quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Sobre santos, partos e protagonismos

Há alguns dias atrás, assistindo a uma reportagem sobre nem me lembro mais o que, um sujeito estava sendo entrevistado e, embaixo da tela, apareceu seu nome. “Raimundo Nonato”. Bateu a curiosidade sobre o fato de tantos brasileiros receberem esse nome.
E lá fui eu googlear o nome do sujeito.
Raimundo Nonato. E... “Até tu, Google?!”
Sim.
Tem a ver com partos e variações sobre o tema. Incrível como o assunto vem espontaneamente quando estamos realmente envolvidos...
Então tá. Vou te contar quem foi Raimundo Nonato.

Foi um santo. São Raimundo Nonato. Um catalão que viveu no século XIII, membro da ordem dos mercedários (de Nossa Senhora das Mercês) e ajudava a resgatar os cristãos capturados pelos mouros ou islâmicos e levados para as prisões da Argélia, onde eram escravizados. Cara corajoso esse, mexer com os islâmicos... Libertou mais de 150 escravos! Algumas vezes, se oferecia para o cativeiro no lugar de outras pessoas, e acabou sendo muito torturado. Ainda assim, conseguiu converter muitos ao cristianismo e, por conta disso, os muçulmanos mandaram que furassem sua boca e a fechassem com cadeados, para que não divulgasse mais o cristianismo. Sofreu 8 meses assim, até que foi resgatado. Voltou à sua terra natal e, lá, foi nomeado cardeal pelo Papa Gregório IX. Quando saiu para uma missão em direção a Roma, com a saúde muito fraca em função das torturas anteriores, adoeceu, foi acometido por febres muito fortes e morreu, aos 40 anos. Morreu no dia 31 de agosto de 1240.
Então hoje, 31 de agosto, é comemorado o dia de São Raimundo Nonato.
Guardei essa notinha pra escrever exatamente hoje, dia desse santo.
História emocionante, não? E olha que nem católica sou. Mas vale pela história de altruísmo, de amor e respeito ao próximo.
E onde é que fica o parto nisso tudo?
No nome.
Nonato. Do catalão Nonat, o que nasceu do ventre de uma mãe morta. Ou “não-nascido” de mãe viva. Sua mãe morreu durante o trabalho de parto. E, ainda assim, ele foi retirado do útero da mãe mesmo após seu falecimento, o que era raríssimo até então.
Um Santo nascido de “cesárea” em 1200!
Em função do parto difícil, ele foi nomeado o patrono das parturientes, parteiras e obstetrizes.
Achei muito curioso isso... E uma pulguinha pulou bem atrás da minha orelha.
Fui a fundo na história. Bem a fundo. E compartilho aqui a minha análise crítica-reflexiva. E nada ingênua.


Quer dizer então que justamente um santo cujo nome vem do fato de sua mãe ter morrido no parto é que foi designado como patrono das parteiras?!
Mas vem cá... Será que o patrono das parteiras, responsáveis oficiais pelos partos e nascimentos desde que o mundo é mundo, não deveria ser um santo ou santa nascido de mãe que pariu com louvor? Quiçá de uma mãe que pariu sozinha, ou com seu marido, em sua casa – quem sabe até num estábulo (hein? conhece alguém famoso nascido assim?) -, uma vez que sempre foi esse o trabalho de uma parteira? Mas não...
Escolheram como patrono das parteiras um cuja mãe morreu em trabalho de parto e que só pôde realizar tudo de bom que realizou porque, ó glória científica!, foi salvo por uma barriga aberta após a morte de sua mãe. O santo das parteiras é um santo nascido por cesariana.
Não seria, portanto, o caso de se analisar quando foi que São Raimundo Nonato, o “não-nascido” de mãe viva, foi nomeado patrono das parteiras pela Igreja Católica?
Bem, se minha análise crítica estiver certa, aposto que foi no Renascimento.
Aposto que um santo que nasceu em 1204, de uma mãe falecida em trabalho de parto, foi nomeado patrono das parteiras 400 anos depois.
Bingo! Foi em 1681.
Tempos renascentistas! Auge da ciência médica! Auge do conhecimento científico!
Auge também do descrédito àqueles que representavam ameaça ao saber técnico, científico, controlador, limitador. Parteiras viraram bruxas. Curandeiros, profundos conhecedores dos remédios e práticas restauradoras naturais – os verdadeiros farmacologistas de outrora -, viraram seres dominados por demônios.
Mata todo mundo! Queima todo mundo!
Agora é a vez e a hora da ciência médica.
Mata tudo que não for ciência médica. Queima. Diz que é louco e trancafia.
E, então, foi justamente quando a ciência médica seguia sua caminhada em direção ao esmagamento de tudo o que não era considerado técnico, que um santo nascido de mãe morta foi nomeado patrono das parteiras.
Nós poderíamos pensar que a ciência médica daquela época estivesse de mãos dadas com a Igreja, a ponto de conseguir que um santo nascido naquelas condições simbolizasse o trabalho de uma parteira. Mas seria um ledo engano. A ciência médica e a Igreja não poderiam se dar as mãos, fazer uma parceria, um trabalho colaborativo. Simplesmente porque elas eram a mesma coisa. 
Ciência médica, por muitos e muitos anos, foi um saber restrito ao clero. As bibliotecas médicas e científicas ficavam trancadas a dezenas de chaves dentro dos mosteiros – conventos não, porque convento é coisa de mulher e mulher não é de confiança, mulher pode virar bruxa a qualquer momento – e abadias. A Igreja manipulou, por muito tempo, o conhecimento científico que ia sendo obtido, atribuindo os resultados das práticas científicas realizadas a efeitos divinos, a castigos, a pecados, a justos merecimentos. Se você acha que estou exagerando, não deve conhecer nem Umberto Eco, nem sua obra intitulada "O Nome da Rosa"... 
Só consegui fazer essa análise sobre o nome do santo e de como sua história se relaciona com o fato de ser patrono de quem é, em função de ter finalizado nesta semana a leitura do livro "Do Mágico ao Social", do Moacyr Scliar. Li esse livro para a disciplina de "Ciências Sociais, Saúde e Sociedade", que estou cursando no doutorado, e recomendo fortemente. Sensacional.
Fica aí minha manifestação contra o fato do santo padroeiro das parteira ser um santo nascido de mãe morta.
Mais uma pro rol das mensagens subliminares que vão moldando nossas crenças sem nem nos darmos conta...
É assim que as coisas são feitas... Mensagens cifradas são mandadas em formas de “homenagens”.
Se você não é muito crítico, nem muito investigativo, nem percebe. Mas o fato de não perceber não significa que a mensagem não foi dada. Ela foi dada. Seu cérebro captou mesmo sem passar pelo nível da consciência.
Tanto é assim que a maioria das pessoas se apavora ou saber que uma mulher vai parir fora do hospital, com auxílio de parteiras. O inconsciente, que aprende muito bem as lições, rapidamente se coloca apostos, gritando: “Cuidado! Com parteira é perigoso, com médico é seguro!”. 
Veja um exemplo.
É uma matéria dessa semana tirada de um jornal de Lisboa, pra mostrar que não é só aqui no Brasil que isso acontece:

Marido ajuda mulher no parto do quinto filho

Uma mulher deu à luz na sua própria casa, em Vandoma, Paredes, ontem à tarde, e teve como parteiro o marido. Só a parte final do parto foi assistida por três bombeiros da corporação de Baltar. Com 34 anos, a mulher foi mãe pela quinta vez e revelou aos bombeiros que não sentiu qualquer contracção ou dor antes de entrar em trabalho de parto. "Encontrámos a mãe sentada na beira da cama e o marido a segurar em metade da bebé. Ela disse que foi tudo muito rápido", recordou António Moreira, de 33 anos e que, em menos de um ano, fez o segundo parto fora do hospital. Vera Lúcia, assim se chama a recém-nascida, foi transportada para o Hospital de Penafiel, e, tal como a mãe, encontra-se de boa saúde.

Agora te pergunto: quem foram os protagonistas desse parto? Resposta: a mulher (a maior protagonista), o bebê e o marido. E quem está na foto pagando de herói?
Pois é.
É sempre bom estar atento pra saber se o nome da rosa é o que estão querendo te mostrar, ou se é só um apelidinho.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Há um menino, há um moleque...

 1 ano da chegada do Murilo, o bendito fruto entre as Moreiras
(ilustração feita pelo Frank em homenagem à Clara e ao Murilo quando eles estavam pra nascer...)

