11 maio 2012

"Você é mãe o suficiente?" - a pergunta que vale mais que a imagem

Às vésperas do dia das mães, a Revista Time sacudiu a internet, os ânimos e acendeu o fogo de uma discussão que é, por si só, altamente inflamável. Publicou, como matéria de capa, um artigo sobre o attachment parenting, ou criação com apego, sobre a qual eu sempre falo aqui nesse blog. Todo mundo interpretou o incêndio como tendo sido causado não pelo texto, mas pela foto da capa: uma mãe, Jamie Lynne Grumet, de pé, amamentando seu filho de 3 anos de idade, que alcança seu seio com a ajuda de uma cadeira.
Bastou.
Como enxame de abelhas sacudido, veio gente de todo lado analisar, criticar, emitir sua opinião sobre o assunto. A página da revista no Twitter virou lama, com comentários ofensivos, violentos, sendo distribuídos com hostilidade desmedida e desproporcional. Como se naquela imagem algo muito grave estivesse sendo feito à mulher, à criança, ou a ambos. A mídia se encarregou de dar seu toque incendiário e deu-se a confusão. Os alertas do Google chegaram nas caixas postais recheados de notas, menções e matérias que dariam um compêndio. Um compêndio bizarro e de mau gosto.
E porque as culturas são diferentes, o que chocou a uns no hemisfério norte ocidental (leia-se Terra do Tio Sam), não foi o motivo de indignação, espanto ou choque abaixo da linha do Equador (leia-se Terras Tupiniquins).
Para os norte-americanos, a foto de capa contém "claro" conteúdo sexual - o que é facilmente compreendido: os EUA, que de liberdade mesmo só tem a estátua, orgulham-se de sua sociedade sexualmente reprimida, com séria dificuldade para naturalizar comportamentos que são naturais. A própria mãe retratada na capa afirma ter sido acusada de molestar sexualmente seu filho por amamentá-lo em "idade avançada". Ele tem 3 anos, é isso que chamam de "avançada" neste caso. Uma senhora do Arkansas, muito indignada com tamanha afronta da capa, manifestou-se dizendo que aquilo "beirava o voyeurismo" e que "até uma vaca sabe quando desmamar um filhote". Rancor, hostilidade, raiva. A amamentação continuada desperta a profundeza dos sentimentos daqueles que se esforçaram a vida inteira por cobrir suas más resoluções.
Enquanto os norte-americanos se inflamaram pelo suposto (e imaginado) conteúdo sexual da capa, aqui embaixo a indefinição é o regime.
Alguns meios de comunicação, no Brasil, tentaram (vem tentando faz tempo) americanizar a discussão, puxando a brasa pra sardinha erótica, querendo copiar o discurso sexualizado do Tio Sam. O portal Terra publicou matéria cujo título, "Revista estampa criança com boca no seio da mãe", mostra a resistência em aceitar a amamentação continuada e a vontade manifesta de sexualizar o debate. Na sequência, afirma que "a foto ilustra uma matéria sobre amamentação após a idade adequada que, de acordo com o ginecologista e obstetra, diretor do Centro de Fertilidade da Rede Dor, José Bento, é de dois anos de vida".
Ao usar a expressão "idade adequada", o texto já dá o tom de sua ignorância e - o que é pior - avalizada por quem se considera de posse de um conhecimento que não lhe diz respeito, uma vez que ginecologistas e obstetras não têm nada que dar pitaco em amamentação. Ainda mais quando vai contra o que a própria Organização Mundial de Saúde - a quem deveriam prestar contas em função de sua profissão - recomenda (amamentação exclusiva por 6 meses e continuada por 2 anos ou mais). Ou mais.
Mas lembre-se que aqui embaixo, onde menos de 10% dos bebês são amamentados pelo tempo recomendado, a indefinição é o regime.
Enquanto uns poucos tentaram sexualizar o debate, outros tomaram a amamentação continuada como "modismo" e outros, ainda, permaneceram em cima do muro, provavelmente temendo perder leitores.
Mas o fogo tomou conta mesmo foi dos grupos de discussão sobre assuntos maternos, paternos e de criação de filhos. Mas o combustível não foi a imagem em si. Foi a frase que a acompanha.
"Você é mãe o suficiente?"
Muitas mulheres não gostaram dessa frase. Tá, estou sendo bacana. Detestaram essa frase. E o discurso desviou da amamentação continuada para o juízo de valores.
Não sei se você sabe, mas existe um termo bastante utilizado em listas de discussão, grupos de apoio e aglomerações cibernéticas maternas: o "menos mãe". Ou, ainda, sua versão ridicularizante "menas main". E é como uma sirene: surgiu um "menos mãe" na conversa, dispara alarme, acende luz vermelha, mangas são arregaçadas e lá vem um embate. O "menos mãe" simboliza um conflito. Um conflito - absolutamente injustificável e incompreensível - entre formas de maternar, que obrigatoriamente traz juízo de valor, comparação em termos de melhor/pior, e desentendimento. É a guerra declarada.
Mas conflito entre quais formas de maternar?
Entre formas mais "tradicionais" e formas "alternativas" - detesto esses termos, mas são os que me ocorrem agora, acredito que seja possível entender o que quero dizer. A matéria da capa da Time fala sobre uma dessas formas "alternativas" de maternar: a criação com apego, o attachment parenting. Quem materna dessa última maneira tende a respeitar a intuição, o afeto e a conexão com os filhos, e isso fica evidente nas ações e práticas que adota, como o respeito ao parto e nascimento, amamentação continuada, o dormir compartilhado, o uso de slings, a alimentação com respeito, a rejeição ao choro desassistido, a recusa ao uso de mamadeiras, chupetas, alimentadores, e uma ampla variedade de práticas que envolvem ativamente a mãe e o pai na educação e criação dos filhos.
Quando alguém afirma que é dessa maneira que cuida dos filhos, é muito comum que a mãe "tradicional" - chamo de mãe tradicional aquela que prefere seguir comportamentos do senso comum sem questionar-se sobre os motivos e consequências, tomando como verdade que se sempre foi feito assim é porque funciona, que se sente confortável em seguir a massa, em ser guiada por orientações pediátricas, midiáticas, enciclopédicas e afins - dispare em direção àquela que ela vê como oponente: "mas eu não sou menos mãe por não fazer isso".
Ninguém a chamou de menos mãe por isso e por aquilo. Mas, por algum motivo daqueles que só o Freud e a mãe dele explicam, ela se sente compelida a dizer. Não sou menos mãe por isso! Como se houvesse uma mais mãe e uma menos mãe, e não um monte de mulheres fazendo o que conseguem fazer, de acordo com sua compreensão da realidade.
Então o "Você é mãe o suficiente?", ao lado de uma mulher amamentando um filho que não é bebê, suscitou o debate, e o que pintou de gente dizendo não ser "menos mãe" por não seguir isso não tá no gibi. Mesmo entre quem defende as práticas da criação com apego, surgiu o medo do embate, o medo da discórdia.
Então, eu vou dizer aqui o que já disse em outros lugares sobre o que eu achei disso.
Eu adorei!
Apenas porque não vi na manchete um convite ao ataque e, sim, ao confronto. Mas não o confronto de "umas" por "outras". O confronto da mãe consigo mesma. No silêncio da sua intimidade e reflexão.
Diariamente, são veiculadas capas de revistas e matérias que enaltecem o lado mecanicista da maternidade - como se isso, de alguma forma, representasse a autonomia feminina (ledo engano). Mulher engravatada segurando a mamadeira, a busca desenfreada pelas babás nos EUA, mulheres que se orgulham de dizer que marcaram a cesárea porque isso é mais moderno, o empurrão da mulher ao mercado de trabalho que exclui a presença dos filhos. Todos os dias nós somos confrontadas com esse estereótipo capitalista-agressivo de mulher (que é confundido com conquista do mundo pelas mulheres, como se se vestir e se portar como homem garantisse o respeito à condição feminina e - pior - como se isso fosse feminismo...). E quando vem uma única capa problematizando a questão por seu oposto eu vou achar ruim apenas porque vai levar à discussão?! Nunca!
Sim, eu achei excelente uma revista como a Time, totalmente imersa no mundo capitalista, mecanicista, reducionista, abordar a questão, ainda que de maneira atrapalhada. Acho mesmo que é um avanço. Principalmente quando se considera que isso foi feito num país que expulsa nutrizes aos montes de locais públicos (a capa foi divulgada poucos dias depois de uma mulher ser constrangida no Museu de Arte de Los Angeles por amamentar sua filha).
Se vai suscitar a polêmica, a problematização? Espero que sim! Espero que mulheres leiam a provocação e se sintam provocadas a responder a si mesmo a pergunta: "Estou sendo mãe o suficiente?". Mas não o suficiente para os outros. O suficiente para si e seus valores. Quem encarou essa matéria do ponto de vista do conflito do "mas eu não sou menos mãe por não amamentar meu filho já crescido", está precisando se afirmar um pouco mais e ser mais segura de si, porque se uma frase a faz se questionar sobre isso é porque não parece estar muito convencida de sua própria prática.
O fato de se tentar responder a uma pergunta complexa como essa ("Você é mãe o suficiente?") leva, no mínimo, à reflexão. Porque uma pergunta assim, direta, exige RESPOSTAS mas, principalmente, mulheres preparadas para respondê-la. Aquelas que se sentiram ofendidas, intimidadas, confrontadas (como o são todo santo dia aquelas que amamentam em público, que compartilham o leito, que carregam as crianças no sling ou não escolarizam tão cedo) precisam elaborar o discurso - E SER COERENTE - pra dizer como isso não tem nada a ver com ser mais ou menos mãe. Se não temos mulheres empoderadas o suficiente para responder sinceramente a essa questão, aí a questão é outra e o buraco é bem mais fundo. E vejam que não estou falando de amamentação, não falei da imagem da capa, estou falando do questionamento proposto.
Vou dar um exemplo.
No ano passado, um blog postou um texto que falava sobre uma suposta "maternidade das cavernas", referindo-se às escolhas como o parto ativo, a maternidade ativa e afins como sendo um retorno à primitividade. Eu me senti confrontada. Mas não acho isso ruim. Estou pronta para argumentar porque não é das cavernas a minha forma de maternar.
O mesmo vale para a situação inversa. Quem se sentiu confrontada pela pergunta "Você é mãe o suficiente?", ao lado de uma imagem como aquela, está pronta pro debate? Mas para o bom debate, não praquele #mimimi desenfreado e apelativo de "amor de mãe", "eu também amo meu filho", "eu só quero o melhor pra ele".
Embora o editor da revista tenha afirmado que "É uma capa provocativa. Nós estamos propondo um questionamento que não poderia ser mais importante: como podemos criar nossos filhos", é claro que teve a intenção de chamar a atenção pela polêmica e ganhar dinheiro - o Tio Sam é implacável.
Mas ainda assim eu gostei.
Porque evidenciou, pelo menos no contexto brasileiro, a diferença entre modos de maternar e o embate que existe por trás disso. Não, não é bom que ele exista. Sim, seria bom que todas estivéssemos do mesmo lado. Mas quem se sentiu atacada pela capa e sua pergunta tem que lembrar que o lado mais atacado tem sido - muito paradoxalmente - o de quem tem optado por formas não hegemônicas de criação de filhos. Porque isso é o "diferente", é o "bizarro". E, também paradoxalmente, não foram essas pessoas que maternam diferentememente que criaram - e usam - a expressão "menos mãe". Jamais! Quando usam, é apenas em referência ao que mães tradicionais afirmam que não são.
Ou seja: apareceu uma forma diferente de maternar (será mesmo diferente?). E a forma "tradicional" logo tratou de tentar se justificar: ai, mas eu não sou menos mãe porque não faço isso ou aquilo. Ninguém disse que é, mas a justificativa apareceu mesmo assim. Talvez por comparação implícita. Porque quando dizemos que maternamos ativamente, conscientemente, apegadamente, falamos em amor, afeto, proximidade, não violência, e isso é ESCANCARADAMENTE bom. Para todos. Aí parece que estamos dizendo: o resto não é bom, o tradicional não é bom. Mas não dissemos isso.
Por isso gostei tanto do tom de confronto da capa, do confronto da mãe com ela mesma (e não de umas por outras), e seria ótimo se, às vésperas do dia das mães, todas estivessem se fazendo a pergunta: "E aí, negona? Tá sendo mãe o suficiente?!". E é o que toda mãe se pergunta sempre, mas em forma de culpa.
Deixemos a sacrossanta culpa materna de lado. É só por ela que esse furor todo apareceu. Porque ao ser questionada sobre sua prática como mãe, ela surge, ela domina, ela grita.
É por isso que eu acredito que o gerador de lero-lero não foi a imagem, mas a pergunta, o questionamento. Parece que as pessoas se sentiram muito agredidas, confrontadas com a frase "Você é mãe o suficiente?".
O que há de tão problemático em fazer mulheres se questionarem sobre isso? Não é o que fazem em seu íntimo todos os dias, de maneira velada?
Se nós interpretarmos "ser mãe o suficiente para nossos próprios valores", não há nada de mau nisso. Acontece que as pessoas sempre pensam em termos de "ser mãe o suficiente para inglês ver" e interpretam como "Sou mãe o suficiente para o que a sociedade julga ser?" e isso é falta de posicionamento no mundo.
Gostei da frase. Gostei da capa. Gostei da polêmica. Gostei do confronto.
Mas porque eu o encarei como sendo o confronto da mãe com si própria. A ponto de fazer a mim mesma a pergunta:
"Tenho sido mãe o suficiente para a minha Clara?".
E a resposta foi: não! Não tenho. Posso melhorar.
Então, por gentileza, tire seu #mimimi do caminho que eu vou em busca de ser uma mãe melhor.

