31 março 2011

Sobre os 8 meses da Clara

 Clara e mamãe

Na madrugada em que completamos 8 meses como mãe e filha-extra-útero, Clara e eu tivemos um grande presente: dormimos quase uma noite inteira sem acordar... Ela acordou somente uma vez e eu, pela primeira vez em cerca de 240 dias, dormi profundamente.
O caminho desse sétimo para oitavo mês foi muito especial, muito intenso e cheio de coisas inesquecíveis. Foi, inclusive, um mês de retrospectiva de algumas coisas, uma retrospectiva involuntária que foi acontecendo aos poucos... E foi quando eu ouvi "mamã" pela primeira vez, ou qualquer coisa parecida com isso que teve claramente esse sentido.
Ela aparenta estar com mais idade do que tem, mais pela forma como se comunica e expressa o que quer do que pela constituição física - embora tenha crescido muito mesmo. Está com os mesmos dois dentinhos (dentões) que tinha aos 7 meses e não apareceu nenhum outro. Está bem gordinha e comprida, com seus 9 quilos e qualquer coisa, especialmente concentrados na barriguinha (ona) e nas pernocas, que a gente brinca que foram amarradas com barbante e ficaram em gomos. Ela dá tchau, brinca com os braços, e tem uma coisa especial com as próprias mãos. Ela gira as mãos num movimento de dançarina de flamenco e às vezes parece que sabe tocar castanholas. No começo do mês, quando ouvia qualquer música, começava a girar as mãos, especialmente a direita. Agora, bate palminhas bem sincronizadas - uma delícia de se ver! Essa semana começou a piscar bem forte os olhos quando quer fazer charminho, a demonstrar timidez com quem ainda não conhece e que vem falar com ela (que dura 2 minutos), abaixando a cabecinha mas deixando os olhinhos pra cima, com esses ciliões que ela tem. E, também nesses últimos dias, aprendeu a se esconder. Quando a gente vai chegando, ela fica tão eufórica que grita e esconde a cabeça no que tiver na frente: almofada, peito da mãe, ombro do pai, graças a Deus ainda não tentou esconder a cabeça na parede. Continua sem comer papinha, não curte esse lance de trecos culinários amassados. Mas tá mandando ver no pãozinho e naquilo que pode ser colocado inteiro na boca e que vira uma coisa babenta não identificada depois. Está, cada dia mais, demonstrando mais e mais interesse por comida, e tenho dado coisas diferentes pra ela experimentar quando estamos almoçando: ela resiste, mas logo abre a boquinha e manda pra dentro uma quantidade ínfima. E anteontem começou a dar sinais de que pode ser que comece a engatinhar muito em breve, com os bracinhos bem firminhos apoiados no chão. Um monte de pequenas surpresas encantadoras. Fala, fala, fala, fala um tempão, e grita bem forte. Pra dormir não faz exatamente uma guerra, mas às vezes fica sacudindo as perninhas como quem quer sair correndo, ou dorme e fica acordando a cada 20 minutos - nesses dias é uma canseira, mas no dia seguinte sempre aparece uma novidade.

