quinta-feira, 30 de junho de 2011

Xico Sá e a licença paternidade de 3 meses

 Xico Sá, jornalista, escritor, blogueiro e mais um monte de outras coisas,
autor do texto "Panfleto pela licença paternidade de 90 dias"

O Xico Sá é um escritor e jornalista que eu admiro muito. Ele fala com propriedade sobre coisas de mulher (entre uma infinidade de outras coisas), coisa que só um homem esclarecido e sem preconceitos consegue. Já mencionei um texto dele aqui, sobre cafajestes, nos idos de 2009, quando ainda era solteira e não era mãe, era apenas cientista.
Ele mantém um blog ótimo no Folha.com. Ontem mesmo postou um texto tudo de bom que me fez rir um monte, falando sobre a DR de intelectual (a famosa “discussão da relação” de intelectual). Aí aproveitou pra falar sobre os tipos de DRs que existem, a DR Kurosawa, a DR Erística, a DR punk-rock, a DR Paulo Coelho e outras. Muito bom!
Anteontem (28/06), meu marido me mandou um link em que ele escreve sobre a possível licença paternidade de 90 dias. Eu AMEI o texto e quis compartilhar aqui. Só que a Folha é uma empresa esquisita, sabe? Ela não permite links pros textos (o link só vai até o blog, aí a pessoa tem que ficar procurando a postagem), e não gosta que coloquem seus conteúdos em outro site. Tinha até um blog que postava textos do Contardo Calligaris, bloguinho simples, humilde, que teve que parar de funcionar porque a Folha mandou, inclusive. O site Charge On Line, que reúne charges diárias de um monte de chargista brasileiro bacana que publica em diversos jornais, não pode publicar as do Angeli, do Laerte e outros do grupo Folha, por exemplo, porque a Folha não deixa... Ai que Folha chata. Parece aquelas crianças que não deixam ninguém brincar porque a bola é dela. Vou continuar a postar aqui links para matérias interessantes publicadas lá, mas fica aqui meu desabafo.
Eu gostei pacas do texto do Xico Sá sobre a licença paternidade, então taí embaixo. Com créditos, links e tudo mais. Se a patrulha-Folha não gostar, que mande tirar.
Panfleto pela licença-paternidade de 90 dias

Vejo aqui no Le Monde, via UOL, que na Noruega, terra do meu amigo de adolescência Knut Hamsun, é sucesso entre os marmanjos a licença paternidade de 90 dias. Três meses de nananeném, amém.  
Aqui temos apenas cinco dias de bilu-bilu-teteia com o filhote. Não dá nem tempo do menino distinguir, entre visitas e Reis Magos, o rosto vincado e o narigão do papai.
Entre as fêmeas o atraso também é imoral. Ainda tramita no Congresso a ampliação da licença-maternidade de quatro para seis meses. Um desafio para todas as mulheres da presidenta, se bulam, meninas, que a causa é nobre.  
Sim, sabemos que algumas firmas sacaneiam as mães por causa deste  merecido período, mas somente assim, com medidas do gênero, é que a carroça da história sai do canto e desembesta.
Mas vamos puxar a maminha também para a nossa brasa. A ampliação da licença-paternidade seria a grande revolução e melhoria do macho.
Nos países que adotaram a medida, como a dita Noruega, 90% dos homens aderiram à causa.
Na Suécia, quase isso, 85% dos marmanjos aderiram, com empresas e o governo bancando a licença, algo civilizadíssimo. Na Inglaterra e na Alemanha, novatos no assunto, também caminha para o êxito.
 É um avanço que nem a mais radical das feministas imaginava. Como poderiam pensar que a igualdade de gênero passava, de alguma maneira, por nossas calejadas mãos de ex-provedores?!
Com a adesão do macho à licença, as mulheres podem optar, inclusive, pela volta mais cedo ao batente, o que tem ajudado a equilibrar o jogo dos salários e cargos de comando nas corporações. (Agora falei bonito!)
É, amigo, antes de serem mães as fêmeas conseguem ganhar mais ou menos a mesma coisa que os seus maridos.
Ao choro dos bebês, ocorre uma freada na carreira, o isolamento da vida social pós-expediente, o congelamento de eventuais promoções e outros atropelos.
Então, minha querida, nos ajude a distribuir também essa crônica panfletária. As crianças agradecem. Pelo sagrado direito do homem a um prolongado bilu-bilu-teteia.
E aproveito para mandar lembranças ao meu amigo de adolescência, autor do livro “Fome”, um dos mais marcantes sobre este locutor que vos fala. Viva Knut Hamsun, viva o reino da Noruega.



quarta-feira, 29 de junho de 2011

Festa Junina, Mostra de Cinema Infantil e a abertura da Temporada 2011 das Festas Legais de Inverno

E foi dada a largada para a Temporada 2011 de Festas Legais de Inverno. Sim, acabei de criar esse nome.
É que chega junho e julho e começa a me dar siricutico pra festa. Opa, melhor reformular a frase. É que chega junho e julho e me dá ainda mais siricutico pra festa. Pronto, assim tá melhor.
Sempre foi assim, mas agora com a Clara ficou ainda mais legal!
Sou apaixonada por festa junina... Sempre dou um jeito de organizar uma festinha junina para os amigos, porque acho uma data tudo de bom. Comidas deliciosas, bebidinhas quentes, música típica, roupinha de jeca, bandeirinhas, ô coisa boa! Claro que esse ano eu estava ainda mais animada... Afinal, seria a primeira festinha junina da Clara e eu estava louca para vê-la vestida de caipira. Então sábado nós fizemos uma festa junina aqui em casa, com os amigos do grupo de parto humanizado e maternidade consciente, que foi demais! Clara se divertiu com toda a criançada vestida de jeca, que se juntou pra curtir junto com os pais. Foi uma delícia! E ói que caipira lindideus que nóis fizêmo, cumpadaiada:

 
Clara vestida de caipirinha para a primeira festinha junina dela

Se você é uma mãe que amamenta, como eu, e não pode se fartar de quentão (aqui no Sul do país o pessoal chama de quentão, mas os paulistas chamam de vinho quente), não fique triste: eu aprendi na festinha de sábado, com a querida Carol, mãe da galega caipira - categoria colo - mais formosa da festa, a fazer um quentão (ou vinho quente) sem álcool que é uma loucura, e tem me ajudado a enfrentar essa friaca monstro que nos pegou aqui em Floripa. Anotaí:
- suco de uva natural concentrado (desses que vem numa garrafa que, geralmente, é linda)
- água
- cravo
- canela em pau
- gengibre
- maçã (fiquei sabendo depois que essa foi por minha conta)
- açúcar
Mistura tudo, bota pra ferver, encha uma caneca e seja feliz! E fique quentinho... o que é de grande valia.

Ainda no tema de "coisas boas pra se fazer com as crias no frio", vai aqui mais uma dica.
No domingo, nos agasalhamos bastante e fomos prestigiar a Mostra de Cinema Infantil, que esse ano está ainda mais especial, comemorando seus 10 anos. Eu ia muito ao FAM - Florianópolis Audiovisual Mercosul - que também está rolando. Mas agora com cria pequena, não dá. Então a gente faz uma adaptação e vai à Mostra de Cinema Infantil, que é legal demais também.
A Mostra tá rolando em Floripa desde o dia 23 de junho, indo até 10 de julho.
Além da identidade visual ser linda - feita com todo amor, há cinco anos, por minha amiga do peito Vanessa Schultz -, só tem coisa legal. É um super programa pra fazer com a criançada nesse frio que anda fazendo por aqui. Já rolaram coisas sensacionais, como a homenagem a Ziraldo, com apresentação do filme O Menino Maluquinho e a Pré-estreia nacional de Uma Professora Muito Maluquinha. E tem muita coisa boa ainda pra passar. Além do site oficial da Mostra, que é esse aqui, onde você pode ver toda a programação, ainda tem uma iniciativa que eu, blogueira convicta, acho tudo! É o Bloguinho da Mostra, comandado por um monte de crias bacanas, entre as quais a Maria Rosa, ou Maricota Pipoca (para os amigos). Vale a pena a visita ao Bloguinho, que de diminutivo só tem o nome. As crias andam conduzindo cada entrevista bacana... Pra ter uma ideia, na próxima quinta-feira a Maricota vai entrevistar o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo. Te mete?
E está no Bloguinho da Mostra, inclusive, essa foto linda que elas tiraram da gente no domingo, quando fomos assistir a apresentação do Circus Fever, dos pais da Aline, uma fofura que nasceu ali coladinho com a Clara.

Clara e eu, na Mostra de Cinema Infantil. Note o dedinho mindinho levantado
da cria, coisa de gente phyna.

Fica aí a dica de programa para pais e filhos, pra quem mora em Florianópolis e arredores.
E tem festa que não acaba mais! Em julho a gente ainda tem a inauguração do Espaço Hanami, o VI Bazar Coisas de Mãe, o meu aniversário de 33 anos e.... o aniversário de 1 ano da Clara!
Ê trem bão, sô!
Porque quem disse que depois que a gente vira mãe a gente deixa de ir em festa? Hein?