43 comentários :

  1. Lígia,

    Adorei o post! Não tinha visto a revista Time, mas certamente vou repassar para a minha mãe. Ela sempre me questiona e acho que vai gostar de ler.

    bj

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  2. Concordo totalmente com sua opinião!
    Já tinha até discutido o assunto, comentando alguns dos argumentos que você também usa.
    E com certeza, é sempre bom fazer uma reflexão e perceber que podemos melhorar! :D

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  3. ... e gostei do post.
    Lígia, não sei como eu não tinha passado por aqui antes. Nem precisa de comentários, o post está impecável.
    Estava ensaiando há tempos um texto sobre essa chatice de mais-mãe-menos-mãe (igual a zero mãe). Porque eu nunca consegui entender de onde isso surgiu. Nunca li nenhuma dessas expressões em nenhum blog dito "alternativo", "xiita", "roots", "cara de alface" ou "das cavernas". E tá cheio de gente se defendendo desse rótulo... É, Freud explica.
    Beijos e parabéns!

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  4. Só acrescentando: não gostei da capa da revista. Eu amamento minha filha de 2 anos e 4 meses e não faria uma foto assim, por uma simples razão: foi uma pose produzida para causar um estranhamento (sensacionalismo?) maior que o necessário. Óbvio, já que o objetivo é vender. A Kalu, do mamíferas, fez essa mesma observação. Não é uma posição em que damos de mamar normalmente. A mesma criança no colo, deitada, aconchegada, parece muito mais bebê que um menino de tênis e calça de adolescente em pé. E a mãe é o estereótipo da bonitona, loira, sarada. Com certeza houve a intenção de hiper-sexualizar o gesto. E, consequentemente, tachar de bizarra a amamentação prolongada.
    Mas quem vê isso não imagina que, ali na casa ao lado, uma criança de dois anos e meio pede o peito uma vez ao dia, pra dormir a soneca da tarde, e fica cinco minutinhos aconchegada no colo da mãe até pegar no sono. Na intimidade, na penumbra, na maior naturalidade do mundo. Sem se esconder, mas sem se exibir. Porque isso é coisa nossa.
    Minha outra bebê, de 8 meses, mama em todo lugar. Não porque eu precise ocultar a maior e expor a menor. É simplesmente porque a menor precisa mamar a qualquer hora, e em qualquer lugar.
    Beijos!

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  5. Uau Ligia, que beleza!
    Tá tudo dito...Assino total embaixo do que você escreveu com nadíssima a acrescentar, vou catar outro tema por aí porque esse você lavou, torceu e enxugou de maneira exemplar!

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  6. Ai, não deu para ler td com atenção, pq estou no trabalho, mas amei, principalmente o final: "Mas porque eu o encarei como sendo o confronto da mãe com a mãe. A ponto de fazer a mim mesma a pergunta:
    "Tenho sido mãe o suficiente para a minha Clara?".
    E a resposta foi: não! Não estou. Posso melhorar."

    Honestamente, acho que muitas acabam pensando isso, que precisam melhorar, e muitas vezes rola uma culpa forte, que faz com que as reações sejam agressivas qdo acham/achamos que alguém está apontando aquilo, que na verdade, nos incomoda.
    Acho que o mais importante para todas nós é pensar nessa questão sim, mas deixando a culpa matadora de lado!
    Adorei seu post mesmo, muita coisa para eu digerir e pensar pensar pensar.
    Bom final de semana e que vc tenha um lindo dia das mães!

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  7. Tudo o que toca o mundo materno gera polêmica, pq mãe é bicho besta que não assume que erra, que é humana, que não tem sempre respostas, e quando aprende alguma coisa no caminho o que deixou pra trás se mostra doloroso. EU sou assim e a maioria das mães também.
    Quanto a imagem eu adorei o calor das discussões, vejo sempre um blog ou outro adjetivando as maes "alternativas", que na minha opinião são as tradicionais, instintivas. Mas vejam só, o instinto está na maioria das mães, aquela vontade de pegar, acariciar, colocar no peito, matar sua fome, sua insegurança, seus medos, isso é nato, pois nasce o filho e nasce a mãe. Só que vivemos em sociedade dita como feminista, mas na verdade é machista, que diz pra esse instinto que ele é burro, que ele deve ser reprimido, então muitas mulheres não dormem com seus filhos, pq a empregada, da filha, da prima, da vizinha disse que uma mulher sufocou o bebê. Outras não pegam no colo pq a tia da cantina falou que ele fica mal acostumado, mimado, dependente. E lá se vai aquelas mil noites em claro com um bebê ardente de necessidade de calor, de cheiro, de colo, por outro lado a mãe ardente de necessidade de dar colo, de cafungar o cangote do pequeno, e a sociedade moralista atrás, ambos sofrem.
    Daí vem uma doida, que dorme com os seios de fora pra facilitar as mamadas, a cria dorme na cama, mama o tanto que quer, fica enfiada num sling o dia todo, e a mãe levanta a bandeira que é bom mesmo, e fala de evidências científicas e mostra o dedo do meio pra toda sociedade e vive em absoluta liberdade psiquica, sexual, moral e etc. Gente é pra pirar o cabeção desse povo, as pessoas não estão preparadas para um debate, estão acostumadas a se fazerem de vitima. Quantas vezes nós deixamos de falar dos nossos sucessos pra não termos aquela sensação ruim de que o próximo possa se sentir mal, exemplo, uma mãe que pariu lindamente num parto orgásmico, fecha o bico diante daquela q fez cesarea com 38 semanas, só pra não correr o risco de magoá-la. Tá na hora de batermos a mão no peito e nos orgulharmos de quem somos, seja lá quem nós somos, naturebas, mães que amamentam, que não amamentam, mães que trabalham, que não trabalham, que tiveram parto natural, as que tiveram cesarea. Somos mulheres, temos que nos orgulhar de nossas escolhas, se incomodou é pq precisamos rever, e com isso aprender, evoluir, deixemos de ser coitadinhas, isso é ser feminina, isso é ter garra.

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  9. Cristiane, você apagou seu comentário, que pena. Talvez você não conheça ninguém que cobre paternagem de pai, o que é uma pena... Mas não podemos julgar o micromundo ao nosso redor como representativo da coletividade. Como diria o poeta, quando tudo de que vc dispõe é um martelo, tende a interpretar tudo como se fosse um prego. Por não compactuar com uma sociedade machista/patriarcal, não insiro os elementos de tal sociedade em minha vida. E é por isso que aqui nessa casa não se cobra paternagem, porque ela não precisa ser cobrada, ela é espontânea, assim como também não precisa ser nas famílias do meu convívio, porque também nessas famílias ela é espontânea. Homens e mulheres diferenciados, que caminham um outro caminhar.
    Mas, como eu disse, não é possível generalizar o micromundo ao nosso redor. Assim, falemos das famílias em que realmente a paternagem não é cobrada. Por que ela não é cobrada, também não se deve cobrar maternagem, é isso? Ou seja: porque coisas óbvias não são cobradas de uns, então outros também não precisam ser cobrado por elas. Terra de ninguém. Infelizes crianças essas nesse mundo aí que você propõe.
    Quando as mulheres puderem cobrar umas das outras, sem preguiça, quem sabe andemos pra frente.
    Abraços - nada preguiçosos. Muito pelo contrário.