"Ele não era um menino comum, isso eu soube desde que o vi. Foi quando eu senti, mais uma vez, que amar não tem remédio."
Caio Fernando Abreu

Querido sobrinho, quem te escreve é sua tia que mora longe, a mãe da sua prima e amiga Clara, que veio junto com você de lá do mundo dos bebês...
Estou escrevendo hoje, dia em que você completa 1 ano de vida fora da barriga da sua mãe. Ah, a sua mãe... Que mãe você escolheu... A sua mãe é uma pessoal incomparável. Nós somos muito amigas. Na verdade, nós três passamos uma infância muito unida, temos lembranças muito boas umas das outras. Nessa de lembrar, eu e a sua dinda lembramos sempre que, quando perguntávamos pra sua mãe o que ela queria ser quando crescesse, ela dizia que queria ser MÃE e CANTORA. Pois é... ela não virou cantora. Mas por sua causa ela se tornou mãe.
Sabe, querido, eu estava com ela no dia em que ela descobriu que você chegaria em breve. Ela estava na minha casa; veio para me ajudar quando a Clarinha esteve em perigo na minha barriga. Aí ela começou a passar mal, achou que era o calor, aí se enjoou, uma loucura. Cogitei a possibilidade dela estar grávida também... Ela me chamou de doida e não me deu ouvidos. Mas os dias foram se passando e ela foi ficando mais enjoada. Então, na madrugada de 24 para 25 de dezembro de 2009, depois que terminamos a ceia, fomos nós duas numa farmácia aqui em Floripa e compramos um teste de gravidez. O cara da farmácia não entendeu nada: duas moças idênticas na noite de natal comprando um teste de gravidez...
Bem, mas aí ela foi dormir e eu disse: "Olha, amanhã cedo você faz esse teste e corre me chamar". E fomos dormir. Quer dizer, eu fui dormir, mas ela deve ter passado a madrugada em claro. Seu pai também estava, Lilo. Ele dizia que estava tranquilo...
Aí no dia seguinte, muito cedo, o meu celular tocou. Eu, meio dormindo ainda, olhei e vi no visor "LENITA". Mas que ráios ela tá me ligando a essa hora se tá dormindo aqui no quarto ao lado?! Terminei a frase e arregalei os olhos. Saí da cama correndo - eu, que nem podia correr. E quando abri a porta do meu quarto, estava ela lá com uma fitinha na mão, chorando-rindo de feliz: "Tô grávida". Eu dei um grito e a abracei bem forte. Choramos juntas.
Você estava chegando, meu querido...
Junto com a Clarinha.
Nós acordamos todo mundo. Lógico, isso depois da sua mãe voltar pro quarto pra contar pro seu pai. Sobre isso eu não escrevo porque eu não estava lá, só eles estavam, só eles podem te contar o que aconteceu. Mas pelo tamanho do sorriso do seu pai quando saiu do quarto, ele também estava feliz. Assustado, o pobre, mas feliz.
Tiramos uma foto daquele momento pra mostrar pra você e pra Clara um dia. É uma lembrança do dia em que soubemos que seríamos mães juntas, porque vocês estavam chegando.

Sabe, Lilo, eu e a sua mãe, quando éramos crianças, sempre brincávamos dizendo que teríamos filhos juntas. Mas eu te juro, era mesmo brincadeira. A sua tia aqui, depois, passou um tempo achando que nem teria filhos. Até que a Clara veio e mudou tudo, para minha infinita alegria. Nós dizíamos que teríamos filhos juntas, que moraríamos perto, que compraríamos uma casa na praia juntas (ela sempre diz que não lembra dessa parte, mas eu juro que é verdade) e que seria ela quem ficaria responsável - SEMPRE - pelas guloseimas quando as crianças estivessem juntas. A primeira parte deu certo. Quem sabe a gente não consegue, daqui pra frente, ir realizando as demais?
Murilo, você, então, foi um filho muito esperado. Sua mãe soube a vida inteira que você viria. Ela sempre foi a mais certinha de todas nós, a mais organizada, a filha que nunca planejou sair de casa. Ela queria ficar com a vovó sempre - eu me lembro dela dizendo isso... Me lembro de um dia em que elas - mamãe e vovó - estavam deitadas juntas na cama da vovó, assistindo tv, quando eu disse: "E você, Lenita, não quer morar sozinha não?", e ela disse, virando pra vovó e a agarrando, daquele tamanhão todo que ela tem: "Eu não. Vou morar com a mãe até ela ficar velhinha...". A vovó ficou lá tirando sarro dela, brincando daquele jeito "sai chulé", que você já sabe bem qual é. Então, sabe, Lilo, hoje a titia fica muito feliz em saber que vocês estão juntos. Fico muito feliz em saber que a vovó está te vendo crescer. A tia queria muito que ela visse os netos crescerem. Como a tia ainda está longe (ainda, mas espero que não seja por muito tempo mais), ela não pode ver a Clara. Mas me conforta saber que está te vendo crescer.
Meu amor, você é um menino que me dá alegria mesmo de longe. Quando as pessoas dizem que você parece meu filho - acredite, mesmo que não pareça, isso é um elogio -, porque você é desse jeito agitado, empolgado, intenso, animado, saiba que eu fico cheia de orgulho. A tia passou a gravidez inteira com as pessoas dizendo que eu teria um filho como você. A Clara veio muito diferente, veio tranquila, calma, bicho-grilo, zen. Então fico muito feliz em saber que o mesmo gene que tem aqui, tem aí.
Meu amor, hoje você está fazendo 1 aninho. Eu chorei muito quando soube que você tinha nascido. Sentei no sofá, do lado da sua priminha que tinha apenas 1 mês de vida, e chorei muito. De felicidade, de saudade, de vontade de estar perto. Eu estava muito nervosa, porque não tinha notícias de vocês depois que sua mãe havia ido para o hospital. Então quando a vovó me ligou dizendo: "nasceu", eu só sentei e chorei. Fiz uma oração - porque sei que sua mãe adora - agradecendo por sua chegada.
Ainda que estejamos longe, meu querido, estarei sempre do seu lado. Você poderá contar comigo sempre. Sou sua tia, sou sua amiga, sou sua parceira. Sinto sua falta e do seu sorriso com covinhas.
Nossa família sempre foi uma família de mulheres. E foi uma imensa alegria receber um menino como você.
Feliz aniversário, meu amor. Que sua vida seja sempre cheia de alegria.
Um beijo, com saudades...

Tia Ligia e Clarinha, sua prima e amiga
... morando sempre no meu coração.

Pra você, Lenita, minha irmã querida. 
"Muitas mulheres iniciam, com a experiência da maternidade, um caminho de superação, apoiadas por perguntas fundamentais. E muitas outras desperdiçam sem cessar os espelhos multicoloridos que aparecem diante delas neste período (...)" - Laura Gutman
Parabéns por 1 ano de maternidade exclusiva. Parabéns por deixar-se transformar por ela. Parabéns por ter vestido a camisa e ter entrado com toda a alma na experiência. Parabéns pela garra, coragem e persistência durante esse ano. 


13 meses e beijonabochechameliga!

