sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

As melhores do melhor - a retrospectiva do ano em que me tornei mãe

 Ilustração que meu namorado fez ontem pra nós e que, pra ele, simboliza como terminamos esse ano incrível de 2010. Nós, bem felizes, na ponte sobre o Rio Piracicaba, SP.

Como diz aquela senhora que a gente encontra todo dia no elevador: "Nossa, já tá acabando o ano. Como passou rápido né?". É, dona, passou que voou. Ano que nunca vou esquecer. Ai caramba, tá difícil de escrever sobre... Bate uma puta emoção. Dói até a traqueia, porque fica uma bolota lá, apertando.
2010 - uma jornada pra dentro de mim... Não só porque me tornei mãe, mas porque cresci muitos anos em um. Muita coisa aconteceu, entre boas e nem-tão-boas-assim. Mas SÓ porque me tornei mãe nesse ano, só vou falar sobre as boas coisas. Tchau, coisas ruins, estou enterrando vocês agora! Beijo, tchau, se piquem e nao me liguem! A gente se vê nunca mais!
Vâmo lá! Rir trospectiva 2010!

Janeiro
Fiz mais um ultrassom pra ver como estava meu filho (não sabia que era filha ainda...) Meu bebê estava ótimo, mexilhão, mesmo a mamãe sangrando. Nasceu o Henrique, meu afilhado! Embora eu nem soubesse ainda que ele seria meu afilhado... Nos salvamos! Tchau possibilidade de perder o bebê, vai à merda! Conheci a Dra. Juliana Zanatta, médica incrível, que olhou pra mim e disse: "Pode relaxar, querida. Vocês foram fortes! Passou o perigo." Minha avó partiu... Eu falei que seria uma retrospectiva feliz, mas não posso deixar de mencionar esse fato. Ela se foi, mas isso contribuiu para que eu, minha mãe e irmãs nos reaproximássemos. Sinto saudades dela, mas é uma saudade boa e estou feliz porque tenho lembranças muito legais com ela. Beijo vó! Soubemos que nosso filho era nossa filhA: olhamos a tela do ultrassom e dissemos juntos, eu e namorado: É A CLARA!

Fevereiro
Minha barriga começou a aparecer. A de grávida, tá? Comprei as primeiras roupinhas da Clara, ainda meio tímida. O namorado fez a primeira ilustra pra Clara, dela dentro da barriga. Senti a Clara mexer dentro da minha barriga pela primeira vez, uma coisinha esquisitinha que demorei pra acreditar que era mesmo uma mexidinha dela.

Março
Eu, namorado e Clara na barriga fizemos nossa primeira viagem juntos. Na doidêra pra não perder um prazo, mas fizemos. Foi muito simbólico: voltar com minha família para a cidade onde me tornei bióloga. Fui internada pra controlar uma infecção urinária, mas foi legal também, porque eu e o namorado nos unimos muito (e agora que passou, vô falá: depois que a febre passou, comecei a gostar de ficar no hospital e aproveitei a mamata pra dormir um monte. Meu momento "fiz do hospital um hotel". Prontofalei). Foi em março, também, que eu decidi que teria minha filha de maneira humanizada e consciente e comecei a estudar mais sobre isso, além de ter sido quando o namorado conheceu a proposta - e adorou. Pra fechar o mês, tivemos a confirmação de que nossa filha era perfeita, depois do ultra morfológico. Ponto pra nós!


Abril
Minha irmã descobriu que o bebê dela era menino! Viva o Murilo! Tivemos uma páscoa show em família, só love só love. Compramos o berço mais lindo da história dos berços humanos. Depois de alguns meses parada, voltei a dar aulas e quase tive um orgasmo ao estar de volta às salas de aula (é bom explicar, em tempos de bizarrices, que isso foi em sentido figurado tá, galera?!). Fizemos a festa das fraldas da Clara, o Rock Baby, e conseguimos duzentas e trinta e cinco mil fraldas. Também em sentido figurado... mas passou os mil mesmo.


Maio
Prestei um concurso no qual não passei mas que adorei ter prestado, com uma barriga gigante e amigos por perto. Comecei a arrumar o quartinho da Clara. Fiz o ultra 4D da Clara de pura curiosidade e tivemos a constatação de que ela seria parecida comigo.

Junho
Minha barriga já estava explodindo, eu já estava explodindo, meu ciático estava explodindo e minha azia também. Mas mesmo assim fizemos o ensaio fotográfico da gravidez, a meu contragosto mas que depois adorei. A ansiedade para a chegada da Clara estava punk, e já estava quase tudo pronto. Eu estava feliz da vida por ser uma grávida ultragravidesca e por ter o carinho de tantas mulheres em todos os lugares que eu ia. 

Julho
Fiz 9 meses de gravidez e ela poderia chegar a qualquer momento. Começamos as consultas pré-parto com as enfermeiras do Hanami. Fizemos o último ultrassom e o médico, sabendo que eu tentaria o parto domiciliar, foi parceiro e disse: "capricha nos agachamentos porque a cabeça da bebê é super grande". Eu e o namorado estávamos grudados um no outro desde o mês anterior, organizando a chegada dela e nos preparando emocionalmente. Comecei a ter cólicas fortes, que eu não sabia mas já eram as contrações como comissão de frente. E no fim do mês, clareou tudo com uma intensidade como eu nunca imaginei: ela chegou e eu vi pela primeira vez a menina mais linda que foi moldada e esculpida dentro de mim, com uns olhos puxados maravilhosos, um nariz feito a pincel e uma boquinha delicada e linda, em cima de um queixinho furado. Saudável feito um pequeno touro. Ponto pra nós, de novo!

Agosto
Noites sem dormir, adaptações de todo tipo, baby blues, modificações corporais e emocionais, inserção num mundo novo que eu nem sei como pude demorar tanto tempo pra conhecer... Ficaria todas aquelas noites colicais acordada de novo, se preciso fosse. Porque eu soube todo o tempo que foram momentos importantíssimos para estabelecer o vínculo inquebrável e fortíssimo que temos uma com a outra hoje. E foram dias em que soube que a Clara não poderia ter um pai melhor. Prontofalei de novo. Ela é sortuda: tem um pai incrível. Doei muito leite, quase 1 litro e meio semanais, pro Hospital Infantil, e fiquei triste quando minha produção se regularizou e já não sobrava tanto assim pra doar. Espero que todo o amor que eu sinto pela minha filha tenha ido junto pra todos os bebês que o utilizaram e que eles estejam fortes e felizes nos colos de suas mães ou cuidadores nesse reveillon. Beijo pros bebês prematuros! Clara fez 1 mês e meu sobrinho chegou.

Setembro
Eu já tava fera no quesito amamentação e Clara crescendo a olhos vistos. Tá, agora falo: emagreci 21 quilos até esse mês, fazendo dieta e amamentando. Começamos a criar e organizar, eu e a amigona Sheila, o Bazar Coisas de Mãe. Ponto pra nós, deu super certo! Organizei uma baladinha para mamães, papais e seus bebês na casa antiga e fiz novas amigas que também fizeram valer esse ano que tá acabando. Ponto pra nós de novo! Fechando o mês, um dos meus projetos de pesquisa foi aprovado e eu ganhei uma bolsa de pós-doutorado. Ponto pra mim! Yeah! Fomos, pela primeira vez, no Cinematerna e nos tornamos fãs.


Outubro
Comecei a entrar em crise com esse lance de voltar ao trabalho e ter um bebê de poucos meses (ainda estou pensando muito sobre o que fazer e como administrar). Ganhamos o mundo com nossos slings: o céu é o limite. Caminhamos quilômetros, passeamos, visitamos amigos, fazíamos tudo já. Nos mudamos de casa (com um bebê de 3 meses - alô, aqui é da Companhia de Doidos, em que podemos ajudá-lo?) e foi a melhor decisão que poderíamos ter tomado. Mais um pontinho! Pra nóis, é craro cróvis. Uma pessoa veio me criticar porque acostumei Clara no colo e porque ela dorme sendo embalada, e tomou uma ali na lata, ao vivo, e depois in scritus, do qual ainda não se recuperou (mas já soube que ela anda, agora, dizendo por aí que a melhor coisa é, mesmo, embalar a criança até que durma, ói?). Eu e o namorado fizemos 1 ano de namoro (que bom!). Consegui uma segunda bolsa de pós-doutorado, para um segundo projeto meu que foi aprovado, e comecei a me preparar para me desligar da UFSC e ir para o setor de pesquisa científica empresarial. Muito legal, bicho!

Novembro
Começamos nossa nova vida no novo apartamento, bem felizes. Clara passou a interagir com novos amigos todos os dias. Minha irmã Livia veio pra conhecer a Clara e foi uma festança - com direito a sushi free e tudo mais. Fez 1 ano que descobri que estava grávida e foi uma puta emoção. Ganhei, pela primeira vez na vida, um sorteio - e logo pela internet: ganhei um sling lindo!

Dezembro
Tive uma crise de cansaço, misturada com tristeza por deixar minha filha algumas horas do dia pra ir trabalhar, misturado com tudo, mas me recuperei rápido - à base de colinho de namorado e abraço de filha linda. Rolou o II Bazar Coisas de Mãe e foi bárbaro. E Clara encontrou o papai noel e fez amizade com ele. Clara fez a primeira viagem de sua vida e foi conhecer a vovó, a titia e o primo Murilo - e isso valeu pelos meses todos em que eles ficaram sem se conhecer pessoalmente. Depois do nascimento dela, foi o evento do ano! E, pra finalizar esse PUTA ANO, Clara conheceu sua outra madrinha, a dinda Livia. Acho que ela está bem feliz com suas dindas Bebé e Livia.