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  10. a capa é sensacionalista e eu acho que a mãe da capa cometeu um abuso por expor o filho dela dessa forma. Se ela acha que tudo bem, tudo bem, mas eu tenho direito de ter a minha opinião.
    Cada mãe deve criar o filho da maneira que acha melhor, sem cobrar das outras que façam o mesmo. E não consigo ver como uma capa cobrando que as mães sejam mais mães ajuda na causa das mães.
    não entendi porque você gostou da matéria. É por que confrontou as mães que resolveram não amamentar por mais de seis meses? A gente não deveria estar lutando por direito de escolha?
    Eu deixei de amamentar quando meu leite secou. Foi um pouco antes de seis meses. Fiquei muito triste, queria amamentar mais tempo e o teria feito caso houvesse leite. Eu trabalho em casa e amamentei meu filho todas as vezes que ele quis. Não tinha hora nem lugar. Segui o instinto e a vontade dele. Agora, se eu tivesse tido leite até os 4 anos dele, provavelmente eu amamentaria quando ele quisesse mas não o colocaria numa capa de revista sendo amamentado.

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  11. É o patético machismo e misoginia da sociedade e o sentimento de posse sobre o corpo da mulher. Reflitam, senhoras e senhores: belas mulheres em capas de revistas, internet e Tv com os seios à mostra por intenções unicamente eróticas, sensuais e sexuais, para agradar aos homens, não causam esse "escândalo".
    já seio de uma mulher sendo usado para sua função primeira e natural, que é amamentar uma criança, gera todo esse ódio, inclusive de outras mulheres misóginas.

    Em resumo: Seios à mostra como objeto de prazer para o macho: pode, tudo bem
    Seio para amamentar uma criança: "esconde, é feio, é escandaloso, é sensacionalismo!"
    Imagine esses preconceituosos tendo de viver por alguns anos no Nordeste profundo ou na África, onde o leite materno faz a diferença entre a vida e a morte de crianças até 4, 5 anos de idade, e as mães as amamentam em público, com nobreza e naturalidade.
    Acreditem, senhores, seios não são exclusivos objetos de desejo dos homens.

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  12. Prezada "aiaiai": vc acha que a mãe da capa cometeu um abuso por expor o filho dessa forma. Sei...
    Claro que vc tem direito à sua opinião.
    As mães que espancam os filhos dizem exatamente o que vc disse: cada mãe deve criar o filho da maneira que achar melhor. Uma pena que em pleno século XXI ainda existam pessoas usando justificativas maniqueístas para todos os fins.
    Não entendeu pq eu gostei da matéria?
    Recomendo a leitura do texto novamente.
    Parabéns pela decisão de iniciar a amamentação. E sinto muito, e te respeito, pela tristeza de não poder continuar amamentando.
    Vc contribuiu muito para o texto: é exatamente disso que vc escreveu (#mimimi) que eu estou falando.
    Abraços

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  13. ANÔNIMO: clap clap clap.
    Perfeito comentário sobre misoginia.
    Concordo.
    Peitos de fora no carnaval pode.
    Amamentando não.
    Nada mais a declarar.

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  14. Estou atrasada, mas que seja.

    Achei uma grande bobagem todo esse discurso moralista em torno da imagem. É uma mãe amamentando, ponto. Pra mim isso é suficiente pra esquecer qualquer coisa relativa à sexualidade, porque uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra. Aliás, uma exclui a outra. Não consigo pensar que é "uma mulher com o seio de fora", pra mim é uma mulher amamentando. Dou de ombros.

    O negócio de dizer que isso é molestar a criança sexualmente é tão absurdo que diminuiu minha esperança na humanidade.

    Não vejo a foto como "expor o filho", porque meu raciocínio é que no futuro o moleque vai se ver na imagem e... saber que ele mamou. Wow, grande coisa. Não vejo grandes traumas aí. Quero dizer, vejo amamentação como uma das coisas mais naturais do mundo e não algo polêmico, então não consigo ver o potencial bombástico da foto. Acho que a reação das pessoas não é culpa da mãe, é culpa da visão delas, que veem a capa como algo sexual. Se todo mundo conseguisse ver uma criança mamando com neutralidade, não teria razão pra tanto espanto.

    Mas claro, isso sou eu, respeito os outros pontos de vista.

    Agora, essa de idade limite pra amamentação só pode ser piada. Nunca ouvi especialista nenhum dizendo que amamentação prolongada era um problema, bem pelo contrário. Minha mãe me amamentou até os quatro anos, sem problema nenhum. Cada mãe faz o que acha melhor pro seu filho dentro das suas possibilidades. Não existe receita pra isso, e "menos mãe" é um conceito totalmente torto - como se uma coisa dessas pudesse ser medida...

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  15. Não sou leitora desse blog e só passei aqui pela indicação da Lola.

    E não, não concordei com o post. A autora se espanta com as mães do tal "jeito tradicional de se maternar" ficarem na defensiva e ela mesma não se dá conta que partiu para o ataque:

    "attachment parenting. Quem materna dessa última maneira tende a respeitar a intuição, o afeto e a conexão com os filhos (...)"

    Ora, então quem não adota sling, cama compartilhada, amamentação prologanda e afins não tende a respeitar o lado afetivo da maternidade e dos seus filhos? Pensem bem na frase e reflitam. Existe um ataque implícito aí a um outro tipo de escolha que não o da autora e a expressão de um juízo de valor, sim senhoras. É claro que as mães se sentiram atacadas. Eu também me senti. E de ataques basta os que o patriarcado já nos dirige todos os dias, produzindo culpas imaginárias pra vender o seu discurso. Não precisamos de cobranças vindas de outras mulheres.

    Devemos também lembrar que muito desse modo de maternagem "afetiva" que a autora presa tanto é um privilégio de gente com recursos, classe média tradicional. Vai lá na casa da mulher pobre pra ver se ela tem sling, se a cama compartilhada é escolha ou necessidade e se a amamentação prolongada (que seria realmente a mais indicada para as famílias mais carentes) é possível no meio da tripla jornada de trabalho a que elas são submetidas.

    Vocês querem amamentar até os 3 anos de idade. Ótimo. Isso é uma escolha de vocês. E como feminista eu respeito e apoio as escolhas esclarecidas de todas as mulheres que optam pela maternidade. Mas chega de apontar dedinhos. Nós realmente não precisamos disso.

    Eu fico imaginando o que a sra. Badinter diria dessa discussão toda.

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  16. Cyntia, não caia nessa de que emitir uma opinião é um ataque. É apenas uma opinião, e se as pessoas não concordarem com ela, é só fechar a página. Mas daí a pensar que é um ataque, são anos-luz de diferença. Achar que explicar o que é attachment parenting (maternagem com intuição, afeto e conexão com os filhos) é ATAQUE, é subentender que mulheres que não maternam dessa maneira são VÍTIMAS. E a conclusão que vc chega na sequência (de que quem não adota sling, cama compartilhada, amamentação prologanda e afins não tende a respeitar o lado afetivo da maternidade e dos seus filhos) é a sua conclusão, não a minha.
    As mulheres ficam muito alteradas (como diria Maitena), quando o assunto é maternidade, a ponto de acharem que a defesa de um ponto representa ataque a outro. O que falta mesmo é que sejamos todas firmes e seguras em nossas escolhas, companheiras (acho péssimo ver mulheres tratando umas às outras de "senhoras"; é uma clara reprodução do discurso masculino).
    Usando a afirmação da Cyntia: é claro que as mães se sentiram atacadas? Claro que é... Apenas porque mães SEMPRE SE SENTEM ATACADAS qdo o ponto de vista é oposto ao seu. A culpa materna (aquela, a sacrossanta), sempre faz uma mãe se sentir atacada...
    Mas entendam, companheiras, que não há ataque. Há diferença de pontos de vista. Se deixarem as armas de lado, verão no texto que digo que não existem menos mães ou mais mães. O que existe é um monte de mulheres dando o melhor de si (assim quero crer...) - quer esse melhor pareça extremista ou errado para tantas.
    Enquanto nós mulheres nos sentirmos atacadas porque outras mulheres emitem opiniões contrárias às nossas, seremos vistas como esse grupo desunido, vulnerável, frágil e incoerente de pessoas, que desmorona ao primeiro #mimimi.
    Agora, um adendo: quem produz as culpas imaginárias não é o patriarcado, não! São as próprias mulheres. A partir do momento que a mulherada se tocar de que há DIFERENÇAS e não DICOTOMIAS, essas culpas não mais existirão. Esse negócio de dizer que é coisa do patriarcado é não reconhecer a parte que nos cabe no reforço ao machismo.
    Nesse texto há, sim, um ataque. Mas ele é exclusivo a quem tem filhos sem se questionar sobre sua prática - o que acontece com quem dá mamadeira ou quem amamenta, com quem coloca no berço ou na cama ao lado; com quem teve um parto normal ou uma cesárea.
    Agora, dizer que o modo de maternagem afetiva que EU preso (como se fosse somente eu...) é um privilégio de gente com recursos foi um dos maiores equívocos que já li nos últimos tempos. Na real, esse tipo de maternagem é muito mais frequente - e comum - entre mães que não possuem recursos. Principalmente porque a forma mecanicista - e capitalista - de maternidade aparece mais quanto mais alta a renda. Vai dizer que não percebeu?! Existe, inclusive, gente muito boa estudando isso. Quanto mais dinheiro, maior a terceirização da maternidade.
    "Vcs querem amamentar até os 3 anos. Ótimo. Isso é uma escolha de vocês. E como feminista eu respeito e apoio as escolhas esclarecidas de todas as mulheres que optam pela maternidade. Mas chega de apontar dedinhos". Será mesmo que somos "nós" que estamos apontando dedinhos?????? Triste isso de uma feminista autodeclarada usar o discurso de "nós" x "vocês" quando conversa com uma mulher. Por isso (também) é que somos desacreditadas tantas vezes. Mas veja: eu nem falei a capa. Falei sobre a frase.
    A Sra. Badinter, se soubesse dessa discussão (tola) toda, provavelmente torceria seu nariz francês. Isso porque ela acredita que o amor materno é um mito. Se isso tem a ver com o fato dela ser uma das mulheres mais ricas de seu país?! Vai ver é só coincidência...