 Clara: 13 meses

Hoje a Clarinha está completando 1 ano e 1 mês de vida. Parabéns filha, que grande você está ficando!
Na tradição de contar os avanços e mudanças, ela já está quase andando - embora ainda não esteja tão a fim disso e eu não fique hiperestimulando; quando ela quiser seguir em frente, irá seguir -, dá gargalhadas incríveis, finge que estala os dedos, leva a mão na orelha e diz: ALÔ - imitando a entonação da minha voz. E agora temos códigos. Sabe aqueles códigos deliciosos que se estabelecem entre mães e filhas? Que não precisa falar nada, só olhar, que já sabemos o que uma quer dizer pra outra? Então, já temos. Eu faço um determinado olhar que ela já interpreta como "Ahhhh, minha mãe vai me pegar!", e sai engatinhando numa velocidade barrichelliana - alta, mas que não a impede de ser alcançada... Eu faço um outro olhar e ela se encolhe toda, morrendo de rir, sem nem que eu tenha chegado perto - é o olhar do "vou fazer cosquinha no cangote agora!". Outro olhar e ela solta um beijo com a mão. Sim, aprendeu essa num café na Lagoa. Estava eu sentada com ela no meu colo, quando vejo que ela tá lá soltando beijo pra não sei quem! Pra mim nunca soltou, mas tava se acabando de soltar beijo com a mão pra não sei quem! Procurei pra ver quem era e encontrei uma moça que amamentava sua filha da mesma idade, mandando beijinhos pra Clara. E ela toda faceira retribuindo, freneticamente, mais dando tapa na própria boca que soltando beijinhos. Quer dizer que a mulher passa 9 meses gestando a cria, lendo livros incríveis pra se preparar, quebrando os próprios paradigmas, muda a vida, muda a cabeça, muda tudo e a cria, do alto dos seus 13 meses, solta beijo com a mão pra uma moça que ela nunca viu?! Justica divina, cadê? Mas eu entendo; é lindo mesmo ver uma mãe amamentar sua filha. Clara se sensibilizou também. À noite, em casa, eu a abracei - a gente tem uma longa tradição de abraços; eu peço: me dá um abraço?, e ela se joga no meu peito sorrindo, quié pra me matar - ela me abraçou de volta, eu beijei a bochecha dela e ela, sem a menor dúvida ou insegurança no movimento, colocou a boca na minha bochecha e.... SMACK. Como se tivesse feito isso a vida toda, me deu um beijinho na bochecha. Como tinha sido um dia meio difícil, não me contive e comecei a chorar. E ela veio logo e me deu outro e começou a estalar os dedinhos, dançando. E passou. Esperei 13 meses para receber um beijo profissional na bochecha: tô muito bem na fita. E ela já chama a mamãe e o papai. Semana passada levantou os bracinhos, apertando as mãozinhas, como ela faz quando quer colinho e disse, mamã - escapou até um "nenê" depois, o pai dela não me deixa mentir. E quando quer o papai, ela o chama: Papú, papú. Essa eu adorei. Papú. Muito original.
E foi hoje, dia 30 de agosto, que acabou o último pacote de fraldas das quase 1600 que ganhamos no Rock Baby que fizemos quando eu estava grávida de 7 meses. Sério.
Amigos queridos, obrigada por essa insubstituível camaradagem! As fraldas que nós ganhamos duraram 13 meses. Muito obrigada, de todo coração. Dividirei o carma da severa poluição ambiental com todos os nossos amigos mais queridos, quié pra todo mundo ir pro inferno fazer festinha lá.
Fico meio deprê com esse assunto porque as fraldas descartáveis são muito vilãs ambientais. Muito. Isso sem falar que contêm gel químico, que podem desencadear alergias - que a Clara nunca teve, mas poderia ter tido. Fico chateada pelo simples fato de que fui idiota e não usei desde o início as fraldas de pano, nem o método elimination communication. Taí uma coisa que eu me repreendo por nunca ter me dedicado a aprender. Achei que, pelo fato de ter trabalhado fora quando ela era pequena, eu não conseguiria fazer direito, e aí caí nesse erro medonho. Mas eu vou me redimir. Vou, indiretamente, aumentar o número de mulheres que vão poder aprender direitinho essa prática. Não, eu não sei muito sobre isso, não posso ensinar. Mas conheço quem sabe. E sei juntar força de trabalho colaborativo. Para esse e muitos outros assuntos importantes do universo de uma mãe consciente. E mais não digo...
Enfim, minha filha faz 13 meses do mais profundo amor que eu poderia sentir. E ela tem se tornado a cada dia uma menina mais legal. Não sou eu não quem está falando... isso é uma coisa que se vê. A Clara é uma pessoa clara. De riso fácil. De temperamento pacífico. De espírito ingênuo. É só conviver com ela pra sentir isso.






 A caminho do 13. mês, ela fez sua primeira viagem a trabalho comigo. Olha a cara da cria chegando no quarto do hotel...









E adorou brincar de se esconder no cesto de roupa, que nunca antes na história desse país havia ficado vazio.







No meio da semana, deu uma fugidinha pra praia, pra desestressar. Vida de aprender a andar é muito estafante...








E vive sempre juntinho da mamãe, mesmo quando ela tá trabalhando.








E nesse mês ela brincou muito, bem molecota, com um tanto de amigo (foto da Kindin)


E... sabe? Hoje eu decidi que vou voltar a fazer o pão dela. Eu fazia pão todo mês, dia 30, que foi o dia que ela nasceu, simbolismo por tudo o que vivi desde o nascimento dela. Aí deixei de fazer não sei porquê (quando a gente diz "não sei porquê", na verdade sabe sim, mas não tem cara pra assumir...). Então hoje eu vou fazer um lindo pão pra ela que, bem gulosinha como é, vai comer tudinho, com toda certeza.
Filha, você é tudo de melhor que poderia me acontecer. Ainda bem que eu tenho a vida inteira pra aproveitar.
Te amo um tantão assim.
Mas você vai me desculpar...
Que hoje eu vou homenagear uma pessoa bem querida. Muito querida mesmo. Muito especial, muito amado, muito esperado.
Hoje é dia do Murilo! Ele tá fazendo 1 aninho hoje!
Então logo mais eu volto pra fazer um post pra ele...
Só pra ele...

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A arte de criar um caminho onde parece não haver um

 Não encontrei o autor dessa linda obra

O reinício
Pois é, e já estou eu fazendo doutorado de novo...
As aulas começaram dia 15 de agosto e, sinceramente, ainda estou bastante perdida. Em momento oportuno, darei a sugestão para quem de direito: gente amiga, as pessoas não nasceram sabendo como funciona o Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, ok? As pessoas precisam de instruções básicas de sobrevivência do tipo: onde serão as aulas? Quantos créditos são necessários no total, em disciplinas e com a tese? Quando tem reunião? Onde fica a sala de estudos? Quer dizer, tem sala de estudos? E a bolsa, como é que fica a questão de bolsa? Então ainda estou rodando que nem peru bêbado atrás de informação. E olha que tenho know how na coisa... Fico pensando no pobre do aluno de mestrado, recém saído da graduação achando que a vida de cientista é puro glamour, que dá de cara com um estacionamento naufragado, tem que chegar com o pé atolado na lama e caçar a sala onde haverá aula naquele dia. Mas, enfim, esse não é realmente um problema e é facilmente contornável para pessoas que não se incomodam de perguntar as coisas, como eu.
O que é realmente um problema, um grave problema, de difícil contornabilidade, é a questão indecente da falta de bolsa. In-de-cen-te.

A indecência, o espanto e a instauração do caos

Vou explicar: o programa exige dedicação exclusiva. Traduzindo: não quer que as pessoas trabalhem durante o doutorado (ou mestrado), quer que se dediquem total e irrestritamente às atividades de pesquisa. Sendo assim, seria de se supor que todos teriam bolsas. Porque, exceto por aquele povo esquisito que diz que vive de ar e luz, que eu saiba as pessoas ainda precisam se alimentar, morar em algum lugar, ter o que vestir. "Bebida é água, comida é pasto" só cai bem na letra da música mesmo... Devo admitir que estou com um pouco de dificuldade em acreditar que um programa de pós-graduação em SAÚDE COLETIVA que fica dentro de um departamento de SAÚDE PÚBLICA, que objetiva formar massa crítica bem atuante em prol da defesa e melhoria da saúde no país, queira que as pessoas, bem formadas e com mestrado, algumas até já com doutorado, se dediquem exclusivamente, a despeito de não terem ganhos. Isso subentende uma de três coisas: ou é destinado a pessoas bancadas pela família, ou a vencedores de algum prêmo em dinheiro, ou que casaram com quem obviamente não quer fazer doutorado e preferiu ganhar dinheiro na vida. Meus pais são duros, você não me viu no Big Brother e meu marido é jornalista. Ou seja, fiquei de fora dos três grupos populacionais.
Para os 12 alunos aprovados neste ano na seleção de doutorado, existe 1 bolsa. Havia sido dito que um edital seria publicado para estabelecer as regras da distribuição dessa única bolsa - algo, imaginava eu em minha inocência, como não ter vínculo empregatício, ter currículo compatível e um bom desempenho no processo de seleção. Pois não teve edital algum e a bolsa foi para a maior nota da prova, embora o processo seletivo tenha sido composto de outras partes além da prova. Obviamente, se instaurou um clima de desespero, com alunos correndo por tudo quanto é lado pra encontrar uma solução financeira para seus problemas bem conhecidos do brasileiro.
Eu entre eles.