 Calma, tranquila, feliz e de canela grossa: minha menina de 8 meses

Mas no momento de dormir, parece que somos uma só. Dormimos juntas e muito agarradas e, quando ela dá aquelas acordadinhas noturnas, é só juntá-la bem pertinho, virá-la pra mim que, automaticamente, coloca o dedinho na boca e recomeça a dormir. É um momento incrivelmente especial, em que ela demonstra todo o amor que sente por mim - e eu sempre faço questão de deixar claro pra ela que a amo acima de todas as outras coisas. E foi nesse caminho do sétimo para o oitavo mês que percebi que ela REALMENTE sabe disso.
Ainda sobre dormir, há cerca de uma semana tenho percebido que todas aquelas muitas vezes que ela acorda a noite (eu já relatei aqui várias vezes o transtorno que a falta de sono contínuo tem causado na minha vida) nem sempre são porque ela quer realmente mamar. Tenho feito um teste nesses últimos dias: quando ela dá aquela choramingada, que antes era exclusivamente pra mamar, eu a aninho, dou um beijinho na mãozinha do dedo que ela chupa e ela volta a dormir na hora. Não é mamá que ela quer. É mamãe. A mamãe que ela sabe que está sempre por perto, mesmo quando sai pra trabalhar às 7 da manhã e volta às 14 horas, sem almoçar e com o peito jorrando. Ela não sofreu nada daquelas coisas que dizem por aí que existe quando a mãe volta ao trabalho, que alguns chamam de ansiedade de separação. Acho que é porque ela fica com o pai dela, que é tão próximo e dedicado a ela quanto eu sou.
Bem, nesse último mês tenho pensado especialmente sobre o que é ser mãe. As demandas vão aparecendo e as escolhas que vou fazendo vão me levando a pensar sobre isso. Sobre o que é ser mãe, o que se espera de uma mãe, qual a real importância de uma mãe na vida de uma pessoa de qualquer idade, de como é importante essa figura e do que a falta dela pode gerar na vida de alguém. Tenho conversado muito com ela, dizendo como é grande o amor que eu sinto, como ela é importante pra mim e como, embora eu ainda esteja perdida no mundo e me sentindo meio sem nicho ecológico, a chegada dela trouxe um ar novo pros meus pulmões e uma razão verdadeiramente especial para estar viva. Digo que estarei sempre ao lado dela, quando ela estiver triste e quando estiver feliz, e que sempre será prioritária nas minhas escolhas, porque sei da responsabilidade que é ter recebido um filho. Eu sempre acreditei - sempre mesmo, mesmo antes de ser mãe - que um dia alguém vai perguntar pra quem teve filho: "E aí? Como estão aquelas pessoas que eu confiei aos seus cuidados e amor? Como foi essa viagem?". Estou fazendo tudo, todos os dias, para que eu possa responder tranquila: quem você me confiou está bem. Está segura, física e emocionalmente. Se sente amada e protegida. Sabe que é querida e que é muito importante pra alguém. E isso a torna forte.
Pergunto-me sempre: fui uma boa mãe hoje? E é com muita alegria e orgulho que tenho sempre tido respostas positivas da minha consciência.
 Clarinha in the sky with diamonds

Sim, tenho sido uma boa mãe. A despeito dos dilemas, das angústias, das inseguranças características de uma mãe de primeira viagem. Tenho uma filha muito bacana, tranquila, alegre, simpática, que praticamente não chora e que é muito ligada à gente.
E vou amá-la e respeitá-la todos os dias da minha vida.
Na alegria e na tristeza, na saúde ou na doença.

Porque foi esse o "casamento" que eu escolhi pra mim - eu, que nunca quis me casar e que sempre tive como cerimônia dos sonhos, a defesa do meu doutorado. Escolhi casar com a responsabilidade e com o infinito amor que é ser mãe.
Tenho me sentido exausta fisicamente, meio largada, com vontade de me dedicar mais às coisas que eu gosto mas sem poder, sentindo vontade de ter mais tempo pra mim. Mas nada disso me confunde ou me impede de dizer que esses 8 meses foram a melhor coisa que poderiam ter me acontecido e que eu tenho uma filha como nunca imaginei que fosse ter.
Minha filha querida: estarei sempre do seu lado. Física e metaforicamente. Quando precisar de mim, estarei. Você nunca estará só. Tenho te criado pra vida, não pra mim, e estou surpresa como a voluntariedade desse gesto tem te trazido cada vez mais pra mim. Esse último mês foi, dos 8 meses, aquele em que mais nos senti como UMA SÓ novamente, como éramos quando você estava na barriga ou era bem recém-nascida.
Aliás, a chegada do friozinho tem me trazido à memória as lembranças inesquecíveis do último inverno, quando você chegou. Toda minusculinha e frágil, enrolada nos cobertores, dormindo a maior parte do tempo. Hoje, quando coloquei em você a primeira roupinha da sua segunda temporada de friozinho, me toquei como você já está grande. E como é ainda pequena.
Foi nesse oitavo mês que entendi, realmente, o que quer dizer uma música que eu sempre me nego a ouvir, porque me lembro de chorar quando a ouvia ainda criança (eu achava que o pai da criança não a queria mais porque ela estava crescendo, ói que doida):

"Menininha não cresça mais não... Fique pequenininha no meu coração"

Não, filha, pode crescer. Cresça feliz e segura. Te tenho pra sempre pequena aqui dentro, porque vivo integralmente cada momento da sua pequenice. Sempre terei boas lembranças desses nossos primeiros meses de vida juntas, marcados por esse nosso amor tão explícito.
É uma alegria infinita ser sua mãe.

(é muito bom ser mãe de alguém...)

Todo dia 30 eu faço os pães da Clara pra comemorar o nascimento dela. Esse mês eu antecipei e os fiz no dia 20, para compartilhá-los no Encontro de Famílias Hanami. Ah, detalhe: fiz integrais, porque esse pessoal é beeeeeem mais saudável do que eu, que (ainda, mas espero que não por muito mais tempo) sou essa pessoa meio trash.

