmo a quantidade sendo a mesma.


15 novembro 2010

Clara conhecendo o mundo junto com a tia...

Esse feriado prolongado foi de uma alegria que nem cabe no meu coração... Clara conheceu a tia Livia, minha irmã do meio. Livia e meu cunhado vieram de Sampa pra conhecer a bebezoca e ganharam uma tonelada de sorrisos. Clara fez pra titia tudo o que eu vivia pensando: "tomara que ela faça essa coisa linda pra titia quando ela chegar...". Deu gritinhos de alegria, perdeu o ar de rir, ficou horas no colinho da tia e foi uma alegria só. Foi um feriado incrível!
Embora eu entenda que é difícil parar a vida e arrumar brechas no corre-corre cotidiano, tem sido muito difícil pra mim lidar com o fato de que minha mãe e minha irmã caçula ainda não conhecem a minha filha. Às vezes fico muito deprê por isso. Mas o que há de se fazer, né? Eu também não conheço meu sobrinho Murilo, porque com bebezinho pequeninho é mais difícil viajar e minha irmã está lá também se adaptando à nova vida, já que ela também é mãe novata. Mas dá uma dor no coração... uff, lá vem um cisco...
Confesso que meu coração está muito mais feliz agora, que uma das minhas irmãs já conheceu a minha filha. Mesmo tendo sido poucos dias, foram dias ótimos. Nos divertimos muito e apertamos muito a Clara.
Acho que esse foi um feriado muito importante pra Clarinha. Ela conheceu a titia e conheceu o mar. Aproveitamos hoje que o sol ficou um pouco tampadinho e que a titia estava aqui e fomos à praia. Clara dentro do seu sling, protegidinha, e debaixo de seu chapéu-branco-de-laço-vermelho-esvoaçante, que ela é uma bebê istaile. Ficamos uma horinha por lá, mas foi o suficiente pra ela conhecer mais um pouco desse mundo... e no colinho da tia.
Lembra, filha, quando a mamãe quase te perdeu? Lembra que eu disse pra você "pode vir tranquila que o mundo é um lugar legal e a mamãe vai te cuidar muito?". Então... Viu, filha, como o mundo é legal? Como tem gente querida por aqui e lugares lindos?
Mas isso acho que a Clara já sabe... pela tranquilidade diária dela, que chamou a atenção da minha irmã, acho que Clara está feliz.

Tia Livia e Clarinha


Clara conhecendo o mar na Praia da Joaquina, onde fomos agradecer e pedir proteção quando soubemos que estávamos grávidos. 

Acho que minha filha está gostando do mundo... (esse sorriso foi pro vovô)

09 novembro 2010

"(...) um bebê parido e uma mãe renascida"

Eu fui ler o post de hoje do blog Mamíferas, intitulado "Cenas de Parto" e, ao final da leitura, tinha caído um cisco gigantesco no meu olho... Tem coisas na vida das quais não é fácil se recuperar. Tem coisas que nos marcam mais profundamente que cicatriz de cesárea, e que demora muito mais pra cicatrizar - se é que um dia cicatriza. As frases "Ontem presenciei um nascimento domiciliar após uma cesárea, há menos de 2 anos. O motivo para a cirurgia anterior foi desproporção céfalo pélvica" e "(...) um bebê parido e uma mãe renascida", presentes no texto da Kalu, levantaram um morto enterrado vivo por aqui e que eu vivo fingindo que está morto mesmo...
Que felicidade eu sinto por essa mãe que teve a sua segunda chance.
Agora vou ali assoar o nariz e jogar mais terra por cima.

