Somos pessoas estranhas. Sentamos à mesa da cozinha proseando sobre todos os assuntos universais até quatro ou cinco da manhã sempre que nos encontramos.
Somos pessoas estranhas. Viajamos centenas de quilômetros apenas para nos fazermos presentes nos momentos importantes das vidas umas das outras. De combinação ou de surpresa, de carro, ônibus, ou de avião, para vários dias ou um rápido bate-e-volta, com criança no colo, mala e família ou mochilinha com duas peças de roupas e, sempre, muita vontade de ajudar.
Somos pessoas estranhas. Quando os que amamos adoecem e precisam ser hospitalizados, permanecemos ao seu lado 24 horas por dia. Nos revezamos em horários que cumprimos religiosamente. Os nossos nunca estão sozinhos. Ainda que não nos possam ver ao seu lado.
Somos pessoas estranhas. Passamos as madrugadas juntas e despertas quando os nossos partem desse mundo. Sim, somos estranhas. Carregamos com a força de nossos braços, juntas, aqueles que partiram, em seus últimos passos.
Somos pessoas estranhas. Mais nos vemos na correria, mas procurando ser útil, que na tranquilidade, quando podemos descansar.
Somos pessoas estranhas. Falamos sem necessidade de palavras, falamos por olhares, por acenos, por movimentação corporal, e nos entendemos bem assim.
Somos pessoas estranhas. Sabemos quando as outras precisam de nós e telefonamos nos momentos exatos. Mandamos mensagens quando estamos pensando umas nas outras e, assim, sempre nos fazemos presentes.
Somos pessoas estranhas, porque somos absolutamente diferentes umas das outras e, ainda assim, comungamos em valores básicos dos quais não abrimos mão.
Somos pessoas estranhas. Choramos apenas por saber que os nossos estão passando por momentos difíceis.
Somos muito, muito estranhas. Porque nos amamos acima de todas as coisas e envolvemos quem amamos nesse amor.E o que é mais estranho: estamos ensinando às nossas crianças que, embora estranhos nos dias de hoje, esses são valores insubstituíveis para quem quer formar uma família de verdade. Uma família diferente da tradicional, de gente estranha que não tem medo de se amar e de mostrar o seu amor. Que mora distante e, ainda assim, está sempre tão perto.
Estou de volta depois de uma semana junto à minha família, gente bacana que eu amo e que me ama, gente do bem, verdadeira, forte, transparente, enérgica, corajosa, destemida.
Gente carinhosa, gente companheira, gente engraçada e cheia de amor.
Que recebe as pessoas de braços - e olhos - abertos e está sempre pronta a uma palavra de apoio e incentivo, ou de uma crítica inteligente.
Estou de volta de uma semana de aprendizado, reencontro, descanso e união familiar.
Revigorada e fortalecida por algo absolutamente estranho nos dias de hoje: amor.
À minha família de muitas mulheres e alguns poucos - e bons - homens... todo o meu amor e admiração.

Eu também me acho bem estranha...e sou muito feliz por isto! Parabéns pelo texto!
ResponderExcluirAi que lindo! Permissão para linkar e transcrever um trecho no Maternidade Modificada?! Diz que siiiiim!
ResponderExcluirAmei, meu ideal de família é bem assim!
;)
Somos estranhas, muito estranhas, e isso é o mais importante! Beijo da estranha do meio, sis!
ResponderExcluirÔ Lola, vâmo combiná que vc não precisa pedir autorização alguma pra postar no Maternidade Modificada?!
ResponderExcluirÉ só copiar, colar, dar a fonte e correr pro abraço.
Beijos, querida.
uruuuu, arráaaaa, é nóis aqui, é nóis lá, é nóis por todos os cantos.
ResponderExcluirNas horas de encanto e desencanto tb.
É nóis truta, é nóis mano.
Beijo te amo.