27 março 2011

Distribuição gratuita do documentário "Hanami - O Florescer da Vida", sobre partos domiciliares e humanizados

 Capa do documentário Hanami - O Florescer da Vida, sobre partos domiciliares e partos humanizados. Peça o seu e ajude a divulgar os valores embutidos nessa iniciativa.

Não é novidade que eu apoio e luto pela divulgação do documentário "Hanami - O Florescer da Vida", que retrata a atuação de um grupo de enfermeiras-parteiras na região da Grande Florianópolis, em atendimentos a partos domiciliares e partos humanizados. Na verdade, não é novidade que eu apoio e luto pela divulgação do conceito de parto humanizado, domiciliar ou não. Minha filha nasceu assim, de maneira humanizada, e ajudei na produção do documentário, que ficou incrível! Emocionante, delicado, profundo e revolucionador.

Tá, pra ser curta e grossa: se você quer conhecer e AJUDAR A DIVULGAR ESSA IDEIA, peça o seu exemplar do DVD. Ele é de distribuição gratuita e não tem fins lucrativos. Isso foi possível porque todas as famílias doaram recursos - tempo ou dinheiro ou comprometimento ou material - para isso. E queremos que o maior número possível de pessoas possa conhecer essa ideia e ser um agente multiplicador!

Quer um pra assistir e divulgar?! Peça pra mim. Eu te mando. De graça! É só mandar um e-mail para o ligiamsena@yahoo.com.br.
Isso não é uma promoção nem faz parte daqueles lances tipo "... e não é só isso! Ao comprar as facas Ginsu você ainda leva de brinde um par de meias Vivarinas". É presente mesmo! A única coisa que pedimos é: DIVULGUE!

Sugestões de formas de divulgação:

- Leve-o a grupos, instituições, comunidades;
- Organize um encontro de amigos em casa e o exiba;
- Mostre pras suas amigas grávidas ou, melhor, dê um de presente pra ela;
- Se vc é professora ou professor, sugira na sua instituição passar esse documentário aos demais professores;
- Se você trabalha na área da saúde, organize uma exibição;
- Se você trabalha na área cultural, organize uma exibição;
- Se você não está trabalhando, organize uma exibição;
- Caseira mesmo. Na base da cadeira de prástico e da pipoca de microondas;
- Se você mora num prédio, passe-o na salinha de uso comum e convide os moradores;
- Mas só faça isso tudo se você realmente acreditar que existem várias formas de mudar um panorama atual e que essa pode ser uma delas...


O doc tem como objetivo esclarecer as pessoas sobre o conceito de parto domiciliar e parto humanizado, além de divulgar uma velha-nova forma de trazer seres humanos ao mundo, de maneira humanizada, consciente, amorosa e não mecanizada. Lutamos pelo direito que toda mulher tem de saber que existem alternativas às cesáreas eletivas, aos partos institucionalizados da forma como eles vêm sendo encarados hoje.
É direito da mulher escolher a sua melhor forma de parir!
É direito da mulher retomar o poder sobre seu próprio corpo!
É direito da mulher ser respeitada em suas decisões!
É direito da mulher não ficar à mercê das decisões tomadas por médicos e equipe médica, sem que seja esclarecida, consultada e respeitada!
É direito de toda família ter a opção de escolher uma forma mais humana e amorosa de receber seus filhos!
E pra tentar garantir esse direito, acreditamos que é imprescindível mais INFORMAÇÃO. Sem crendices, sem opiniões formadas a partir da falta de conhecimento, sem mitos, sem lendas: o fato como ele é!
O documentário "Hanami - O Florescer da Vida" foi produzido pela diretora Priscila Guedes, da produtora Barro Digital, com a ajuda de dezenas de famílias que receberam seus filhos de maneira humanizada.
As velhas lendas, mitos, crendices, medos são todos frutos da desinformação ou da informação vinda de fontes duvidosas e sem experiência de causa. Para ter uma opinião formada sobre algo é preciso, ANTES E ACIMA DE TUDO, conhecer!

Ajude a tornar esse um conceito não mais desconhecido.

Comprometimento, dedicação e informação podem, sim, ajudar a mudar o mundo!

ATENÇÃO! Eu não distribuo mais esse documentário, mas ele pode ser assistido na íntegra através deste link.