A dúvida

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Sorteio no blog do Bazar Coisas de Mãe

 Clique para ampliar

Tá rolando um sorteio super bacana no blog do Bazar Coisas de Mãe!
Será sorteado um kit de produtos da Granado, contendo 1 sabonete líquido neutro, 1 sabonete líquido de erva-doce e 1 creme hidratante de ureia com óleo de semente de uva! 3 super produtos dessa empresa que apoia a humanização do parto e que foi um dos patrocinadores do evento que trouxe Michel Odent e Heloísa Lessa a Florianópolis em julho para inauguração do Espaço Hanami - O florescer da vida.
Para participar é simples:
1 - É preciso ter um blog
2 - Siga o blog do Bazar
3 - Faça um post no seu blog com o seguinte texto. É só copiar daqui e postar lá:

"Você já conhece o Bazar Coisas de Mãe? É uma iniciativa que agrega mulheres profissionais que direcionaram as carreiras após o nascimento dos filhos. Elas trabalham na companhia deles e optaram por isso para que pudessem cuidar das crianças e não se separar delas em idade tão precoce.  São mulheres conectadas pelos princípios do respeito ao parto e nascimento e da maternidade consciente. Elas defendem a importância do parto natural, da amamentação exclusiva até os 6 meses e prolongada - como orienta a Organização Mundial de Saúde - e um modo de maternar amoroso, conectado, intuitivo, ativo e consciente. Conheça essa iniciativa visitando o blog do Bazar: www.bazarcoisasdemae.blogspot.com"
4 - Deixe um comentário abaixo da postagem do sorteio lá no blog do bazar com seguintes dados:
Nome:
E-mail de contato:
Cidade:
Link da postagem sobre o bazar em seu blog:

Cada blog concorrerá apenas uma vez.
Serão aceitas participações de 23 de agosto a 09 de setembro. O sorteio será realizado no dia 10 de setembro, dia do VIII Bazar Coisas de Mãe! Se você for o feliz sorteado ou sorteada e não morar em Florianópolis, o kit será enviado para a sua casa.
Participe!
Divulgue esse sorteio entre seus amigos blogueiros, compartilhando no Facebook ou Twitter.
Vamos juntos divulgar esta iniciativa!


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Atenção, Aprendizagem e Memória - entendendo e treinando a mente para uma vida mais saudável

 Vai aí a divulgação de um curso que darei aqui em Florianópolis.
Clique para ampliar e ver o conteúdo programático.

É com alegria que divulgo um curso que darei em Florianópolis a partir do dia 14 de setembro, no Espaço Hanami.
É o curso "Atenção, Aprendizagem e Memória - entendendo e treinando a mente para uma vida mais saudável".
Já ofereci esse curso a grupos fechados e agora estou oferecendo abertamente a quem quiser participar.
Serão 8 encontros, 1 vez por semana, num total de 20 horas de curso.
Serão fornecidos certificados aos participantes.
Mais informações pelo e-mail ligiamsena@yahoo.com.br ou espacohanami@gmail.com.
Pra quem quiser saber mais sobre minha formação, aqui está o link para meu currículo Lattes.
Será mais que um curso sobre atenção e memória. Serão vivências de autoconhecimento, mesclando teoria com prática e usando e abusando de exercícios para treinar a atenção e a memória.
Eu garanto que você vai gostar muito!

Aqui em Floripa, estou oferecendo o curso espaçado em 8 encontros de 1 vez por semana.
Mas junto com outros parceiros, estamos vendo a possibilidade de oferecê-lo condensado em alguns dias em outras cidades e dentro de instituições de ensino.
Se você estiver em Floripa, espero que possa participar!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

PhD em Parteira Tradicional: compre comigo seu diploma


 Enquanto isso, na fila do banco.
- ... e você? Trabalha com que?
- Eu sou professora universitária. Fiz faculdade aqui na federal e agora estou terminando o mestrado.
- Nossa, mestrado... Sempre quis fazer um.
- E você, faz o que?
-  Eu sou parteira tradicional.
- Parteira?! Que bacana! Puxa, não sabia que por aqui ainda tinha parteira tradicional... Que bom saber que tem. Fico feliz.
- Ah é, tem poucas na verdade. Assim, com a minha formação eu sei só de mim mesmo...
- Sei. Então além de ser parteira tradicional você também é formada?
- É que quando eu fiz o curso, eu fiz já pra PhD.
- Nossa, você é PhD?
- É, sou. Legal né?
- E você é PhD em que?
- Em parteira tradicional mesmo.
- Ahn... Não entendi. Me explica?
- É que é assim: agora as pessoas estão procurando muito esse negócio de parto humanizado, sabe? É... as estrelas da televisão, o pessoal de dinheiro, não é só o pessoal alternativo, tipo os hippies, que querem. Ficou uma coisa mais popular, mais moderna. Então, como eu estava precisando fazer uma formação, aí decidi fazer pra parteira tradicional mesmo. Pra aproveitar a moda, sabe?
- Mas... peraí. Quantos partos você já fez?
- Ah, nenhum ainda, mas já posso começar quando quiser.
- Mas você não disse que era parteira tradicional?
- Sim, eu sou.
- Mas como pode ser uma parteira tradicional se nunca fez um parto?!
- É que eu fiz um curso. Um curso de parteira tradicional.
- UM CURSO?!
- Sim.
- Onde é que tem um curso desses, gente?!
- É um curso on line mesmo. Assim eu posso chegar do serviço e fazer, sabe.
- ON LINE?!
- É, desses pela internet.
- Minha nossa senhora! E como é isso de ser PhD, minha filha?!
- É que é assim. Se eu fizesse o curso de parteira tradicional em nível de aperfeiçoamento, eu pagaria 12 parcelas de R$ 30,00. Pra fazer o mesmo curso em nível de PhD, eu pagaria 12 parcelas de R$ 150,00. É, eu sei que é bastante diferença. Mas é que minha mãe sempre quis filha doutora, sabe. Aí pensei que valia a pena fazer um sacrificiozinho. Por ela, por mim.
- Quer dizer então que você é parteira tradicional "em nível de" PhD...
- Sou.
- E vem cá. Você já tem algumas clientes em vista, tá divulgando seu trabalho?
- Ai, tô começando, sabe... Mas tá difícil, porque o pessoal ainda não entende muito bem o que é isso, porque é muito moderno. É um conceito novo.
- Parteira tradicional é um conceito novo. Sei... Olha, vou te dar uma dica pra divulgar seu trabalho. Cola uns cartazinhos ali no ponto de ônibus, nos postes, quem sabe você não panfleta ali no calçadão também? Se sobrar uma graninha no fim do mês, contrata um carro de som desses bem modernos, sabe, que ficam passando nas ruas das pessoas? Essas coisas costumam dar resultado.
- Verdade!
- E na pior das hipóteses, anuncia no jornal. Anuncia lá "Parteira tradicional com PhD em curso on line se oferece para fazer o seu parto". Vai chover cliente.
- Puxa, muito obrigada pelas dicas. Vou fazer.
- É, faz sim. Faz também um blog, um site, um twitter, um facebook, essas coisas modernas.
- É, preciso. Eu só tenho orkut até agora, preciso me divulgar mais.
- Bom, chegou a minha vez. Tchau, tudo de bom na sua profissão.
- Ah, obrigada. Precisando, tá aqui o meu cartão.
MAGDA PALOMA - PARTEIRA TRADICIONAL
Me ligue a qualquer hora do dia ou da noite e irei até você fazer o seu parto.
- Tá bom então, Magda. Pode deixar que, ficando grávida, te ligo. Tudo de bom.
A atendente bancária:
- Vi que você estava conversando com a Magda Paloma.
- Sim. Pessoa estranha... Deve ter algum distúrbio. Disse que fez um curso de parteira tradicional on line.
- É, ela tá sempre aqui. É esquisita mesmo. Mas adora esses cursos. Fez um de medicina veterinária on line também. Até andou meio sumida.
- Ah é? E por que?
- Matou um cachorro sem querer.