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  17. Anna: fico feliz pelo fato de vc dizer que respeita a liberdade de escolha das mães ativas. Que bom.
    Mas foi equívoco vc achar que não respeito a liberdade das que não são ou não querem ser assim.
    Respeito.
    Mas acho uma infelicidade tremenda aos filhos dessas mulheres que, como você disse (e não eu...), não são mães ativas, ou não querem ser mães ativas.
    Acho triste mesmo...
    Mas apenas porque eu não veja a maternidade como algo que possa ser feito passivamente...

    Que rica discussão.
    E respeitosa.
    Grata pela contribuição que todas oferecem a essa discussão.

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  18. Olha, uma outra cientista como você defendendo a causa (ela é atriz também, interpreta uma bióloga na série The Big Bang Theory, e é PhD de verdade em neurociência):

    Namorada do Sheldon vira porta-voz da 'criação com apego' - http://veja.abril.com.br/noticia/saude/atriz-de-big-bang-theory-lanca-livro-sobre-modo-controverso-de-criar-os-filhos

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  19. Quando vi a capa da revista, a primeira coisa q me veio a mente foi: poderia ser eu nesta capa!!! Não porque sou alta, loira e magra e sim porque amamentei meu filho, q faz 4 anos nesta quarta-feira, até 3 anos e 9 meses. Nestes 3 meses de desmame não tem um único dia q meu filho não diga: Mamãe, eu quero voltar a mama... Neste período de 3anos e 9 meses, ouvi de tudo, e depois dos 2 anos não foi fácil... NA RUA SEMPRE TINHA ALGUÉM PRA DAR A SUA OPINIÃO: "AH, JÁ TA GRANDE DEMAIS PRA MAMAR.", "JÁ COME DE TUDO PRA QUE MAMAR?", "ELE NÃO PRECISA MAIS, TA SÓ FAZENDO ONDA!" E ATÉ DIRECIONADAS PRO MEU FILHO:"QUE COISA FEIA! UM MENINO DESTE TAMANHO MAMANDO."
    Eu não amamentava mais ele em público, apenas entre amigos ou no aconchego do nosso lar. Só eu e ele sabemos como foi bom este tempo que estivemos conectados através do amamentar e a dificuldade que foi deixar de mamar, de dar mama... Nem eu pensei q fosse amamentar tanto tempo e não me arrependo, sempre estive convicta de que era o melhor pra ele, assim como esta mãe da capa da revista, tenho certeza que ela amamentou este tempo todo porque esta sendo bom para ela e para o seu lindo filho e não porque tinha planos de sair na capa da TIME. Quando olho esta foto, só vejo uma mãe amamentando seu filho, lindo grande, saudável! Quando leio o que escrevem sobre a foto SÓ LEIO MIMIMI
    Hoje dia das mães estou orgulhosa POR MIM E POR ESTA MULHER E POR TODAS AS MÃES QUE QUEREM E QUE PODEM AMAMENTAR SEUS FILHOS MAIORES DE 2 ANOS, PORQUE NÃO É FÁCIL... TEM QUE SER MUITO MÃE, MUITO MULHER!!!

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  20. ligia,
    confesso que concordo mais com alguns pontos do seu comentário-resposta ao comentário da cyntia que com o texto. devo deixar claro que concordo com a cyntia também e já já explico. se a intenção é que a manchete da revista promova um debate, seria legal ouvir críticas ao seu posicionamento e respondê-las e assim criar um diálogo, e não, colocar-se na defensiva ou recusar-se a debater. tive essa impressão em duas situações: quando você respondeu à barb, no blog da lola, primeiro criticando um comentário dela, que só depois você entendeu que na verdade, ampliava o debate e que a opinião dela inclusive coincidia com a sua e quando vi a sua resposta à aiaiai aqui, quando vc diz pra ela reler o texto. da mesma forma que você não entendeu o posicionamento da barbi (que pra mim foi claríssimo como cristal desde o princípio) aiaiai não entendeu o seu apreço pela reportagem. portanto, particularmente, identifico o que vc chama de mimimi e excessos de todas as partes. insisto, porque eu entendi muito melhor o seu posicionamento (ainda que não concorde, o que é normal é até desejável que exista diferenças e que elas sejam respeitadas e até mesmo celebradas) nos seus comentários, e principalmente no comentário à cyntia (e não à aiaiai) do que o texto. porque aqui você diz algo que concordo plenamente: a necessidade de as mulheres assumirem as suas responsabilidades, a necessidade de recusar a vitimização, e a necessidade de se entender diferenças, sem pensar na chave de dicotomia. e te parabenizo por isso!
    quanto à questão das mães ricas e pobres e os respectivos tipos de maternagem, penso que você não está equivocada, assim com a cyntia também não está; seu comentário sobre as mães ricas que terceirizam a criação dos filhos não anula a observação da cyntia de que mães pobres não dispõem de recursos para levar a cabo a maternidade que você chama de progressista (e eu chamo justamente do contrário, de tradicional, e penso que sim, isso vai variar de acordo com o ponto de vista). o fato é que as mulheres ricas tem o benefício da escolha, podem optar por terceirizar ou não, enquanto as mulheres pobres não tem a opção muitas vezes nem de terceirizar e nem de participar, o que leva a uma situação improvisada, muito longe da ideal, tanto para as mães que querem terceirizar, tanto para as que querem participar. é tão verdade que executivas que só pensam em dinheiro e status estão em uma ponta da pirâmide do capitalismo (a ponta de cima) quanto as mulheres que são força de trabalho, exploradas em jornadas exaustivas e desumanas estão na outra ponta(a ponta de baixo da pirâmide). portanto associar somente às primeiras ao capitalismo me parece um erro. no mais, na minha opinião de quem não é mãe e não pretende ser, achei que manchete da revista presta um desserviço, porque penso que o essencial para um bebê, criança, adolescente ou adulto é ter uma mãe saudável, feliz, realizada, tranquila e principalmente, sem culpa. utopico? prefiro acreditar que não.

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  21. Olá Roxy,

    Gostei muito do seu comentário, ponderado e reflexivo, obrigada por contribuir.
    Apenas faço alguns comentários adicionais: o meu equívoco de interpretação do comentário da Barb se deu em função da forma como ela escreveu. Ao pontuar "a blogueira", ela não se fez entender, uma vez que haviam duas blogueiras com textos indicados, eu e a do blog sobre crianças órfãs. Qdo ela reescreveu, a coisa pareceu mais clara.
    A outra questão é sobre o que a capa propõe. Não acho que a capa proponha debate. Na verdade, bem escancaradamente, o que ela propõe é uma polêmica para vender e ganhar dinheiro, ponto. Mas se é um desserviço ou não, depende do que fazemos com ela. Encará-la do ponto de vista do MIMIMI é desserviço. Utilizá-la para uma discussão íntima, é positivo. Eu fiz o segundo mas, inevitavelmente, ao postar meu ponto de vista, criou-se o primeiro. Natural, acontece isso mesmo no mundo cibernético. Mas acredito que isso pode ser aproveitado para gerar uma discussão interna que parece não ter sido gerada, à medida que as pessoas se preocupam mais em "justificar suas formas de maternar aos outros" do que a refletirem, como eu disse, no silêncio de sua intimidade e reflexão. Ou seja: houve recusa ao debate pela defensiva. Como sempre há.
    Sobre sua consideração final, linda, ideal, mas realmente a acho utópica. Mas, ainda utópica, não nos impede de tentar nos aproximar dela. É o que busco, como mãe que também não havia pensado em me tornar uma...
    Sobre seu comentário sobre as duas pontas da situação capitalista, a das mães com recursos e as sem: muito apropriado, real e verdadeiro, e, sim, eu deveria ter incluído isso na discussão. Não inclui-la é mesmo um erro. Muito grata.
    Grande abraço

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  22. Lygia, sinto que entrei aqui com o pé esquerdo e realmente meio irritada, então vamos tentar começar de novo.

    Se você escreve que existe uma forma de maternagem chamada "attachment
    parenting", que poderia ser traduzida como" maternagem de apego",
    então o que seria a outra ou outras maternagens? Sim, eu sei que o
    termo não é seu, é um termo consagrado, mas mesmo assim. O que seriam as outras maternagens?
    Maternagens não tão apegadas? Maternagens desapegadas? Porque se uma
    implica em apego como ficam as outras? Você entende que por isso é um termo sujeito a provocar mal entendidos e ressentimentos?

    Você diz que a outra forma de maternagem é a "tradicional" e que essa
    forma seria menos consciente e menos questionadora. Bom, nem todo
    mundo acredita que sling, cama compartilhada e amamentação exclusiva e prolongada, que você mesma cita como exemplos de maternagem de apego (está no seu texto), são as melhores formas de se criar um filho e nem por isso
    essas pessoas são menos conscientes ou tomaram suas decisões sem questionamentos. Inclusive, o que é mais comum, a maioria acaba maternando como a vida permite e com base em escolhas muitas vezes dolorosas mas não menos esclarecidas. Conheço mães que decidiram não amamentar porque naquele momento elas tinham uma carreira que exigia
    isso. Como podemos dizer que essa mulher fez uma escolha menos apegada ou menos consciente? Como podemos chamar a maternagem que ela achou melhor para ela e para os filhos naquele momento?

    E mais uma coisa, perceber isso como um ataque, como você mesma já observou que é a reação de muitas mães, não é se sentir como vítima. É perceber que existe um juízo de valor nesse tipo de rótulo e se sentir incomodada. Não é mimimi. Dizer que o incômodo do outro é mimimi é desqualificar o interlocutor e não refletir sobre o potencial preconceito em suas próprias opiniões.