24 março 2011

Mamã

... e no dia 22 de março, a noite, filhinha no sofá comigo e com o papai.
Começa a ficar incomodada e fala "mamã".
Olhamos um pro outro, incrédulos.
E ela acaba com a dúvida: se joga no meu colinho e repete: "MAMÃÃ".
... e eu começo a rir aquele riso histérico meio riso meio choro.
Aos quase 8 meses, Clara fala sua primeira palavra.
No mesmo dia em que ela vai ao seu primeiro show: assistir ao incrível maestro João Carlos Martins reger a Orquestra Bachiana.
Dia realmente especial...


Foto tirada em 23 de março, feriado de aniversário de Florianópolis

22 março 2011

O encontro de uma grande e especial família

Parece que o mês de março tem se tornado um mês de questões "maternais" na minha vida.
Primeiro porque março é mês de aniversário da minha mãe, então sempre penso na questão "mãe". Esse ano, minhas irmãs organizaram uma festa surpresa pra ela e nós conseguimos participar à distância, via webcam e msn, pra que eu pudesse participar e a Clarinha pudesse aparecer vestida de presente pra ela, com um laço Elke Maravilha na cabeça.
E também porque, no dia 24 de março do ano passado, eu selei aquela que seria a melhor decisão já tomada na minha vida: decidi que minha filha nasceria por meio de um parto humanizado, se possível domiciliar. Fui a um encontro com a equipe que faria o parto domiciliar dela, para conhecer a filosofia do grupo, seu modo de atuação, perguntar sobre os riscos, os benefícios, os métodos, tirar todas as dúvidas que existiam na minha cabeça - mas principalmente, esclarecer o pai da Clara sobre essa iniciativa, já que, quando eu falei pela primeira vez que queria ter o bebê em casa, ele quase teve um treco. Relatei essa experiência aqui no blog com o título de "Parto não é pra qualquer homem", frase dita nesse "consultão" pela enfermeira Iara. Eu não poderia nem imaginar o que aconteceria dali por diante, a mudança que esse grupo ajudaria a operar na minha vida e que essa Iara aí, essa enfermeira porreta que explicou tudo como funcionaria naquele dia, se tornaria minha amiga pessoal, alguém que está sempre me apoiando e me dando helps necessários e que sei que estará na minha vida em outros momentos tão importantes quanto o nascimento da Clara. Coisa de intuição, fia, isso num mi falha...
No domingo passado, dia 20 de março, aconteceu o encontro que eu esperava desde o nascimento da minha pequeninha: o Encontro Anual de Famílias Hanami. Na verdade, o nome oficial é Encontro Anual de Bebês Hanami, mas como já é o IV encontro, os "bebês" iniciais já viraram crianças felizes que correm por tudo e brincam o tempo todo. Foi um encontro muitíssimo esperado, onde pude dar rostos aos nomes que me ajudam virtualmente, na lista de discussão, tantas e tantas e tantas vezes, mulheres que me ajudam todos os dias a cuidar bem da minha filha e que me ajudam a segurar a onda, que às vezes vem em tsunamis, e dar conta da barra, quando ela pesa demais. Mulheres que formam uma verdadeira família virtual. Falamos sobre isso diversas vezes nos últimos dias...
Um pouco antes do encontro, rolou um grande desabafo coletivo na lista de discussão, uma grande catarse coletiva mesmo, mulheres multiuso tentando dar conta de tudo, cansadas, exaustas, mas realizadas como mães e sempre buscando novas dicas e orientações. O que aconteceu a partir daí foi uma coisa como nunca vi em toda minha vida. Apenas porque eu fiz um comentário, em tom de brincadeira, dizendo que "eu gostaria de criar um serviço de personal ajudeitor de mães cansadas Tabajara" e a partir de um seminário que a Gabi, mãe do Pedro e barriguda da lista, assistiu, de repente surgiu um movimento daqueles que a gente não vê todo dia. Emocionante... Está se organizando uma "caderneta" - foi esse o nome que foi dado até agora. Um esquema de ajudar e ser ajudada, de cuidarmos umas das outras, de termos ajuda física e presencial mesmo. Mais ou menos assim: eu tenho um tempo livre no dia tal e moro em tal lugar. Vejo que outra amiga da lista mora ali por perto e está precisando de ajuda: corro lá pra dar uma força. Que força? Qualquer uma: ficar um pouco com o bebê no colo pra pessoa poder terminar de tomar banho (é, fia, é uma loucura essa vida...), ou ajudar a dar uma organizada no caos da casa, ou fazer uma comidinha, ou passear com o bebê pra mãe que não dormiu a noite tirar um cochilo, ou bater um papo mesmo, coisas assim. Coisas que só quem tem um bebezinho pequeno e mora longe de mãe, irmã, cunhada, sogra, sabe como é importante... Precisei? Vejo quem mora ali perto e disponibilizou aquele dia da semana pra ajudar e grito ME SAAAAALVA. Estamos começando a montar o esquema, mas só disso ter sido sugerido já foi muito emocionante.
Outra coisa que surgiu, de uma sensibilidade imensa: um monte de mulher trabalhando, cuidando de filho, sem tempo pra si, meio jogada nas paradas de sucesso, se sentindo desleixada. Eis que uma sugere um encontro coletivo para cuidarmos umas das outras. E eis que outra, com a rapidez de uma mensagem, oferece sua casa para isso e disponibiliza a babá que cuida do seu filho enquanto ela trabalha, para cuidar da filharada de todas enquanto cuidamos umas das outras. Olha, uma coisa linda de ver. Dá pra ter uma pequena noção de como viviam as sociedades matriarcais do passado, de religião pagã, onde a mulher tinha um valor totalmente diferente dos dias atuais e quando viviam em comunidade.
Então se criou um clima extremamente carinhoso, extremamente humano, de reciprocidade e compreensão para o encontro de domingo. E confesso que, só de escrever isso e de transpor em palavras o que senti ali com elas, já me emociono. A sensação que eu tive foi a de estar voltando às minhas origens: aquelas mulheres ali, com seus filhos por perto, crianças correndo felizes, comida farta na mesa e, o que foi chamado a atenção: SEM NENHUM CHORO DE CRIANÇA, mesmo tendo dezenas ali...
Acho que esse foi o terceiro momento mais especial que vivi nesse último ano, só perdendo para o nascimento da minha filha e para o dia em que minha filha e minha mãe se conheceram.
Estavam dezenas de pessoas que acreditam de corpo e alma que para mudar o mundo é preciso mudar a forma de olhar o nascimento, de nascer e de criar os filhos.
Tantas pessoas diferentes, sendo iguais. Tantos iguais, sendo diferentes.