Que ano, bicho! Que ano incrível! Queria agradecer a uma tonelada de pessoas, sem as quais eu não conseguiria chegar ao fim desse ano da maneira bacana como estou chegando. Mas com certeza, por uma falha de memória, eu acabaria não mencionando alguém que foi importante e poderia causar desconforto. Então quero fazer um agradecimento coletivo a todos que têm consciência da importância que tiveram em nossas vidas nesse 2010 dez! Muito obrigada!
De maneira especial, muito especial, agradeço às amigas da lista de discussão sobre parto humanizado e consciente pelas mudanças que ajudam, diariamente, a operar na minha vida desde antes do nascimento da Clara, principalmente às enfermeiras Iara, Vânia, Clariana e Renata. E um agradecimento mais que especial à enfermeira Tânia, que esteve do meu lado na hora H, me avisando: ela está chegando. Tânia estará pra sempre no meu coração. Ao meu namorado-amor, por todas as barras seguradas juntas e por não me deixar faltar AMOR em nenhum momento. À minha família querida pela re-união e pelo apoio, pai, mãe, irmãs. Aos amigos novos e aos velhos amigos, que estão me acompanhando nessa nova versão LigiaMaternity.2010 download free.
E a todos os santos que, por algum motivo especial, me ouviram no dia 31 de dezembro de 2009, quando fui pular as 7 ondas na Praia do Campeche (bem devagarzinho pra não colocar o bebê em risco) e, em silêncio, pedi que protegessem minha gravidez e meu filho para que ele nascesse com saúde. E para que protegessem, também, a mim e ao meu namorado, para que pudéssemos superar as dificuldades e nos manter unidos e fortes para receber nossa filha, dar a ela muito amor, e formar uma bela família.
Deu tudo certo!
A você, amigo conhecido ou desconhecido, desejo que todos os santos e deuses também o proteja em 2011, para que seus caminhos estejam cheios de boas novas, de amor, de saúde, de amigos queridos e de dindin.
Que em 2011 sua vida seja clara, como foi a minha em 2010 e será para sempre!
Grande abraço, rapaziada! Beijo nas muié, abraço prusómi e muito cheiro nos cangotinhos das crianças!

Clara versão 5 meses advanced

Ela olha as mãos estalando os dedinhos por minutos a fio. Ela pega os dois pezinhos e os leva à boca sempre que está deitada. Ela fica de bruço tentando se virar. Agora ela dá gargalhadas até quando sua presilha de cabelo cai e você fala "Ê, saco!". Enquanto mama, fica conversando com ela mesma, dizendo Hmmmm, hmmm, hmmmmmmmm. Pega meu nariz, boca, queixo, cabelo e pescoço quando está mamando. Morde meu queixo pra esfregar a gengivinha com brotinho de dentinho apontando. Dá gritinho quando está contrariada. Pouco antes de pegar no sono, quando vai dormir de lado, se joga pro lado, olha pra você e se acaba rindo (como se dissesse: ó eu sem dormir, ó). Já atende quando a chamamos pelo nome. No trocador, virou a garota-minhoca, se contorcendo pra tentar pegar a luminária - e agora tá uma loucura tentar trocar a fralda. Ela joga o corpinho pra trás DO NADAAA, jogando a cabeça também, pra ver o mundo de ponta cabeça - e fica um tempão assim. Quando faz pum ou o número 2, faz PRRRRRR com a boca - muito útil isso, porque avisa a mamãe e o papai que tem obra ali. Ela continua acordando sorrindo e, agora, fica rindo muito enquanto a gente a embala pra dormir. Ela não dorme mais no carrinho do lado da mamãe e do papai porque ficou muito grande: agora ela dorme no colchãozinho - mas ainda do nosso lado (tá difícil desmamar esses véios). Ela rolou na cama de uma hora pra outra, quase matando o papis do coração. Ela fez a primeira viagem da vida dela, conheceu a vovó, a titia e o priminho. Continua simpatissíssima, amistosa, sorridente e bem humorada.
E desde que foi pra casa da vovó, se acostumou a dormir agarrada com a mamãe, ambas de ladinho, uma de frente pra outra, eu com a mão no rostinho dela e ela com a mãozinha cheio de furinho em mim.
É a Clara. Que está completando hoje 5 meses.
Hoje ela se virou e ficou de bruços, olhando encantada pras árvores que ficam em frente à sacada (ela ama essas árvores, passa um tempão olhando pra elas...). Como tinha um travesseirinho do lado, ainda de bruços, encostou a cabecinha e deitou ali mesmo, contemplando a paisagem, enquanto a mamãe registrava o momento. Até que o papai chegou e arrancou um monte de sorrisos.
Essa tem sido a nossa vida há 5 felizes meses.
Muito amor.

Clara, hoje, dia em que completou 5 meses.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Nóis pelo interior de SP e o retorno a Floripa

Sou paulista apaixonada pelo interior do estado de São Paulo, embora tenha sido criada no grande ABC, em São Bernardo. Clara é filha de paulista com carioca, mas é manezinha de Floripa. Quando ela estava na barriga, percorreu comigo muitos mil quilômetros, indo e voltando diversas vezes de Floripa para o interior de SP, especificamente para Botucatu, onde me formei. Depois que ela nasceu, essa viagem para Rio Claro (de onde voltamos ontem) foi a primeira da vida dela. Como Rio Claro fica do lado de Piracicaba, e o namorado estava louco pra conhecer essa cidade já que todo ano acontece lá o Salão Internacional de Humor de Piracicaba (pra lembrar, o namorado é jornalista e chargista, e expõe alguns dos trabalhos lá no blog dele), pra lá nós fomos também. Eu sempre gostei de Pira e adorei rever a cidade. Clara e namorado também gostaram muito.

Clara adorou os peixinhos no mega aquário do Museu da Água, que fica em cima do Rio Piracicaba (aquele, que vai jogar água pra fora quando chegar a água dos olhos de alguém que chora). 
E ói ele aí. Feliz por conhecer o local onde fica o Salão, bem do ladinho do Rio (gostou tanto que diz que em 2011 vai participar do Salão). Sim, ele sempre carrega minha bolsa pra que eu carregue a Clara e faz todo tipo de outras gentilezas. Sim, ele é um pai incrível. Sim, é um puta namorado, daqueles que eu nunca imaginei que existisse por aí (prontofalei).


E ontem voltamos pra Floripa, felizes também por voltar pra casa. Viajar é ótimo, mas voltar pra casa também é, né? Ainda mais quando se mora em Floripa. Mas a volta foi mais demorada que a ida, embora Clarinha tenha vindo praticamente desmaiada a viagem inteira. É que, além da gente ter se perdido por 55 km em função da falta de uma puta de um placa na parte nova do rodoanel (palmas para o rodoanel, que evita que a gente entre na capital de SP, aquele centro de fazer doido...),  o movimento sentido litoral sul tá punk! Floripa tá insuportavelmente lotada, tudo parado, trânsito pra todo canto, uma loucura (informou o serviço de informações turísticas). Todo ano é assim agora, chega a alta temporada e Floripa fica uó. Mas estamos contentes, porque estamos com visita das boas: uma das madrinhas da Clara veio conhecê-la! Livia, Pedro e Henrique (meu afilhado lindo - e grande paburro! - que no próximo dia 06 vai fazer 1 aninho) chegaram para passar o reveillon conosco. Eles são gente que gosto muito, já falei deles aqui.
Demais esse fim de ano, ãhn? Natal com quem eu amo demais e ano novo com meus amigos queridos e nossos bebês...
Show, bicho!
No próximo post, como não poderia deixar de ser, farei a retrospectiva. Do que?! De 2010, pô! Puta ano incrível! Tô aqui me preparando...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Dia feliz, noite feliz, tudo feliz

Chegou nosso primeiro natal! E já foi embora também... Ô loco, meu, como as coisas passam rápido quando a gente gosta... E só tô escrevendo hoje sobre isso porque... ah, por que? Porque estamos de férias né, rapaziada? E nas férias não temos horário pra nada.
Ó nóis de férias aí...
 Clara e mamãe descansando a beleza no maior clima de "férias na casa da vovó"

Embora nosso natal tenha começado desde que saímos de Floripa, na madrugada do dia 20 pro dia 21, nossa véspera e dia de natal foram ótimos. Não foi apenas uma noite feliz. Foi uma noite feliz, um dia feliz, um tudo feliz. Feliz e tranquilo.
O primeiro natal da Clarinha foi cheio de variedades. Na véspera, acordamos cedo e nos paramentamos para um passeio na cidade: sacamos nosso sling e nosso chapeuzinho - pra aguentar esse calor monstro desses lados de cá - e fomos. Voltamos escaldantemente encalorados, Clara tirando a roupa pelo caminho... Chegou pelada na casa da vovó. Enquanto a vovó encarava uma cozinha de mil graus, preparando seus quitutes portugueses com certezes, nós nos revezávamos na função "refrescando Clara". Tava valendo quase tudo: modalidade nude, modalidade "minha fralda tem estilo", modalidade "pagando peitinho", tudo. Aí o namorado lembrou do maravilhoso banho de balde e foi uma festa! Fui lá, enchi o balde com água bem fresquinha e pra lá foi a nossa pequena dobrinha encalorada. Se acabou! Entre gritinhos, sorrisos, brrrrrsss, ficou toda feliz aproveitando seu momento "ofurô portátil de plástico". Ói que diliça:

 Ah, como tô feliz. Meu balde e meu livro de plástico: se fui pobre nem me lembro...

 Opa! Esse treco aqui tem um gostinho diferente do meu leitinho. Gostí.

 Cadê eu? Tô aqui gente!

Ói meus dedim.