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Rede Cegonha: esperando o nascimento de um projeto brasileiro

 Logomarca doada pelo artista plástico Romero Britto para ilustrar o 
programa Rede Cegonha

Quem trabalha na área de assistência ao parto acha que os termos "parto humanizado" ou "humanização do parto" estão ficando batidos. Eu acho que quando trabalhamos por uma causa, acabamos estudando, lendo ou falando demasiadamente alguns termos ou expressões. E isso pode nos dar  a sensação de que são assuntos desgastados.
Mas no exemplo em questão - humanização do parto - garanto que não se trata de algo batido, não.
Muito pelo contrário: é um assunto que mal começou a ser discutido pelas pessoas em geral, pela massa, que é quem realmente precisa saber do que se trata. Nós, envolvidos ativamente na temática, já sabemos do que se trata. Quem precisa ter acesso a informações sobre o que é o parto humanizado, como ele pode ser proporcionado, o que fazer para ter um parto nessas condições é, realmente, a população em geral.
Então eu não me canso de falar sobre o assunto e, na verdade, estou apenas começando...

A busca pela humanização do parto, na verdade, acompanha a busca pela humanização dos serviços de saúde em geral, que, por tempo demais, andam sendo feitos de maneira mecanizada, fria e impessoal, tratando pessoas como máquinas, tratando dos sintomas como se eles fossem desprovidos do elemento humano.

Em março deste ano, a presidente Dilma Rousseff anunciou um programa chamado por sua equipe de Rede Cegonha.O programa é composto, incialmente, por um conjunto de medidas que visam garantir a todas as brasileiras, via Sistema Único de Saúde (o SUS), atendimento adequado, seguro e humanizado e contará, para isso, com mais de 9 bilhões de reais do orçamento do Ministério da Saúde para investimentos até 2014. Entre as diversas medidas propostas, a Rede Cegonha prevê a qualificação dos profissionais de saúde que darão assistência às gestantes e aos bebês e, entre as novas estruturas propostas, estão as Casas da Gestante e do Bebê e os Centros de Parto Normal, que funcionarão, de acordo com o proposto pelo Governo, com o objetivo de humanização do nascimento. Claro, Clóvis, que essas são as intenções do governo. Daí à sua realização são outros quinhentos.

Mas por que estou falando disso hoje?
Porque, de acordo com o Jornal do Brasil, o Diário Oficial da União publicou hoje portaria regulamentando a Rede Cegonha. Cliquei aqui para a matéria
Embora ainda seja apenas uma mera "intenção formalizada", estou esperançosa porque o tema tem se inserido cada vez mais na pauta governamental atual.
Quer mais um exemplo disso?
Está disponível no site do Ministério da Saúde um texto de Sônia Lansky com o título de "Por um novo modo de nascer no Brasil". Ela é pediatra, doutora em Saúde Pública pela UFMG e supervisora do Plano de Qualificação das Maternidades e Redes Perinatais da Amazônia Legal e Nordeste. No excelente texto dela, pode ser encontrado, entre outros tão importantes quanto, o seguinte trecho:
"A expectativa em relação ao governo da primeira mulher presidente do país não pode ser pequena. Traz consigo o forte simbolismo da importância da mulher na sociedade e a possibilidade de se concretizar o anseio de que seja dada a devida consideração ao parto e nascimento. A decisão por uma política pública efetiva de saúde, de cultura e educação que promova o parto e nascimento respeitoso e saudável, o bom parto, pode ser uma marca do governo Dilma".
 Aqui, o trecho inicial do texto da Sônia Lansky:
"Há algumas décadas enfrentamos no Brasil um paradoxo no nascimento. A intensa medicalização influenciou de forma determinante o modo de nascer, reduzindo este grande acontecimento fisiológico e natural da vida familiar e social a uma intervenção médica- cirúrgica. Ao mesmo tempo, os índices de mortalidade materna e infantil persistem muito altos e incompatíveis com o nível de desenvolvimento do país, e as causas de morte são em grande parte evitáveis por ação dos serviços de saúde. É preciso mudar o modelo de atenção ao nascimento no Brasil para a solução deste grave problema de saúde pública. É preciso alcançar os níveis os patamares desejáveis na mortalidade materna e infantil, e melhorar a satisfação da mulher e da família no momento do nascimento de seus filhos. O foco deve ser o parto respeitoso e digno, apoiado na rede de atenção articulada que garanta acesso oportuno à atenção qualificada desde o pré-natal até o parto. Que garanta o protagonismo e os direitos da mulher e da criança neste momento ímpar de celebração da vida e do afeto, de forma a promover sua saúde e as relações humanas e da sociedade." - Clique aqui para ler o texto na íntegra diretamente no site do Ministério da Saúde.
Como São Tomé, só vendo pra crer. Mas que o fato de um governo estar incorporando isso de maneira declarada às suas políticas públicas já nos dá uma esperança e uma motivação a mais, ô se dá!

Estarei atenta. Quero ver se a cegonha virá mesmo ou se foi só um alarme falso...

A dor e a delícia de ser uma mãe cientista

Especial "Mães Cientistas - Tempo sem hora", produzido pelo Ciência em Pauta

Recebi um e-mail muito bacana, logo após a transformação do blog em Cientista Que Virou Mãe, da Tattiana Teixeira. Ela é professora coordenadora do Ciência em Pauta, um projeto de extensão do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, que é desenvolvido pelo NUPEJOC - Núcleo de Pesquisa em Linguagens do Jornalismo Científico. O Ciência em Pauta produz material jornalístico sobre ciência, tecnologia e inovação, tendo como referência a produção da UFSC. Um projeto bem legal, que eu acabo de conhecer e já gostei.
A Tattiana me escreveu sugerindo que eu assistisse a um especial que eles fizeram que se chama "Mães Cientistas - Tempo sem hora", um tributo às mulheres que conseguem conciliar as duas atividades.
Eu assisti ao vídeo e fiquei muito emocionada.
Ao ler o texto que acompanha o vídeo no site, não pude deixar de pensar a respeito dos dilemas que envolvem a atividade científica e o exercício PLENO da maternidade - frase que está lá, inclusive, mas que eu faço questão de ressaltar o PLENO. Por que ressalto? Porque não são poucas as mães cientistas nas universidades brasileiras. Eu mesma conheço dezenas. Mas são poucas, sim, as que conseguiram exercer a maternidade de maneira PLENA. Simplesmente porque é uma tarefa praticamente insana. Claro que cabe aqui uma discussão - longa e complexa - sobre o que vem a ser o exercício pleno da maternidade. Mas, ainda assim, são poucas as cientistas que se tornaram mães e conseguiram realmente viver isso como gostariam...

domingo, 26 de junho de 2011

Para o bebê, o melhor leite é o da mãe

Imagem: Silvia Falqueto

Quando eu sugeri, no início do mês de junho, a postagem coletiva "Para o bebê, o melhor leite é o da mãe", foi para que, no Dia Internacional do Leite (24 de junho) - que, com toda a certeza do mundo, não foi criado para enaltecer os benefícios do leite materno - diferentes pessoas pudessem parar, refletir e falar a outras pessoas como é importante a prática do aleitamento materno.