    Outro ponto é o que a Roxy expôs tão bem, sobre a maternagem nas camadas mais carentes. Mas não vou me estender aqui, a Roxy já disse tudo.

    Eu falei de apontar dedinhos sim, Lygia. A sua forma de expor a questão é muito sujeita a questionamentos. Pode até não ser o que você quer dizer, mas a forma como você diz suscita ressentimento e não é de se espantar que opiniões contrárias sempre venham à tona. Você mesma já observou isso. Não seria a hora de se perguntar o porquê?

    E eu continuo a acreditar que a maternidade é um mito sim. Nem toda mulher vira mãe porque teve um filho ou ficou grávida. Nem toda mulher deseja ser mãe. A maternidade é super valorizada em nossa sociedade ao ponto de quem não se dedica exclusivamente a ela ser cobrada, mesmo por quem tem boa intenção.

    Realmente a Badinter é mesmo rica e representante de uma indústria de alimentação infantil, a monstra. Isso não diminui o valor das críticas e observações dela sobre a maternidade moderna.

    Lygia, espero que agora você tenha entendido o meu posicionamento, que é o de muitas mulheres que se sentem ofendidas e acossadas com essa coisa de maternagem de apego. Não ficamos na defensiva à toa ou por
    vitimismo. Olhe para as opções das outras mulheres não através das suas próprias experiências mas pelo lugar que a outra mãe ocupa e você deve entender.

    Cordialmente,

    Cyntia

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  23. Cyntia, que bom que voltou. Vamos conversar melhor.
    Sobre o termo "maternagem com apego", concordo que é um termo impreciso. Já falei sobre isso em outro post, inclusive. Ele dá margem a duas interpretações, ambas equivocadas: o apego material e a contraposição do desapego de outras formas de maternar (como você mesma bem apontou).
    Eu gosto da expressão "maternidade consciente" (consciente das consequências de todas as práticas), mas realmente prefiro "maternidade ativa".
    Não existem duas formas de maternar, a "com apego" e a "sem apego", existem múltiplas. Existe uma, que é a que eu critico, que é REALMENTE desapegada, e as mulheres que assim agem até gostam de reafirmar isso. É aquela maternagem baseada na terceirização desnecessária do cuidado, no choro desamparado, na punição e outras práticas. Essa sim, eu considero desapegada. E acho triste que crianças estejam sendo criadas com desapego por suas mães e pais. Nós sabemos a importância da proximidade afetiva na formação e consolidação da emocionalidade das pessoas, na formação de sujeitos seguros e conscientes. Isso é prego já martelado, com estudos consistentes a respeito.
    Mas o que eu acredito é que isso não deva gerar ressentimento - mas somente se essa escolha também for fruto de escolha consciente, e não de "se deixar levar pela maré". Se eu escolho, ativamente, usar práticas que realmente mantém um certo distanciamento do meu filho, e escolho isso porque tenho motivos, pensei sobre eles e analisei que isso é o melhor para minha vida, a pessoa que assim escolheu não sentirá ressentimentos, porque isso também foi fruto de uma escolha. Ponto. O ressentimento surge não por parte dessas mulheres, mas por parte das que não refletiram sobre suas práticas e, quando viram, estavam reproduzindo comportamentos sem se questionar sobre eles. Conheço inúmeros casos de mulheres que se ressentiram, se questionaram e mudaram suas atitudes. Isso é extremamente construtivo. O ressentimento pode ser positivo, ele pode ser um despertar.
    Então eu só chamo de menos consciente (na real nem chamo, mas enfim, vou supor que sim) as escolhas que não passaram por reflexão, por se ter ciência das consequências porque, sim, não são muito conscientes, do ponto de vista etimológico da palavra.
    Uma coisa estranha que está acontecendo é que o pessoal parece estar reduzindo o attachment parenting ao sling, à cama compartilhada e à amamentação prolongada. Mas é importante dizer que é algo extremamente profundo e que vai muito além disso, como explico em outro post (linkado neste) e inclusive direciono para o Attachment Parenting International.
    Conheço mulheres que não usam slings, não dormem com os filhos e são extremamente conscientes e conectadas. Assim como conheço mulheres que também não fazem nada disso, mas deixam as crianças chorando para que acostumem, não dão colo para que não acostumem e usam de punição física. Quero dizer com isso: não dá pra reduzir uma filosofia ampla como essa apenas a alguns pontos...
    "Maternar como a vida permite" não sei se concordo com isso e que isso realmente exista. O maternar conectado independe, inclusive, de recursos materiais.
    Com relação ao exemplo que vc deu, de mães que decidiram não amamentar pq naquele momento elas tinham uma carreira que exigia isso. Respeito. O auge da minha antiga carreira (um pós-doutorado em andamento) coincidiu com uma das fases mais importantes da amamentação e ainda assim eu decidi amamentar, mas respeito a escolha anterior, como não respeitar? Mas essa mulher que assim escolheu não tem como se sentir ressentida pela expressão "amamentar é melhor". Porque É MELHOR. E não sou eu quem diz, nem nenhum grupo militante. É melhor do ponto de vista da saúde, da fisiologia, e se não fosse não haveria orientação da OMS sobre isso. (CONTINUA)

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  24. Esse é um dos meus pontos. As pessoas usam suas liberdades de escolhas (que eu defendo e sempre defenderei), fazem suas próprias escolhas e, ainda que estas não sejam as melhores para as crianças, se sentem ressentidas em ouvir isso... Não dá pra dizer que "cada mãe sabe o que é melhor pro seu filho" indiscriminadamente, porque não é assim. Tem coisas que são boas e tem coisas que são danosas comprovadamente. Leite materno será sempre melhor que fórmula. Dormir acalentado será sempre melhor que dormir sendo deixado sozinho chorando. Acho que não há mais dúvidas sobre isso. E é preciso parcimônia nas extrapolações. Exemplo: "mas eu fiz redução de mamas, não pude amamentar". Sinto muito por essa mulher, ela tem todo meu apoio, respeito e se fosse eu me sentiria triste também, mas não me sentiria atacada, porque saberia que não é sobre mim que estão falando. Mas isso não anula um fato: ainda assim, leite materno será sempre melhor que fórmula. E dizer isso não representa ofensa a ninguém. Se alguém se sentiu ofendido, está além do alcance de todos. A OMS com certeza não faz suas recomendações com a finalidade de ofender mães.
    Por tudo isso que te disse, porque existem casos e casos, e porque existem coisas que vão além do achismo, que é comprovada, que é estabelecida, é que muitas vezes a discussão cai sim no mimimi, ainda que pareça desqualificação do sentimento alheio - e que não é.
    A pessoa tem que ter clareza de ideia pra ver que muitas vezes a discussão vai muito além do juízo de valor e que beira o estabelecimento de bases científicas.
    Leite materno é melhor que fórmula.
    Carinho é melhor que solidão.
    Ter sua solicitação atendida é melhor do que deixar chorando.
    Compreensão é melhor que punição moral e física.
    Melhor no sentido metafórico?
    Não, no sentido real: baseado em evidências inclusive científicas.
    É por isso que ali em cima do site, nas abas, tem sugestão de leituras. Muitos artigos científicos mostrando que maternar com apego (vamos ignorar a imprecisão da nomenclatura) vai além de um sonho romântico: ajuda na melhor formação de pessoas, cientificamente falando, empiricamente mostrado.
    Por isso não é desqualificação do interlocutor, Cyntia, sinceramente. Não é mesmo. Porque não tem pré-conceito aqui, tem conceito estabelecido mesmo.
    A forma como eu expus suscita ressentimento? Sim, suscita. Mas é o que te falei: às vezes o ressentimento não é tão negativo quanto pensamos, ele pode ser uma porta para reflexão. Falo de causa própria.
    Sobre a maternidade ser um mito, concordo que ela é. O que eu não acho que seja é o amor materno.
    Nem toda mulher deseja ser mãe, vc disse. Sei disso e não acho que a maternidade seja obrigatória à condição feminina, como tantas mulheres acham. Eu mesma achava que não seria mãe e estava feliz daquela maneira. O que me custa crer é que, sendo mãe a mulher, o amor por um filho seja mito.
    Só pra esclarecer: eu não me dedico exclusivamente à maternidade (vc deu a entender que achava que sim). Nunca me dediquei exclusivamente à maternidade. Entrei em crise sobre isso, certa época, mas não pude negar uma parte importante de mim, que é o desenvolvimento profissional.
    E, ainda assim, tenho esse ponto de vista. Por isso, para mim, é quase impossível aceitar a justificativa de que desenvolvimento profissional exclui esse tipo de maternagem...
    As críticas da Badinter sobre a maternagem moderna, ao meu ver, são descabidas. E tem totalmente a ver com o tipo de mãe que ela - e o que ela representa - precisa que exista.
    Entendi seu posicionamento, e o respeito sobremaneira, principalmente porque vejo reflexão nele.
    Mas vc tem que convir comigo: esse alto grau de reflexão não é comum ou rotineiro.
    Grande abraço.

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  25. Achei o post maravilhoso.Para mim capa da revista não é polemica de forma alguma. Acho que a discução em torno do tema foi bem mais interessante.

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  26. Lygia, tudo bem, agora que você se explica melhor, concordo com quase tudo. Mas não com tudo, infelizmente.

    Veja, nem sempre amamentar é melhor, nem sempre leite materno é melhor. Explico-me: em situações de internação e alergias graves, fórmula é melhor, por incrível que pareça. E existem situações, fora internações e alergias, em que a mulher não consegue amamentar, por motivos variados, médicos ou psicológicos. E aí a fórmula é uma salvadora de vidas. Então não dá pra generalizar e eleger um estilo como o O Melhor. Ele é o melhor em dadas condições mas não em todas e precisamos ter sensibilidade para não acusar mães que fizeram essa opção (ou que às vezes nem tiveram opção).

    E em todos esses casos que eu citei essas mães sofrem muitíssimo com um tipo de militância que as condena mesmo quando elas tentaram amamentar, tentaram mesmo. A condenação pode ser velada ou explícita e eu já vi acontecer. Aconteceu comigo inclusive. Eu não pude amamentar diretamente o meu filho, que nasceu com cardiopatia grave e ficou internado por 8 meses em UTI até poder ir para casa.