Depois da operação-ofurô, mamãe foi ajudar a vovó na cozinha, preparando um peru ao molho de maracujá e uma maionese de frios. Vovó já tinha preparado sua tradicional farofa secular, duas supersobremesas e deixado tudo no jeito pro bacalhau. Na sala, adultos brincavam com crianças, o pessoal conversava na calçada, tudo muito em paz e muito tranquilo.
A noite foi chegando e... quem disse que as crianças queriam dormir? Clara tem sempre uma rotininha: por volta das sete e meia, toma seu banhinho, mama e dorme. Mas acho que ela sentiu que o papai noel estava mesmo pra chegar: nada de dormir. Ficou acordadona e ligadona, brincando com todo mundo.
A meia-noite foi chegando e eu fui ficando apreensiva... Antes de sequer imaginar que seria mãe, eu ficava pensando em como as recém-mães deviam ficar fulas da vida com os fogos e os rojões. A meia-noite chegou, os fogos e rojões também, Clara no meu colinho e... nem tchum. O máximo que ela fez foi arregalar os olhinhos de lagartixa pra tentar entender o que era aquele barulho, mas tranquila como é, assim continuou.
A mamãe até tinha colocado uma roupa lindérrima para a ocasião do primeiro natal... mas pelamor, coitada da criança. Um calorão duzinferno, a criança agoniada, não durou nem 2 minutos: coloquei, mostrei pra vó, que mostrou pra vizinha, voltou e tirei. Lá tava ela no naturismo de novo.
Foi dar a meia-noite, jantarmos e ela capotou. Dormiu que nem um anjo, 5 horas seguidas. Uma linda.

No dia seguinte, essa foi a cena que encontrei ao voltar do banheiro. Acho que ela sacou que era um dia especial e foi cutucar o papai pra gente passear.



 E fomos né?  Pra que ela pudesse aproveitar o primeiro dia de natal da vida dela. Fomos no lago, vimos bichinhos e brincamos um monte.




O dia de natal dela terminou da maneira mais gostosa possível: ganhando beijocas da vovó e brincando com o Gostosurilo.

Daqui a pouquinho, vamos voltar pra Floripa. Resolvemos viajar, de novo, na madrugada, já que a primeira viagem da vida dela foi assim. Nossa vinda demorou 12 horas, 8 das quais ela dormiu tranquilamente na cadeirinha. Então agora, vamos repetir a dose.
Quando nós vamos reencontrar o pessoal, vovó, titias, titio, priminho? Não fazemos a menor ideia. Mas nem quero pensar nisso, que é pra manter a alegria desse encontro e voltar feliz pra Floripa.
Agora eu vou ali com a turma toda, que está chamando pra gente passear no fim de tarde, antes de pegarmos a estrada.
Que feliz natal foi esse. Cheio de amor, de reencontro, de paz e tranquilidade. Como há muito tempo nós não tínhamos. Clara conheceu a vovó, a vovó conheceu a Clara e... meu namorado e minha mãe se conheceram. Eu não havia falado nada que era pra não criar tensão, mas os dois também não se conheciam. E, olha, acho que se gostaram muito, porque foi um teretetê que nussinhora. Passaram horas sentadinhos na calçada, nas cadeirinhas, batendo papo, cozinharam juntos, acho que os santos se bateram. Para minha completa felicidade.
Estou feliz demais com esse natal. Meu primeiro natal com minhas famílias, a família-mãe e a família-filha.
Vale até cantar, pela milionésima vez, a musiquinha portuguesa: "Boas festas, boas festas, cantamos com alegria, um bom ano para todos, cheio de paz e harmonia".
Agora, espero que a vovó não demore muito pra ir nos visitar. Senão Clara vai sentir muita saudade dela.
E nós também.
Simbora pra estrada agora.

PS: Logo mais, daqui a um pouquinho mais de 1 mês, Clara vai começar a experimentar outras coisinhas além do leitinho da mamis. Não vou apressar nada, só porque todo mundo diz que tem que ser assim, e vou nos preparar bem pra esse novo mundo. Mas nesses dias, vendo a Clara tomar banho de balde e colocando água na boca propositalmente, experimentando com gosto, atendi ao pedido dela: hoje coloquei um pouquinho de água num copinho e servi a ela. QUE ADOROU! Coisa mais linda ela fazendo biquinho e colocando a linguinha pra fora pra tomar. Filha, você nem imagina quantas coisas simples e deliciosas têm aqui no mundo... Vou te mostrar tudo. Mas com calma.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Minha homenagem à Maria (e também ao José)


Todo ano tem Natal, todo ano os comerciais televisivos são iguais, todo ano tem luzinhas nas casas, promoções nas lojas, panetone nos supermercados, frutas secas, castanhas e assados.
Todo natal tem papai noel, tem enfeites nas portas e gente pensando no que vai fazer nessas datas festivas de fim de ano.
Todo ano tem comércio funcionando até dez da noite ou meia-noite, tem sorteio de carro nos shoppings, tem aumento da gasolina nos postos, tem programa do Roberto Carlos. 
O natal acaba, passa um ano inteirinho, com coisas totalmente diferentes, e aí chega o natal de novo. Com seus comerciais, seus sorteios de carro, suas luzinhas, amigos secretos, e, claro, seus muitos papais noéis.
Seus papais noéis com suas sacolas abarrotadas de presentes comprados à vista ou em 12 vezes sem juros, com a primeira só pra depois do carnaval; presentes baratinhos ou caros, presentes luxuosos ou simples, mas cheio de presentes.
É, eu sei que está parecendo que vai começar uma daquelas conversas metendo o pau no capitalismo natalino e na distorção dos valores dessa data em prol da comercialização de tudo o que é vendável. Mas não. Hoje não - a despeito da minha opinião...

Hoje nós fomos passear aqui na cidade da minha mãe, que é uma cidadezinha do interior paulista. Nem pequena, nem grande, mas uma cidade de interior. Clara encontrou novamente um papai noel e, novamente, foi receptiva: esticou o bracinho e pegou, da mão dele, uma bala. E saímos andando... ela feliz e contente - mesmo a bala tendo sido tirada depois da mão dela pelo papai.
E aí eu fiquei pensando num e-mail que recebi essa madrugada, e que ainda não respondi porque quero responder com calma, de uma amiga dizendo como foi pra ela esse ano de 2010.
Em uma parte do e-mail, ela diz que nesse ano ainda não tinha visto nenhum presépio nas decorações de natal, só papais noéis...
E eu pensei: caramba, também não vi!!
Pronto, bastou.
Fui dormir as 4 da manhã, também pensando nisso (não fui dormir às 4 porque fiquei pensando nisso, mas contribuiu muito). Tomei banho na madrugada pensando nisso, na história de Jesus e tal.
Aí hoje, durante nosso passeio, fiquei alguns momentos sozinha com a Clara e fui olhar as decorações em busca do presépio perdido.
Nada.
Procurei, procurei, nada.
Entrava na loja, a vendedora perguntava "posso ajudar?" e eu procurando o presépio.
Em uma delas até perguntei: "Vocês têm algum presépio na decoração? Quero mostrar para minha filha". Mas nada... Só papais noéis com aquelas roupas totalmente sem sentido nesse calor paulista e seus sacos cheios.
Até que, finalmente, achei um presépio em uma loja, bem exposto na vitrine como decoração.
Parei, mostrei pra Clara e contei pra ela uma história:
"Olha filha, um presépio. Aquele ali é o papai, aquela é a mamãe e aquele é o nenê que nasceu. Ele nasceu nesse lugar cheio de bichinhos, porque a mãe dele teve que fugir. Ela fugiu porque tinha um cara mau que queria matar todos os bebês. Então ela foi embora e, ao invés dele nascer na casa deles, como os bebezinhos nasciam naquela época, ele nasceu ali no meio da palha e dos bichinhos. Mesmo a mamãe dele não querendo que ele nascesse num lugar como aquele, ele precisou nascer lá. Foi preciso. Mas não teve problema nenhum isso dele nascer onde ela não queria. Porque, mesmo assim, esse nenê cresceu, aprendeu um monte de coisa, se tornou um cara muito bacana, muito amoroso, ajudava as pessoas e foi um adulto muito, muito decente. Ele foi o cara mais decente que já pintou por essas bandas, há muitos anos atrás. E é por causa dele, só dele, que hoje a gente tem um monte de papai noel andando pelas ruas. Filha, esse era um bebê que também nasceria em casa, mas não pôde. A mamãe dele precisou ir embora para que ele nascesse em outro lugar. Ainda bem, né?"
Quando terminei de contar a história, olhei pra Clara sentada de frente no sling e lá estava ela com seu tradicional bico. Que ela só faz quando está prestando muita atenção em alguma coisa. Arrisco até a dizer que, de alguma forma, ela entendeu toda a história... e o porquê da mamãe tê-la contado.
Então, como diz a musiquinha, é natal.
Data em que se comemora o nascimento de Jesus.
O natal desse ano será o meu primeiro como mãe mesmo, porque o natal de 2009 não foi nada legal pra mim.
Eu  estava muito apreensiva, triste, com medo, de repouso, porque havia tido um descolamento de placenta e minha gravidez estava em grande risco.
Mas nesse natal taí a minha Clara, linda, forte, saudável, tranquila, pacífica.
E, embora o natal seja a comemoração do nascimento de Jesus, nesse natal eu vou comemorar outra coisa.
Vou comemorar o nascimento da família, vou comemorar a existência de bravas mães, que mudam seus planos para que seus filhos nasçam bem e saudáveis; mães que largam tudo e vão simbora para que seu filho nasça e não corra perigo; mães que vivem adversidades momentâneas mas que, mesmo assim, criam e cuidam de seus filhos com amor e integridade. Vou comemorar também a existência de pais porretas.
Porque, vâmo combiná? José foi um pai porreta!
Pensa?! Primeiro, aceitar a ideia doida da mulher de fugir grávida. Depois, fugir com uma mulher grávida de 9 meses e ajudá-la, sozinho, no trabalho de parto.
E isso tudo, minha gente, sabendo que o filho era do Espírito Santo, por favooooor!
Pai porreta esse hómi e não se fala mais nisso. Beijo pro José!