Para preparar o meu texto, fui ler alguns artigos sobre leite materno, amamentação e substitutos ao leite materno. E encontrei um especialmente importante neste contexto, intitulado "Substitutos do leite materno: passado e presente", de Marina Ferreira Rea - que agora está na aba de leituras sugeridas em "Amamentação". A despeito de ser um texto relativamente antigo, de 1990, é absolutamente atemporal. Traça todo o histórico da criação e propagação comercial e social dos substitutos do leite materno. E é um daqueles artigos que, durante a leitura, vai te dando vergonha de fazer parte da espécie humana, que muitas vezes é Homo nada sapiens. A história dos substitutos do leite materno é uma história mais ligada ao comércio que à saúde, sinto lhes dizer... E é uma história muito feia.
Nesse artigo, há uma diversidade de informações essenciais, daquelas que todo mundo precisaria ter acesso.
Por exemplo:
  • historicamente, quando um bebê não era amamentado por sua mãe - o que por si só já era um evento raro - era o leite do peito de outra mãe que o alimentava. Eu, particularmente, gostaria de estar vivendo num mundo em que as amas-de-leite não fossem mais artigos raros. Talvez tenha sido por isso, também, que fiz questão de doar muitos e muitos litros de leite para o hospital infantil da cidade, quando a minha produção ainda não havia se regularizado;
  • o primeiro a recomendar o uso do leite da vaca como alternativa ao humano foi um médico chamado Underwood. Sabe quando? Em 1784. O interessante é notar o contexto histórico da época: as mulheres burguesas e as que tinham melhores condições financeiras recusavam-se a amamentar seus filhos, vejam só que coisa...
  • foi um outro médico, chamado William Cadogan, que, embora defensor do aleitamento natural, instituiu a regularidade das mamadas, ou seja, que os bebês fossem alimentados em horários fixos, a cada 4 horas. Foi ele também que "proibiu" as mamadas noturnas. E você sabe por quê tantas regras? Porque ele, pessoalmente, acreditava que alimentar um bebê era um momento de lhe passar uma infecção. Meio problemático esse doutor, não? Isso no século 18, tá? Então, minha querida, se você é daquelas que colocou horário para a mamada porque sua doutora disse que era pra fazer assim, sinto lhe dizer: você não é nada moderninha, você é antiquada pacas. Ouso até dizer que você é demodê, baby, datada mesmo. Sai dessa, fofa. Vem pra modernidade. Seu bebê não é relógio. Ele é um bichinho. E, como tal, tem fome a qualquer hora;
  • essa parafernalha toda de fórmulas, complementação e tal começou com o leite condensado - que não era propriamente o leite condensado que a gente conhece hoje. Mas foi difundido comercialmente por uma empresa cujo nomezinho você conhece até hoje: Nestlé. E só foi difundido assim tanto porque coincidiu com o momento da revolução industrial, quando as mulheres passaram a trabalhar grandes cargas horárias, mesmo na época da amamentação. O seguinte trecho, inclusive, está nesse excelente artigo:
"Page, um americano que formara na Suíça a Anglo-Swiss Condensed Milk Co., supôs corretamente que o leite condensado produzido podia ser estocado e utilizado pela população em crescimento da Inglaterra no período da industrialização". 
Ou seja: o substituto do leite materno não foi feito "com carinho, com amor, para mães alimentarem, também com amor, seus filhos". Foi feito pra população cair de boca no trabalho. Foi feito pensando no crescimento da industrialização, do capitalismo selvagem. Quando certas indústrias, portanto, usam o slogan "Faz bem", não está mentindo. A questão é: faz bem pra quem, neném?
  • o artigo também chama a atenção para a relação digamos, "íntima", que existe entre os fabricantes de substitutos ao leite materno e os médicos. A autora cita, inclusive, uma outra referência para dizer que
"os fabricantes vendem, mas os médicos controlam: uma relação mútua vantajosa entre médicos e companhia de alimentos infantis está estabelecida". E afirma que essa mesma referência utilizada sugere que os médicos estão desejosos de cooperar porque vêem na alimentação artificial um meio de controlar os pacientes "porque estes passariam a procurá-los mais".
Se, nesse momento, você está achando tudo isso muito exagerado, vou te contar uma coisa. Eu perdi as contas do número de mulheres que já me contaram terem saído da maternidade com uma prescrição de NAN. Sabe? NAN? Aquele complemento que é dado quando a mulher não consegue produzir leite suficiente, ou quando não é bem orientada, ou quando simplesmente não quer amamentar? Tem muito médico por aí sim senhora prescrevendo NAN como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Mais natural do mundo? Peraí, senhor doutor. Alto lá. O mais natural do mundo é amamentar. Dar complemento não é natural. Complementação deveria ser utilizada APENAS e SOMENTE quando a mãe, por diferentes motivos, não está conseguindo produzir leite em quantidade suficiente. E concomitante a tantas técnicas e compostos lactogogos (que induzem a lactação) que existem. Eu, que sou doutora mas não sou médica, conheço vários, imaginem vocês que estudaram para isso - ou que deveriam ter estudado, pelo menos...
Dar receita de complementação para uma mulher que tem total condição de amamentar é ir contra o "a ninguém darei por comprazer nem remédio nem um conselho que induza a perda", do juramento de Hipócrates. Ou, ainda, é agir contrariamente à Declaração de Genebra, quando esta diz "não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza".
Não se engane você, distinta e consciente mãe que utiliza complementação por não ter podido amamentar - a despeito de querer muito -, pensando que foram feitos para você e seu filho. Não, não foram. Os substitutos ao leite materno foram desenvolvidos pensando naquelas mães que OPTARAM por não amamentar. Porque aquelas que, por razões diferentes, não conseguiram amamentar, tinham seus filhos alimentados por outras mulheres, por mães-de-leite, por amas-de -leite. As fórmulas e complementações tiveram sua origem visando especificamente um público: as mães que NÃO QUISERAM amamentar.
Uma mulher que não quer amamentar está negando ao seu filho o direito básico da melhor saúde que poderia ter desde o nascimento. E não, essa não é a minha opinião, essa é uma constatação. E é pra você, ó nobre senhora, que toda essa parafernalha midiática é feita.

A complementação, os substitutos ao leite materno, salvam muitas vidas e, quando bem administrados, mostram incontáveis benefícios. E é para isso que deveriam ser utilizados. No entanto, existem muitos estudos mostrando que a quantidade de bebês que realmente necessita dos substitutos ao leite materno é muito pequena. A autora do artigo que menciono neste texto, inclusive, faz o seguinte comentário:
"os lucros das companhias, entretanto, não teriam sido auferidos se só este mercado [os dos bebês que realmente precisam de complementação] fosse atingido. Daí a tarefa de criar nas mães (e nos médicos) a "necessidade" de tais produtos formulados ter sido dever bem cumprido através das técnicas de "marketing" por todos esstes últimos cem anos. A imagem do produto perfeito, que leva a bebês robustos e facilita a vida da mulher, é vendida com toda a sofisticação e invade os vilarejos mais distantes". 
Eu não precisei oferecer complementação à minha filha, com a graça da Deusa das Divinas Tetas, a quem agradeço todos os dias com toda devoção. Se precisasse ter oferecido por não ter podido amamentar, faria com a consciência tranquila de estar fazendo o que é melhor pra ela, depois de tentar tudo o que fosse possível para amamentar. Mas não me deixo ser pescada por outros produtos dessas mesmas indústrias. E é por isso, também, que eu não ofereço à minha filha nenhum tipo de alimentação pronta de indústrias como essas. Nenhum potinho. Porque acho que já tem mulher demais sendo pescada pelas promessas de aparente facilidade e saúde "enfrascada".

Muitas mulheres entraram na Postagem Coletiva "Para o bebê, o melhor leite é o da mãe". Aqui estão algumas delas (se você participou e não está, me avise que terei prazer em acrescentar), com links para os blogs ou páginas pessoais:


Dedico esse texto a algumas mães que eu conheço que fizeram de tudo para melhorar a própria produção de leite, que usaram todos os métodos possíveis e imagináveis para que seus filhos pudessem ser amamentados e que, ainda assim, não conseguiram. Vocês, mães conscientes da importância da amamentação, que passaram pela angústia de querer amamentar sem conseguir, são mulheres fortes e têm todo o meu respeito. O complemento que tiveram que dar aos seus filhos é, na minha opinião, leite vindo também de dentro. Não do peito, mas do coração... que é onde mora a alma de uma mãe.

sábado, 25 de junho de 2011

Bem vindos ao site Cientista que Virou Mãe!

Olá!
Depois de 2 dias fora do ar, o antigo blog Intensa, a Mente... volta, agora como o site CIENTISTA QUE VIROU MÃE.

O novo site acompanha um momento muito especial na vida desta cientista que virou mãe aqui: em agosto, começa meu novo doutorado, sobre violência no parto, e agora em julho, no dia 15, inauguramos o Espaço Hanami - O Florescer da Vida, trazendo o renomado obstetra francês Michel Odent para uma palestra e workshop como inauguração. Muita coisa boa, né não?! Isso sem falar que estou pra fazer 33 anos e que a Clarinha vai fazer 1 aninho.

O site tem coisinhas novas:
- tem novas abas com sugestões de leitura, com novos artigos sobre diferentes temas - visite sempre que puder, colocarei sempre coisas novas;
- tem uma aba para o Espaço Hanami - que em breve terá o seu site, com toda a programação do mês e eventos;
- uma aba para o Projeto Violência no Parto, onde quem se interessar pelo tema poderá acompanhar o desenvolvimento da pesquisa do meu novo doutorado;
- tem o novo compartilhador, pra compartilhar o site em diferentes mídias sociais
- tem também o gadget Seguidores, que não tinha antes, pra facilitar seguir o site, no caso de você gostar dele, claro...
- para ler postagens maiores, é só clicar em "mais informações";
- e lá em cima, antes das postagens, tem uma parte de atualização sobre temas como parto, gravidez, ciência, neurociência, maternidade, etc, com links para notícias atuais sobre esses assuntos.

Se você recebia as postagens por e-mail, pode ser que não receba mais. Se isso realmentea acontecer, é só inserir novamente seu endereço no espaço apropriado, na barra da direita.
Se você tinha esse blog em seu blogroll, talvez seja necessário atualizar a URL para www.cientistaqueviroumae.com.br. Talvez nem seja necessário tudo isso, mas por via das dúvidas...

Espero que vocês gostem do novo site, como eu estou gostando de publicar nele. A arte do banner é, como não poderia deixar de ser, do meu marido e pai da Clara, o Frank. Porque aqui nessa casa a gente faz (quase) tudo junto...

Hoje era para estar aqui o meu texto da POSTAGEM COLETIVA "Dia Internacional do Leite: Para o bebê, o melhor leite é o da mãe". Mas decidi esperar mais um dia, pra reunir os textos de todas as mães bacanas que postaram também. Se você lê esse blog aqui e postou também, me manda o link que eu publico.

Beijos e abraços a todos que sempre passavam pelo Intensa, a Mente e que agora estão conhecendo o Cientista Que Virou Mãe. E aos novos visitantes, obrigada pela visita.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O meu solstício de inverno, a última postagem do Intensa, a Mente e o início de novos tempos

(escrito em 21 de junho)
Fui lembrada pelo Dauro Veras, amigo de longa data do marido e meu novo amigo, pai do Miguel e do Bruno e casado com a querida Laura, que hoje, 21 de junho, é o solstício de inverno aqui no hemisfério sul.
Foi uma ótima lembrança essa, em função do que significa a data para os povos antigos e do que significou para mim.
Quem acompanha esse blog sabe que eu estou abandonando a carreira de doutora em farmacologia pra começar uma nova, em uma área que eu sinto que tem mais a ver com a pessoa que sou hoje, que fui me tornando após o nascimento da minha filha. Precisei de bastante coragem para deixar o comodismo de uma carreira em andamento e um pós-doutorado para aventurar-me a prestar seleção para o doutorado novamente, em uma nova área, até então desconhecida. Prestei a seleção para o doutorado em Saúde Pública e hoje saiu o resultado final.