A babá do terror

Sabe... Eu tenho 32 anos. Já sou mãe e tudo, como vocês sabem. Tô véia já. E continuo sendo a mesma maria-moleque que sempre fui, desde a minha infância no Jardim Maria Cecília.
Eu não sei de onde veio isso, mas eu tinha mania, quando criança, de assustar os outros. Não podia ouvir falar que fulaninho tinha medo do sobrenatural que já ia lá assustar o pobre.
Que diga minha irmã Livia, que sofreu horrores comigo. Ela morria de medo do lobisomem da novela Roque Santeiro e eu vivia cantando, atrás dela, "mistérios da meia-noite, que voam longe...". Às vezes, depois que minha mãe nos colocava para dormir, eu me arrastava pelo chão, tipo um ser rastejante mesmo, ia até os pés da cama dela e, de repente, agarrava o pé da coitada. Era um deus-nos-acuda, e eu sempre acabava tomando umas piabas. Morrendo de rir, mas tomava. Não sei nem como minha irmã conseguiu crescer sem traumas e ser minha amiga hoje.

Bem, o fato é: eu juro que não sei porquê, mas continuo fazendo isso. O coitado do pai da Clara que o diga... Por que será que toda pessoa atentada acaba encontrando na vida alguém que tem medo do sobrenatural?

Uma amiga dele nos emprestou uma babá eletrônica que tem sido de muita ajuda, porque como ela dorme bem antes de mim e eu tenho hábitos noturnos, posso tocar a vida sem ter medo de não ouvi-la chorar (ainda mais considerando que eu sou meio surda...). Então eu a faço dormir, coloco no quarto, ligo a babá eletrônica, encosto a porta e toco a vida sem medo de não ouvi-la. O receptor fica do lado dela e o transmissor fica na cozinha.
E o troço é supersônico!
Pega até a respiração da bebê.

Mas o caso é que, estando sem ter o que fazer da vida, inventei para ele uma história de que fulana de tal tinha uma babá eletrônica e, um belo dia, a fulana estava tocando a vida quando ouviu alguém conversando com a bebê. Chegou no quarto e não tinha ninguém.
Pra quê fui fazer isso?
Agora toda hora é hora de cagaço... Quando vejo, tá lá o pobre quieto tentando ouvir algum barulho dentro do quarto.
Mas hoje foi demais.
Clara foi dormir às 8 da noite, depois de tomar um banhinho gostoso e mamar. Ela acorda a cada 3 ou 4 horas para reabastecer o tanque. Quando eram 11 da noite, ela deu uma reclamadinha e eu fui lá. Peguei a fofa no colo e dei o tradicional mamazinho da noite. E ele lá, do lado de fora, fazendo não sei o que.
Mas o tal do não sei o quê fazia um barulho danado, que ia acordar a  bebezinha. Quer deixar uma mãe louca e em ponto de tiro é acordar bebê que está dormindo... Então, lembrei-me da supersoniquice do aparelho. Fui bem pertinho do receptor e cochichei: "FE-CHA A POR-TAAAAA".
Na sequência, ouvi passos de corrida, porta abrindo, porta fechando e o barulho parou.
Bom, estou procurando por ele até agora...
Saiu correndo de medo e ainda não voltou.
Quem tiver notícias, favor me mandar um e-mail, sms ou mensagem via twitter.
Grata.

08 novembro 2010

Primeira fase: download concluído com sucesso!