Essa é uma história fictícia.
Mas poderia ser real.
Eu soube por intermédio de amigas que exite um curso de parteira tradicional on line. Sim. E você pode fazer o curso em 12 níveis diferentes, que vão desde Aperfeiçoamento até PhD. Paga em 12 parcelas que variam de 30 a 150 reais. E não é só isso! Se você se matricular "agora", pode ter 90% de desconto no curso. Mas não é só isso. Na compra do kit Mestre, Doutor ou PhD (oi?) você ainda leva GRÁTIS a sua filiação na Academia Internacional de Mestres e Doutores. Está escrito lá:
"Você será reconhecido como uma pessoa de credibilidade, um respeitável formador de opinião; receberá tratamento VIP em conferências, simpósios, feiras e exposições a nível nacional e internacional"

E não é só isso. Você pode ADQUIRIR JÁ um título, por exemplo, de Doutor Honorífico em Teologia Dogmática, ou PhD Emérito em Terapia Familiar, entre outras dezenas de títulos.
Pelo amor de Deus, isso deveria dar cadeia!!
Uma coisa como essa devia ser proibida. E, sinceramente, não sei quem é pior: quem faz um curso desses ou quem oferece um curso desses.
E ainda tem gente que duvida do fim do mundo.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Para Clara, com amor, em seus primeiros passos

Quando uma menina e um gato se encontram pela primeira vez

Esse vídeo foi mandado pela Liloca, uma querida amiga que acompanhou toda a minha gestação e tem acompanhado também o desenvolvimento da Clara. Ela assistiu e lembrou da Clarinha...
Aí mandou pra mim e eu, nessa fase ocitocinada em que me encontro, chorando até com a musiquinha de início do Windows, me emocionei vendo a menininha. Todo o vídeo é lindo, recheado de simbolismo, mas o que me tocou mesmo foi ver a menininha caminhando. Pequenininha e caminhante. Acho que é porque a Clara tá quase caminhando...
E é um grande marco essa fase de deixar de ser um ser engatinhante para ser um ser caminhante... Depois do primeiro passo dado, da perspectiva sobre duas pernas, nunca mais se vê o mundo de outra forma. Tudo passa a ser possível, tudo passa a ser quase-alcançável, lugares passam a pedir para serem descobertos, o que antes não era visto agora passa a ser objeto de investigação. Estou feliz porque ela está chegando nessa fase. Mas tenho que confessar: me dá uma coisinha aqui dentro...
Ela anda cheia de novidades incríveis dessas que fazem uma mãe babar. Hoje apareceu soltando beijos com a mão e imitando que está comendo. Pega uma comidinha imaginária, leva à boca e mastiga, depois pega de novo e me dá, dividindo o banquete virtual. Mas o que tem me marcado é o fato dela já ficar em pé sozinha e soltar as mãos, se equilibrando e testando sua própria habilidade. Hoje, ensaiou os primeiros passinhos, indo do pai dela em direção a mim.
Firmar o passo é uma coisa muito importante.
É um momento de autoconfiança imenso. De "eu posso", "eu consigo", "olha que coisa incrível que eu estou fazendo".
É um momento muito simbólico.
Afinal, caminho longo sempre começa com o primeiro passo.
Eu já ando meio emocionada com essa dela estar quase caminhando. Depois de ver esse videozinho lindo aí, tô aqui em estado pastoso. Ela está crescendo...
Todas as vezes que ela se equilibra sozinha, comigo ao lado com os braços ao redor, eu SEMPRE penso: "assim será para sempre".
E que assim seja.
Estarei com você no seu primeiro passo, filha. E em todos os demais. Mesmo que eu não esteja presente fisicamente. Mesmo que você não me veja.
Que o seu caminho seja sempre claro, como você. Se encontrar obstáculos, é porque será capaz de transpô-los. Se não encontrar obstáculos e parecer fácil demais, desconfie, talvez ele não te leve a nenhum lugar interessante. Se não encontrar um caminho, me chame que te ajudarei a abrir um, não tenho medo do desconhecido. Sobre as pedras que estiverem nele, não se esqueça do Fernando Pessoa: vai recolhendo, construa uma casa. Se você se perder por algum deles, pode contar comigo, te ajudarei a achar outro. Perder-se também é caminho, como nos ensinou Clarice Lispector. Que seus passos te levem para o bem. Que sua passada seja sempre segura e firme. Se faltar segurança, lembre-se sempre que estou com você. E se você cansar, meu colo estará sempre pronto. Se o pé machucar, te ajudo a curar. Não se fixe no lugar onde quer chegar, atente para o passo; pode ser que algo no caminho te aconteça e faça com que o lugar de chegada não seja mais atrativo. Se seus passos forem bem dados, ainda assim você olhará pra trás e se orgulhará deles.
Você está quase andando sozinha, minha filha.
Uma vez que começar, não deixe nunca de caminhar.
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar". Eduardo Galeano
Ah sim, e por favor. Quando for comprar um sapatinho novo pra embelezar o passo, me chama que quero ir junto, tá?

Com amor,

Mamãe

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Cheia de dúvidas. E de respostas.

Ontem (15 de agosto) começou meu novo doutorado.
Tive a primeira aula da disciplina de Ciências Sociais, Saúde e Sociedade, uma das três que cursarei nesse semestre (as demais são Métodos Qualitativos em Saúde Coletiva e Métodos Quantitativos em Saúde Coletiva). Devo cumprir sete disciplinas obrigatórias durante todo o curso.
Muito boa aula, disciplina que exigirá muitíssimo de mim em função do grande número de livros e artigos pra ler. Mas isso não me assusta.
Essa semana ainda tenho mais duas aulas das duas outras disciplinas, com certeza cheias de mais coisas pra fazer. Mas isso não me assusta.
E juntamente com o cumprimento das disciplinas, ainda terei que delinear e executar toda a pesquisa (que eu já andei modificando um tantão). Mas isso não me assusta.
Aí no final da aula, eu soube que existe apenas 1 bolsa de doutorado para todos os 12 doutorandos que acabaram de ingressar, entre os quais me incluo. Ou seja: ficarei temporariamente sem bolsa. Sim, isso me assusta.
Depois de ter tido essa resposta, de ninguém saber me informar direito como funciona a dinâmica de bolsas, se há ou não a possibilidade de conseguir uma ao longo do tempo, fiquei desnorteada e saí de lá certa de que trancaria o curso.

E no meio de toda a angústia, questões sérias povoando minha mente: será que estou no caminho? Será que não estou louca querendo fazer mais um doutorado, se já sou doutora? Será que persisto? Como vou fazer agora? Será que tranco? Será que desisto?
Aí vou ali na lanchonete comprar uma água e encontro uma amiga: "Oi Ligia, estava mesmo pensando em você ontem. Tenho uma amiga que está grávida, passou por uma experiência prévia de parto bem triste e agora quer fazer diferente, ter uma experiência boa. Posso dar seus contatos pra ela?". Lógico que eu disse que pode. E enquanto caminhava mais um pouco, outra amiga me para no meio da rua e pergunta: "Queria mesmo falar com você. Aquele seu curso, vai rolar quando? Me avisa que eu quero fazer, tá?"
Tá entendido o recado.
Não vou desistir assim tão fácil.
Vida, abraço pra você e até o próximo life descontrol.
Vou ali fazer acontecer e já volto.
Tem que bater mais forte pra me quebrar.


sábado, 13 de agosto de 2011

Parto humanizado e parto domiciliar em boca de Matildes

Eu recebo o Alerta do Google para alguns temas-chave sobre os quais tenho interesse, como ciência, cérebro, parto, saúde pública, entre outras coisas, pra tentar ler no tempo escasso de que disponho. Abro o e-mail do Google, passo o olho, meu córtex pré-frontal processa, faz a seleção do que foi lido e vamos pro próximo e-mail. Quando alguma coisa escrita me chama atenção, aí sim eu páro e vou atrás da informação.
E eis que agora há pouco, enquanto finalizava os últimos detalhes pro VII Bazar Coisas de Mãe, que será hoje, o tal Alerta me manda essa matéria aqui, super relevante nos meios científicos e intelectuais. Eu nem devia estar escrevendo sobre isso, que fique claro, mas eu não me aguento. Li a matéria e comecei a rir daquele jeito meio indignado de quando a gente lê alguma coisa absurda...
Veja você mesmo. Clique pra ficar maior, se não conseguir ler - embora não vá perder nada...