    Nos 3 primeiros meses eu retirei leite com máquina e levei para o hospital, para ser passado por sonda para o meu filho. Era um processo cansativo, solitário e estressante. Meu leite era alternado com fórmula e chegou um momento que o cansaço e o stress falaram mais alto. Eu percebi que existiam coisas mais importantes naquele momento e que aquele apego à amamentação estava me exaurindo, mais afastando do que me aproximando do meu filho. Decidi parar e escutei de meus próprios familiares que eu não estava sendo uma boa mãe porque parei de tirar leite. Era uma situação extrema, mas mesmo assim a militância de alguns falava mais alto que a situação real e dolorosa pela qual eu estava passando.

    E não foi só comigo. Nessa época eu vi outras mães passando pela mesma acusação, pela mesma culpa. Mães de crianças internadas sendo diminuídas e julgadas em comunidades na internet que deveriam apoiá-las. Mães que não tiveram leite por mais que tentassem sendo chamadas de preguiçosas por médicos, enfermeiras e militantes virtuais.

    Então eu acho que às vezes a maternidade que temos é aquela que a vida nos permite ter sim. Não podemos fechar os olhos para situações individuais em nome dos nossos ideais. É preciso dosar militância com acolhimento.

    Então eu tenho que reafirmar que não é mimimi dessas mães e que elas se sentem atacadas sim quando aparece esse tipo de questionamento. E não é porque a elas falta discernimento ou reflexão. Eu acho que falta por parte das mães que puderam adotar esse estilo de maternagem um olhar mais compassivo para as outras mulheres que não seguiram essa opção. Não digo que é o seu caso, veja bem, mas eu já vi acontecer por parte de mais de uma mãe que se diz partidária da maternagem de apego.

    É claro que existem mulheres que marcam a cesariana pra coincidir com aniversário de casamento e esse tipo de coisa e realmente é leviandade. Mas acho que é uma minoria. Então eu ainda peço mais cuidado pra tratar o assunto, porque tem muita gente que não pode adotar certas práticas e que sofre e é condenada por isso, mas essas pessoas tiveram seus motivos e não geralmente não é por egoísmo.

    Era isso, espero que você entenda a minha posição, que não é de condenar a maternidade de apego, mas uma militância meio radical que eu tenho visto associada a ela.

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  27. Cyntia, um último comentário meu.
    A militância - a saudável militância - em prol da amamentação (e de todos os outros pontos relacionados à criação de filhos) não é voltada para essas mães que você mencionou, e que também é o seu caso.
    É voltada para aquelas que, tendo condições totais para amamentar, preferem seguir o senso comum (aí entra o que eu falei no texto), as lendas, os mitos, apenas porque lhes faltou questionamento.
    Essa é a militância da qual faço parte.
    Aquela militância da amamentação a todo custo para todas, do parto normal a todo custo para todas, que beira o autoritarismo e o constrangimento de mulheres, NÃO, EU NÃO FAÇO PARTE DELA. Nunca farei. E muitas das críticas que vc faz em seu comentário, são as mesmas que eu faço.
    Grande abraço!
    Ligia

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  28. Oras Bolas estou feliz de ver esse post gerar tantos comentarios ricos...

    tem que ver esse artigo e capa do Times no contexto da realidade norte americana, aonde poucas criancas estao amamentadas apos a idade de 2 meses. Varios fatores entram na jogada.. condicoes de trabalho desfavoraveis, uma competicao absurda das companias de leite artificial entrando nos hospitais maternidade aonde a:livre escolha: da Mae esta sendo encoragada...... livre escolha??. Apesar do staff de apoio a amamentacao, sao poucas as maternidades valorizando esses profissionais.. Sexualisacao da mama pela midia e cultura puritana norte americanaeum outro fator afetando profundamente esses comportamentos maternais etc,,,

    A Mae aMERICANA valorisa a sua independencia e autonomia e tmabem valorisa valores tradicionais ccnservadores familiais queridas no tea party e4 correntes religiosos evangelicos.

    Deasnortea a bichinha..

    Pra quem se interessa no attachmernt parenting possivel pra ate quem trabalha,,, ir na pagina http://www.attachmentparenting.org/ e use o tradutor google
    Regine Marton MS CNM Parteira e Doula em NATAL RN
    Rede de Apoio a Maternidade Ativa RAMA

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  29. So um adendo à esta discussão (que ja foi muito boa): a Badinter não discute a existência do "amor materno" e sim do "instinto materno" o que são coisas bem diferentes. Talvez a tradução em português tenha sido equivocada mas no original em francês ela fala de "instinto". Acho que cabe acrescentar também que ela é uma referência respeitadissima no pais dela no que diz respeito às teorias feniministas e às lutas pelos direitos da mulher na França. E por aqui, a idéia de "instinto materno" que ela desconstroi muito bem em seus livros, realmente não é algo encarado como condição inexoravel do ser feminino. Mesmo em cursos de preparação para o parto natural com parteiras experientes isso é dito em alto e bom tom: "instinto materno não existe: a maternidade é um exercicio e uma construção, como qualquer relação". Ainda bem que existem as Badinter para "torcer seu nariz frances" para certos padrões que so existem para nos oprimir ainda mais!

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  30. Embora a Badinter seja considerada referência por uns, ela é bastante desacreditada por outros.
    É uma representante da classe privilegiada francesa, que dista em muito do restante do mundo, e seus pontos de vista defendem valores que fazem sentido quando isso é levado em consideração.
    Dizer que instinto materno não existe é ir totalmente contra a experiência empírica de milhares de mulheres em todo o mundo. É menosprezar a experiência cotidiana de mulheres apenas porque um intelectual assim afirmou. O que também é uma tendência "moderna", infelizmente.
    Dizer que não existe instinto materno é tirar-nos ou isolarmo-nos de nossa condição biológica.
    Somos biologia e cultura.
    E embora a maternidade seja realmente um exercício diário, ela também é baseada em comportamentos inatos da condição biológica humana.
    Não se constrói algo sólido como a maternidade quando não se tem base - inclusive biológica - para isso.
    Na verdade, dizer que instinto materno não existe é o mesmo que dizer que não existe o instinto de sobrevivência.
    Embora respeite todas as opiniões, a suposta "inexistência do instinto materno" para mim é ponto já ultrapassado de discussão.

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  31. Bom, gostaria de ter o ultimo livro da Badinter em mãos agora para poder cita-lo diretamente.
    Mas não posso deixar de dizer que vejo uma contradição no seu discurso Ligia, que vê uma grande contribuição na reportagem da revista Time (grande questionadora do status quo e representante das minorias), mas não consegue ver além da condição social da Badinter enquanto individuo. O teu comentario mostra bem que vc não é das ciências humanas.... Pois se o ser humano é um ser biologico Paulo Freire argumenta que ele(e ai vem mais uma contradição no seu discurso) vai além da determinação biologica e social. O ser humano é dotado de capacidade cognitiva suficiente para questionar-se sobre a sua condição no mundo e para adotar ou não comportamentos que este mundo lhe apresenta. O que a Badinter coloca é que o instinto materno é uma contrução cultural (que muito variou de pais para pais e de periodo para periodo - o que eu comprovo por experiência proprian vivendo em outro pais, numa cultura diferente). Eu por exemplo observei muitas mães que não faziam a minima idéia de como cuidar de um bebê, não se sentiam atraidas nem asoberbadas pela maternidade, isso para não falar de tantas mulheres que por razões inumeras abandonam no mundo todo seus bebês em condições indiziveis para morrerem, sem o menor apego "à sua cria". Mulheres que abandonam suas filhas recém-nascidas no meio-fio da calçada porque nasceram mulheres. Onde esta a condição biologica nesse comportamento? O que dizer às mulheres que olhando seu filho recém-nascido não sentem uma maré de amor incondicional, muito menos uma montanha de comportamentos "institivos" e automaticos que dizem respeito ao cuidar do bebê? Porque se instinto é uma condição biologica que diz respeito à espécie humana (e como materno, à mulher exclusivamente), como explicar a ocorrência de tais e tantas exceções? Voltando ao Paulo Freire, nos não somos seres determinados, somos seres em construção. Uma construção social e cultural em constante e profundo dialogo com as nossas identidades individuais. Acho curioso alguém que cita e admira Paulo Freire desacreditar tanto o humano diante do biologico...

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  32. Não há contradição, Mariana. E isso está bem claro tanto no texto quanto em todos os comentários que teci aqui.
    As pessoas não precisam ser de qualquer tipo de ciência para compreender o mundo... Não precisa ser das ciências exatas, biológicas e humanas, isso é julgá-las como inferiores por não ser da mesma área que a sua própria...
    É como se as pessoas só pudessem discutir aspectos que "pertencem" a uma ou outra "ciência". Que cartesiano isso e, consequentemente, tão pouco holístico...
    Foi exatamente o que eu disse, em outras palavras: o ser humano vai além de qualquer tipo de determinismo.
    O biológico, o social e o cultural convivem sempre sem que se anulem uns aos outros. Daí não se poder abolir o instintivo como você, baseada na Badinter, sugeriu.
    Instinto materno ser uma construção social? Isso sim é absolutamente contraditório e a mim parece apenas um cafuné na cabeça das mulheres que decidem não ter filhos, algo como "calma, companheiras, vocês não estão tão erradas assim, afinal o instinto materno não existe". Acredito que quem opta por não ter filhos faz isso a despeito de cientificismos, nomenclaturas ou teorias sociais, faz isso baseada em sua concepção de vida e em seus anseios, e não precisa de qualquer justificativa para isso.

    Instinto vai muito além de saber
    cuidar de um bebê. Instinto não se limita a saber quando trocar fralda. Vai muito, muito além.

    Quais interesses estão por trás de se defender que não existe um instinto materno em mulheres que se tornaram mães?

