25 novembro 2012

VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA - A VOZ DAS BRASILEIRAS: assista!


Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres



Neste 25 de novembro de 2012, completamos um ano de ações coletivas nas mídias sociais, sempre com objetivo de dar mais visibilidade ao tema da violência obstétrica e de desnaturalizar as infrações aos direitos das mulheres, cometidas pelos profissionais de saúde, que muitas vezes passam desapercebidas.

São ações coletivas organizadas por usuárias, pesquisadoras e profissionais da saúde com o objetivo de promover o debate, sensibilizar, denunciar e ir adiante, até que se consiga que políticas públicas efetivas sejam promovidas no sentido de erradicar a violação dos direitos humanos das mulheres no parto.Embora estejamos mobilizando centenas de pessoas e falando com cada vez mais frequência sobre o assunto, é importante que as pessoas saibam o histórico do movimento contra a violência no parto - a violência obstétrica, nome que as próprias mulheres cunharam para tais práticas.

Em agosto de 2010, a Fundação Perseu Abramo, em parceria com o SESC, realizou a pesquisa Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado, onde apresenta a evolução do pensamento e do papel das mulheres em nossa sociedade. Foram entrevistados centenas de homens e mulheres em mais de 170 municípios brasileiros.
Os resultados sobre o tema da violência contra as mulheres chamaram muito a atenção e, neste

contexto, surgiu um dado alarmante sobre a violência institucional sofrida pelas brasileiras: uma em cada quatro mulheres (25%) relatou ter sofrido algum tipo de violência na hora do parto. Dentre as diversas formas possíveis de abusos e maus-tratos, tiveram destaque: exame de toque doloroso, recusa para alívio da dor, não explicação de procedimentos adotados, gritos de profissionais ao ser atendida, negativa de atendimento, xingamentos e humilhações. Além disso, 23% das entrevistadas ouviu de algum profissional algo como: “não chora que ano que vem você está aqui de novo”; “na hora de fazer não chorou, não chamou a mamãe”; “se gritar eu paro e não vou te atender”; “se ficar gritando vai fazer mal pro neném, vai nascer surdo”.




Esses dados chocantes começaram a ganhar repercussão na mídia, com matérias em jornais de grande circulação, publicadas em fevereiro de 2011.

Em abril do mesmo ano, a Comissão Permanente de Saúde, Promoção Social, Trabalho, Idoso e Mulher realizou um debate com o tema “Maltrato no atendimento em maternidade e no pré-natal”, na Câmara Municipal de São Paulo, reunindo cerca de 70 pessoas, entre elas o coordenador da pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, o sociólogo e professor da USP Gustavo Venturi, a médica Anke Riedel, coordenadora da Casa Ângela, casa de parto considerada modelo no Brasil, a enfermeira e coordenadora do curso de Obstetrícia da USP Nádia Zanon Narchi, a representante do Programa Mãe Paulistana, Maria Aparecida Orsini e a bióloga Ligia Moreiras Sena, uma das autoras da ação coletiva que apresentamos hoje. 
Neste evento, o professor Gustavo Venturi apresentou os dados sobre violência no parto acima mencionados e, em entrevista para a jornalista da Câmara, afirmou: “São três os principais problemas que ocorrem e acabam gerando a violência no parto. A primeira é a questão da formação dos profissionais, em segundo vem a superlotação das instituições e, em terceiro, as mulheres não são adequadamente preparadas para o momento do parto”.


A partir de então, os coletivos femininos começaram a se mobilizar em termos de circulação de informação, denúncia da situação da assistência obstétrica brasileira, reivindicação de direitos, discussão sobre o assunto. E as mídias sociais apareceram como fator catalisador crucial para todas as ações que se seguiram.


Em 24 de novembro de 2011, no contexto de uma grande ação das Blogueiras Feministas, realizamos a primeira Blogagem Coletiva sobre o tema - “Violência Obstétrica é Violência Contra a Mulher”. Dezenas de blogueiras participaram com textos autorais livres publicados no dia 25 de novembro e, desde então, muitos relatos foram produzidos, mulheres que usaram o texto para organizar a experiência vivida - e que talvez possam ter sido beneficiadas de alguma forma com tal escrita, e beneficiado outras mulheres por meio da leitura. Neste dia, a pesquisadora Ligia Moreiras Sena também lançou nas mídias sociais o convite à participação em sua pesquisa de doutorado, sobre a violência obstétrica na percepção das mulheres que a viveram e, por meio do Facebook, dos blogs e do Twitter, centenas de mulheres se inscreveram para serem entrevistadas. Em um esforço de divulgação, foi aproveitado o Twittaço que ocorreu utilizando a hashtag #FimDaViolenciaContraMulher para contactar pessoas que pudessem ajudar na disseminação do convite à pesquisa.