Olha, nada pessoal, mas não tô nem aí pro fato de que o filho da atriz pode nascer a qualquer momento, obviamente não foi isso que me chamou a atenção. Não sou do tipo que paga pau pra global. Também não me interessa se o filho dela vai nascer de parto normal ou de cesárea, não a conheço, não sei da vida dela, da história dela, quem sou eu pra achar alguma coisa da vida da pessoa? O que me deixou abestalhada foi a frase:
"Todo mundo sabe que a atriz gosta de tratamentos holísticos e terapias alternativas mas, para dar à luz, ela quer tudo bem tradicional, sem essa história de parto humanizado ou outros modismos". 
Bem, se ela quer tudo bem tradicional, eu poderia pensar que ela optará por um parto normal, dará à luz em casa, parto feito por parteiras, e tal. Porque, até onde eu sei, esse é o parto tradicional, o parto tradicionalmente feito. Isso subentendendo-se ser, a tradição, a transmissão de práticas ou de valores de geração em geração, o conjunto das crenças de um povo, algo que é seguido conservadoramente e com respeito através das gerações. É em casa que as mulheres dão à luz nas comunidades tradicionais, por exemplo (embora quem estudou um pouco de etnobiologia, como eu, saiba que há grande discussão sobre a expressão "comunidade tradicional").
Mas é lógico que a pessoa inculta que se dignou a escrever essa baboseira aí não sabe nada nem sobre o que é tradicional, nem sobre o que é parto humanizado, nem sobre a responsabilidade e o rigor que se deve(ria) ter quando se escreve para outras pessoas e eu quero muito crer que essa pessoa não seja nem formada em comunicação social.
Fico irritada porque, infelizmente, é um número imenso de pessoas que lê esse tipo de notícia pelo teor dela mesmo, buscando informação sobre o filho da ciclana ou da fulana que fez a novela tal e que largou o ator do comercial de margarina pra casar com o cara que é ex-marido da apresentadora de tv, e que acaba lendo que  "o tradicional" é, inclusive, uma cesariana.
Esse tipo de coisa se enfia na cabeça das pessoas como uma mensagem subliminar, vira regra, vira ditadura, vira padrão. Aí as pessoas saem por aí dizendo que é verdade um absurdo como esse.
Infelizmente, algumas pessoas inconsequentes não param pra pensar no que escrevem. Chamar o movimento pró-humanização do parto de modismo é uma imbecilidade dessas tantas que a gente ouve todos os dias. Quem pensa que é modismo e escolhe um parto humanizado por modismo é uma pobre pessoa (ainda que a criança que vai nascer seja beneficiada por isso). Pobre pessoa porque perdeu uma oportunidade ímpar de aprender muito sobre a vida e sobre ela mesma, inclusive, entre outras coisas. Mas é bem fácil saber quando estamos diante de uma pessoa assim, porque está estampado na cara e na fala dela.
Modismo?
Sabe o que é modismo? Modismo é: "Modo de expressar-se típico de certas pessoas, ou de certas localidades vigentes à margem da língua-padrão, sem ser gíria nem regionalismo".
Ou seja, é basicamente o que a patética pessoa que escreveu isso aí fez. Porque parece que agora tá na moda falar de parto humanizado sem saber o que é, principalmente alguns meios de comunicação conhecidos por não serem muito imparciais. Tem uma grande revista por aí tentando fazer isso, veja você... Tá doidinha pra falar sobre parto domiciliar. Tá louca pra que alguém dê entrevista enaltecendo o parto domiciliar pra fazer o que ela costuma fazer: pegar a entrevista, colocar num contexto outro e defender o ponto de vista que ela escolheu (ou que alguém pagou pra ela escolher).
É por isso que muita gente que está verdadeiramente envolvida com a questão do respeito ao parto e nascimento e do parto domiciliar está evitando dar entrevistas falando sobre isso
para esses meios de comunicação.
Se liga aí, você que gosta do assunto e defende a causa! Tem gente querendo usar sua vontade de divulgar algo bacana para fins outros. Vem pra luz, Carol Anne! Sai do rosa, Pollyanna! Que o mundo tá virado...
 

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Nossa primeira viagem a trabalho juntas

Estou escrevendo em um quarto de hotel na cidade de Lages, cidade da Serra Catarinense que fica a
cerca de 250 km de Florianópolis. Escrevo à meia luz, com o coração cheio de um sentimento que ainda não tinha vivido. Ali na cama, minha filha Clara, de 1 ano e pouco mais de 1 semana, dorme um sono profundo e ressonante que ouço aqui da mesinha de onde escrevo. Olho pra ela dormindo e sinto que tudo está bem, mesmo que eu tenha ainda muitos desafios a enfrentar, mesmo que as coisas nunca saiam exatamente como a gente gostaria que saíssem. Ainda assim, estão bem, simplesmente porque ela está aqui comigo.
Viemos pra cá porque amanhã (hoje, já que escrevo após a meia-noite) às 8 da manhã darei uma conferência sobre Neurobiologia da Cognição e Aprendizagem no II Seminário de Educação Inclusiva: Direito à Diversidade. Vim junto com meus amigos da equipe da Oficina do Aprendiz, com quem dou cursos sobre ensino, aprendizagem, memória e jogos cognitivos. Recebi esse convite do coordenador da equipe, uma pessoa muito bacana que sabe que sou mãe de uma menina pequenininha, que me chamou pra trabalhar com eles quando eu ainda estava grávida - contrariando a péssima e limitante tendência que há nesse micromundo chamado Brasil de não se contratar gestantes ou recém paridas. Ele me convidou pra essa conferência em Lages dizendo, antes que eu comentasse qualquer coisa: "a Clara é membro da nossa equipe desde antes de nascer, então não me inventa de vir sem ela!". Um jeito muito doce de dizer: sei que é ruim ficar sem os filhos, sei que ela é pequena, venha trabalhar com ela. Então, hoje eu estou aqui com ela, depois de viajar 250 km pela serra, infelizmente durante a noite, sem que pudesse desfrutar da beleza que deve haver nesses caminhos, em nossa primeira viagem a trabalho juntas. "A primeira de muitas, Clarinha!", disseran meus parceiros quando eu a sentei na bancada da recepção do hotel e ela, muito feliz, pegou a chave do nosso quarto das mãos do recepcionista.
Nós subimos, eu a coloquei no chão e ela rapidamente foi engatinhando por tudo, se familiarizando com o lugar e dando gritinhos de entusiasmo. Colocou os dedinhos nas tomadas, puxou o telefone pra cima dela, empurrou a cadeira, fez tudo o que não dá pra fazer em casa, já que em casa as coisas não ficam assim dando bobeira. Chegou nosso jantar, ela não quis comer porque estava muito eufórica com a novidade, ficou brincando de espalhar seus brinquedos pelo quarto, eu jantei e nos arrumei pra dormir. Ela mamou e simplesmente capotou, relaxada e feliz, esparramda na cama.
O que eu sinto agora é uma emoção imensa por estar com ela aqui. Porque eu vim a trabalho e ainda assim ela está comigo. Porque eu darei uma conferência de 4 horas amanhã, e ela estará na mesma sala comigo, sendo cuidada pelos amigos da equipe, que só darão suas conferências à tarde. Eu passei muitos meses de coração miúdo por sair pra trabalhar enquanto ela ficava em casa sem mim, com apenas pouquíssimos meses. Recomecei a trabalhar no esquema MODERNO "mãe na rua, filho em casa ou na escolhinha" quando ela tinha só 3 meses. Nunca mais quero passar por uma dor daquela. Mundo moderno é esse, em que as mães "devem" sair de casa pra trabalhar assim que os filhos nascem. Mundo moderno é esse, em que o trabalho e o dinheiro são mais importantes do que a mãe estar perto do filho. Mundo moderno é esse, em que as mulheres podem trabalhar longe dos filhos.
Não. Não é SÓ assim. Tem gente que quer ver o mundo realmente mudar, com crianças sendo criadas por mulheres que trabalham e que, mesmo assim, não as deixam para irem trabalhar. Gente que quer que o mundo deixe de ser "moderno" e vire "bacana", em que as crianças conheçam o valor do trabalho porque vêem suas mães, pais ou cuidadores trabalharem, sem abrir mão da companhia delas. Mundo bacana em que estar presente na criação dos filhos tem mais valor.
Não somente mas também por isso é que estou muito feliz por estar com minha filha hoje num quarto de hotel. Porque eu vim trabalhar e ela veio comigo.
Eu gostaria que todas as mulheres pudessem viver isso. Que pudessem sair de casa com suas bolsas cheias de trabalho e, também, com seus slings preenchidos por aquilo que, pra elas, é o bem maior: seu filho. Eu gostaria muito que a mochila de trabalho e o sling não fossem incompatíveis no cenário profissional.

E, principalmente, gostaria que as pessoas que convivem com essas mulheres se solidarizassem realmente com elas e pudessem sentir como sua a angústia que é ter que deixar um filho bebê em casa quando ele ainda mama, quando ele ainda nem engatinha, quando ele ainda nem pode contar o que passou durante o dia.
Dizer que o melhor para uma família é uma mãe sair pra trabalhar mesmo tendo que deixar em casa um filho de poucos meses é o mesmo que dizer que o dinheiro que entra compensa o sofrimento dela.
Isso não é só uma inversão tremenda de valor. Isso também é desamor.
Será um grande prazer agradecer amanhã, ao final da conferência, à equipe que me convidou para esse trabalho. Sem excluir a minha filha. Respeitando-me como profissional, mulher e mãe. Inteira.

sábado, 6 de agosto de 2011

O aniversário de 1 ano da Clara!

Clara, 1 ano, feliz curtindo sua festa.
Quem diz que a festa de 1 aninho é apenas pros pais, porque os bebês ainda são muito pequenos pra aproveitar, não sabe de nada...