Estou aprovada, bem classificada e convocada para a matrícula!

Isso significa que, em agosto, serei uma entre os novos alunos do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina, mesma instituição onde fiz meu doutorado em farmacologia. Estou extremamente feliz pela conquista. E então... tudo deu certo aos homens e mulheres de boa vontade!

Foram meses sem saber que caminho tomar. Meses de insatisfação e dúvidas. Até que a vontade veio com todo o fervor, eu a deixei falar, ela gritou, eu a ouvi e segui o instinto. E taí o resultado.
Estou muito feliz, como é possível imaginar...
E isso no solstício de inverno.
O solstício de inverno marca o início dessa estação. É quando acontece o menor dia do ano. A partir de então, os dias se tornam mais longos, e as noites mais curtas. Muitos povos pagãos comemoravam essa data como a mais importante do calendário - enquanto escrevo isso, vejo na tv a comemoração das pessoas nas ruínas de Stonehendge, no sul da Inglaterra. Uma data de renascimento, de comemoração do Sol e de seu nascimento. Simbolizava, para inúmeras culturas ancestrais, o início da vitória da luz sobre a escuridão. É o "Sol Vencedor".
Que lindo isso, né?
E é exatamente assim que me sinto agora.
Estou vencendo. Venci um período não de escuridão propriamente dita, mas de tempo nublado, incerto, cheio de dúvidas. Farei a matrícula em agosto e aí começará um longo caminho para desenvolver a pesquisa que tem o título de:

"Uma dor desnecessária: ocorrência de práticas desrespeitosas, maus tratos e violência durante o trabalhode parto, parto e pós-parto imediato na percepção de mulheres usuárias da internet"

Mas esse solstício representa a vitória do dia sobre a noite também por outro motivo, tão importante quanto a minha vitória profissional. Que é uma vitória PESSOAL enquanto desejo particular meu. É também uma vitória DE GRUPO, cultivada como flor que foi semeada com muito amor e dedicação.
Já há algum tempo, assim meio na surdina, eu e mais 8 mulheres estamos nos organizando, dedicando tempo, atenção, cuidado e carinho a preparar um espaço que é a síntese das coisas nas quais acreditamos.

E hoje eu tive a grande alegria de ver anunciada publicamente a inauguração do fruto do nosso empenho.
No dia 15 de julho será inaugurado o ESPAÇO HANAMI - O FLORESCER DA VIDA, aqui em Florianópolis, fruto da união entre a Equipe Hanami - Parto Domiciliar Planejado e o Coisas de Mãe - Maternidade Consciente e Empreendedorismo Materno. Juntas, em parceria com a Brinquedoteca BrinQtal, vamos inaugurar um espaço de estudo, discussão e atendimento em humanização do parto, maternidade e paternidade ativas e conscientes e empreendedorismo materno. Prentedemos atender famílias e interessados no tema por meio de cursos, oficinas, palestras, bate-papos, rodas de discussão e outras vivências. Seremos um grupo multidisciplinar de profissionais e convidados que buscam, por meio do respeito ao parto e nascimento e da maternidade e paternidade conscientes, contribuir para a formação  de famílias melhores para o mundo. Nós acreditamos que "para mudar o mundo, é preciso, antes, mudar a forma de nascer", como diz o obstetra francês Michel Odent, um dos maiores nomes mundiais (se não o maior) em humanização do parto.

E não poderíamos ter uma forma mais especial de celebrar esse momento.

É justamente com ele, MICHEL ODENT, que vamos inaugurar nosso espaço! Sim, nós conseguimos!

Porque tudo aquilo que é feito com amor, dedicação e para o bem recebe ajuda poderosa da vida, estamos não só conseguindo trazê-lo para Florianópolis como estamos organizando um lindo evento, composto por uma palestra e um coquetel de celebração no dia 15 de julho, sobre humanização do parto, e por um workshop, também conduzido por ele, sobre o tema "Atualização em ecologia do parto e nascimento".
E foi hoje também que divulgamos publicamente a criação do Espaço Hanami e a vinda do Michel Odent para nossa inauguração. Para saber mais sobre a vinda de Michel Odent para Florianópolis, é só clicar aqui.

É um momento de felicidade muito grande. Hoje eu me emocionei em muitos momentos. Fui dormir às 5 da manhã, finalizando os detalhes para liberar o site de inscrição para o evento, passei o dia - cinzento e nublado - encorujada em casa com o marido e filha, ambos trabalhando muito, ela rindo muito e fazendo a maior bagunça. Pouco antes de sair o resultado, mal consegui prepar uma comidinha pra ela, porque tremia demais e fiquei com medo de me cortar com a faca de cozinha. Deu taquicardia, sudorese, tremores, tudo aquilo que a neurociência explica... Isso tudo depois de passar pela felicidade de ver lançado o site do evento, de ver divulgado publicamente o nosso espaço.

E foi assim então, minha gente, que eu me tornei a cientista - que virou mãe - que virou cientista de novo. Mas de outra maneira, fazendo um outro tipo de ciência.

Feliz? Não somente.
Feliz e satisfeita. E cheia de novas expectativas.

E não há, portanto, momento melhor para inaugurar também o meu novo bloguinho, o Cientista Que Virou Mãe, que esse que estou vivendo. Nesse processo, pode ser que o site fique 1 ou 2 dias fora do ar. Mas logo ele volta. Pra chegar até aqui, é só vir como sempre veio... Digitando o velho ou o novo domínio, www.cientistaqueviroumae.com.br. Será o mesmo blog de sempre, mas com uma carinha nova, com novos espaços, juntando informações de várias frentes.

E assim, essa foi a última postagem no blog Intensa, a Mente. Um blog que começou num momento pessoal conturbado, de angústia e indefinição, como um espaço de devaneios de uma mente intensa. Depois, se tornou um blog generalista. Enquanto escrevia aqui o que eu pensava, conheci meu namorado - que virou marido porque assim instituímos, nós, que somos a nossa autoridade máxima -, engravidei em tempo recorde e, também em tempo recorde, vi minha vida ser revolucionada por uma maternidade consciente e pela chegada de uma filha que é muito mais do que eu sempre pensei que fosse merecer na vida. Hoje eu tenho uma pequena família, que é grande demais no coração. Tenho uma nova carreira se formando. E tenho um novo empreendimento... que só existe porque um dia eu conheci a Sheila. Um dia, ela me apresentou ao parto domiciliar. Um dia, eu conheci o Frank e no outro dia fiquei grávida. Um dia, fui apresentada à Equipe Hanami e, entre os dias 29 e 30 de julho de 2010,  elas fizeram o meu parto. E no dia 21 de junho, solstício, a gente divulga uma iniciativa que congrega a todas nós. E que será inaugurada em 15 de julho com a vinda do Michel Odent.
Solstício de inverno.
A vitória do sol. Celebrada na chegada do inverno...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Assistência e humanização do parto: dois eventos imperdíveis, São Paulo e Florianópolis

Quero divulgar aqui dois eventos incríveis para quem se interessa pela questão da humanização do parto, pelo combate à intensa medicalização e ao excessivo abuso de cesáreas.
Um em São Paulo (em junho) e um em Florianópolis (em julho)

Vamos ao primeiro!
Dia 28 de junho, na Faculdade de Saúde Pública da USP, em São Paulo.
É o "Seminário Parir e Nascer no Brasil: Evidências, Desafios e Políticas".
Local: Anfiteatro João Yunes da Faculdade de Saúde Pública da USP, na Av. Dr. Arnaldo, 715, São Paulo.
O que será discutido lá?
Serão discutidas questões levantadas pela revista médica inglesa The Lancet, em artigo sobre a saúde de mães e crianças, publicado recentemente na edição especial "A Saúde dos Brasileiros", tais como "Como melhorar a qualidade da atenção, já que o acesso ao pré-natal e à assistência ao parto se tornou quase universal?"; "Como manejar problemas ainda persistentes como o excesso de medicalização do parto e o abuso de cesáreas, abortos inseguros, mortes maternas evitáveis, aumento da prematuridade e do baixo peso ao nascer?"; "Como vaixar mais a mortalidade neonatal, que atualmente representa dois terços dos óbitos infantis e que está reduzindo mais lentamente que os outros componentes?".
Contará, também, com a apresentação da pesquisa Nascer no Brasil: Inquérito Epidemiológico sobre Parto e Nascimento, que está em desenvolvimento e é o maior estudo já organizado sobre o tema no país.
Programação:

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Lovefield

"Lovefield", de Matthieu Ratthe. Emocionante.

E por falar em emoção e suspense, não deixe de ver esse vídeo incrível (enviado pela Raphaela Rezende, mãe da Alice e blogueira do Maternar Consciente).
O vídeo acabou e eu fiquei uns dois minutos dizendo: "Incrível! Incrível!".
Adorei o close na tatuagem, uma forma de reforçar aquela coisa de "sim, sou marginal, mato com faca". Estereótipos, estereótipos...
Esse vídeo trabalha muitas pequenas coisas e algumas bem grandes.
Muito bom mesmo.

Estou vivendo esse clima terrível de suspense para o resultado do novo doutorado.
Saiu hoje o resultado da segunda etapa, a da análise do projeto. Passei também. Ufa... sufoco.
Agora é esperar a análise de currículo, que é classificatória.
O resultado final sairá na semana que vem.
Aceita-se todo tipo de reza!
Aceita-se velas, incensos, batuques, novenas, despachos, leitura do Corão, e afins.