Somos nós: famílias que receberam seus filhos por parto humanizado - domiciliar, encaminhado ou hospitalar. Gente que quer deixar filhos melhores pro mundo. Gente fazendo diferente. 

 
 De bracinho para cima, pedindo pra cantar "Aquariuuuuuus" (mentira), minha amiga querida e parteira do coração Iara

 Galera chegando, pessoal se reunindo, coisa mais gostosa...

 Mães e crianças

 Clara mostrando a língua e eu, Cecília e Helena (Helena e Clara são amigas há muito, muito tempo, desde que eram pequenas, porque agora... ó o tamanhão das duas), Ana e Bernardo (o Bernardo começou a amizade dele com as meninas ainda na barriga, quando a gente fez o Baby Balads).

Estou até agora querendo saber o que a Clara andou aprontando, com essa cara aí. Só sei que a Alice está preocupada com a repercussão e a Yanne tá falando: shhhh, fala baixo.


 "O que?! Acabou o mamá?! Cê tá brincando comigo!!"

 Clara e seu tradicional pezinho pra fora do sling, minha pequena yogue

Trilha com as crianças, que já foram bebês Hanami

Clara com a tia Vânia. Foi ela quem foi chamar a Clara lá no mundo dos bebês. Passou a manhã chamando. Assim que ela foi embora, Clara respondeu: "Tô indo tia!"

Esse sorriso da Tamara reflete a alegria de todas as famílias que foram envolvidas na produção do documentário Hanami - Parto Domiciliar Planejado. Sob a direção emocionada de Priscila Guedes e de distribuição gratuita, esse documentário tem como objetivo divulgar um novo-velho modo de trazer crianças ao mundo e de valorizar a autonomia da mulher num momento tão especial.
Quem se identificar com a proposta, quiser conhecer melhor e PRINCIPALMENTE ajudar a disseminar a ideia, me peça uma cópia. Vou fazer um post especialmente pra isso, mas se quiser ir se adiantando...

 Renata, que esteve em casa comigo durante 25 horas do trabalho de parto, e Tânia, que trouxe a Clara junto comigo. Clara, querendo até a última gota...

Coisa muito boa e realmente especial é ter a chance de estar entre tanta gente que pensa como você e se sentir tão amparada... Essa lista e essas enfermeiras são, realmente, uma família virtual. Benditos dias 24 de março de 2010, 30 de julho de 2010 e 20 de março de 2011, benditos sejam.

