No fim do texto, ela lança a pergunta-debate: "Quando é ´ok´ e quando é ´demais´ amamentar?".
Eu li, eu ri e eu comentei.
Vai aqui o comentário, que até o momento em que escrevo não havia sido publicado.
"Olá Letícia. Foi com espanto que li a sua pergunta-debate sobre quando é "ok" amamentar e quando é "demais". Se nós estivéssemos falando sobre usar saias que permitem ver a calcinha, sobre blusas que permitem ver o bico dos seios, sobre revistas Playboys e afins penduradas em bancas, sobre mulheres pagando peitinho na tv, sobre mulheres nuas no carnaval, sobre essas coisas que são supérfluas e totalmente desnecessárias (ainda que ocorram com cada vez mais frequência e com o aval das pessoas), sua pergunta faria sentido. Mas não estamos falando de hábitos ou comportamentos supérfluos, estamos falando de algo que é insubstituível e que nenhum leite artificial ou mamadeira é capaz de repor: amamentação. Que vai muito, mas muito mais além de, como é mesmo que você se refere a ela, "um peito pulando pra fora da roupa". Amamentar um filho é alimentá-lo não só de leite materno, é oferecer a ele entrega, disponibilidade, afeto, contato e segurança. Os peitos de quem amamenta não pulam pra fora da roupa, eles não têm vida própria. Eles são expostos pela mãe para que o filho se alimente. Fome, sede, acontece em todo lugar. É compreensível, portanto, que em todo lugar uma mulher possa amamentar sem ter que se preocupar com a mentalidade curta e doentia das pessoas, que podem olhar para ela como aberrante ou como objeto sexual. Muitas organizações de saúde no mundo estão trabalhando arduamente para que toas as mulheres, homens e famílias se conscientizem de que, sim, é necessário, importante e fundamental amamentar. Amamentar, Letícia, nunca será demais, pelo contrário. O que anda acontecendo é de menos: mulheres que andam se sentindo desconfortáveis porque pessoas se acham no direito de lançar esse tipo de discussão sem embasamento, sobre quando é "ok" e quando é "demais". A Organização Mundial de Saúde, a UNICEF, o Ministério da Saúde, as Secretarias Estaduais da Saúde já responderam e respondem todos os dias a sua pergunta: NUNCA é demais amamentar. Quem se sente incomodado pela prática deveria se questionar sobre os motivos do seu incômodo, talvez com a ajuda de um analista. Isso simboliza uma série de más resoluções psíquicas. Um abraço"
Tá chegando o carnaval. Um monte de mulher vai sambar com as peitolas de fora e o mundo vai achar leeendo. Até a finada Dercy já saiu com as peitolas de fora e o pessoal achou suuuper artístico. Tem um monte de fantasia daquelas que se acoplam peitos de borracha ou de plástico, que geralmente os homens gostam de usar. Mulher não usa muito porque, afinal, a gente já tem, né? Pra nós é tão comum...Os peitos são fantasias.
E um dos significados de "fantasia" é: imaginação criadora; ficção; coisa que não tem existência real, mas apenas ideal.
Os peitões também são fantasias.
E os seres humanos estão com problemas pra diferenciar o que é fantasia do que é real.
Então é assim: no carnaval, peitão pra fora de mentira pode, tá?
Mas isso é FAN-TA-SIA.
Não queiram tornar os sonhos alheios realidades, mulheres, suas tolas...
Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar...
E pro carnaval: todo mundo de peitão de fora, galera!
Menos as mães que amamentam. Porque, né? Isso é demais...

A propósito: aquela imagem ali de cima, do Isso pode, Isso não pode, fui eu mesma quem montou, bem toscamente, pra representar o que eu quero dizer. Aí, algumas horas depois, encontrei essa outra aí ao lado sendo compartilhada, com o mesmo intuito. E comigo na foto (de gorro e óculos), ao lado de outras mães florianopolitanas! Legal!
13 comentários:
Nao li o que essa Leticiavescreveu, mas concordo plenamente com vc. Infelizmente há muitas pessoas com essa mentalidade. Sempre comento com meu marido, sao poucos os lugares públicos, shoppings, clubes, restaurantes onde se consegue amamentar com naturalidade.