Em nossa segunda ação de ciberativismo, coordenada para o Dia Internacional da Mulher - 8 de Março de 2012, alcançamos  certamente mais de duas mil mulheres, com a força de divulgação coletiva de 75 blogs.
Foi o Teste da Violência Obstétrica. Promovido pelos blogs Parto no Brasil, Cientista
Que Virou Mãe e Mamíferas o instrumento foi idealizado a partir de documento original da associação civil argentina Dando a Luz, e o Coletivo Maternidade Libertária, disponível em algumas publicações na Internet, em blogs e sites, datadas de 2010. Para a divulgação no Brasil, o documento foi revisado e adaptado à proposta desta Blogagem Coletiva. As questões abertas foram transformadas em um questionário com múltiplas escolhas, onde incluímos uma importante caracterização sociodemográfica, e contamos com a força de divulgação das mulheres conectadas em suas redes virtuais. Em apenas três dias compilamos mais de mil resultados. E seguimos com o recebimento de novas respostas durante 38 dias. Ao final do prazo, 1966 nascimentos foram avaliados.
Conseguimos atingir nosso principal objetivo, que era dar grande visibilidade a esta questão nas mídias sociais, entre as mães editoras de blogs e demais usuárias da Internet. E os resultados não poderiam deixar de ser surpreendentes. A expressiva participação no Teste da Violência Obstétrica era apenas um indicativo da força que as mulheres, juntas, têm para denunciar um grave problema de cidadania, de falta de oportunidades, de nenhum direito de escolha.

Então em 1o. de agosto de 2012, um grupo de mulheres ativistas mineiras avançam mais um pouco no contexto da luta contra a violência no parto. Em um marco histórico, conseguiram levar a cabo a Audiência Pública “Violência no Parto” na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Estiveram presentes usuárias do sistema de saúde, obstetrizes, doulas, ativistas, políticos e estudantes, em um evento que acionou entidades médicas do estado e o Ministério Público para abrir o debate.

Em outubro de 2012, uma terceira Postagem Coletiva reuniu os esforços necessários para que o vídeodocumentário "Violência Obstétrica - A Voz das Brasileiras" pudesse ser produzido. Em menos de dois meses, fizemos um roteiro para os depoimentos individuais, convidamos as mulheres a nos enviarem suas histórias de vida, com consetimento, para participação. As participantes gravaram vídeos caseiros com seus depoimentos, suas histórias de violência, intolerância, ignorância e racismo que marcaram seus corpos e suas vidas, e nos enviaram. As chamadas podem ser vistas nos blogs Cientista Que Virou Mãe e Parto no Brasil. Em poucos dias, conseguimos editar, com a ajuda do fotógrafo e videomaker Armando Rapchan, os vídeos recebidos e mais dezenas de fotografias, em um vídeo final de 52 minutos. Escolhemos por manter o caráter de produção caseira dos depoimentos.  O documentário foi então lançado no dia 17 de novembro último, como parte das comunicações científicas coordenadas do Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, ocorrido em Porto Alegre.

Assim, decorrido 1 ano após o início de nossas ações de ciberativismo, divulgamos hoje, 25 de novembro de 2012, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, o vídeodocumentario “VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA - A VOZ DAS BRASILEIRAS”. Ele representa o trabalho de dezenas de mulheres na luta contra a violência obstétrica. Com a voz de algumas delas, simbolizamos o coro de milhares de brasileiras que vivem desrespeitos aos seus direitos reprodutivos cotidianamente, em um processo tornado banal e rotineiro. Queremos ser representadas, queremos que nossas vozes sejam ouvidas e que, de alguma forma, impulsionem medidas que visem a erradicação da violenta assistência ao parto no Brasil.

Queremos agradecer, em primeiro lugar, às mulheres que muito corajosamente se dispuseram  a tocar em suas próprias feridas, em suas próprias dores, a fim de problematizar a questão e formar um coro. Queremos agradecer também às dezenas de mulheres que nos enviaram fotografias dos partos/nascimentos de seus filhos e que, por limitação de tempo, não puderam ser utilizadas. Queremos agradecer a todos que, direta ou indiretamente, nos ajudaram e incentivaram na produção desta ação.