10 março 2011

Peter Pan feelings

Passei o carnaval desconectada, tentando descansar um pouco. Mas como é difícil esse negócio de tentar descansar quando se tem um bebê, caraca véi. Mas, especialmente nesse feriado, fiz o que alguns amigos sempre me recomendam desde que a Clara nasceu: cada vez que ela cochilava, eu largava tudo e cochilava junto. Fez bem, fez muito bem. Mas tenho tido noites infindáveis, com a pequena acordando a cada hora, hora e meia. Não faço a menor ideia do que tá rolando agora, mas acho que pode ser uma promessa de dentinho superior. Ainda bem que isso não acontece para cada um dos 32 dentes humanos, Jesus... Confesso: tô cansada que não tô me aguentando. E o corpo tá cansando junto, coisa que é rara de ver. Normalmente, mesmo cansada, meu corpo aguenta quase tudo, é quase um Hummer esse meu envoltório carnal, não fico doente facilmente. Mas quando a gente está à beira da exaustão começam a pipocar coisas: estou com uma dermatite atópica que normalmente aparece em momentos tensos, como foi na defesa da minha tese, por exemplo, que não está cedendo nem sob tortura. Dia sim outro também, tenho tido crises de rinite como eu nunca havia tido antes. E, o que me fez sofrer horrores ontem e anteontem, meu leite deu uma empedradinha. Não foi nada punk ou gravíssimo, mas foi o suficiente pra não me deixar dormir em uma dessas noites e de chorar de dor. Já tá tudo normal de novo, mas ô coisa doída. Conversando com amigas, soube que isso é comum quando se está cansada ou estressada. E tenho estado muito mesmo. Sobre um assunto que nem posso falar aqui, ói que coisa... Esse negócio de liberdade de expressão é mesmo muito relativo... Mas quem convive comigo, presencial ou virtualmente, já sabe bem do que estou falando.
Bom, bola pra frente, que a semana tem só 2 dias. Ainda bem...
Aliás, um desabafo: já falei que de-tes-to essa expressão "bola pra frente"? Prontofalei. Você tá lá cheio de cansaço e minhoca na cabeça, querendo pegar uma marreta e dar em si pra ver se, assim, alivia, e aí vem aquela pessoa que parece ter chegado ontem da ilha de lost, olha pra você, aperta os olhinhos, balança a cabecinha e diz: "é, é... bola pra frente". Fala?! Fala tudo, mô quirido, fala: "é foda", "puxa vida", "força, amiga", mas não fala "bola pra frente". "Bola pra frente" dá a sensação de que tá lá você toda ferrada, detonada, sem a tampa do dedão, e tem que ficar chutando a bola pra frente. Pô, tem hora que não tem nada que chutar a bola. Tá cansado? Pega a bola, no melhor estilo "a bola é minha" e vai deitar, pô!
Eu me lembro de uma vez, quando eu era criança-pequena-lá-em-barbacena, que estava jogando bola sozinha no quintal, quicando a bola no chão pra ela bater na parede e voltar pra mim, meio chateada da vida, e a bola ainda por cima vinha toda hora torta. E eu ficava pensando: vâmo lá, bola pra frente (ó a criança...). E batia na bola, e ela vinha torta e eu pensava "bola pra frente". E batia, e lá vinha ela torta, e "bola pra frente". Uma hora me emputeci, saí pisando duro, abri uma caixinha comprida que tinha na casa, peguei uma agulha de tricô que eu sabia que estava lá, voltei revoltada, e buffff, furei a bola. E pensei: "bola torta não vai pra frente, saco". No melhor estilo "quando Nietzsche chorou", filosofia para momentos de crise. Foi um momento de liberdade. Entrei, e fui jogar Atari, mais leve.
O duro é que quando a gente cresce, as bolas ficam maiores e as agulhas menores.
Sim. Hoje acordei meio Peter Pan.