    Os exemplos que você citou não refletem a realidade da imensa maioria das mães (mulheres que abandonam seus filhos, por exemplo). Não precisamos de livros-texto para isso, basta ver a realidade: ela é composta de mais mulheres que buscam o melhor para seus filhos ou de mais mulheres que os abandonam?
    Admiro Paulo Freire, o cito com frequência, concordo com todo o pensamento desse grande intelectual. Simplesmente porque não vejo uma dicotomia entre as ciências humanas e biológicas, como você vê.
    Vejo a complementaridade das ideias.
    Seres humanos estão em constante e profunda construção e mudança. E nossas identidades individuais são compostas não somente pelo social externo, mas TAMBÉM pelo biológico - como pelo mental e psíquico.
    Excluir o biológico é tão equivocado quando excluir o cultural.
    Que é exatamente o que eu falei no comentário anterior.

    Por que será que hoje se quer tanto anular a influência da constituição biológica sobre as mulheres, substituindo-a pelo que a "cultura" espera que elas façam?
    Qual o interesse por trás de tirar o instinto da jogada e substituí-lo pela cultura ou pelo socialmente construído, ao invés de se estimular a convivência harmônica entre os dois lados de um mesmo ser?
    A resposta a isso está bastante atrelada ao processo de dominação que tenta se impor sobre o feminino, em culturas claramente masculinas e nas quais o "instinto" é visto como algo menor.

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  33. Bom Ligia, o que fica bem claro pra mim nos teus textos e nos teus comentarios é que temos visões opostas dos conceitos de ciência e cultura. Acredito que as exceções devem ser levadas em consideração quando analisamos uma determinada realidade. Como as ciências humanas me ensinaram (e a experiência artistica também) quando analisamos grupos especificos não podemos escolher falar so da maioria e excluir uma minoria para justificar a afirmação de argumentos absolutos. Como eu disse, as exceções (das mães que abandonam, etc) colocam em questão a existência de uma condição biologica que determina nosso comportamento social. Se é instinto e diz respeito à todas as mulheres do mundo, como explicar esse comportamento, mesmo que moniritario? O instinto foi anulado? Mas ele não é biologicamente determinado? não é isso que define "instinto"? E as ciências humanas não querem e nem tem o poder de "excluir" o biologico. As ciências humanas (no caso da Badinter a sociologia) servem para que nos nos questionemos sobre os determinismos que nos condicionam socialmente, e entram ai os discursos que se baseiam e sublinham as questões biologicas. Agora, sobre a pergunta: "quais são os interesses por tras de se defender que não existe um instinto materno em mulheres que se tornaram mães? " minha resposta é simples: o interesse esta de livrar de qualquer culpa culturalmente atribuida todas as mulheres mães que não sentiram qualquer chamado instintivo de qualquer ordem quando se tornaram mães. Que não sentiram qualquer chamado da natureza, que não se sentiram abraçadas por qualquer coisa "holistica" que lhes ultrapassa. é um discurso que alivia a pressão sobre os ombros de todas as mulheres que sofreram de depressão pos parto, que não sentiram prazer ao amamentar, que não se sentiram mais completas e felizes por parirem de uma outra maneira. O interesse esta em defender essas mulheres, todas que se sentem diminuidas diante do rotulo do ter ou não ter instinto materno (o que é algo que não faz sentido mas é vivido na pele por muitas). A opressão que sentem essas mulheres, que não viram no comportamento maternal algo natural, isso sim é que é resultado de uma cultura masculinista. De um pensamento que defende que a mulher nasceu pra ser mãe, que o sentido social da mulher é ser mãe e que ela é biologicamente definida e concebida (e logo sempre pronta) para maternar. Diante de um argumento biologico, fica dificil argumentar por exemplo que a mulher mãe pode continuar a trabalhar se quiser pois isso é "contra seu instinto" de se manter sempre por perto da cria. E essas mulheres são rotuladas e responsabilizadas pela sociedade, pois são anomalias biologicas. Pois se o mercado quer a força de trabalho feminino, a sociedade e a cultura machista adora jogar com as contradições e a mulher que acaba perdendo ( e se culpando eternamente) nesse jogo. O interesse do discurso que privilegia a cultura ao biologico é colocar homens e mulheres em igualdade socialmente no que diz respeito à responsabilidade da educação dos filhos. E a prova disso é que os discursos feministas sempre colocam isto em questão, a Badinter não é a primeira nem sera a ultima. Enquanto a maternidade for usada para oprimir socialmente as mulheres e para distitui-las da liberdade de escolha, muitas debates ainda surgirão em torno desse tema.

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  34. Oi Ligia,
    Li seu texto e comentarios e concordo com varias coisas que vc comentou, mas quería só reforcar alguns comentarios anteriores para que vc possa refletir se realmente foi sua intencao escrever dessa forma e se nao foi assim que vc se preocupe mais com a forma de escrever seus próximos posts (infelizmente nesse mundo virtual nao podemos sentir a entonacao, ver a expressao, ítems que ajudam na transmissao de uma mensagem, entao resta triplicar o cuidado na escrita).
    Por exemplo, seu comentario que compara as formas tradicionais e alternativas de maternar, poderiamos fazer um análogo com esses dois parágrafos abaixo, que comparam as pessoas magras e gordas:
    1) “As pessoas magras sao aquelas que se preocupam pela forma como se veem, que se importam com o seu corpo. Já as pessoas gordas seguem a massa, comem maquilo que oferecem a elas, nao questionam sobre a qualidade do que comem.”
    2) “As pessoas gordas sao aquelas que disfrutam o prazer da comida, o compartir com os amigos… Já as pessoas magras sao aquelas que seguem os padroes que a sociedade impos e nao se questionam sobre se esses padroes.”
    Se em algum post se encontram com o primeiro parágrafo, é provavel que varias gordinhas venham rebater que elas sim se importam como se veem, vao dar exemplos de que fazem a unha, de que arrumam o cabelo! E que elas sim questionam o que comem, e tomam conscientemente a decisao de comer um mc’donalds porque considera que é capaz de conciliar isso e depois verá como compensar. Mas aí vai vir a pessoa que escreveu o texto e vai dizer que em nenhum momento ela disse que as gordas nao se preocupam pela forma como se veem e que essa conclusao foi ela que tirou e que nao tem nenhum julgamento de valor no que se escreveu e nao sei porque se sentem atacadas!!!
    Já no segundo caso seríam as magras que iriam vir reclamar dizendo que elas tambem disfrutam o prazer de comer, que elas amam uma salada e que compartem com os amigos saindo para fazer esporte e outras coisas, e que a vida nao giram em torno da comida, e que elas nao seguem nenhum modelo imposto pela sociedade, elas analisam e escolhem aquilo que faz bem para elas e de acordo com a realidade delas. E daí vai vir a pessoa que escreveu e vai dizer: peraí, em nenhum momento eu falei que as magras nao disfrutam da comida, isso é uma conclusao que vc tirou, nao tem nenhum julgamento de valor no que escrevi, nao entendo porque se sentem atacadas.
    E sao textos assim que geram os famosos #mimimi que vc diz!! Um texto assim: “Existem varios fatores que influenciam para que uma pessoa seja magra ou gorda, mas o que mais se nota é que as pessoas magras sao aquelas que em geral se alimentam com productos menos calóricos e sao mais adeptas ao exercicio físico, enquanto as mais gordas ingerem alimentos mais ricos em calorías e cujo nivel de atividade física nao é suficiente para queimar todas as calorías que ingerem, as exepcoes em geral se relacionam con alteracoes físicas no metabolismo ou hormonais”. Nesse caso talvez os outros nao se sentissem muitos…
    O negocio é que estamos todos de acordo que uma obesidade mórbida pode levar a norte, causa sérios problemas na vida das pessoas, assim como as magrezas extremas sao geralmente originadas por disturbios físicos ou mentais e estao relacionadas a doencas graves como bulimia ou anorexia. Mas esses sao casos extremos e seriam comparados a uma mae que abandona os filhos, nao dá carinho nem cuidado, ou a outra que nao deixa a crianca ir a escola, que sabota os relacionamentos do filho para ele nunca se casar, que nao faz mais nada pela sua vida e que acha que o filho é sua propriedade. Mas calma lá, esses sao casos extremos. A grande maioria dos país (e maes) amam seus filhos incondicionalmente, estao super preocupados em dar o melhor para eles, estaos empre buscando informacoes (prova disso que os blos de maternidade sao os mais lidos), compartindo experiencias, querendo aprender e melhorar.

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  35. Sei que o meu comentario foi muito largo, mas espero que vc compreenda que foi muito infeliz na forma em que escreveu qdo disse: “ o attachment parenting. Quem materna dessa última maneira tende a respeitar a intuição, o afeto e a conexão com os filhos (…….) a mãe tradicional - chamo de mãe tradicional aquela que prefere seguir comportamentos do senso comum sem questionar-se sobre os motivos e consequências, tomando como verdade que se sempre foi feito assim é porque funciona, que se sente confortável em seguir a massa, em ser guiada por orientações pediátricas, midiáticas, enciclopédicas e afins”
    Bom, para falar de mim, eu tenho dois filhos, o mais velho fez 2 anos semana pasada, tá lindo, comecando a falar e morre de ciúme do seu irmao mais novo, que tem 9 meses. Meu bebe é mto esperto e risonho. Eu e meu marido somos brasileiros e vivemos no Chile há quase 7 anos. Nós dois trabalhamos aquí e minha santa mae está sempre na ponte aérea nos ajudando. Sentimos muita falta do convivio diario com a familia, mas a internet nos aproxima um pouco. Aquí conseguimos ter uma qualidade de vida muito melhor, sem violencia, podemos viver numa casa e estar ao lado do trabalho. Meu primiero filho nasceu de parto normal (o típico parto natural sonhado) e o segundo foi cesárea de emergencia (depois de todo o TP lindo ele se posicionou mal). Nao pude amamentar (creio que debido a uma reducao mamaria que fiz há quase 10 anos), mas fiz a relactacao por muitos meses e depois de superada a frustacao inicial fui capaz de disfrutar desse método. Em ambos casos comecei a trabalhar aos 3 meses (esse ano instalaram a licenca de 6 meses no Chile), minha mae cuidou do primeiro até os 6 meses e ele foi para creche depois. O segundo ainda é cuidado pela minha mae, porque completou 6 meses no comeco do inverno, época de muitas doencas, e gracas a Deus minha mae pode ficar mais tempo aquí comigo. Agora em agosto ele comeca na creche tbm! (tenho empregada em casa, mas prefiro escolinha a babá, só deixo em casa qdo estao com febre ou diarreia). Adoro minha vida em familia (ainda que eles nao foram planejados), quero ter mais dois filhos (filhAs), talvez daqui a 2 ou 3 anos… Tenho tbm dois cachorrinhos em casa. Faco parte de grupos em facebook (que comecou no orkut) de maes com bebes da mesma idade do mais velho. Trocamos muitas experiencias (e já teve muito barraco tbm!) e aprendemos muito uma com as outras. Estou longe de ser uma mae pereita, mas eu acredito que fui escolhida pelos meus filhos e que eles me amam com todas as minhas qualidades e defeitos, assim como eu amo a eles, mas aí é fácil, já que meus filhos nao tem defeitos (hehe).
    Um grande beijo para todas esas maes, e um agradecimento especial para aquelas que dedicam parte do seu tempo em compartir suas experiencias em seus blogs. Espero seguir aprendendo com voces e aportar sempre que possível, e sentir que estamos cada vez mais respeitando as diferencas e espalhando amor e carinho por esse mundo.