Sobre o filme. Assista. E depois, assista de novo. Vale muito a pena.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Adeus à Farmacologia - a longa história sobre como e porquê eu decidi abandonar a carreira de farmacologista e partir para um novo doutorado

video
 Clara dando sua primeira engatinhada, no seminário sobre Mulheres e Gênero (...),
um dia depois de deixar, definitivamente, a vida de farmacologista
(com Yanne e Caetano, amigos dela desde que nasceu)


Esse é o texto onde conto como estou abandonando minha carreira de doutora em farmacologia. De como estou tendo a coragem para fazer um novo doutorado, depois de 2 anos como doutora e com uma filha de 10 meses. É um grito pra todo mundo que quer mudar a vida mas acha que não dá mais, que tá muito velho pra querer começar algo do zero de novo. É longo e, portanto, não tenho a pretensão de que muitas pessoas dediquem seu tempo a lê-lo. Mas escrevo para marcar o fim de uma etapa. E começo de outra.

Venho falando, de maneira solta, nas entrelinhas ou indiretamente, sobre estar mudando de carreira. Mencionei isso em alguns posts, mas sem entrar em detalhes. Eu não havia falado com todas as letras antes por alguns motivos, inclusive porque estava fazendo um pós-doutorado e não sabia como fazer a transição de maneira tranquila. Mas agora que a transição se fez, me sinto livre para contar tudo.

Fazer ciência sempre foi um amor grande na minha vida. Mas logo que terminei o doutorado, fiquei grávida, e conheci um outro grande amor. Numa fase em que eu estava para prestar concurso público para docente nas universidades públicas... Tive que cancelar minha participação em vários deles, em função do avançado da gravidez e de não querer passar por mais estresse ao final dela - e porque eu já não sabia mais se era por aquele caminho que eu gostaria de seguir. Eu não tinha certeza ainda, mas algo estava mudando dentro de mim - além de um corpinho estar se formando. Algo estava mudando num lugar mais fundo que o útero.
Sem conseguir entender direito o que estava mudando, ainda grávida escrevi dois projetos de pesquisa de pós-doutorado. Um, aos 7 meses de gestação e o outro, aos 9 meses. Quando eu entrei em trabalho de parto, inclusive, estava terminando de escrever esse último. Das 29 horas totais de trabalho de parto, 4 eu passei escrevendo o projeto, porque não estava convencida ainda de que eram contrações as (ainda) pequenas dores que eu estava sentindo.
A Clara nasceu e quando ela fez 3 meses, recebi a notícia: o primeiro projeto havia sido aprovado. 1 ano de bolsa - uma ótima bolsa, que salvaria a lavoura - prorrogável por mais 1, no laboratório onde eu havia feito o doutorado, com minha antiga orientadora. Aceitei. Quando completaria 1 mês nesse projeto, a notícia: o segundo projeto também havia sido aprovado. 5 anos de bolsa - também uma ótima bolsa - numa empresa de biotecnologia. Fiquei muito indecisa entre continuar na área de pesquisa que eu sempre havia gostado - neurociência - com uma bolsa de 1 ano, ou mudar para uma nova área, totalmente diferente, com uma bolsa de 5 anos. Se eu fosse solteira e não tivesse minha filha, teria ficado na primeira. Mas como tudo muda, aceitei a segunda, pensando na estabilidade financeira
Foi um imenso sofrimento por ter que deixar minha filha todas as manhãs para ir para o trabalho, mesmo ela ficando com o paizão dela. Eu chorava pra sair de casa, no trabalho ia para o banheiro chorar, meu peito doía muito ingurgitado de leite - que eu não tirava pra poder acumular e ter o suficiente pra ela mamar quando eu chegasse e pra guardar pra manhã seguinte -, isso me dava dor de cabeça, sem falar que eu acordava umas 2 ou 3 vezes na madrugada para amamentar, mesmo tendo que estar de pé às 6 da manhã do dia seguinte. Foram 6 a 7 meses assim. Nesse sofrimento. Voltava do trabalho e não tinha muito pique pra nada, porque babava de sono. Só tinha pique pra ficar com ela abraçadinha ou passear com ela, o resto ficava no maior caos universal.
Juntamente com isso, algo de muito importante me aconteceu.
A maternidade me tornou uma pessoa muito empática ao sofrimento dos outros, muito mais do que eu já era. E eu passei a ser muito mais sensivel a todo tipo de causa. De chorar ao ouvir alguma coisa emocionante. De me envolver emocionalmente mesmo. E, nessa, entrou a questão da experimentação animal. Eu sempre havia trabalhado com observação do comportamento natural de roedores. Observava como eles se comportavam e tentava fazer analogias e extrapolações neurobiológicas. Era uma relação de imenso respeito aos animais. Sempre fui muito ética nessa questão, sempre. Mas depois que a Clara nasceu, eu não conseguia nem mais ler um protocolo que envolvesse experimentação animal de qualquer tipo. Cheguei a chorar duas vezes, lendo descrições de experimentos.
E aí um dia eu realmente entendi: eu havia mudado. De maneira irreversível. E se a Farmacologia ou outra área da pesquisa experimental biológica utilizava animais, então ela não era mais pra mim.
Junta-se a isso o fato de todo o processo subjacente à pesquisa farmacológica ser realizado de maneira, na minha opinião, desumana. Animalesca. Jogos de egos, jogos de vaidades, quem publica mais, quem obtém mais números, criando pessoas arrogantes e nada admiráveis por trás de seus títulos, com a qualidade do trabalho sendo avaliada por índices de impacto que mais afastam a pesquisa da população que o contrário.
Da população... a verdadeira financiadora de tudo.
Sempre me questionei sobre isso. Se é o imposto da população que paga a minha bolsa, então eu devo algo sim a ela. Eu devo satisfação. Eu devo resultados que melhorem REALMENTE a vida dela. Já. Agora. Nessa geração. Isso sempre me deixou insatisfeita em minha área... Por isso eu me enfiava em tudo que era ação que tentava divulgar a ciência para a população.
Então, juntando tudo isso, comecei a sentir que aquela não era mais a minha área, que não me fazia mais feliz, que não me realizava como profissional, como pessoa.
Mas eu não sabia como dar o salto, nem pra onde saltaria... E passei por todas as fases de uma "morte" mesmo. Passei pela negação, pela raiva, pela barganha. Até chegar na aceitação.
Sabia que não queria largar a ciência, esse grande amor. Mas não sabia como me encaixar mais nela... Nem como encaixá-la na minha nova vida de mãe. De mãe consciente. De mãe ativa. De mãe preocupada com as questões do parto. De mãe que gostaria de ver todas as mulheres sendo respeitadas em suas escolhas. De mãe que gostaria de ver outras mães sendo empoderadas em seus partos, em suas vidas, em suas famílias. De mãe que se conscientizou de que tem coisa muito mais importante na vida.

Entre minhas novas amizades, estão algumas mulheres que sofreram algum tipo de desrespeito no momento do parto. Eu comecei a ouvi-las e a me indignar. Eu, que sempre assumi meu coração batendo do lado esquerdo do peito, em prol de causas justas e de minorias - é, esquerdista, não nego, assumo.
Sim, eu também tremo de indignação perante uma injustiça no mundo. Fazer o Chê
Comecei a me interessar por isso exatamente quanto saiu a tal da pesquisa da Fundação Perseu Abramo, conduzida pelo professor Gustavo Venturi, que constatou que 1 a cada 4 mulheres é vítima de violência no momento do parto. Foi inclusive por meu interesse nesse assunto que as mulheres da lista de discussão sobre parto humanizado e maternidade consciente da qual participo me mandaram para São Paulo representá-las, no evento onde essa pesquisa seria apresentada.
Nesse momento, o prêmio L'oreal Para Mulheres na Ciência, prêmio anual conferido pela UNESCO, L'oreal e Academia Brasileira de Ciências a mulheres recém-doutoras, estava com inscrições abertas. Enchi-me de coragem e resolvi escrever um projeto de pesquisa sobre a ocorrência de desrespeito no parto e mandar para o prêmio. Só que eu precisava de alguém de dentro da universidade para assinar um documento. E foi assim que eu consegui um novo parceiro, um professor muito bacana do Departamento de Saúde Pública da UFSC, que não só assinou o documento como se mostrou muito interessado no tema.
Então eu varei madrugadas e madrugadas e madrugadas escrevendo o projeto. Estudei muito. Li muito. Dezenas de artigos. Me emocionei diversas vezes com relatos dramáticos de extremo desrespeito a mulheres. Me vi em cada uma. Eu, que vivi uma experiência respeitosa... Fiquei muito comovida. E por isso escrevi o melhor projeto que eu poderia escrever, com dedicação, com respeito, com força.
E acabou que o projeto ficou bacana, bonito e realmente relevante.

E aí um dia, voltando do trabalho, dirigindo, vi na minha frente, estampado, qual era o meu novo caminho. Vi que, sem planejar por aquilo, eu havia construído uma nova possibilidade. E, essa sim, tinha um coração.
Foi como ver a solução para o problema pintado na minha frente.
Arregalei os olhos, estufei o peito e disse: É ISSO.
Na mesma hora, peguei o telefone e liguei pro marido: "Eu já sei! Eu já sei! Foi como se me falassem no ouvido. Eu já sei o que eu vou fazer! Eu vou fazer doutorado de novo!".
Sinceramente? Eu esperava como resposta um anúncio de internação...
Mas quando ele me respondeu: "É isso o que você acha que tem que fazer? Então faça. Não dá pra viver insatisfeita como você tem estado. Tem que se gostar do que se faz, você tem que ser feliz", eu vi que estava no caminho...
Em 15 minutos eu cheguei em casa, olhei pra Clara e disse: filha, a mamãe já sabe o que precisa fazer.
E enquanto eu a amamentava, ia explicando a ideia pro marido, que achou bacana.
A ideia: fazer um doutorado no programa de Saúde Pública, onde o professor que havia se disposto a assinar o projeto pro prêmio dava aula.
Então, marquei uma reunião com ele e perguntei, no maior óleo de peroba, se ele achava viável e se aceitava me orientar.
E ele topou!
E eu vi que tem mais gente doida no mundo do que eu podia imaginar. Ainda bem.