Está fazendo 1 semana que minha filhinha completou seu primeiro aninho. Foi um processo tão emocionante, tanto o próprio dia 30 de julho quanto os dias que o antecederam e sucederam, que só estou conseguindo falar do assunto agora. Eu passei todos esses dias olhando pra ela e sentindo uma admiração incrível por quem ela é. Essa menina linda e feliz, puramente descrita pela palavra "simpática", que sorri para todos com seus olhos puxados e seu sorriso sempre largo. E que essa semana aprendeu a abraçar... Eu digo "me dá um abraço?" e ela se joga no meu peito... Morro.
Foi um ano indescritível nessa minha vida, de completa e irrestrita revolução pessoal. Eu comecei um processo psíquico a partir do final da gestação dela que me modificou tão profundamente que sinto que dura muito mais de 1 ano. Eu ainda me sinto alterada pelos processos da gestação e parto e, sinceramente, ainda não estabilizei. Minha emocionalidade ainda está muito mexida por tanta mudança e acredito que seja bem normal isso mesmo, pra quem decidiu mergulhar na experiência de corpo e alma como eu mergulhei. E todo dia, quando olho pra minha filha, sinto que fiz coisas certas, tomei decisões acertadas. Ela tem uma vida feliz. E isso me comove muito. Existem ainda arestas importantes que eu preciso aparar no cotidiano da vida, mas todas dizem respeito ao meu comportamento, não ao dela. Ela é demais. Mais do que eu sempre pensei que fosse receber na vida. Foi por isso que eu decidi mudar tão completamente minha vida, porque ela é incrível, ela merece que eu esteja disponível, entregue, solícita. Não havia, para mim, com a filha que eu tenho, outra opção além da "criação com apego", tradução simplista demais para a expressão "attachment parenting", cujos preceitos eu procuro seguir e sobre a qual sigo estudando sempre.
Há 1 ano, ela é amamentada. Há 1 ano, ela dorme com a gente. Há 1 ano, o tempo dela é absolutamente respeitado: ela mamou exclusivamente até os 6 meses e só começou a se alimentar de outras coisas quando quis, com 9 meses. Há 1 ano, ela anda pra cima e pra baixo bem junta a mim, em sling. Há 1 ano, ela me sabe totalmente disponível pra ela. Está sempre sorrindo, recebe bem as pessoas, é muito tranquila e curiosa. Isso tudo não foi obra do acaso. Foi fruto do temperamento próprio dela, associado a uma forma de criar muito atenta, entregue e apegada. Sempre junta a nós.
Então, eu passei noites e noites e noites, madrugadas inteiras, preparando uma comemoração que transparecesse todo o desvelo que temos por ela. Todo o amor, atenção, carinho e dedicação. Eu não precisava ter feito festa alguma, mas fiz questão, porque quis compartilhar com pessoas importantes durante esse 1 ano de vidas novas toda a alegria que sinto por ser mãe dela. Pensei nos muitos detalhes e planejei com antecipação. Decorei mais de 100 fotos. Pensei no enfeite de mesa. Imaginei as toalhas. Idealizei as lembrancinhas dos adultos (fotos em estilo scrap) e das crianças (dedoches da Clarinha). Pensei nas comidinhas que eu gostaria de ter na festa e em como eu gostaria que fosse o bolo. E toda a alimentação (do começo ao fim) foi feito por uma querida amiga. Então é para mim, agora, uma imensa alegria compartilhar aqui os detalhes dessa festa, sobre a qual tanto falei.

Adesivinho desnhado pelo Frank. Mandei fazer com 1 mês de antecedência.
Ele foi colado nas garrafinhas de suco de laranja para as crianças e no verso das lembrancinhas.

 O convite. Nós fizemos em uma madrugada.
Mandei imprimir, dobrei como uma sanfoninha e coloquei em saquinhos do exato tamanho deles.

Minha menina linda de 1 ano com o vestidinho que a vovó mandou de presente pra ela e a melissa ultrafashion que a dinda deu

 Enfeitinho de mesa: garrafinha de vidro, confetes de chocolate e um balão de coração. 
Criatividade, simplicidade e delicadeza, com as toalhas em poás de cores diferentes.


 Tons de lilás e branco, que a Clara tanto usa.

 Mês a mês, as fotos que ilustram o desenvolvimento dela, decoradas uma a uma.
Cada biombo representava um mês da vida dela fora da barriga. Uma foto 20 x 25 representava o mês e outras, 13 x 18, complementavam. Foram 13 biombos no total, 12 dos meses mais 1 do nascimento.

 Docinhos de colher


 Cakepops, uma delicadeza, sem falar na gostosura


 O bolo: não poderia ser mais lindo! Em tons de rosa e lilás com detalhes em poás.
Assim que o vi pronto, não me contive e comecei a chorar. Estava guardando muita emoção há dias... 

 Cupcakes grandes e minis.

 E sanduichinhos e salgadinhos feitos com amor.

 Mais docinhos
 

 Nos preparando pra soprar as velinhas.

 
 Feliz com a presença da titia, que viajou um tantão pra estar aqui...

 Clara! Clara! Clara! Clara!

E foi só a gente se distrair, que ela agarrou um cupcake sem chance de devolução. Nós procuramos evitar todo tipo de açúcar durante esse 1 ano. Mas frente à vontade dela, não oferecemos resistência. SE JOGA, FILHA!
 



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Amamentação: a importância do apoio da família - Blogagem coletiva da rede Parto do Princípio na SMAM 2011

 O apoio e o amparo da família pode determinar o sucesso da amamaentação.

Estamos na Semana Mundial de Amamentação, a SMAM 2011. Tem muita gente envolvida em promover, incentivar, orientar e ajudar mulheres a serem mulheres-mães-nutrizes e amamentarem seus filhos. A rede Parto do Princípio está promovendo uma blogagem coletiva sobre o assunto. Eu faço parte dessa iniciativa, juntamente com mais 9 blogs. Você pode ver os links para essas postagens ao final desse texto.
Escolhi falar, dessa vez, sobre um tema que é de imensa importância quando o assunto é o sucesso da amamentação: A FAMÍLIA. A influência que a família exerce sobre a mulher que amamenta e, consequentemente, sobre o sucesso da amamentação. E quero dar uma sugestão: se você é mãe ou vai ser, amamenta ou quer amamentar, imprima algumas cópias desse texto a partir do próximo parágrafo (se gostar dele, claro), coloque em envelopes bem bonitinhos e dê de presente para algumas pessoas quando o pessoal for conhecer seu novo filho. #ficaadica
É um erro achar que é a mulher sozinha quem alimenta uma criança. Quando uma mulher começa a amamentar, a família toda amamenta com ela. E vai amamentar ou não, vai amamentar bem ou mal, vai se sentir à vontade ou oprimida, na dependência do apoio que receber da família. Portanto, esse não é um texto para as mães, é um texto para as famílias ao redor de uma nova mãe. É um texto para o companheiro, as avós, os avôs, as irmãs, os irmãos, as comadres, os compadres, os amigos íntimos, todo mundo que vai receber o novo bebê – e a nova mãe. Sempre nasce uma nova mãe quando chega um novo bebê. E é um momento muito delicado, difícil, marcante, de muitas mudanças. A mulher precisa de colo, tanto quanto o filho. Precisa de abraço, precisa de amparo, precisa de compreensão e aconchego. Disso tudo depende também o bem-estar do bebê. E precisa disso tudo, também, para que possa amamentar bem. O leite que a mãe produz é tudo o que um filho precisa. Ele não precisa de mais nada por 6 meses, acredite! A Organização Mundial da Saúde não se enganaria sobre isso... Ele não precisa de água, ele não precisa de chá, ele não precisa de leite de vaca. Ele precisa do leite da mãe dele, se ela não tiver nenhuma limitação física ou fisiológica que a impeça de amamentar. O filho precisa do leite da mãe. E a mãe precisa de apoio.

Ela precisa de palavras de incentivo. Ela precisa de atitudes de apoio pra aprender como amamentar. Ela precisa de paciência, de palavras amorosas. Ela precisa, sobretudo, de exemplo. Porque ela pode estar muito vulnerável e, de repente, se deixar influenciar por alguma bobagem dita no momento errado.

Ela NÃO precisa de palavras ásperas como: seu leite é fraco. Mesmo porquê, isso não só é uma  grosseria cruel, como também é ignorância. Não existe leite fraco ou forte. Existe o leite IDEAL para aquele bebê. Isso é uma mentira absurda que é passada de geração pra geração. O único caso em que o leite pode ser fraco é quando a mãe está muito desnutrida. Fora isso, aquele é o melhor leite que pode haver.