    PS: Desculpem a acentuacao e outros erros: meu teclado está em español (nao tem cedilha nem til nas vogais) e corrige automaticamente algumas palavras...

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  36. Querida Fernanda, como vai?
    Li toda a sua resposta e, como você disse, é uma pena que não possamos ver a entonação e a real intenção da pessoa ao escrever.
    Mas tem alguns pontos do seu pensamento com o qual eu discordo veementemente.
    Eu precisaria de um tempo pra sentar e escrever sobre o que eu discordo e porquê. Mas no momento não posso, estou recebendo família e preparando aniversário da filha. Quando a vida voltar ao normal, venho aqui para conversarmos.
    É uma pena que os entendidos de cibercoisas não tenham inventado ainda o café virtual. Essa conversa seria tão melhor entre as mulheres com um cafezinho fresquinho (ou um chá, pra quem não gosta de cafeína), kkkkkkk
    Abraços

    Ligia

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  37. Ok Ligia, semana passada celebrei o aniversario do meu filho e sei bem como é esse momento! Mas no final vale a pena, certo?? ver a alegria no rostinho deles nao tem preco!!!
    De qq forma quero que fique tranquila que eu nao tive a intencao de gerar discussao, só quis demonstrar pra vc o que eu acredito que tenha sido a razao de ter recebido muitos comentarios de pessoas se sentindo atacadas, nao sei se consegui...
    Mas quero deixar claro que só me esforcei em fazer isso pq percebi pelos seus comentarios a outras respostas que vc nao é do tipo de pessoa que divide as maes em dois grupos opostos: as que amam e se conectam com seus filhos e as alienadas que nao amam nem se conectam com seus filhos e só seguem o que a maioria diz.
    O fato é que lamentavelmente existem pessoas que pensam dessa forma (por sorte da humanidade sao bem poucas) e é possível (e injusto) que algumas leitoras ocasionais do seu blog tivessem pensado que vc era uma dessas.
    Bjo grande e que vc arrase na festa da sua pequena e que todos se divirtam muito!!

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  38. Ligia, descobri seu blog hoje e estou lendo há horas. São 1h30 e não consegui parar – e olha que tem um pequeno de 8 meses que vai acordar às 6h30 e me despertar também...
    Gostei muito, muito mesmo do blog. Tem várias postagens bacanas, o conteúdo é bom, a forma é boa, você escreve bem. LÓGICO que não concordo com tudo... mas não é preciso. Quando uma argumentação é bem construída, podemos refletir a respeito dela e concordar ou discordar, decidir se cabe ou não dentro de nossos próprios valores. Quando percebo que não cabe, respeito; e parto pra outra, com minha própria opnião assegurada, até mesmo fortalecida, pois foi questionada e sobreviveu. Mas tem aqueles momentos em que nos surpreendemos mudando mesmo de opinião, mudando de certezas... E é nesses momentos que a discussão é mais frutífera, mais rica e mais bonita.
    Antigamente eu tinha muito medo de mudar de opinião, ou, em outras palavras, de me descobrir previamente errada! Mas hoje em dia (essa mudança se deu há bem pouco tempo) tenho me sentido feliz e até mesmo grata por poder mudar. O principal agente dessa mudança foi, sem dúvida, meu filho. É ele quem vem me ensinando todos os dias que mudar de opinião é ok, é até legal, um sinal de crescimento. É um direito que eu tenho – e, às vezes, até mesmo um dever!
    Olha, um dia, quem sabe, podemos nos encontrar pra tomar esse café (que vc tem razão, seria mais agradável...), e eu te conto melhor sobre como se passou essa transformação. Mas vou só dar uma noção aqui que desde que me tornei mãe passei por milhares de surpresas e imprevistos que não combinavam com minhas expectativas (como ocorre com toda mãe), e me deparei com muitas questões sobre as quais nunca tinha pensado – ou mesmo já tinha pensado, mas apenas por um ângulo, um ponto de vista... e fui extremamente surpreendida por todo um mundo novo, por formas de maternagem diferentes, por mil palpites vindos de todos os lados; a maioria um pouco – assim os julguei – acusadores.
    Em meio a todo o sentimento de ofensa, a toda insegurança, a todo mimimi, sofri muito... Mas aos poucos fui percebendo que havia ali, um potencial transformador inigualável...
    Explico: sou uma mãe que sempre quis ser ativa e consciente, mas nunca parou muito pra pensar no que isso significava. Além disso, no meu meio afetivo-familiar, só conhecia uma forma (ou pequenas variáveis desta forma) de maternar, e certamente iria reproduzi-la, por repetição. Mas eis que surgiu uma fada no meu caminho, uma terapeuta ayurvédica, que conheci fazendo massagem, e que logo descobri ser também uma doula, que me mostrou toda uma outra forma de pensar. Ela me apresentou outras alternativas para o parto e, por meio dela, vim também a conhecer um outro grupo de mães e outra forma de maternagem. Não sei se dá pra imaginar como me senti dividida; é que eu sou, nesse momento, provavelmente a mais haribo das mães do meu meio afetivo, e, paralelamente, a mais “tradicional” das mães com que me relaciono nos grupos de apoio desde o pós-parto. (risos) Houve muitos momentos em que me senti altamente criticada em ambos os grupos. E, sim, no grupo “haribo” existem mesmo algumas “xiitas” que acham que aquele é o único caminho correto... Ao mesmo tempo, muitas das adeptas dos métodos mais tradicionais acha os outros métodos meio “malucos”.
    Aos poucos percebi que essa sensação de crítica e julgamento na verdade vinha da mim mesma; da minha própria insegurança. Convivendo com os dois grupos, eu pude perceber que não existe mesmo isso de mais mãe e menos mãe (a não ser em casos como os que você cita, de mães totalmente desapegadas – que também percebo como total desconexão da maternidade). Existem crenças diferentes, limitações diferentes, vocações diferentes. Mas transitar por essas múltiplas crenças me fez colocar à prova tudo em que eu acreditava, tudo que pensava que conhecia, chacoalhou meu mundo e, felizmente, mudou de lugar muitas certezas!

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  39. ... Continuando...

    Hoje, oito meses depois, me sinto muito mais segura da minha forma de maternar. Sinto que sou a melhor mãe que posso ser para meu filho – hoje; o que não significa que não possa vir a melhorar mais e mais, com o tempo, com a experiência. Conhecendo diferentes abordagens, vou me possibilitando escolher o que funciona pra mim, pra nós dois, pra nós três! E muitas coisas revi, percebi que fiz “errado” (dentro dos meus próprios valores), por estar reprisando cenas já vistas acreditando que eram as alternativas certas – ou mesmo as únicas. E isso foi tão importante, pois tive a possibilidade de me corrigir!...
    Enfim, o que quero dizer é: entendi o que você quis dizer nesse post sobre a provocação interna, sobre o questionamento “você é mãe suficiente”. Ainda que algumas frases tenham parecido sim provocativas, ainda que possam ferir suscetibilidades, ainda que em alguns pontos eu pense diferente... Foi muito bom ler tudo o que vc escreveu, e, principalmente, ler esse debate, os comentários, todos mesmo, e todas as respostas. Obrigada a você e a todas as mães CONSCIENTES que se mostraram interessadas em ler, se informar, debater, trocar ideias, expor, defender, questionar. Isso, pra mim, é ser consciente. E incluo todas que aqui comentaram nesse grupo. Obrigada por possibilitarem essa troca.
    Beijo grande, que agora vou dormir! Amanhã eu volto para ler mais. ;)

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    Respostas
    1. Oi Fernanda,

      Que pena que vc foi dormir (quer dizer, que bom pra vc, kkkk), porque nessa hora (03:15 da manhã) eu ainda estou ativa, encerrando meus trabalhos e, após isso, sempre venho fazer a ronda - adoro! Poderíamos conversar e trocar algumas ideias.
      Eu que te agradeço por deixar aqui esse comentário tão bacana. Li inteirinho e adorei. Obrigada por essa troca tão especial.
      Teremos oportunidades para um café, com certeza, ainda que "virtual".
      Grande abraço, nem haribo, nem tradicional, mas pelo caminho do meio. :)
      Ligia

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  40. Discussão reflexiva em alto nível (mas rolou mimimi sim! rsrs) Amei a leitura do texto e comentários!

    Abs

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  41. Eu também sou uma mãe que pode melhorar, apesar de ser uma boa mãe, acho que posso ser melhor. Apesar disso, poderia eu estar naquela capa polêmica, já que eu passo pela mesma situação em não conseguir desmamar o meu bebezão de 3 anos, Matheus!
    Ele come de tudo, toma mamadeira, etc... mas não dispensa o "do-dei" dele. É assim que ele chama o seio da sua mamãe - no caso eu. rsrsrs.
    Confesso que eu não gostaria de ainda estar nessa faze, já tentei algumas formas pra ver se ele acabe com esse costume tardio, mas ainda não tive vitória. Enquanto isso também não fico fazendo tempestade em copo d'água e aproveito pra curtir o meu filhotinho também desse jeito.
    Sim, com muito afeto e ganhando carinhos no meu rosto, como ele fica fazendo enquanto mama o "do-dei". Adoro essa parte! ;)

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  42. Lucidez na análise! Coisa rara hoje em dia. Parabéns pela postagem.

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