Meu, esse post fraco e bipolar da tal Letícia escreveu gerou quase 500 comments! Por isso eu acredito em política pública, porque atinge as massas, como essa Marie Claire revistinha de quinta categoria editorial e que a mulherada adora ler.
O assunto, especialmente da maneira que é tratado é tão absurdo que eu não saberia como responder a não ser como fez um cara que mandou seu post lá nesse blog: Filho tá com fome? Peito nele!
E não se fala mais nisso.
Ligia, teu comentário/post gerou em mim a sensação de que tu soubeste expressar algo que eu penso e de uma maneira ainda melhor do que imaginaria escrever esse comentário.
Realmente, transar ou dar a entender que isso aconteceu no programa de TV, no chamado horário "nobre", em que muitas crianças estão acordadas ainda, pode; "mulher-planta/fruta" em programa que desmoraliza ao objetificar a mesma (e a todas nós), porque ficam se balançando com roupas minúsculas, Ok!
Agora uma atitude natural, normal e saudável é vista como exibicionismo e incentivo à sexualidade. - Oi?!
Por isso cada vez mais acho que os "mamaços"não podem ser esquecidos, ao longo de todo o ano. Talvez fosse o caso de todas comentarmos esse texto. Quem sabe colocas o link aqui pro povo se manifestar em massa?
Beijo,
Ingrid
Coloquei o link e a imagem no meu face, vale sempre divulgar,
bjs
É isso aí! Nem tem muito o que acrescentar, disseste tudo!
Bjs
Eu nem tenho muito mais o que dizer, sabe gente... Pra mim são coisas tão óbvias que não dá pra entender como é que ainda é preciso explicar pra esse povo a naturalidade do gesto.
Ingrid, amiga. Tem mais de 500 comentários lá no link do tal texto. Dá um google no título que passei no texto do blog que vc encontra. Não posto aqui o link apenas pra não vincular meu blog àquela revista de alguma forma... ainda mais àquele texto que é falta de pauta total. Beijos!
Lígia, bem interessante seu ponto de vista, como sempre. Entendo sua bronca com a jornalista e com a falta de profundidade com que você reportou que ela tratou o assunto (confesso, não fui atrás do link). Mas, pegando o gancho no seu prórpio comentário acima "Pra mim são coisas tão óbvias que não dá pra entender como é que ainda é preciso explicar pra esse povo a naturalidade do gesto", queria colocar meu ponto de vista.
Quem está envolvida(o), de alguma forma, com a blogsfera materna ou com projetos relacionados à maternidade ativa tem acesso a debates e trocas interessantíssimas e sabe que é óbvio e indiscutível os benefícios da amamentação. Mas para o público dessa revista - focada em comportamento feminino e que alguém aí em cima definiu bem, que atinge as massas - nem sempre essa informação vem de uma forma clara e digerível. Por isso, não dá para partir do princípio que todo mundo tem a mesma base de informação e, consequentemente, subsídios para sustentar a discussão no mesmo nível.
Na minha opinião, quem se coloca no papel de um disseminador de idéias - seja um professor, um ativista, etc - deveria constantemente fazer o exercício de se colocar no lugar de uma pessoa leiga, que tem pouco ou nenhum esclarecimento sobre o assunto, para acolher e orientar quem não sabe nem por onde começar. O público que começa a tomar contato com a maternidade se renova constantemente e é preciso começar tudo de novo diversas vezes - assim como uma turma na sala de aula.
Parabéns pelo blog, que eu acompanho sempre, e pela sua sagacidade.
Um beijo,
Priscilla
Apoio 100% o que você falou e acabei de postar sobre isso no meu blog.
http://eramos2.blogspot.com
Oi Priscila,
Entendo o seu ponto de vista e concordo com ele, parcialmente.
Na verdade, o acesso aos debates sobre os indiscutíveis benefícios da amamentação tem mais a ver com a ligação com a maternidade ativa do que com a blogosfera materna, porque essa é extremamente variável e heterogênea e nela se encontra muito absurdo sobre o assunto também. Infelizmente, blogosfera materna e maternidade ativa ainda não são sinônimos.