Esse vídeo foi realizado de maneira espontânea e voluntária por:
- Bianca Zorzam, obstetriz, aluna de mestrado do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Universidade de São Paulo;
- Ligia MoreirasSena, bióloga, aluna de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina, autora do blog Cientista Que Virou Mãe;  
- Ana CarolinaArruda Franzon, jornalista, aluna de mestrado do Programa de Pós Graduação em Saúde Pública da Universidade de São Paulo e co-editora do blog Parto no Brasil; 
- Kalu Brum, jornalista, doula e co-editora do blog Mamíferas.
- Armando Rapchan, fotógrafo e videomaker.
Melhorar a qualidade da atenção ao parto e nascimento é um desafio complexo, que deve contar com a colaboração multi-setorial de vários agentes: profissionais de saúde, gestores, pesquisadores e docentes, e ainda, as mulheres, por meio do controle social.

Assim, agradecemos cada pessoa envolvida nesta ação e convidamos a todas e todos para contribuírem com o enfrentamento desta forma de violência contra as mulheres, com propostas e encaminhamentos inovadores. Pelo respeito aos direitos humanos femininos. Pela redução das mortes maternas. Pela promoção da saúde das gestantes e dos bebês. Por formas inovadoras de organização dos serviços, e pela adoção massiva das boas práticas na assistência ao parto normal.

“Que nossas vozes sejam ouvidas. Que nossas histórias não sejam ignoradas...”
Muito obrigada

Bianca Zorzam
Ligia Moreiras Sena
Ana Carolina Arruda Franzon
Kalu Brum
Armando Rapchan





28 comentários :

  1. Parabéns!!! "Exorcizei" fantasmas junto com elas!! Acho que jamais chorei tanto vendo algo,ouvi minha voz ali, vi minhas lágrimas, revivi minha dor e no fim me senti feliz por saber que ainda temos forças para lutar e que fico orgulhosa de ter pessoas assim, como vocês, nos dando essa voz!! Obrigada!! Espero que esse documentário chegue a muitas mulheres, a muitos médicos, a muitos homens, a todos que viveram ou viverão um parto, parabéns!! E obrigada por nos dar voz! Obrigada as mulheres que contaram suas histórias, tenho certeza, que assim como eu, muitas se identificarão! Parabéns!! E continuemos lutando!!

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    1. não só você...acredito que muitas mulheres se viram nos depoimentos! até eu me senti mais leve, algo como "elas falaram o que eu sempre quis falar" mesmo sem ter tido um bebê.

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  2. Lígia, já te disse em outros espaços com mais palavras, e aqui sintetizo: obrigada! Em meu nome, pelo que eu pessoalmente vivi, mas muito mais agradeço pela concretização do alerta para que outras mulheres possam vivenciar o parto como ele é: momento que não é de terror, mas de prazer.

    Vamos mudar esse paradigma na raça!

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  3. Parabéns, Ligia e todas as pessoas envolvidas, principalmente as mulheres que deram seu depoimento e em especial a minha amiga, Fernanda Alves. Desde o momento em que ela me mandou o seu relato de parto, logo após o nascimento da Valentina, é que pensamos que o sofrimento todo que ela passou deveria servir para alguma coisa, para mudar alguma coisa. E graças a você, Ligia, e a todos os envolvidos no projeto, hoje ela pode contar sua história.
    Como disse no questionário, aqui está o link para a divulgação do doc no meu Facebook: http://www.facebook.com/lorena.uceli/posts/459617934074400?comment_id=5087904&notif_t=like

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  4. Parabéns, estou completamente emocionada.. deu para sentir todos os sentimentos destas mães.. eu fugi de uma cesárea desnecessária a tempo e nunca vou esquecer de como aquela cesarista me fez sentir, eu me sentia gestante de risco... tive um final feliz com um parto natural! Espero que sensibilize muita gente, em especial as futuras mamaes! Parabéns pelo documentário!

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  5. Acredito que esta "violência" relatada, é fruto de uma profissão estressante, com carga horária de trabalho desumana e corroborada por uma política de saúde sucateada; tanto no público, quanto no privado.
    O alvo não são as mulheres, mas o ser humano. Contudo não há porque generalizar, fisto que há uma grande parcela de profissionais da saúde, que trabalham com toda dedicação, cuidado e zelo.