Quando a Clara era recém nascida, e eu recém parida, todo mundo me falava: "Não desespera: quando chegar aos 3 meses tudo isso passa". Tudo isso: cólicas intermináveis, choros ininterruptos, baladas na madruga com a bebê no colo, tentando fazer dormir. Ultrapassamos a barreira dos 3 meses. Hoje ela está com 3 meses e 9 dias. E, quer saber? Passou. Clara tem poucas cólicas agora, dorme muito bem a noite - 12 horas de soninho, acordando de 2 a 3 vezes pra mamar, mama e capota de novo - e o choro só acontece quando o tédio bate ou a mamãe se afasta. Sim. Clara é uma bebê mamãemaníaca. Amém! É só sair de perto dela que ela abre o bocão, o que tem me trazido uma certa angústia, agora que estou voltando ao trabalho.
Até então, todo mundo me dizia: deve estar perdendo roupinhas até dizer chega, né? E eu achava meio esquisito, porque não estava não. Ou ela tinha roupinhas muito maiores que o tamanho dela, ou estava crescendo pouco. Como o desenvolvimento dela vinha que vinha, numa ótima, acho mesmo que era o tamanho das roupas. E eis que nessas duas últimas semanas Clara perdeu um mooooooonte de roupas. É uma dor no coração... Cada roupinha linda que agora foi pro beleléu. A gente se apega nessas coisas, né? Pobre é uma desgraça, pobre se apega nas coisa (sic).
Esse fim de semana coloquei uma calça nela e, quando vi, tá lá o barrigão de fora. Olhei pra ela deitadinha dormindo e pensei: pronto, pari o Seu Boneco. Só faltava ela acordar e dizer: "Aí eu vou pra galera!".
Então, findada essa primeira etapa, sábado nós saímos para fazer o primeiro gasto do primeiro salário da mamãe após um ano de pausa na carreira: fomos comprar roupas pra Clara!
A gente vê que uma pessoa mudou quando ela sai pra comprar roupa e volta sem nenhuma peça pra si, mas com a filha cheia de roupinha. Ainda mais essas roupamaníacas que existem por aí, ouvi falar que existe gente assim...
Ela engordou e cresceu muito, para felicidade geral da nação Moreiras Sena Maia Bretas.
Agora eu olho aquelas roupinhas lindas e penso: "antigamente ela usava isso......."
"Antigamente"...
Plagiando as tias véias que sempre me dizem isso (e eu adoro!): se você tem bebê pequeno, curte, minha filha. O tempo voa que é uma beleza....
Ó o tamanho das bochechas da cidadã.

03 novembro 2010

Nada é impossível para Pink e Cérebro


Sábado, dia 30 de outubro, Clara estava completando 3 meses. E, como eu já falei antes, nós começamos nossa mudança de casa exatamente nesse dia.
Mas a mudança ainda está em andamento. Embora 90% já esteja pronto, ainda temos coisa pra caramba pra fazer.
Mas a casa nova tá quase pronta, e tá ficando linda. O mais gostoso é o astral, a energia que a gente tem sentido. Energia de renovação, junto com a chegada do calor, junto com a chegada dos bons ventos que trazem bons tempos. Cada coisa que desencaixotamos juntos vai sendo impregnada de boas expectativas, de boas vibrações, de amor e carinho.
Lógico que o quartinho (teórico) da Clara foi o primeiro a ser arrumado, pra ela ir serenando e se acostumando com a mudança de ninho. Todas as tardes eu e ela temos descido pra passear no gramado, ver o laguinho, tentar achar os macaquinhos que vivem na mata do entorno e espiar a Lagoa. Acho que ela gosta, porque relaxa tanto que acaba voltando dormindo...
Faltam pouquíssimas caixas para serem colocadas no lugar agora. Mas vou dizer: foi um trabalho IN-SA-NO. Insanidade pura e simples fazer uma mudança no esquema "se vira nos trinta" que a gente encarou, com uma bebezinha de 3 meses e 2 véios que, juntos, somavam uns 200 anos, carregando coisa. No domingo, que foi o dia mais punk, nossa comadre veio dar uma força. Nos demais, só nós dois, na cara, na coragem, no muque e na energia.
Mas o resultado tá ficando bom demais e estamos muito felizes.
Não tenho a menor dúvida de que, depois de toda a loucura que vivemos no último ano, a união com que fizemos essa mudança, revezando idas e vindas, um carregando na casa antiga, o outro descarregando na casa nova, nos revezando nos cuidados com a Clara, sempre zelando pelo bem-estar e pelo sorriso frequente dela, nos uniu ainda mais. Se é que isso é possível...
E sinceramente falando: depois de tudo isso, tenho a mais plena convicção de que nada é impossível para Pink e Cérebro.
O que vamos fazer amanhã? Ah, sei lá... Tava pensando em dominar o mundo, de repente...
Porque se a gente não se matou nessa, não morremos mais.

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