Então, nesse natal, com minha filha nos braços, ou melhor, um pouco nos meus braços, um pouco nos braços do pai porreta dela, de quem ela herdou o biquinho, quero desejar um feliz natal a todos, mas, principalmente, às mães incríveis que eu conheci esse ano e que mudaram todos os seus planos pela segurança de seus filhos.
Eu queria dar nomes aqui, mas para não expô-las, não darei. Mas sei que cada uma vai saber que é dela que estou falando - também.
Feliz natal a todas as mães porretas que topam mudar seus planos, que topam parir fora de casa pela segurança da cria, que aprenderam com a primavera a se deixar cortar e a voltar sempre inteiras (como já disse a Cecília Meireles), que passam adversidades de cabeça erguida e firme,e que zelam pelos seus filhos, mesmo que eles não cheguem nem perto da santidade.
Amanhã, à meia-noite, meu brinde emocionado vai pra vocês! Mães corajosas, mães conscientes, mulheres que vivem dois, três, quatro tipos de parto em um!
Feliz natal amigas!
Sei que para muitas de nós, esse natal não terá nada de igual aos outros. Embora lá fora tudo pareça igual...
Quem sabe chegue o dia em que, além dos infinitos papais noéis espalhados pelas ruas, carregando sacos cheios de presentes comprados, encontremos também muitas "Marias" na rua, celebrando o natal e carregando, apenas, seu filho nos braços.

Embora esse post seja uma homenagem de natal a todas as mães, eu o dedico à minha irmã Lenita, mãe do Murilo, mãe porreta do caramba.


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

CLARA CONHECEU A VOVÓ!!

Pronto, agora posso contar!
Eu tava louca pra compartilhar aqui o que estava planejando fazer, mas aí deixaria de ser surpresa pra minha mãe e não teria sido INCRÍVEL como foi.
Vivi hoje a maior emoção da minha vida desde o nascimento da Clara.
Minha mãe estava nos esperando chegar na próxima quinta-feira para passarmos o natal todos juntos. Mas nós combinamos com minhas irmãs e resolvemos chegar hoje. DE SURPRESA. O grande detalhe é: minha mãe ainda não conhecia minha filha, que vai fazer 5 meses na próxima semana. Então imagine o que foi...
Ó, não consigo nem descrever o que foi pra mim o dia de hoje.
Saímos de Floripa ontem (20/12) próximo à meia-noite e pegamos a estrada, cheios de inseguranças com relação a como seria uma viagem de tantas horas (contávamos com uma viagem de umas 14 ou 15 horas) com um bebê pequeno. A primeira viagem da nossa filha. Primeiro, iríamos durante o dia. Depois, pensamos melhor, pedimos a opinião de algumas pessoas, e decidimos viajar a noite, tanto pra aproveitar o soninho dela, quanto pra fugir do calor e do sol forte.
E deu super certo, minha gente!
Clara dormiu super traquila durante toda a madrugada, acordando apenas 2 vezes pra dar suas mamadinhas. Foi uma viagem muito boa, apesar do cansaço e do sono dos pais... Pequenas dicas para longa viagem de carro com bebês pequenos (algumas recebi das amigas da lista de discussão, fiz e deu super certo): levei, numa malinha, um grande arsenal de brinquedinhos - que ela só usou por pouco tempo, já que estava quase sempre dormindo; musiquinhas também funcionaram horrores; mas o campeão da rodada foi, sem dúvida, o apoiozinho de pescoço, que permitiu que ela dormisse bem relaxada durante muitas horas seguidas sem ficar com a cabecinha balançando pra lá e pra cá. Esse vai pro post que vou escrever nos próximos dias e que terá como tema "CTRL+S: Coisas que salvam". Deu tudo certo na viagem! Ponto pra nós.

Clara dormindo na viagem, com seu apoiozinho de cabeça (já fora do lugar...)

Mas isso nem é relevante perto do que aconteceu depois.
Conseguimos fazer exatamente o que havíamos planejado: chegamos na cidade na hora do almoço, pra aproveitar que a vovó almoça em casa e vai depois pro trabalho. Liguei pra minha irmã e disse: "Olha, cheguei. Quando a campainha tocar, deixa a mãe ir atender". Chegamos na rua, descemos a Clara no bebê-conforto, colocamos o chapeuzinho de papai noel nela, colocamos o bebê-conforto de frente pro portão da casa da vovó, tocamos a campainha e corremos pra nos esconder na casa vizinha.
O que aconteceu depois não dá pra narrar. E, como vai ficar pra sempre na história da Clara, e foi a coisa mais importante que aconteceu depois do nascimento dela, não tinha como não vir parar aqui, com a devida autorização da vovó. O primeiro vídeo é de apenas alguns segundos porque deu pau, mas dá pra ouvir um pouco do impacto inicial. Mas o segundo é de matar!


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"Ai meu Deus do céu!!"

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O encontro da Clara (já sem o chapeuzinho de Papai Noela) com a vovó
Depois que ela pegou a Clara e a levou pra dentro, eu abracei o namorado e acho que saiu tudo de acumulado que eu tinha em forma de choro. Foram meses querendo que minha mãe conhecesse minha filha, sem conseguir. Foram meses querendo que minha mãe estivesse perto de mim. Meses falando sobre a vovó pra Clara, mandando fotos, colocando as duas pra conversar via webcam.
E não foi importante só por isso.
Mas porque conheci - ENFIM - meu sobrinho Murilo. E, finalmente, ele e Clara se reencontraram. Ele é lindo, tem 3 meses e 22 dias e pesa - PASMEM - 8 quilos. Tem o tamanho de um bebê de 6 meses, é atento, sorridente e ficou no meu colinho feliz da vida - como eu...
Olha o reencontro.

Clara e Murilo se reencontram (olha as mãozinhas)
Agora estou aqui na casa da minha mãe, com namorado e filha, irmãs e sobrinho, esperando chegar o cunhado pra turma ficar completa. Minha mãe está aqui na minha frente agora, enchendo o colchão inflável, falando que está triste por ter perdido a senha do blog dela (hahahahaha) e rezando para que, no meio da madrugada, ela não acorde com a bunda no chão porque o colchão perdeu todo o ar. Clara está dormindo no quarto numa caminha que a vovó fez (e que ficou ótima, estou louca pra ir pra lá também), namorado trabalhando, sobrinho capotado no berço, uma irmã já foi dormir, a outra está aqui fazendo a gente rir.
Hoje a tarde, pela primeira vez desde que a Clara nasceu, dormi 3 horas de um sono profundo, completamente relaxada, porque as tias estavam cuidando dela para que eu pudesse descansar da viagem. Nem sabia mais o que era dormir profundamente...
Agora vou postar isso, desligar o computador e pegar um colo de mãe.
Porque eu sou uma cientista que virou mãe, me apaixonei completamente pela maternidade e sou 100% dedicada à minha condição de mãe. Mas estou com uma saudade do cacete de ser filha... Prontofalei.
21 de dezembro de 2010 - que dia!

 sem comentários...

domingo, 19 de dezembro de 2010

Irmã caçula

O Natal vai chegando e eu vou ficando emotiva, de coração mais mole ainda, me emociono por tudo e tals. Aí hoje minha comadre Bebé - que agora carrega o little baby Godoy-Mick e estamos muito felizes por isso - veio aqui em casa com seu Jacques e sua Bruna, para um jantarzinho que fiz em homenagem a eles e ao novo bebê. Não é a toa que ela me chama de Palmirinha.
Eles foram embora e eu fiquei acordada sozinha aqui, porque sou um ser notívago mesmo. Aí vim dar a fuçadinha básica na rede, ver as novidades, olhar e-mails, essas coisas. Nem sabia que estava conectada no msn quando minha irmã caçula, a mãe do Gostosurilo, me chamou. Ficamos conversando e, lógico, acabou que as duas estavam chorando. Minha gente, nós, as portuguesas, devemos ter glândulas lacrimais no lugar de um dos cromosssomos X, só pode ser. Mas choramos muito emocionadas mesmo. Ela por um motivo, eu por outro. Ela porque, ao ler o que eu escrevi sobre o Pequeno guia ilustrado do natal da família portuguesa (aí embaixo), sentiu muita saudade da nossa avó. Eu porque fiquei muito emocionada ao pensar em nós duas (eu e ela).
A gente só fala em Clara e Murilo, Clara e Murilo, Clara e Murilo. Estou louca para que ela conheça a minha filha e para conhecer o filho dela. Louca. Mas tem uma coisa que quero tanto quanto - ou mais: abraçá-la. Mas abraçá-la muito. Porque somos duas irmãs que passaram pelas mesmas coisas: ambas ficamos grávidas, passamos alguns apertos, ficamos longe da família, gestamos uma criança, cuidamos sozinhas deles, chamamos pela mãe na hora do parto, nos sentimos insegura por ela não estar ali naquele momento, somos mães de primeira viagem. Duas irmãs, tão parecidas fisionomicamente e que passaram por coisas tão parecidas. Temos filhos que também se parecem. E agora vamos nos encontrar... Minha irmã descobriu que estava grávida na minha casa, no dia 25 de dezembro, Natal, do ano passado. Ela tinha vindo pra Floripa pra me ajudar na época do descolamento de placenta, mas começou a se sentir meio mal e nós desconfiamos. Na madrugada de Natal, do dia 24 pro dia 25, eu e ela fomos até uma farmácia comprar um teste (o que deve ter pensando o atendente, néam?), e na manhã seguinte tava lá o resultado: bebê chegando. Foi uma atrapalhação do cão. Mas uma felicidade imensa... Depois, quase não nos encontramos mais, exceto quando da partida da nossa avó. E essa semana a gente vai se reencontrar.
Ô, que semana será essa, bicho?! Minha mãe vai conhecer minha filha, meu namorado vai conhecer minha mãe pessoalmente (porque eles conversam quinem duas candinhas pelo msn, sismodernu, mas nunca se viram em carne e osso), vou conhecer meu sobrinho, minha irmã vai conhecer minha filha e.... eu e ela vamos nos reencontrar, agora mães.
Ai...
Aguenta, coração.
Mas nem os mineiros do Chile viveram tantas emoções quanto as que vou viver essa semana. Dizem que tem gente que pira de emoção, sai andando por aí e vai parar em São Tomé das Letras. Bom, se eu sumir do blog essa semana, já sabe. Tô em alguma pracinha por aí vendendo bijuteria de durepox. Com a Clara tocando pandeirinho do lado...