Entrei na página do programa e vi - para minha imensa alegria - que o edital de seleção estava pra sair.
Aguardei 1 mês e o edital saiu. E a surpresa: uma prova com 30 questões. Em Saúde Pública.
Eu, que nunca tinha estudado nada a respeito, ainda teria esse desafio pela frente.
Dei uma desanimada...
Como passaria numa prova sobre algo que nunca tinha estudado na vida? Mais de 100 páginas de bibliografia sugerida. Eu, que mal dormia... Como iria estudar tudo aquilo?
Bom, não sei como, mas consegui estudar alguma coisa. Mas apenas uns 30% de tudo que precisava.
No dia da prova, que foi esse dia aqui, eu saí do trabalho correndo, passei em casa, nós três nos enfiamos voando no carro, marido foi dirigindo pra eu poder ir amamentando, ele me deixou no departamento e seguiu cuidando da Clara, mesmo no horário de trabalho dele. Ele foi muito parceiro nisso...
Sentei na cadeira e esperei a prova começar.
Cinco minutos antes de começar, liguei meu celular e vi a foto da Clara. E pedi pra Santa Clara clarear os meus caminhos, para que me acontecesse o melhor.
A prova começou.
Li a primeira questão e quis me atirar pela janela. Tive a impressão de que não era nem português. Aí logo identifiquei que era nervosismo, tratei de me acalmar e decidi ler cada questão e destrinchá-las até encontrar a resposta.
Terminei a prova. Saí com uma sensação de: "ou fui muito bem ou zerei" - sensação que me acompanha desde os primórdios da evolução humana.
Naquele dia mesmo, sexta-feira, dia 03 de junho, a noite, saiu o gabarito. E eu passei...
Agora sim o projeto seria lido e analisado. Porque a prova era eliminatória, quem não acertasse 18 questões estava fora, não teria nem projeto nem currículo analisados. E não é que eu passo?!

Isso era uma sexta-feira e eu ainda estava no pós-doutorado.
Na terça-feira seguinte, sentei pra conversar com a equipe de trabalho. Elas precisavam de alguém que não tivesse filhos ou família e que pudesse estar em lugares diferentes. E eu precisava me desvincular. Então conversamos e conciliamos tudo.
Saí dali naquele dia com a sensação mais maravilhosa de incerteza. Eu, que sempre gosto de ter certeza sobre tudo... Saí sem saber se realmente daria certo todo aquele plano. Mas saí feliz. Saí com a sensação de que estava indo para a felicidade.
E foi assim que eu resolvi abandonar a minha carreira de pesquisadora em Farmacologia...

Eu sei que nunca devemos dizer nunca. Mas no que depender de mim, eu não pretendo voltar a um laboratório de farmacologia por outro motivo que não seja visitar os amigos ou discutir assuntos do meu interesse pessoal. Sem experimentação animal. Nunca mais.
Eu demorei 13 anos entre me formar, fazer um mestrado e um doutorado. E levei alguns poucos meses pra saber que era tempo de deixá-lo ir...

O processo seletivo para o doutorado da Saúde Pública está em andamento. Está na fase de análise do projeto, fase também eliminatória. Depois, virá a análise do currículo. O resultado está previsto para sair dia 21 de junho. Eu poderia estar repetindo o mau comportamento de outras experiências e me descabelando e pensando "meu Deus, e se não der, o que eu vou fazer?!", bem doida, bem descontrolada. Mas dessa vez resolvi "deixar a vida vir até mim", como disse uma mensagem que minha mãe me mandou esses dias. Resolvi parar de querer controlar tudo, numa missão fadada ao fracasso. Tenho dormido bastante com a Clara de manhã cedo, aproveitando o quentinho das cobertas com ela, nesses dias super frios aqui do Sul. Tenho arrumado as coisas aqui em casa como eu gostaria de ter arrumado em todo esse tempo de doideira. Tenho estado com ela todo o tempo - e o padrão de sono dela já mudou, eu já percebi. O sono dela está mais tranquilo e profundo.
Enfim. Tenho a sensação de que estou onde deveria estar, agora...
E, como a vida é uma coisa muito, muito linda, no dia seguinte à minha saída do pós-doutorado e com a decisão de abandonar a carreira de farmacologista tendo sido tomada, eu e a Clara fomos juntas assistir à apresentação do estudo da Fundação Perseu Abramo, "Mulheres e Gênero nos Espaços Público e Privado Brasileiros", apresentado pelo Gustavo Venturi, que eu já havia tido o prazer de conhecer e com quem pude conversar mais um pouquinho.
Vejam só que coisa... eu e minha filha, juntas, no seminário sobre gênero que apresentou os resultados que ajudaram a mudar a minha vida.
E foi ali, naquele auditório do SESC-Cacupé, no mesmo local onde acontece o Bazar Coisas de Mãe, que foi criado para congregar mulheres que redirecionaram suas carreiras para estar mais tempo com os filhos, num seminário que apresentou dados mostrando que 1 a cada 4 mulheres é vítima de violência no parto, que eu coloquei minha filha no chão... e ela saiu engatinhando pela primeira vez...

Parei de assistir ao seminário, corri pra pegar o celular e consegui filmar a primeira engatinhada dela, firme e segura como se tivesse feito aquilo sempre.

Ela esperou eu firmar meu passo pra firmar o dela.

E agora vamos caminhar juntas.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A arte de combinar ciência e arte - sobre a "Ligia e Frank Corporation"

 Essa foi o meu cartunista quem me mandou..
É bom ser namorada dele. Não só porque ele escreve na lua.

Em junho de 2009 eu vivia uma típica vida de solteira. Trabalhava bastante, terminando meu doutorado, tinha acabado de mobiliar um apêzinho e fazia pouco que havia conhecido umas pessoas muito bacanas que se tornaram meus amigos queridos e ajudaram a mudar a minha vida, de uma coisa meio chata que era antes pra algo muito, muito interessante. Quase todas as noites eu tinha programação bacana, de filmes a jantares, de bate-papos a cafezinhos,um monte de coisas boas que me salvaram da insanidade temporária que acomete os doutorandos em fase conclusiva. Nessa, eu conheci o meu namorado. Que se tornou pai da Clara. E depois meu marido. Nessa ordem. Nós nos conhecemos em maio de 2009. No dia 11 de junho, eu aceitei o convite dele para um vinho. Nos enrolamos mutuamente durante 4 meses, até que no dia 20 de outubro do mesmo ano, ele virou pra mim e disse: "Ó, tá rolando viu? Você é minha namorada, tá?", é, assim, como me comunicando, o pobre... Três dias depois, eu defendi o doutorado e fiquei grávida, mas só soube disso 1 mês depois. Toda essa história eu conto aqui.
Hoje eu escrevo pra dizer, portanto, que nesse fim de semana, que começa logo mais, nós comemoraremos 2 anos de história. E desde o dia em que eu aceitei o convite dele pra tomar um vinho num café em Floripa
até agora, nós estivemos bastante ocupados, não? Eu terminei um doutorado, fiquei grávida, batalhamos juntos 9 meses de descobertas e muitas dificuldades, nasceu nossa filha, montamos uma família, eu comecei um pós-doutorado, já saí dele, e hoje temos uma criança lindíssima e sorridente de 10 meses.Esses dias, eu fui comprar uns tecidos pra festa de aniversário de 1 ano dela. Demorei cerca de 35 minutos pra ser atendida na loja. Ele e Clara estavam juntos comigo, como estão sempre - fazemos quase tudo juntos. E ele lá, na maior tranquilidade, passeando com a Clara. Fui atendida e demorei um pouco pra escolher o que eu precisava. E ele lá. Até que a senhora que estava no balcão não se aguentou e disse: "Olha, sabe quando eu vejo um marido esperando a mulher com essa calma, e ainda cuidando da filha? Nunca, minha filha, nunca!". Não é por nada não, dona. Mas eu também nunca tinha visto não.
Não sou uma hipócrita que tenta pintar a vida de rosa pros outros, como tanta gente faz. Nossa vida não é rosa não. Nossa vida é bem vermelha. Dos acessórios do quarto da Clara ao número da conta bancária. Vermelho de intenso. Nós somos chatos, cricas, geniosos, teimosos, turrões e todo mundo com o mínimo senso de realidade sabe o que pode sair de um relacionamento entre duas pessoas assim. Mas não vivemos uns sem os outros. Estamos sempre juntos e misturados.