02 março 2011

7 meses de mudanças mútuas

(escrito em 2 de março, que seria o 30 de fevereiro que não existe...)
Quando a gente opta por falar sobre as conquistas e sobre o desenvolvimento de nossos filhos, ressaltando o que de novo pintou de um mês pro outro, corremos o risco de cair na repetição. Afinal, amor demais teremos sempre. Lindos eles serão sempre. Incríveis eles serão sempre. Como nenhum outro, sempre.
Então hoje eu optei por falar sobre as mudanças na vida dela durante o sexto mês de vida e a caminho do sétimo e sobre como as muitas mudanças que ela vive se relacionam com as muitas mudanças que estão acontecendo na vida da mãe dela - eu. Porque, afinal de contas, ainda somos quase duas-em-uma.
E começo enfatizando uma questão que mexeu muito comigo. Bom, assim que fez 6 meses, ela começou a chupar o dedo polegar sempre que está com sono. E eu entrei em crise... Porque a gente passa a vida ouvindo um monte de asneira de tudo quanto é gente, nem sempre conseguimos identificar que é asneira e, na grande maioria das vezes, pegamos a asneira como uma verdade e saímos pela vida asneirando. Eu mesma acredito que grande parte do que sei é asneira. Não posso ir contra todas porque, afinal, não sei qual é a asneira que sustenta toda a minha estrutura (alguém famoso já disse isso em palavras mais suaves...). Mas quando temos a chance de descobrir novas possibilidades, temos a grata oportunidade de entender as coisas por outro lado. E é um caminho que não tem volta, felizmente. Eu entrei em crise porque cansei de ouvir gente dizer que chupar o dedo era um puta problema. Que largar chupeta e fácil, mas o dedo não, e mais um monte de coisas. Tudo em tom ameaçador, do tipo: "ela vai ficar dentuça", "vai ficar dependente", "vai ficar...". Tá, obrigada por sua opinião. Fiquei bem abalada já, obrigada. Mas tem gente que não sossega, quer destruir a mãe. Encontrei um textinho infame dizendo que a culpa da criança chupar o dedo "provavelmente" era da mãe, que "provalmente" estaria negligenciando alguma parte do desenvolvimento emocional do filho. Sem  "provavelmente" algum e com toda certeza, senhora autora desse texto, a senhora é uma besta que nem mãe deve ter tido, filha duma chocadeira. Fiquei por conta! Desculpe o palavreado, ainda estou indignadíssima com esse escrito. Mas a bosta da frase se instalou na minha cabeça e eu chorei um monte. Depois recuperei minha sanidade - a pouca que me resta -, analisei melhor as coisas e escrevi um e-mail técnico-formal-em-cima-do-salto-15-vermelho para a senhora autora que escreveu aquela merda. Eu não sei do que tenho mais medo: de quando faço barraco ou de quando sou phyna. Enfim.
Parei, peguei os fatos, analisei do alto de meu senso prático e crítico de cientista e cheguei à conclusão: Clara chupa o dedo quando está com sono porque chupa. Ponto. Talvez porque ela tenha se acostumado a sempre sugar, mamar e dormir em seguida. Acabou associando sucção com sono e sono com sucção. Relaxei e disse pra ela: filha, chupa todo o dedo que você quiser o quanto quiser. Sua tia Livia também chupou e é uma pessoa do carái de boa. E pronto. Assunto encerrado. Não vou entrar no assunto dedo x chupeta porque fico alterada e vou acabar militando. E não quero militar no dia do aniversário da minha filha.

Ainda nas mudanças do sexto para o sétimo mês, minha bebezinha começou a conhecer outros gostos, já que começamos a introduzir os alimentos, como deve saber quem acompanha esse blog. Ela não gostou nada... Mas hoje já está mais acostumada e querendo experimentar mais coisinhas. Observando atentamente as preferências dela, já sei que não gosta de nada muito amassado: quer experimentar as coisas tal qual elas são. Então aboli a ideia da papinha de cenoura, por exemplo, pela cenoura inteira na mãozinha dela, que ela mesma leva à boca e se diverte comendo os pedacinhos que arranca com seus....

2 DENTES INFERIORES!! - sim, essa é outra importantíssima novidade que surgiu no caminho para o sétimo mês. E hoje ela ficou toda amuadinha e meio febril porque está abrindo o terceiro dentinho, na arcada superior. Da mesma forma que fiz com a cenoura, fiz com todos os demais alimentos: inteiros, na mão, pra ela conhecer. Ela pega, mata e come. E gosta. Se eu pegar a mesma frutinha ou legume e amassar, não come. Coisa dela, preciso respeitar... Acredito fortemente que um dia ela vai preferir comer uma berinjela ao forno e não sairá pela vida segurando a beringela inteira na mão. Idem para a cenoura, abóbora, melancia, enfim.

Além dessas premiéres na vida dela, do sexto pro sétimo mês ela começou a sentar resolutamente: senta e fica firmona; rola lindamente pra lá e pra cá; está ensaiando a posição em 4 apoios, talvez uma prévia do engatinhar; fica em pé bem firminha; faz grrrrrrrrrr com a garganta; sabe dizer exatamente o que quer mesmo que não use as palavras - ela é extremamente comunicativa - como Santa Clara, padroeira da comunicação. Muitas outras coisas bacanas aconteceram com ela nesse período. Escolhi umas fotinhos importantes desse trajeto. É o Guia Ilustrado do Desenvolvimento do Sexto Mês de Clara Pintinho Risonheta Lagartixa Perereca, o apelido carinhoso que nós demos a ela.