Somos nós, as irmãs cajazeiras. Sim, somos parecidas. A mãe do Murilo é a primeira. Nessa época, uns 4 anos atrás, nós nem sonhávamos que seríamos mães. Quanto mais, juntas...

sábado, 18 de dezembro de 2010

Pequeno guia ilustrado do Natal da família portuguesa


Durante grande parte da minha vida - acredito que uns 21 anos, dos 32 que me cabem - eu esperei ansiosamente pelo dia de Natal. Tanto pelo Papai Noel e seus presentes, quanto para estar junto com a minha família, que nunca foi muito grande, mas sempre foi uma Grande Família. Sim, tipo aquela da tv mesmo. Nós não éramos muitos, mas sabíamos fazer barulho.
Os natais eram, quase sempre, na casa dos meus avós. Juntávamos eu, minhas irmãs e meus pais, meu tio e minha tia com meus primos e meus avós. E era um natal de família portuguesa, com certeza.
Do choro facilitado pelo vinho ao bacalhau (quase sempre comprado com uns 2 meses de antecedência por minha avó agoniada), tínhamos de tudo. Tínhamos um tio-palhaço (na melhor acepção possível do termo); um avô contando causos pras crianças sentadas embaixo da rede no melhor estilo "então adispois..."; tínhamos uma avó mão-de-vaca (também no bom sentido, tá?) que andava atrás da gente apagando as luzes pra evitar uma "noite de luzes" (que - a gente sabia - ela adorava); tínhamos copos com filetes dourados cheios de caipirinha ou suco de vinho (que o avô fazia com vinho, água e açúcar); tínhamos bacias cheias de frutas; potes até a boca com tremoços; sardinhas fritas; prinil (pernil, em sotaque português) sendo assado no forno; comida numa quantidade que daria pra alimentar o Zaire inteiro; tínhamos frango frito (tô rindo muito aqui); sobremesa gelada de abacaxi com creme de leite (tradição na família, que cultivo até hoje); bôlas, folar, castanhas sendo quebradas com um elegante martelo de pedreiro; uma toalha verde e vermelha no melhor estilo "saudades de Portugal"; crianças em um dos quartos amontoadas nos colchões colocados no chão, jogando Atari ou assistindo às peripécias de Rodolfo, a Rena do Nariz Vermelho. Tínhamos uma tia zelando pela paz em família, com a frase que se tornou épica "briga quando tem que brigar, não arruma confusão sem ter" (eu vou ter um prolapso de esôfago aqui, de tanto rir). Tínhamos tio que ia caçar o papai noel com espingarda para trazê-lo até nós, vivo ou morto; primos que se pegavam no tapa mas depois estavam brincando juntos de novo; tinha minha mãe na cozinha fazendo as coisas sempre muito feliz (por mais que ela reclamasse que todo ano fazia tudo sozinha, eu via como ela ficava feliz...); tínhamos a tia-madrinha, também portuguesa, vindo visitar, trazendo guloseimas frescas e atualizando o boletim-vizinhança; tínhamos a dona vizinha, que adentrava a casa com seu sotaque nordestino "Ô Dona Aliiiiice, dá licença", mesmo que ninguém desse. Tínhamos também crianças imitando a Tina Turner, o David Bowie, a Clementina de Jesus ou alguma outra coisa bizarra, ou apresentando o número de Natal que nós, os primosdoidos, havíamos ensaiado. Recebíamos, também, a visita da facção extra-master-plus-uploaded-bizarra da família portuguesa, que chegava, comia tudo, falava mal de todo mundo, ainda destratava minha avó e depois ia embora. Mas nós, os primosdoidos, sabíamos fazer justiça: enquanto os adultos dessa facção familiar se comportavam dessa maneira na parte de cima da casa, escravizávamos os primos de segundo grau na parte inferior da casa - na melhor acepção do termo também... Adorávamos, eu e minha prima, chocar a véia dessa facção familiar dizendo, com cara de loucas, "quando a gente crescer, vamos morar na favela, porque gente pobre é que é decente" (peloamordedeus, quem deixou o manifesto comunista ao alcance das crianças?) ou dizendo "nós queremos ter filhos com 12 anos" só pra ouvi-la xingar e facilitar o enfarto. Não. Nunca funcionou. Ela durou horrores.
Nessa época, o Natal era uma coisa muito boa, muito boa. Posso dizer com toda tranquilidade que vivi natais intensamente felizes na infância, com minha família. Eu tinha uma ansiedade contagiante e comprava presentinho pra todo mundo com meus trocadinhos. Se eu pudesse escolher um tipo de natal pra dar pra Clara, seria um assim, porque era a época mais feliz do mundo, pra mim...
Mas depois não foi ficando muito bom não. Meus pais se separaram e o natal, muitas vezes, tomou ares de divisão, porque meu coração ficava muito dividido, já que eu queria estar com os dois. Não, não passou, me sinto dividida todos os anos. Mas aprendi a lidar com isso e, mesmo assim, aproveitava o natal da Grande Família.
Mas aí o pessoal começou a partir. E bem na época do natal. Primeiro foi o tio-palhaço, que eu amava profundamente, perto do natal de 2000. Depois, foi meu avô, no dia 31 de dezembro de 2002 (reveillonzinho punk). Ele era meu avô, meu padrinho, meu amigo e me ajudou a me formar bióloga. Foi embora e com ele foi o nosso natal. Nem me lembro dos natais, a partir de então. Passei a não curtir mais. Aí em 2005 foi minha irmã quem partiu. E aí acabou tudo mesmo. E, pra fechar a temporada de partidas, em janeiro desse ano de 2010, foi embora a minha avó. Dona Alice das bôlas e folar foi embora. Estou sentindo falta dela nesses dias. Ficamos sem vó total.
Mas a vida é boa pras pessoas boas. O Natal taí e Papai Noel, sim, existe. E trouxe a nós todas, de novo, motivos para celebrarr. Que atendem pelo nome de Clara e Murilo. E, depois de muitos anos, estaremos todas juntas e felizes, novamente, no Natal. A vó não estará aqui pra fazer as bôlas, o folar e a confusão. Mas eu garanto as bôlas e o folar. Peguei pra mim essa tradição. Minha mãe já até me mandou parar de lavar as mãos até o dia do natal, que é pra reproduzir fielmente a receita.
Essa semana pegaremos a estrada para estar junto delas novamente, graças à vó.
Que vó? A Fátima, ué.
Que uma foi embora, mas chegou outra rapidinho...
E pra você, pobre mortal, que não vem de família portuguesa, que não faz a menor ideia do que seja um natal de família portuguesa, que não sabe o que é tremoço, folar, bôlas e tem horror a sardinha frita, vai aí um pequeno guia ilustrado.


Nós conhecemos por bôlas, mas também pode ser filhós. É um doce feito de massa de pão, banhado em água de açúcar e canela. É viciante e altamente engordativo. Mas é muito bom. Se faz às baciadas e dá-se um pratinho pra todo mundo que te visita - que é pra ajudar a acabar logo.




Esse é o folar, que com sotaque português se fala "filari" (se você não conseguir falar, não se preocupe, tem que ter anos de prática auditiva). Na verdade, é um pão de páscoa, mas a gente enchia o saco da vó e ela fazia também no natal. É um pão cheio de bacon e linguiças. Porque, para a família portuguesa, estar magrinho é sinal de estar à beira da morte. O lema é: cumei, cumei!




Esse é o tremoço (um vegetal da espécie Lupinus albus). É uma coisinha que se tira a casca pra comer e, até que isso aconteça, fica de molho em água com sal. Não tem gosto de absolutamente nada, mas é ótimo pra comer com uma cerveja bem gelada. E você não consegue parar de comer, a desgraça. Natal sem tremoço, pra quem é português, não é natal. Nem natali.



Esse é um dos bacalhaus de Natal. Fui eu mesma quem fez esse, acho que em 2004, se não me engano. Claro que o da minha avó não era assim. Era bacalhau com couve, batatas e ovos e tá bão demais. Se não há vacalhau, não há natal. Natal se caracteriza, com certeza, por um vacalhau com binho.




Lá em cima tem um videozinho. É o Aleixo contando o que é o natal de uma família portuguesa. Foi minha irmã que mandou pra mim e eu não me contive, tive ataques de riso ouvindo "E a família, junta-se toda? Junta-se, mas tranca as portas todas. E fechas as janelas. Por causa do frio? Não é o frio. Vem por lá uns cachopos a esquentar as janeiras. Tranco tudo que é pra pensar que não está lá ninguém".
Duvido que você entenda o que ele diz!
Aproveite e tente imaginar como foi crescer ouvindo as pessoas conversando nesse sotaque que eu amo de paixão e como me sinto feliz tendo um namorado que imita esse sotaque com requintes de perfeição ao cantar pra minha filha:
"stava u minhôco a namurar uma minhoca, minhôcu pra minhoca, dá-me uma veijoca, minhoca pra o minhôco num dô num dô num dô, minhôco pra minhoca intão eu vou rouvar"

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Nosso cartão de Natal e a expectativa pra Sampa

Ontem mandamos pros amigos o nosso cartão de Natal versão compacta. O cartão em versão full é esse aí.
Foto: mamãe.
Arte: papai.
Modelos: Clara Moreiras e Papai Noel versão light de baixa caloria e pequena circunferência abdominal.
Esse ano teremos um belo Natal em família!
A galera vai conhecer a Clara, nós vamos conhecer o Murilo e, mais importante, Clara e Murilo se reencontrarão, porque eles não se vêem desde a partida do ônibus da Clara lá do mundo dos bebês.

Tô ansiosa quinem criança.
Falta muito, papai smurf?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Apitou a sirene no céu!!

Sim, apitou! E tá a maior correria por lá.
Apitou a sirene e a criançada foi toda pra fila.
Tem bebê chegando de novo!
Eu podia estar falando, eu podia estar contando, mas eu não vou fazer isso porque sou uma moça contida e educada. Não vou! Não vou!