Tenho orgulho de ser casada com ele. A Clara nunca poderia ter um pai melhor. Eu mudei minha vida sim, depois que a minha filha nasceu. Mudei muito. Mas ele mudou mais. Até a última terça-feira, era ele quem cuidava dela todas as manhãs para que eu fosse trabalhar. E ele me ensina muito - por mais que ache que não - sobre ser solidário, solícito e carinhoso. Ele me faz lanchinhos e mais um tanto de coisa que eu vivo pedindo. E quando eu estava grávida, ele abraçou a causa do parto domiciliar tanto quanto eu. Esteve envolvido em tudo, esperou a Clara com amor e ansiedade, fez questão de ir em todas as consultas e exames. E sempre esperava a equipe de parto domiciliar, em suas visitas semanais, com bolinho pronto e cafézinho cheiroso. Ele, que faz um café como ninguém. E que fez questão de aprender a fazer bolo especialmente pra isso, pra receber as parteiras que trariam a nossa filha. Ele anda de sling feliz e orgulhoso. E me abraça quando estou caminhando com ela no colo, todo orgulhoso da própria família. No último dia em que estive fora, a trabalho, liguei e ele disse: "não posso agora, estou amamentando" - na hora exata em que dava pra nossa filha o leite que eu deixava guardado pra isso.
Existem algumas frases que foram ditas por ele que nunca saem e nem sairão da minha cabeça, pelo que representam... Essa do "estou amamentando" é apenas uma.
- A resposta dele ao meu anúncio de "estou grávida" foi abrir os braços, dar um sorriso e dizer: "Parabéns, meu amor, nós vamos ser pais" - o detalhe que faz toda a diferença é que namorávamos a apenas 1 mês... Opa!
- Na saída da consulta sobre parto domiciliar, quando o levei pra conhecer a proposta, eu perguntei "E aí, o que achou?" e ele disse "Tô junto com você. É isso. Se você quer, eu também quero".
- Depois de 29 horas de trabalho de parto em busca do parto normal, após me ouvir pedindo para fazer uma cesárea para evitar o sofrimento fetal da minha filha, ele veio correndo e me disse "Mas e você?" - pensa?! Um homem está esperando a filha chegar há 29 horas e se preocupa acima de tudo com a mulher que está ali prestes a ser operada, com o desejo dela, com o que ela queria?! Que homem é esse?
- Há cerca de 1 mês, ele disse outra, que me ajudou a ter forças pra tomar uma das decisões mais importantes de toda a minha vida: abandonar a carreira de doutora em Farmacologia. Ao falar pra ele sobre meu plano, que envolve largar uma carreira e fazer um novo doutorado (Oi?!), ele me olhou e disse: "se é isso que vai fazer você feliz, então eu acho que é isso que você tem que fazer. Você tem que ser feliz, não dá pra ficar assim insatisfeita". E disse isso mesmo sabendo que a mudança de plano talvez envolva a quebra da segurança financeira...

Teremos agora um fim de semana "dos namorados", pela frente, já que domingo é o tal do dia dos namorados. Pra comemorar nosso encontro, vamos fazer um programa bem legal em família. Vamos sair por aí, visitando cidades de Santa Catarina, nesse frio, para que eu e Clara possamos conhecer algumas coisas legais. Eu, que moro aqui há 6 anos, não conheço nada catarinense além de Floripa e Balneário Camboriú. Clara também não conhece nada aqui, ela chegou faz 10 meses, foi até SP duas vezes, mas não conhece o estado onde nasceu.
Então ele vai nos levar pra conhecer.
Como diria Fernando Pessoa... "A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas...".
Tem gente que quer entender tudo sobre como a lua funciona. E tem gente que escreve nela.
Ambos são importantes e necessários para a vida.
E quando eles se encontram, dão origem a coisinhas super legais.
Que também responde pelo nome de Clara...

Como se forma uma pessoa, parte 1 - formação musical

Acima de todas as outras que sugiro abaixo, essa é a que mais me define. Com toda a certeza.

Sou uma pessoa altamente reflexiva que reflete sobre tudo o que vive e viveu, e ainda fico confabulando sobre "meu Deus, o que será que ainda vou viver?". Vez ou outra me pego pensando em como foi que me tornei a pessoa que sou hoje. Tenho pensado especialmente nisso desde terça-feira, quando minha vida começou a mudar de maneira decisiva, com grandes doses de coragem e alívio, e poucas doses de apreensão, pra falar bem a verdade...
Como todos, sou a soma das boas e das nem tão boas experiências, de alegrias e tristezas, de erros e acertos. Vim de uma família atípica. Nunca vi, por exemplo, outras famílias agindo como nós agimos em momentos de crise. Geralmente, nessas horas, deixamos de ser vários e nos tornamos um. Permanecemos juntos quando sentimos muita dor. Perdemos gente muito querida, que amávamos acima de muitas coisas, e nessas horas nos aglutinamos como coacervados e, também como eles, damos origem a novas formas de vida. Nossas ainda, mas novas. E repelimos quem não entende esse nosso comportamento aglutinante.
Somos assim. Altamente fortes, altamente intensas, nos atrapalhando muitas vezes com nossos próprios sentimentos, mas somos éticas, acima de tudo. Somos de base religiosa espiritualista - exceto os ateus, que têm aumentado em número (risos altos aqui!) -, embora tenhamos sido criadas por uma pessoa que sempre nos disse que "quem tem ética não precisa de religião".

Meus pais cometeram erros - muitos deles com eles próprios - mas também muitos acertos. Não foi por obra do acaso que cheguei até o máximo da formação científica e, consciente de que isso não é suficiente para que uma pessoa seja um bom cidadão, sempre quis ir além. Não sou quem sou, essa pessoa determinada e científica e socialmente comprometida, porque "ah, nasci assim", ou "sou leonina", ou "sou genótipo + fenótipo", ou porque "me tornei mãe". Também por essas coisas todas, mas não só.
Sou quem sou porque recebi a nata da formação educacional, sem que eles tivessem, às vezes, nem o leite. Sou quem sou porque recebi coisas boas, coisas nem tão boas, peguei esses ingredientes e fiz meu próprio bolo.
Mas o que eu quero dizer mesmo é que eu procuro ser uma mãe pra Clara também com base no que eu recebi e no que eu vivi. Evitando os erros. Mas, principalmente, tentando reproduzir os acertos. Que foram muitos.
Nós fomos criadas com referências culturais muito fortes e muito boas, ao meu ver. O tipo de música que rolava em nossa casa era sempre de alta qualidade. Dos mestres da música popular brasileira às clássicas e imortais bandas de rock, sempre tivemos contato com a nata da coisa. Lívia e eu, que somos as mais ligadas em música, temos conceitos musicais muito parecidos e muito bem definidos. Sabemos discutir qualidade musical desde pequena. Isso sem falar nos livros que lemos, sempre incentivadas por eles, dos programas que fizemos quando criança, das experiências que eles sempre procuraram nos proporcionar, das coisas que procuraram evitar.
Então, não é obra do acaso o fato de, hoje, sermos 3 mulheres bacanas - 3 filhas, 2 mães, 2 cientistas, 3 pessoas corretas.
Fica aqui, então, a dica pra quem quer oferecer coisas boas aos seus filhos...
Por exemplo:  ao invés de deixar a criançada mofando nos apartamentos, é bom levá-los pra rua, pra ver gente bacana, para que tenham também boas referências, para que ouçam e vejam boas coisas. Aqui em Floripa, por exemplo, vai rolar a Mostra de Cinema Infantil. Aí, é uma boa dica... A Clara já me falou que vai. Assim como ela já foi a show de música clássica, já assistiu o maestro João Carlos Martins, já foi no cinema, já foi em museu, defesa de tese e em seminário de gênero. Se você acha que "eles são muito pequenos, nem sabem onde estão e o que estão fazendo ali", vai se atualizar, vai, meu bem. E rápido. Antes que seus filhos cresçam e te cobrem pela falta de boa programação na formação deles.

Aí embaixo, dou apenas algumas dicas sobre o que a gente ouvia em nossa casa.

Tá, agora avacalhando tudo - parte que eu adoro!
Vâmo combiná que, olhando tudo isso, dá pra entender facim facim porque é todo mundo mutcholoco. Tá, mutcholoco não, mas assim meio... meio... digamos... extravagantes.
Como é que uma pessoa que é exposta repetidamente a um cabelo como o do Moraes Moreira, uma tremida de garganta do Fagner, um reboleixan do Ney ou ao sei lá o quê dessas pessoas pode crescer normal? Hein? Brincadeiras à parte, eu sou muito mais a bizarrice toda dos anos 80, com seus alimentos estranhos, suas formas tóxicas de matar piolho, seus brinquedos politicamente incorretos, que essa bizarrice superficialóide e altamente imbecilizante do século XXI. Posso dizer que a modernidade do século XXI me frustrou bastante e está deixando a desejar... Eu, que queria ser engenheira aeronauta quando criança, entendo perfeitamente porque os ETs ainda não se manifestaram.

Abaixo, seleção totalmente anos 70-80 para criação de filhos bacanas.

Coitada, coitadinha da galinha d´angola... se liga no rebolado desse que eu adoro até hoje. Esse Seco e Molhado requebrante é tudo de bom!

Ok. O que é esse cabelo? E esse efeito especial das abelhas "voando" sobre as flores?
Depois eram os Beatles os lisérgicos do mundo musical...

Bicho, se eu cruzo com um figura desse a noite, morro enfartada. Mas talvez por minha memória emocional, sempre gostei dele. Sempre. Uma vez, tomei uma cerveja com ele em Olinda, assistindo ao jogo da copa do mundo. Fiz questão de comentar: véi, tu me assustava, véi...

Eu jurei que nunca diria em público que quando criança eu imitava o Fagner maravilhosamente bem. Prontofalei.