Você disse uma coisa bem importante quando diz que o papel de um disseminador de ideias é o de fazer o exercício de se colocar no lugar de uma pessoa leiga. Partindo do ponto de que a autora do texto é absolutamente leiga sobre o assunto, o que fica claro pelo próprio debate que ela tenta travar, colocar-me no lugar dela foi exatamente o que fiz quando forneci informações sobre os benefícios da amamentação e sobre o panorama de luta das diferentes organizações para incentivar e apoiar mulheres e famílias com relação à prática da amamentação.
Mas nesse caso específico tem um agravante: ela é jornalista. Sou casada com um e vivo no meio de muitos. Pelo pouco que sei do jornalismo, não é nada recomendável nem muito ético que se fale sobre determinado assunto - como jornalista - sem pesquisá-lo antes ou se tornar menos leigo, digamos assim. Uma coisa é ter um blog despretensioso onde não se tem compromisso com a ética jornalística. Outra coisa, bem diferente, é publicar uma matéria numa revista de circulação das massas. É exatamente porque atinge as massas que o papel dela, como jornalista, deveria ser o de tentar saber um pouco mais do assunto, ao invés de lançar um debate que nem precisaria existir.
Ainda assim, pensando pelo lado de colocar-me no lugar do leigo: eu, no lugar dela, não emitiria opinião, uma vez que ela não conhece o assunto.
Mas, tendo emitido, e considerando ser o veículo uma revista de acesso às massas e não um instrumento da blogosfera, não vejo muito sentido em "orientar". Ainda assim, o fiz. Como você disse, ela não sabia nem por onde começar. Então não era nada recomendável que, sendo jornalista produzindo um texto de grande circulação, começasse...
Os que tem pouco contato com a maternidade e que leram aquele texto podem ter saído bastante influenciados. E duvido que eles possam ler os mais de 500 comentários, entre eles o meu, onde muitas informações de grande relevância foram dadas por pessoas que estudam a questão da amamentação e sabe de sua importância.
No fim, o que valeu pra quem leu, foi apenas o que ela escreveu.
Muito obrigada por suas contribuições, como sempre muito ponderadas - como é o seu blog super bacana.
Grande beijo
Ligia
Eu acho incrível esse moralismo falso da sociedade! mostra peitos,bunda e etc em um programa de Tv pode?, mulher virar mercadoria!
Pois é pura mercadoria, somos expostas ao consumismo, consumo da imagem, do silicone, da beleza...é uma industria cruel!
Balela falar em peito, hoje!
Mas meu peito serve pra além de exposição gratuita!
Eu dava de mamar na hora que ele sentia vontade! e ponto final
isso nem se discuti
gostei da sua escrita e compartilho muito!!
Tem fome filho? então mama! assim simples!
Ligia, muito bom seu comentário ! Você conseguir externalizar o que muitas de nós sentem e, no entanto, acaba tendo a voz suprimida por esse falso pudorzinho moralista da maioria que pensa ser muito inteligente negar saúde, alimento, amor, aconchego, colo à essas pessoinhas tão importantes que são nossos filhinhos e (aí sim, né?) ser bacana exaltar a falta de pudor imoral que o mundo está tentando esbanjar por aí.
Parabéns por ter rebatido essa idéia ridícula e, se eu fosse a Letícia, talvez eu não gostaria de sair de casa no dia seguinte de tanta vergonha...
Abs !!
Juliana
Esse é o mundo q vivemos onde amor e família tem sido pouco valorizados.... Tomei a liberdade de tb divulgar a imagem la de cima na minha fanpage... Se quiser conferir www.facebook.com/descobrindoamaternagem
Sério mesmo que tem gente que sinceramente acha amamentar em público indecente, obsceno, inconveniente etc??? Eu acho indecente não amamentar quando se tem condições de fazê-lo. Eita povo/sociedade doente...
O maior problema é que as pessoas esqueceram que o nome dos seios na verdade é "glândulas mamárias", ou seja, como em qualquer mamífero, servem para amamentar os filhotes. Filhotes saudáveis, adultos saudáveis. Pena que mais e mais filhotes estão crescendo com NAN sem precisar e a saúde mental já não é mais tão boa... temos que afastar quem acha ofensivo/erótico da sociedade, não o contrário...
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