PS1: juro que não sou eu. Eu, de novo, só daqui há uns 2 ou 3 anos...
PS2: a notícia da chegada de um bebê é sempre sempre sempre especial.
PS3: essa é uma homenagem contida a uma pessoa que me ajudou muito durante a gravidez.

Onças e varas curtas

Sem mais delongas, taí a palavra da Ombudsman da Folha de SP sobre a pataquada atrapalhada palhacística da jornalista Luisa Alcantara e Silva. Pra você, moçoila, péu péu péu péééééu.
Pegue seu banquinho e saia de mansinho...

Lá na Rede Mulher e Mãe tem mais! Vai lá!

Valeu Calu e toda mulherada nervosa.
Vai mexer, vai...

Meu presente de Natal

O ano de 2010 começou a se encerrar, pra mim, a partir desse último final de semana (11 e 12 de dezembro). Foi quando comecei a sentir o tal do “espírito de Natal”, e que realmente havia chegado o final do ano – porque até semana passada, eu ainda estava naquela de “ai que saco isso, mal começou dezembro e esse povo todo falando em natal...”. Fim de um ano cheio de desafios, cheio de altas e intensas emoções, de mudanças e transformações profundas e irreversíveis. 
2010 foi o ano em que me tornei mãe e que descobri o que realmente me faz feliz.
Sabe, passei uma vida tentando descobrir o que realmente me fazia feliz. Sempre fui uma apaixonada pela minha profissão, adoro as salas de aula das universidades e os laboratórios de pesquisa, adoro o ambiente universitário, o burburinho de ideias e de informação que rola por lá, adoro o clima de conhecimento sendo produzido. Mas não me sentia totalmente feliz não. Também sempre gostei da balada. Sair com o pessoal, sentar numa mesa com amigos e conversar até o dia chegar, tomar uma cerveja gelada, essas coisas. Mas confesso que isso também me deixava insatisfeita. Ficava me perguntando "tá, e o que mais?". 
Bom, aí veio esse 2010 e mudou tudo. E hoje, que a Clara está aqui comigo, sinto que ela e o que ela representa é a resposta pra tal pergunta. Ela é o meu QUE MAIS. Eu olho pra essa bebezinha e, às vezes, ainda não entendo muito bem o que aconteceu comigo. Mudei muito após o nascimento dela. Revolucionei de maneira definitiva minha forma de pensar e de viver. Como isso é possível tão rapidamente? Simples: a gente se acostuma fácil com o que é bom. E melhorar por alguém que se ama tanto é muito fácil. Olho pra ela e sinto que fui mãe dela a vida toda. E fui mesmo.
Esse fim de semana, como eu disse no início, foi o início dos encerramentos do ano. 
No sábado, eu, Clara e namorado passeamos o dia inteirinho. Fomos ao shopping pra mais uma sessão do Cinematerna e assistimos a um filme que estávamos loucos pra assistir - A Rede Social - e que não conseguiríamos se não fosse essa iniciativa incrível que é o Cinematerna (pausa: quando estivemos na TVCOM para uma entrevista, eu, Clara e namorado, pudemos conversar com uma das fundadoras do Cinematerna e ficamos encantados com o relato dela sobre como começou. Me lembra muito a história do Bazar Coisas de Mãe, que eu e Sheila organizamos). Bom, aí assistimos ao filme, almoçamos por lá mesmo e continuamos a passear felizes e contentes.
E foi nessa primeira parte do passeio que tive mais uma grande emoção (mãe babaca falando) nesse fabuloso mundo da Clara. Estávamos nós andando quando, de repente, dou de cara com o Papai Noel sentado num trono. Todo ano eu vejo essa cena, mas só esse ano me derreti toda. Tava lá o véio. Todo barbudo e calorento. E eu, como toda boa mãe coruja e babaca, lógico que levei a Clarinha pra ver. E foi a primeira vez da Clarinha com o Papai Noel... Fui lá, conversei com aquele senhorzinho passando calor naquela roupa quente e disse pra ele: "O senhor vai me desculpar, mas serei mais uma das 200 mães corujas que vão ficar babando na filhinha-bebê vendo o papai noel pela primeira vez na vida. O senhor pode pegá-la no colo pra gente tirar uma foto?". Ah, gente, mas que velhinho legal! Super simpático, pegou a Clara no colo - mãe atenta na expressão da filhota, pra ver o que ela acharia daquilo - e começou a conversar com ela, depois de me perguntar seu nome. E começou "Oi Clara, tudo bem? Eu sou o Papai Noel e é um prazer conhecer você". Aí pronto, momento-mico-modo-ativado. Mãe emocionada, pai tirando foto, uma loucura. E a Clara? Ah, a Clara... Clara adorando, toda sorridente pro papai noel, fazendo charme. Não acredita? Olha aí então e me diz: é ou não é uma coisa?

Clara conhece o Papai Noel

Sim. Sou uma mãe babaca. Adoro!
Bom,saímos de lá e fomos pro SESC, começar a organização física pro Bazar do dia seguinte. Cheguei lá, estava a Sheila bem tranquila, porque o pessoal do SESC - a quem agradeço de todo o meu coracão pela parceria - já tinha arrumado toda a sala.
E no domingo foi o Bazar. Que foi a coroação de um ano cheio de profunda emoção. Sucesso absoluto, dezenas e dezenas de pessoas, gente elogiando o documentário da Priscila Guedes - a querida amiga-parceira que hoje mora na Suíça e que teve o seu Safir em casa -, crianças lindas correndo por todos os lados, mães arrasando nas vendas, um sucesso total. Muitos momentos de emoção, como quando uma médica gestante de 6 meses, especialista em medicina fetal, veio pessoalmente nos agradecer pela oportunidade de ter visto o documentário que, segundo ela, tinha mudado o modo dela pensar o nascimento. Missão cumprida... 
Domingo de calor e muito trabalho, mamãe trabalhando horrores, papai ajudando a mamãe em tudo (instalando equipamento, buscando água, comida, fazendo o social com todo mundo), e a Clarinha sempre junto. Hora no sling atenta, hora no sling dormindo, hora com o papai, hora na caminha improvisada, hora no colinho dos muitos amigos que, tão carinhosamente, foram nos prestigiar e acabaram entrando na dança (Guta, D. Dilma, Elisa, Ana, Lidia, Bibi - parceira de La Gonga, salve! - mais gente que lê meu blog e que eu nem conhecia, e que conheci lá, mais amigos como Elayne, Juju, Sofia, Carol, tanta gente querida, obrigada pelo apoio!). Clara bem feliz e tranquila, aproveitando os colinhos e os amigos, ganhou um monte de presentinho e estreou o modo "bebê nude", tamanho calor que fazia

Clara descansando a beleza após curtir com os amigos no Bazar

Chegamos em casa exaustas. Banho nas duas. Cama pras duas. Clara dormiu 12 horas, 6 das quais numa leva só, sem nem acordar pra mamar. Um pouco antes de pegar no sono, agradeci profundamente pelo final de semana que eu tive, exaustivo, porém tão gratificante. Agradeci pelas experiências incríveis que venho tendo desde que minha filha chegou e pela oportunidade de conviver com tanta gente bacana, tanta gente fora do óbvio, tanta gente que pensa fora da caixa, tanta gente querendo uma vida melhor, fazendo a diferença, querendo deixar uma coisa boa no mundo. Essas experiências têm me ajudado a colocar tudo na sua devida perspectiva, e selecionar um pouco melhor as pessoas e as coisas que vivo. Saber quando e com quem direcionar minha energia, em função do que quero pra mim e pra Clara. E cada vez mais, só aparece gente mais ligada nas mesmas coisas que eu. Hoje a noite fechou com uma conversa importante com Ana, Paulo e o bebê Bernardo, que fez aniversário de 1 mês ontem, lá no Bazar. Eles vieram nos visitar e ficamos batendo um papo. Eles foram embora e eu fiquei pensando: que ano especial esse 2010. Como tantas pessoas boas surgiram na minha vida.
Obrigada, Clara, minha filha. Você é o motivo de tudo isso.
Semana que vem, semana de Natal, espero que meu coração molenga fique firme e forte. Clara vai pra SP conhecer a vovó... Eu e o namorado vamos juntos, mas seremos coadjuvantes nessa história.
Sim, chegou o Natal. Mas eu já ganhei meu presente há 4 meses e 14 dias.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Gente que perde a oportunidade de ficar quieta...

Luisa Alcantara e Silva é jornalista da Folha de São Paulo. Ela é uma jovem mulher que se formou em jornalismo pela Cásper Líbero, em SP, e fez ensino médio no Dante Alighieri (ó?!). Ela gosta do Tom Jobim, do Chico Buarque, viajou (ou quer viajar) de mochila pela Europa, derrama cerveja no chão dos bares que frequenta, já dormiu em aulas de história ou em discussões sobre o rumo da esquerda brasileira. Ela gosta de estar no jet-set, ói que fina! E gosta de aparecer em colunas sociais. Tem o hábito de perder sandália em enchente, essa moça. E, segundo um amigo dela que não divulga o próprio nome, ela "gosta de frequentar botecos sujos e caçoar de pessoas ingênuas".
Sim, ela gosta disso mesmo, moço. Gosta de caçoar das pessoas.
Luisa Alcantara e Silva é uma jornalista antiética que distorceu uma entrevista concedida de boa fé por uma mãe blogueira. Ela se apresentou à mãe, disse que gostaria de fazer uma matéria sobre mães que mantêm blogs inspirados em seus filhos, sobre como é a relação com outras mães e tal. A mãe abriu as portas de sua casa, se deixou fotografar com o filho homenageado no blog e abriu o coração. A tal moça que "gosta de caçoar de pessoas ingênuas" pegou tudo o que a mãe disse e usou para outra finalidade que não a que ela apresentou à mãe. Expôs a mãe e o filho desnecessariamente, foi atrás de especialistas para provar a tese que ela mesmo escolheu, digitou o ponto final, mandou pra redação e tá lá publicado na Folha On Line. Causou o maior bafafá entre as centenas de mães blogueiras, e os comentários que recebeu lá mesmo no site da Folha não foram nada bacanas...
Ela chamou especialistas da área de educação e psicologia para falar sobre redes sociais e internet. Ou seja, totalmente inapropriado. Seria como se tivesse ligado pra mim pra pedir a minha opinião, como especialista (já que sou doutora), para explicar o porquê do Independiente ter vencido o Goiás e se tornado campeão da Sul-Americana.