Depois a pessoa passa por umas fases porra-loucas e ninguém sabe porquê.

Depois a pessoa casa com um cartunista que vive espalhando dezenhos pela casa e dizem que é obra do "acaso".

Essa eu nunca gostei muito não. Eu chorava ouvindo, quando era criança. Porque parecia que os pais da criança não iriam mais querê-la se ela crescesse. Acho que eu tinha medo que isso me acontecesse... Hoje, já entendi que não era nada disso. Mas só entendi depois de me pegar cantando pra Clara muitas vezes.


Bem, e enquanto eu escrevia esse post, sem que ela soubesse, minha mãe me mandou um e-mail dizendo que me embalava ao som dessa música. Bom, aí eu já não indico, tá pessoal?
Vai que a pessoa cresce, quer subir em palanquinho e desenvolve uma veia militante, né?
Melhor não, melhor não...

Tá, tem mais, tem muito mais... Mas já ficou longo demais isso aqui. Fica pra outra hora.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Clara espalhando... alegria!

 Era uma vez um tapete de algodão cru e uma estante de madeira de reflorestamento, cheia de obsoletos CDs - que estão ali com os dias contados -, porta-cds com formatos inusitados de sapo ou sanduíche, caixa de incensos, uma caixa LOTADA de dvds de filmes que gostamos, um livro do Pasquim e um da Mafalda, uma caixa-cofre de madeira que nunca mais se abriu. Tudo vivia ali na mais monótona vida, sem emoções, sem sobressaltos. Pacato, pacato, chato até...
Até que um dia, um evento misterioso aconteceu.

 A vida dos tristes objetos foi sacudida, revolucionada, remexida!
Os dvds de filmes se libertaram! "Livres, livres, estamos livres!"
O brinquedo de madeira emprestado pela Gabi, que foi da Bebel e do Bento, se libertou de sua posição tradicional! "Estou de ponta cabeça agora! Chega de estar sempre do mesmo jeito!"
O brinquedo cheio de luzes emprestado pela Nani, e que é da Lelê, ficou ali no meio, perdido, se sentindo amedrontado! "Onde está a ordem?", ele perguntava, incrédulo...
Uma vida confusa, porém alegre, foi apresentada a eles! 
O tapete, o pobre tapete anteriormente tão mortinho, ganhou vida!
Mas que misterioso evento foi esse que trouxe vida a um lugar antes tão desinteressante?
 Depois de analisar as evidências, colher dados, recorrer a referências atuais, cientistas locais chegaram ao fenômeno causador...
 
... que, serena e contemplativamente, admirava sua obra, que tanta alegria,
movimento e charme trouxera para o local.
 
 "Tá bom, mãe, tá bom. Eu deixo tudo arrumadinho travêis..."
 
A primeira baguncinha a gente nunca esquece...
Fiquei tão orgulhosa...
Quero ver quanto tempo vai durar essa de orgulho.

Mamaço Nacional e o poder da mobilização feminina através da internet

 Fonte: O Diário Catarinense
(ói a Clara ali mamando, minha gente!)

Domingão foi o Dia Mundial do Meio Ambiente e confesso que fiquei com total preguiça de falar qualquer "viva! que legal!" sobre isso, porque ainda estou de ressaca com a aprovação do novo Código (Anti)Florestal brasileiro. Estou na campanha pelo VETA DILMA!, esperando que algo seja feito a respeito...

Mas enquanto eles não fazem lá, a gente faz a nossa parte aqui.
Aqui e ali e lá e acolá.
Em muitas cidades brasileiras.
Nesse último domingo, em diferentes cidades brasileiras e com a ideia partindo aqui de Floripa, foi realizado o grande Mamaço Nacional, exatamente no Dia Mundial do Meio Ambiente.
Mulheres reunidas para pedir o RESPEITO AO ATO DE AMAMENTAR EM PÚBLICO e tentando evitar que a barbárie, a tacanhez, o falso moralismo, a ignorância e a idiotice humana nos impeçam de amamentar nossos filhos onde e quando as crianças assim quiserem. Um movimento que defende o direito dos bebês e crianças de mamarem onde quiserem, muito bem e obrigada.
O Mamaço Nacional foi um grande sucesso!

Choveram centenas de felizes comentários hoje via internet, o mesmo local por onde todo o movimento foi articulado. Mulheres com sentimento de dever cumprido, meios de comunicação divulgando e apoiando, repercussão muito positiva, gente que a gente nunca viu na vida - e tem tanta coisa em comum - enviando e-mail, a coisa mais emocionante do mundo.
Aqui em Florianópolis, o Mamaço aconteceu às 15 horas, no trapiche da Av. Beira Mar, uma das principais da cidade. Contou com cerca de 30 a 40 mães e seus familiares, que levaram muito alto astral e comprometimento.
Foi um desfile de bebês e crianças saudáveis, felizes e tranquilos, além de um banho de beleza feminina. Um monte de belas e conscientes mulheres, ostentando no colo a marca da maternidade ativa e consciente e da militância pró-amamentação. Mulheres com aquela beleza que só uma maternidade bem exercida nos confere. Uma beleza que vai muito além dos catálogos, ditames e convenções.
O evento em Florianópolis foi matéria no Diário Catarinense (clique aqui para ler) e, também, no Portal G1 (clique aqui também).
Os mamaços em diferentes cidades também foram matéria em diferentes meios de comunicação. Ói que coisa mais linda:

- Clique aqui para ver o de Recife
- Clque aqui para ver o de São Paulo
- Clique aqui para ver o de Belém
- Cliquei aqui para ver o de Curitiba
- Clique aqui e aqui para ver o de Belo Horizonte
- No Rio de Janeiro, por causa do mau tempo, o mamaço será realizado no próximo domingo, dia 12 de junho
- Estou sem o link para os de Brasília, Campinas e mais alguns que também se realizaram em outras cidades

O movimento do mamaço nacional, especificamente, começou porque uma mãe maluca aí, provavelmente que não tem muito o que fazer, ficou muito fula da vida com um tal colunista de um tal jornal, que falou um monte de asneira sobre amamentação. Aí , depois de ir lá no jornal e deixar um monte de comentário, depois de escrever pra ombudsman do jornal e de fazer um post desaforado sobre o assunto, ela foi lá no grupo Mamaço Virtual  - criado por uma outra mãe que teve sua foto amamentando retirada do Facebook pelo próprio Facebook - e disse mais ou menos assim: "Que tal se a gente fizesse um grande Mamaço Nacional? Mulheres se organizando em cada cidade, nas principais capitais do país, para que possamos fazer um grande mamaço no Dia Mundial do Meio Ambiente? Pra mostrar em grande escala que nossos filhos têm direito de mamar onde e quando eles quiserem?". E porque um monte de outras mulheres também esperavam uma oportunidade para reivindicar o direito que SEUS FILHOS TÊM de mamar em qualquer lugar e a qualquer hora, se enxergaram nessa sugestão, se mobilizaram, se empoderaram e doaram seus tempos, energias e esforços pra fazer isso virar realidade. Mostrando que não basta ter uma ideia, deve haver uma articulação de energias e esforços para que ela vire realidade.
E virou!

Foi lindo ver mães, pais, apoiadores, entre pessoas que amamentam e pessoas que não amamentam, todos juntos em prol de uma causa.
Fiquei muito feliz, me senti muito emocionada e, claro, ainda mais motivada a continuar nesse caminho que passei a trilhar desde a gestação da Clara, de praticar a maternidade ativa e consciente com todo fervor e usar a maternidade para conectar pessoas. Sim, eu não paro - como dizem minhas amigas. E não tem quem me pare.

E aproveitando: dia 24 de junho é o Dia Internacional do Leite. Com toda certeza do mundo, não foi um dia criado para enaltecer as virtudes e benesses do aleitamento materno e, sim, para disseminar a cultura do leite de vaca e seus ruralistas bacaninhas, além de incentivar o seu consumo.
Vai aqui o chamado, pois. No dia 24 de junho, entre na POSTAGEM COLETIVA:

DIA INTERNACIONAL DO LEITE - PARA O BEBÊ, O MELHOR LEITE É O DA MÃE

Clique aqui para o convite oficial.
A ideia é essa aqui, ó:
...disseminar a informação de que o leite materno é o melhor para o bebê. O leite artificial deve ser utilizado apenas quando não há possibilidade real de amamentação, quando a mãe encontra alguma dificuldade fisiológica para amamentar ou em casos específicos. Dar o leite artificial ou o leite de vaca no lugar do leite materno quando a mãe tem condições de amamentar não traz benefício algum. A ideia desta POSTAGEM COLETIVA é UNIR todas as pessoas que são pró-amamentação, quer amamentem ou não, e ajudar a difundir a importância do aleitamento materno. Quem tem blog, faz um post. Quem não tem, posta em seus sites pessoais o lembrete de que o leite materno é o melhor alimento para o bebê
 Repito: Quem tem blog, faz um post. Quem não tem, posta em seus sites pessoais (Orkut, Facebook, Twitter, etc) um lembrete de que o leite materno é o melhor alimento para o bebê.

Esse povo que não faz nada da vida e vive inventando é uó, né não?

Mais uma do Mamaço em Floripa:

Aqui, uma pequena parte de nós. Foto que ganhei de presente
dos queridos Paulo e Ana, pais do Bernardo, que também tá ali
se esbaldando de leite da mãe! Na foto estão a Mariana e a Carol,
que se dispuseram a organizar a iniciativa aqui em Floripa.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...