 Comendo tudo inteirão, com suas próprias minimãos, conhecendo os gostos das coisas.

 Cara, ela cresceu muito. Já está enxergando acima da grade do berço, que ela usa bem pouco, inclusive

 Senta decidida e se interessa por tudo o que vai à frente. Aqui ela está tentando desatar o nó que eu dei no sapatinho, em mais uma tentativa frustrada desta mãe aqui para que a filha use sapatinho. Desisti. Ela não curte e eu não vou forçar. Fica descalça, filha!

 Ahhhhh... aqui ela me emocionou deveras (chique...). Primeira vez sentada num cadeirão. "Nosso menino cresceu, Maniiiiii", já diria o Sid, de A Era do Gelo I

 Continua apaixonadérrima por água e garrafas d'água.

 Em pé. Firmona. Pernonas. Para o alto. E avante. E singam-na os bons!
 Essa foto é uma das minhas favoritas. Eu cheguei do trabalho e encontrei pai e filha assim. Meu coração dividido de mãe-que-trabalha-fora ficou muito tranquilo nessa hora. Isso é amor.

A caminho do sexto mês, Clara conviveu muitíssimo com seu amigão Caetano. Hoje eles são muito ligados, quando se encontram se acabam entre sorrisos e carinhos. Ela adora ele, ele adora ela. É muito bacana. Que essa amizade siga por toda a vida... Imagina o Caê dizendo pra Clara, daqui a uns 10 anos "Eu me lembro de você mastigando caixa de pasta de dente" e ela "Eu também lembro de você querendo arrancar a calça pra fazer xixi em plena Felipe Schimitd, tá" (baseado em fatos reais)

 Degustando a batata-salsa-mandioquinha-batata-baroa

 Fizemos nossa primeira trilha juntas, devidamente slingadas. Ela dormiu a trilha inteira, que sai aqui do condomínio de casa em direção à...

... Praia da Joaquina... Ela ficou muito feliz ao chegar na praia onde os pais dela foram agradecer e pedir proteção, quando soubemos que ela estava morando na minha barriga

 Comendo frutinhas com suas mãozinhas...

 ... e fazendo nojeirinha depois. "Mãe, que legal! É altamente esmagável!".

 Ela também aprendeu, nesse intervalo, que o colinho da Maricota é tudo de bom. Eu, particularmente, nunca a vi tão traquila num colo como fica no dessa pequena-grande

Pra fechar esse registro fotográfico, escolhi duas fotos que chegaram agorinha mesmo via msn da grande fotógrafa e amiga Sônia Vill. Eu recomendo: conheça o site da Soninha... ela tem um olhar muito especial dos momentos e consegue fotografar sem você nem perceber que ela está ali.
Essas duas fotos representam, pra mim, o espírito e a energia da vida que eu tenho ao lado da minha grande filhinha de 7 meses, Clara.

  
Clara com papai, no último sábado. Ela é assim. Sempre.

 
Clara no sling comigo, enquanto eu trabalho (último sábado) no evento que criamos para dar visibilidade aos produtos de mulheres que redirecionaram suas carreiras profissionais para ficar mais tempo com os filhos. Eu mesma não posso deixar a minha carreira para ficar mais tempo com ela. Mas o que eu puder fazer para levar a ideia de que É PRECISO, SIM, CRIAR CONDIÇÕES PARA QUE PROFISSIONAIS QUE SE TORNAM MÃES POSSAM CONCILIAR CARREIRA E MATERNIDADE a todas as pessoas, eu vou fazer.
Porque nesses 7 meses de vida dela eu descobri que a ciência é incrível. Mas mais incrível será um mundo onde haja espaço para trabalhar junto com os filhos. Lugares e empresas que criem situações para as crianças estarem perto de suas mães. Para que não tenhamos que deixá-las em escolinhas das 8 às 8, quando ainda nem falam... 
Por ela, eu também redirecionei minha carreira. Deixei de lado, pelo menos por um tempo na minha vida, a ideia de ser docente em universidades públicas, porque lá eu teria que me ausentar dela durante todo o dia. Deixei minha área científica, a pesquisa em neurociência, para pesquisar em outra área em nível de pós-doutorado porque isso me traria maior estabilidade. E farei tantas mudanças quantas forem necessárias para que eu possa viver em paz como cientista e mãe.

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