Sim. Eu tenho um blog. Tenho antes de ter engravidado. Falo quase tudo sobre a vida da minha filha aqui. Aqui aparece o nome e o sobrenome dela, quando ela nasceu, fotos, conquistas, desenvolvimento, enalteço seus aprendizados, declaro abertamente meu amor. Quem acompanha o blog sabe quase tudo sobre ela. Se eu não tenho medo de expô-la dessa maneira? Não. Não tenho. Não tenho porquê ter medo de declarar aberta e escancaradamente o amor que sinto por ela e como é bom ser mãe dela e vê-la se desenvolver. Medo eu tenho é de gente idiota e sem noção. Isso sim pode fazer mal à minha filha um dia, vai que ela cruza (como vai cruzar) com gente ignorante...Os especialistas dizem na matéria tendenciosa que isso com certeza fará mal à criança. Em tempos esquisitos como os que vivemos, declarar o amor abertamente, sem ressalvas, sem subterfúgios, agora virou motivo de preocupação, porque "vai que faz mal"? Ah, mas foi especialista que disse... Aí pronto. Falou que é "especialista", "doutor", "professor" tem gente que se caga todo. Gente insegura, de cabeça fraca, que forma opiniões conforme o vento passa.  "Ah, porque foi um especialista que falou...". Vai te catar! Aí a pessoa pega um especialista em comportamento pra falar sobre internet. Mesma coisa que consultar um advogado quando se está com febre alta. Ou um médico quando quiser construir uma casa. Mas "eu consultei um especialista e ele disse que...". Vai te catar de novo!
Sim, falo sobre a Clara.
Sim, coloco a foto dela.
Mas e se tem louco ou louca vendo? Ele que vá se tratar, vá cuidar da sua loucura, da sua infelicidade e da sua inveja. Que até parece que vou nortear minha vida pensando em gente louca... Penso, isso sim, nos meus amigos que estão longe e que gostariam de ver a Clarinha crescer, na minha família, na minha mãe - que conhece a Clara principalmente por aqui -, nas minhas irmãs, em tanta gente querida que nos quer bem e que fica tão feliz cada vez que eu posto alguma coisa sobre minha filha.
Em tempo. Existem atualmente centenas de blogs de mães que falam sobre sua experiência de maternidade, que trocam ideias, que homenageiam seus filhos, que compartilham dúvidas, inseguranças ou alegrias, pessoas que se apoiam em uma verdadeira rede de amizade e de apoio virtual. Foi por meio desses blogs, por exemplo, que eu "conheci" a Dani e a Camila, mães da Helena e da Olívia, respectivamente, que nasceram no mesmo dia da Clara. E estamos pensando em fazer uma coisa muito, muito bacana a respeito desse fato (ideia da Dani, Mãe Perua). Também foi por causa do blog que eu conheci a Nani, que hoje é minha amiga, vem em casa, vamos tomar café na Lagoa junto com nossas filhas e família. Por causa desse blog tenho ajudado muita gente mas, mais que isso, tenho recebido muita ajuda nessa missão tão bacana que é ser mãe.
A matéria da jornalista Luisa Alcantara e Silva, a moça que gosta dos jets-sets e de caçoar das pessoas, termina com a palavra de uma especialista, dizendo que "quem não se respeita possivelmente não respeita a intimidade dos outros". A própria Luisa é prova cabal disso, né Luisa? Como é que eu sei que você perde sandália em enchente, que você estudou no Dante e que - enfatizo - gosta de caçoar das pessoas? Porque eu fiz o que você devia ter feito antes de publicar aquela porcaria: pesquisei... Isso tudo está nos seus sites pessoais da internet, como Facebook e Orkut. Não dá nem pra me processar né? Afinal, é você quem tá dizendo tudo isso... E se tá na rede, todo mundo pode usar né? Se expondo assim, Luisa? Tsc tsc tsc
Quem não se respeita, não pode MESMO respeitar os outros.
Tola.

Ah! E, ó, essa aí brincando com o patinho é a Clara! Ela tem 4 meses e 9 dias. Tá sentando, dando gritinhos, adora água e acorda de 3 em 3 horas pra mamar na madrugada. Olha que linda que ela é. E se tiver algum louco ou louca de plantão olhando, se liga. Os pais dela são bem mais.

Clara, minha filha, brincando com o patinho e vestindo roupinha que foi da Letícia, filha da Nani, amiga que fiz em função deste blog...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Que dia tão especial...

Hoje (que pra mim ainda é 07 de dezembro, embora seja madrugada de 07 pra 08), foi um dia muito especial para mim e minha família. Do início ao fim. Graças à nossa Clara, acordamos às 5 e meia da manhã, atrasados pra quem pretendia acordar às 5, e fomos correndo pra entrevista para o Bom Dia SC, falar sobre como surgiu o Bazar Coisas de Mãe e chamar o pessoal para estar lá, junto com a gente, no próximo domingo dia 12. O dia não poderia ter começado em melhor companhia. Junto com Sheila, querida amiga e parceira idealizadora do Bazar, Nani e sua filha Letícia representando a Amorà Cupcakes, Gabi representando sua Ninho Slings e Lucíola representando sua Z-Zé Artes em Feltro, falamos um pouco sobre o que é o Bazar e o que terá nessa próxima edição.
Voltamos pra casa felizes e contentes com a repercussão (caixas de e-mail cheias e blog do bazar bombando), dormi um pouco junto com minha filha, pra compensar as poucas 2 horas de sono da noite anterior, e depois corri pra universidade. Dei andamento ao artigo de revisão que eu e amigas estamos escrevendo com todo nosso empenho. Corri pra casa. Peguei Clara, Jéssica - mãe da incrível Íris - e Pila - mãe da tranquila Yanne (todas novas amigas que conheci em função do grupo sobre parto domiciliar) e fomos pra defesa de mestrado da enfermeira Joyce, que nos ajudou na chegada de nossas filhas, e que apresentou um lindo, fundamental e inédito trabalho sobre o parto domiciliar atendido pela equipe Hanami. Terminada a emocionante - e emocionada - apresentação, voltamos pra casa. Banhinho, mamadinhas e carinhos depois, Clara dormiu e nós fomos cuidar da gente. Jantinha pronta, sentamos pra assistir - privilegiadamente - ao documentário que será lançado no domingo no Segundo Bazar Coisas de Mãe, sobre os partos domiciliares atendidos pela equipe HANAMI, com direção da querida Priscila Guedes, mãe do Safir, nascido em casa. Tenho desenvolvido com ela uma ligação de extremo carinho e respeito, a despeito dos muitos mil quilômetros que nos separam, já que ela se mudou pra Suíça com seus Safir e Urs. Nos vimos fisicamente apenas 1 vez, embora tenhamos um contato quase diário via internet, acertando detalhes do lançamento ou compartilhando descobertas nos nossos novos mundos maternos. Depois de ter visto, junto com Frank, a versão final do documentário, não tenho a menor dúvida em dizer que essa mulher é, sim, muito especial. Tem um olhar delicado, humano, poético e moderno-sem-perder-a-ternura que foi de incrível valor ao documentário em si.
Se você quiser assistir a esse documentário, domingo ele será exibido às 14 horas e reexibido às 18 horas lá no Segundo Bazar Coisas de Mãe.
Como disse a Ana Carolina Franzon, do blog Parto no Brasil, é realmente uma semana de parto-parto-parto-e-mais-parto aqui em Florianópolis.
Sem falar que no próximo sábado vai rolar um Cinematerna especial no Floripa Shopping, patrocinado pela Fischer Price.
Semaninha fecunda...

PS1: Após processar tudo o que vivi hoje, junto com minha filha, e por ter assistido à defesa da Joyce e ao documentário dirigida pela Priscila, posso dizer sem medo de estar enganada: estou curada. Hoje terminei de processar e entender o que foi o parto da minha filha. Foi um incrível parto-cesáreo-domiliciar-hospitalar-humanizado-natural. Que bom que existem mulheres especiais nesse mundo que ajudam, mesmo sem saber, outras mulheres a lidar com os eventos imprevisíveis que pintam em nossas vidas.

PS2: dá pra acreditar que, com 4 meses, Clara esteve numa defesa de mestrado?!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Nós, as mompreneurs - ou quase...

Acessórios, decoração, brinquedos, roupinhas, slings, palestras e lançamento de documentário. Tudo isso aí no Segundo Bazar Coisas de Mãe - Especial de Natal, que será dia 12 de dezembro, domingo próximo, no SESC-Cacupé, aquele lugar lindo de frente pro mar e que tem uma brinquedoteca fantástica, além de parquinho, muito verde e muitas outras coisas para adultos e crianças. Além das coisas lindas produzidas por mães, ou por filhas junto com suas mães, muitos outros eventos bacanas acontecerão paralelamente, como palestra sobre parto humanizado, tipos de banhos e lançamento do documentário sobre partos humanizados (clicando no convite lá em cima, tem toda a programação).

Mas por que eu falo tanto nesse Bazar? Porque eu sou uma das organizadoras, ué.Sim, estou fazendo pós-doutorado. E estou organizando o Bazar também. E estou fazendo mais um monte de coisas, não sei nem como. Sou uma mulher all-in-one, como as impressoras-copiadoras-escaneadoras-quase-humanas da era moderna. Não vou mentir: estou exausta. Para 2011, resolução número 1: focar mais minhas atividades. Não sei como vou lutar contra essa minha tendência em pegar um monte de coisas pra fazer, mas vou aprender. Preciso de mais tempo livre pra mim e pra minha filha. Claro, estou conseguindo fazer tudo o que eu resolvo fazer, mas estou estressada, sobrecarregada, cansada física e mentalmente. Em 2011, terei uma ajudante, resolução número 2. É isso ou a loucura.