Ela NÃO precisa de impaciência como: dá logo uma mamadeira pra essa criança pra ela parar de chorar. Ela precisa de companhia paciente e que a incentive: “Insista, amamente mais, é normal o bebê chorar. Não se desespere, confie que você pode, você é a mãe dele, é de você que ele precisa. Dê de mamar. Amamentar acalma, tranquiliza, faz se sentir amado. Mãe e filho”.

Ela NÃO precisa do exemplo de uma pessoa que não quis amamentar e cujos filhos sobreviveram. Ela não quer que o filho dela “sobreviva”. Sobreviver significa: escapar, viver a despeito de um problema, ou de alguma coisa. Sobreviver não é o objetivo. Ela quer que o filho VIVA. Plenamente. E precisa dela pra isso. Se você não amamentou seus filhos, agora é uma boa hora pra amamentar simbolicamente: ajude-a na amamentação. Um travesseiro nas costas, uma almofada embaixo do bebê, um cobertor, um ventilador, um copo d’água, um beijo: isso é amamentar a mãe, pra que ela amamente o filho.

Ela NÃO precisa de alguém a recriminando por amamentar em público. Ela precisa de alguém de mente aberta que a apoie nesse momento e se orgulhe por ela ter a consciência de que isso é importante. Um bebê sente fome em qualquer lugar e, também em qualquer lugar, precisa ser alimentado.

Ela NÃO precisa de alguém que fique dando conselhos fundamentados em crenças pessoais. Ela precisa de alguém que saiba o que está falando – ou que não fale se não tiver certeza. E como alguém pode saber o que está falando? Lendo sobre o assunto, procurando boas informações na internet, se preparando pra ajudar aquela família que está aumentando. Por exemplo, se o leite empedrar, não tem problema: é reduzir o aporte líquido, colocar a criança pra mamar repetidamente naquela mama, fazer uma boa ordenha manual embaixo do chuveiro quente, e logo desempedrará... Não vá dizer que se empedrou, tem que parar de amamentar. Isso não é ajuda. Isso é pitaco. E de pitaco já bastam as dezenas que ela vai ouvir quando sair de casa... Você não tem tempo pra pesquisar sobre o assunto? Puxa vida, mas demorou 9 meses pra essa criança nascer... Não deu tempo? Então aproveite agora. Digita lá: “como ajudar a amamentar”. Vai abrir um monte de coisa útil. Como isso aqui, por exemplo: um livro disponibilizado gratuitamente pela Fundação Oswaldo Cruz, chamado “Como ajudar as mãe a amamentar”, de F. Savage King, já traduzido para o português. É só abrir o link clicando aqui, salvar e ler.

Ela NÃO precisa que alguém lhe diga até quando amamentar um filho. Isso é coisa entre ela e o filho. Não precisa de incentivo para o desmame. Um desmame mal feito pode gerar mães e crianças inseguras e ansiosas. Se você não acha legal uma mãe amamentar prolongadamente um filho, sem problemas. É só não olhar quando o bebê estiver mamando. Mas não se sinta no direito de pressioná-la pelo desmame. Não é você quem decide isso.
E confie: isso não é bobagem. Receber um bom apoio pode ser decisivo para uma boa prática de amamentação. Muitos estudos sérios comprovam que o apoio familiar, principalmente do marido e da avó, são fatores importantes para o sucesso da amamentação.
“A presença e a ajuda do marido em casa colaboram positivamente para a prática do aleitamento. Além disso, a aprovação e as atitudes do esposo em relação ao aleitamento materno são consideradas pelas mulheres na decisão de amamentar ou não. (...) as avós podem influenciar negativamente na duração do aleitamento materno e alguns autores observaram que o apoio das mães ajudou no início e/ou na manutenção da amamentação”.
(Cândida Primo e Laíse Caetano, no artigo “A decisão de amamentar da nutriz: percepção de sua mãe”)
Se tem uma gestante na sua família, prepare-se para cuidar dela, para ajudá-la quando o bebê nascer. Se já tem um bebê aí sendo amamentado, olhe para a mãe e se pergunte: “como posso ajuda-la a amamentar?”. É por isso e por mais um monte de coisa que sempre se diz que a amamentação é benéfica para toda a família. É um momento único de união, amparo e apoio, se for bem aproveitado, claro. Do contrário, pode se transformar num momento de angústia para a nova mãe, e não é isso que ninguém deseja. Ou é?
Aproveito para lembrar outros textos sobre amamentação que já andei postando aqui – sempre, é claro, a partir da minha própria experiência:

Aproveite que a semana ainda não acabou e veja as demais postagens que fazem parte da iniciativa da rede Parto do Princípio. O Amamenta Ipatinga está postando uma série de vídeos sobre o tema, além de ter falado sobre as razões para prolongar a amamentação. O Desabafo de Mãe conta como surgiu a ideia da blogagem coletiva, principalmente porque a ideia surgiu da própria autora. O Saúde da Mulher mostra um caso de campanha mobilizadora de sucesso partindo da maternidade do HU-UFGD. O Fisioterapia e Mulher dá dicas preciosas para ordenhar, armazenar e bem conservar o leite materno. O Mamíferas  apresenta três depoimentos emocionantes. E outros blogs ainda entrarão na postagem coletiva até o final da semana, como o Bebedubem, o MaternaMente e o Pro-Gestante.
Não esqueça que o tema da SMAM 2011 é a comunicação para promover a amamentação. Então, fale com uma mulher sobre isso! Converse com uma mãe! Se você está para amamentar, peça orientação. Comunique-se.


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Semana Mundial da Amamentação 2011 - Parto do Princípio


Começou ontem a Semana Mundial da Amamentação 2011, com o tema "Amamentação: Uma Experiência em 3D". Expliquei o motivo desse tema aqui.
A rede Parto do Princípio está apoiando em grande escala a SMAM 2011 no Brasil, por meio de suas ativistas. Diferentes blogagens estão previstas para essa semana sobre diferentes vertentes do tema "Amamentação". Veja só:

Ativismo online - blogueiras da Parto do Princípio divulgando a SMAM

As ativistas da Parto do Princípio se articularam para comemorar a Semana Mundial da Amamentação também na internet! Está rolando uma ação de blogagem coletiva, confira!
Hoje estão previstos os blogs Amamenta Ipatinga, Desabafo de Mãe e Saúde Mulher. O primeiro trará histórias de sucesso, enquanto o último contará a realidade do Banco de Leite de Dourados no decorrer desta semana. #ficaadica

Amanhã, terça-feira, começa uma exposição virtual pelo blog De Peito Aberto - inclusive você pode enviar foto e frase para as meninas via comentários aqui e o blog Fisioterapia e Mulher escreverá sobre ordenha e armazenamento.
Na quarta-feira é dia de falar dos Prazeres e Tabus da amamentação no Bebedubem.
O tema de quinta e sexta será o mote da campanha deste ano: Comunicação e os blogs que vão tratar do assunto são: Pro-Gestante, na quinta, e MaternaMente, na sexta.
O blog Cientista que virou Mãe também escreve na sexta, dando continuidade a uma discussão que começou em junho deste ano. Outro debate que fez alvoroço neste ano entra na nossa roda pelas mãos das Mamíferas, que vão falar sobre Amamentação em lugares públicos.
Visite o blog da Parto do Princípio e os blogs envolvidos na SMAM 2011. Dê sua contribuição! FALE COM OUTRAS MULHERES A RESPEITO! Compartilhe essa informação.


Se você não conhece a Parto do Princípio: 

"A Parto do Princípio é uma rede formada essencialmente por mulheres. Mulheres que gestam, mulheres que parem, mulheres que pensam. Mulheres que crêem em seu direito e, acima de tudo, em sua capacidade de tomar para si as decisões a respeito de seus corpos, de sua saúde, de suas vivências. (...) Somos, a priori, uma rede que busca resgatar o direito de cada mulher ao que chamamos 'escolha informada’: obter informações, tomar decisões conscientes com base nas informações obtidas e, finalmente, assumir responsabilidade sobre as decisões tomadas. Encaramos a gestação, o parto e a amamentação como processos naturais, fisiológicos, instintivos, carregados de significado e beleza, e nos quais a mulher pode “e deve“ assumir seu papel de protagonista. Assim sendo, valorizamos infinitamente o direito de cada mulher a vivenciá-los de forma inteira, consciente, empoderada, e nossa luta é para que toda mulher que assim o deseje tenha essa oportunidade"
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