Mas continuar a organizar o Bazar é uma meta, porque ele é a concretização de algo que acho importantíssimo, e pela qual já estou batalhando também para minha vida: redirecionar a carreira para ter mais tempo para os filhos. Porque quero minha filha criada por mim. Quero estar perto quando o dentinho aparecer de vez, quando as primeiras sílabas surgirem. Quero ensiná-la a brincar e a curtir as coisas bonitas da vida, e não largá-la na frente de uma tv ou colocá-la numa dessas coisas automáticas que entretêm as crianças, dão paz para os pais e mantêm cada um - filhos e pais - em lugares distantes. Não tive filho pra cumprir tabela e dizer que tenho uma família. Na verdade, primeiro eu tive filho, depois veio a família, em função da nossa história, que já contei aqui. Não sou doida pra simplesmente largar tudo e pronto. Fazer isso colocaria a segurança da minha filha em risco. Então tenho que fazer com calma, tudo muito bem pensado, analisado, planejado. E é isso que estou fazendo.
Mas muitas mulheres já conseguiram isso e redirecionaram suas carreiras para estar com os filhos mais tempo. Essa é a ideia norteadora do Bazar. E elas são competentes, descoladas, talentosas, responsáveis, batalhadoras e mães muito, muito dedicadas. Tenho o feliz privilégio de conhecer as crianças de algumas delas e são crianças especiais mesmo. Fruto da educação diferenciada que estão recebendo e de mães presentes e dedicadas? Talvez. Não dá pra negar que estar presente aumenta a chance de um bom relacionamento com os filhos. Por outro lado, como disse pra mim uma pessoa tentando me ajudar a enfrentar as separações diárias em tempos de volta ao trabalho, "estar no mesmo espaço que a criança não significa estar próximo". Também tem muita mãe que fica fisicamente perto dos filhos, mas distante emocionalmente. É, tem de tudo nesse mundo.

Mas parece estar mesmo havendo uma mudança na linha evolutiva feminina. As mulheres, até mais ou menos a década de 70, viviam em casa, no lar, profissionalmente anuladas, exclusivamente voltadas a cuidar das necessidades do marido e dos filhos, das dela se desse tempo. Aí veio a revolução sexual, as mulheres lutando por um lugar no mercado de trabalho, por direitos iguais, por respeito e valorização. Hoje, somos as preferidas para ocupar muitos cargos, principalmente porque aliamos competência à sensibilidade que é necessária em muitas funções. Ainda há desigualdade, é ilusão achar que não. Mulheres continuam a ganhar menos, em média, que os homens. Mas nós chegamos lá, ficamos e nos estabelecemos.
Agora, nossa geração está vivendo um novo movimento. São mulheres profissionalmente bem sucedidas, com cargos importantes, com especializações mil, altamente qualificadas. Aí têm filhos e sentem o baque que é ter que se separar deles. O que elas fazem? Voltam para a opção anterior? Não. Elas unem carreira e maternidade. Na verdade, unem carreira, manternidade e empreendedorismo.
Não, não é fácil. É necessário determinação, método, organização, calma (ufa, difícil isso), horários inusitados no início, como trabalhar nas madrugadas, entre outras coisas. Elas têm que ter confiança e firmeza a despeito dos muitos "Sério? Largou?!" e paciência pra explicar: "Não, bem, não larguei. Adequei. Trabalho tão bem quanto, ou melhor, só que em casa, junto deles...".
Infelizmente, muitas empresas ou outros locais de trabalho ainda resistem à ideia de trabalhadores produzindo em casa, a despeito do fato de que as empresas mais bem sucedidas do mundo já viram que isso pode ser favorável e liberaram seus trabalhadores para que esses fizessem seu próprio horário, aproveitando, assim, seus maiores picos de criatividade e produtividade. Mas isso ainda é raro... Infelizmente, parece que, se a sujeita não estiver batendo ponto e cumprindo horário, ela não tá trabalhando. Mesmo que ela entregue 3 relatórios por dia, enquanto outros entregam 1.
Acontece, então, que essas mulheres preferem, assim, abrir seus próprios negócios. Isso tem acontecido com frequência cada vez maior. E elas são as MOMPRENEURS. Mães empreendedoras. Mulheres corajosas que aproveitaram toda sua qualificação pra ter uma vida melhor. Junto aos filhos. Não é vender coisa por catálogo não, é muito mais elaborado. Olha só:
"Aparecem no mercado como escritoras, blogueiras, estilistas, crafters, fotógrafas, webdesigners, consultoras, stylists, assistentes virtuais, planners de eventos. Enfim, elas trabalham com o que gostam, criam os filhos mais de perto, lançam moda, produzem riqueza e começam a ser reconhecidas pelo mercado".
Legal isso né?
Se você quiser ler um pouco mais sobre o "fenômeno das mompreneurs", sugiro a leitura dessa matéria, que leva exatamente esse título. Se você quiser se aprofundar, sugiro esse site e mais esse (estão em inglês). Quer aprofundar mais? Vai indo, vai procurando, vai madrugada adentro. E pode acreditar: você não estará sozinha...
Enquanto eu não me torno efetivamente uma mompreneur, vou praticando e treinando, ajudando quem já conseguiu a se firmar e se destacar. Foi por isso que decidi me juntar à Sheilinha na organização do Bazar Coisas de Mãe.
E amanhã, às 6:30, nós estaremos no BOM DIA SC, falando um pouco mais sobre como surgiu a ideia do Bazar.
Não sei se passa on line, mas fiquei sabendo que logo após o fim do programa, ele é disponibilizado na íntegra pelo site. Que é esse aqui.
E domingo, estaremos lá no SESC-Cacupé, nosso parceiro. Parceirinho de peso, ãhn?
Até lá, estarei madrugadas adentro organizando os últimos detalhes.
Se você está em Floripa, pinta por lá! Tá cheio de coisa bacana!
Torça por nós!

domingo, 5 de dezembro de 2010

O (feliz) retorno do Natal

Fim de semana chuvoso em Floripa é muito providencial, às vezes. Destinamos esse para fazer uma coisa que estávamos querendo fazer faz tempo: organizar as coisas no novo apartamento. Porque a gente se mudou há quase 40 dias e ainda tinha coisa pra arrumar. Aproveitamos a meteorologia nada favorável e fomos. Baixamos no shopping de coisas pra casa e quase nos matamos por lá... É um tanto de caixinha, de caixona, de coisa linda, de coisa útil, de coisa inútil, de coisa incrível que nossinhora. Nos perdemos inúmeras vezes entre os corredores. Clara bem linda e confortável no sling, sendo alvo dos olhares fofurescos de todos os lados. Se eu cobrasse 50 centavos por paradinha, cada vez que vem alguém conversar com ela, já estaria bem tranquila. E eu adoro isso, porque com cada um é uma interação diferente. A gente aprende, a gente troca, a gente ensina, a gente ri, é muito legal. E a Clara é essa garotinha incrível - e altamente seletiva. Sorrisos para aqueles que são mais legais, cara séria de "menos amor, menos confiança", como o biso Cesário, pros mais sem noção.
Passamos no shopping e ela ficou maravilhada com a decoração de natal e eu, pela primeira vez na vida, realmente parei pra prestar atenção na decoração e também fiquei encantada. Porque confesso que isso era uma coisa que não me chamava muito a atenção antes de ser mãe... como tantas outras coisas que, antes de ser mãe, me passavam batidas. Eu e Clara estávamos vendo a árvore e os infinitos penduricalhos, não sei onde tinha ido parar o namorado, quando uma senhora parou do lado e disse: "Moça, não pode arrancar coisas da decoração e levar pra casa, tá?!", me deixando ali parada com cara de "Ãhn?!". E continuou: "Porque essa guriazinha aí com certeza é enfeite". E foi quando eu percebi que ela estava, realmente, parecendo um penduricalho de papai noel. Toda redondinha, de vestidinho xadrez com vermelho e sapatinhos vermelhos, com aquela carinha curiosa, bochechuda e de furinho no queixo. Não é porque é minha não, mas tava linda mesmo...
Foi um dia longo, só voltamos pra casa umas onze e meia da noite, porque aproveitamos pra fazer tudo o que precisávamos e, no final do dia, ainda fomos passear na Lagoa. E é por isso, entre outras coisas, que eu amo os slings. Quando ela está com sono, dorme profundamente sem nem se dar conta do que está se passando à sua volta. Chegou em casa desmaiada...
E foi a primeira vez esse ano que eu senti o tal do espírito natalino. E foi a primeira vez que eu senti que o natal terá um valor diferente esse ano, com minha filhinha pequena aqui com a gente. Na minha família, infelizmente, o natal e o reveillon adquiriram uma certa melancolia com o passar do tempo, porque tivemos perdas importantes exatamente nessas datas. Mas sinto que agora tudo mudou. Temos Clara e Murilo para dar um sentimento de renascimento mesmo, de paz, de Natal mesmo, com N maiúsculo.
Confesso que estava sentindo muita saudade disso...
Ah... O Natal! Seja bem-vindo de volta às nossas vidas!
Acho que, só em agradecimento pelo espírito natalino ter voltado às nossas vidas, vou fazer uma coisa que minha avó portuguesa fazia só em datas especiais e que eu nem sei como se escreve. Vou fazer fular! (é assim mãe?)
Quase 10 da noite e lá vou eu, depois de organizar cada coisinha nos organizadores super organizados, colocar literalmente a mão na massa.
Em homenagem ao meu tio, meu avô, minha avó e minha irmã.

Aí embaixo, o penduricalho de natal que eu roubei da decoração do shopping...

Foto especialmente tirada para mandar para tia Mirtes e tia Neidinha.
Mesmo antes de saber que seria mãe, eu sonhava em ter uma filha-bolinha.
Olha que filha-bolinha mais gostosa que arrumei!

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