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    1. Algo que eu discordo é quando dizem que a carga horária do profissional de saúde é desumana. O problema do profissional de saúde em relação à carga horária é o acúmulo de vínculos profissionais, 2, 3 e até 4(penso que se reduzirem sí vai abrir mais espaços pra novos vínculos!). Isso sim é absurdo! Isso sim compromete a qualidade do trabalho e de vida do profissional! A questão da remuneração insuficiente e outras situações que são alegadas para justificar a tal necessidade de acumular vínculos é um debate importante, que não pode ser ignorado, mas em geral penso que os profissionais de saúde tem carga horária relativamente justa em relação a tantas outras áreas profissionais! Alessandro

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  6. Parabéns pela matéria!
    Parabéns por ser finalista do prêmio TOP BLOG!
    Sandra
    http://projetandopessoas.blogspot.com.br//

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  7. Parabéns pelo trabalho!!!! Eu sabia que tinha sofrido violência no parto mas depois que assisti o vídeo, percebi que sofri muita mais violência do que sabia!!!!

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  8. Parabéns a todas e todos os que participaram desde vídeo, em especial a todas as mulheres que compartilham suas histórias de parto, buscando transformar o sofrimento em argumentos de luta. Eu sou imensamente agradecida às mães que relatam suas experiências em blogs e sites de informação sobre maternidade. Foi nesse espaço que eu encontrei acolhimento e conhecimento, para poder gestar e parir meu filho com respeito e dignidade. Estou na segunda gestação e continuo em busca de informação. Aprendi muito com a história de outras mães e continuo aprendendo. Obrigada! abraços

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  9. Obrigada, Lígia e equipe. É só o que posso dizer. Ainda não estou grávida, mas em menos de um ano estarei lutando pelo meu parto domiciliar, e esse vídeo vai me ajudar a fazer as pessoas entenderem que não é por uma visão romântica, como disse o Dr. Dráuzio Balella na Tv Folha.
    Mas poder ter um parto domiciliar não me tira a responsabilidade de divulgar o vídeo, participando da luta para que TODAS as mulheres tenham direito a um parto digno. Divulguei o vídeo aqui: http://aloucadobebe.blogspot.com.br/2012/11/violencia-obstetrica-ou-relacao-de.html

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  10. Obrigada Ligia, por reunir todas essas vozes corajosas para gritar por todas nos brasileiras! Espero que o mundo inteiro ouça o nosso grito!

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  11. Parabéns lindo, vou repassar para o máximo de grávidas que eu conheço

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  12. Muito grata Ligia e companheiras...
    O trabalho de vocês ficou maravilhoso.
    Tomara que muitas mulheres possam se beneficiar.
    Fiz algumas curas, tbém sofri violência que na época não entendi como, rompimento de bolsa e epsiotomia...
    Um grande abraço para todas e cada uma, com amor Zezé

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  13. Parabéns para a equipe, temos que divulgar esses relatos para que isso não aconteça com outras mulheres, vários relatos dessas mães aconteceram comigo também e estou grávida de 7 meses (e morrendo de medo de acontecer neste segundo parto).
    Espero que as pessoas se conscientizem sobre esses atos de violência pois isso nos marca para sempre!!!

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  14. Lígia, não há palavras para descrever o valor da sua iniciativa. Cada mulher que deixar de ser violentada é uma vitória sem tamanho. Acredito que as crianças que nascem com respeito também são diferentes e que o mundo pode ser melhor, se garantirmos mais dignidade às mães e aos seus bebês.
    Sou advogada da Ana Paula Garcia, que depõe no vídeo. Protocolamos, na semana passada, uma reclamação no CRM contra os médicos que a atenderam. É um passo - entre tantos - para a conscientização contra a violência obstétrica.
    Quando tiver um tempinho, passa lá no blog para ver o post http://dadadablogdotcom.wordpress.com/2012/11/20/super-ana-contra-a-violencia-obstetrica/.

    Bjs e obrigada pela dedicação a todas nós!

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  15. Ligia,

    parabens pelo trabalho, que ele cresça e frutifique e muitas, mas muitas mulheres deixem de passar por isso...vendo o video, eu me choquei pq eu passei por algumas situações, que julgava normais por nao ter sequer a noção do que e de como seria o nascimento da minha filha.

    com certeza, serei uma a divulgar, principalmente as amigas gravidas, pra que elas estejam preparadas e nao passem por tantos constrangimentos.

    Parabens linda!
    bjs
    Paula Beça

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  16. Muito bom este documentário. Já tinha lido sobre a não necessidade da episiotomia e tive uma aula de saúde coletiva na universidade sobre a violência obstétrica. Um verdadeiro absurdo! Eu sei que dá trabalho, mas, se fosse possível, seria interessante fazer um vídeo que mostrasse alternativas, isso porque muitas mulheres já sabem sobre o perigo desta violência, porém não sabem como prosseguir, caso engravidem. Para onde ir então? Existem poucas clínicas de parto humanizado e a maioria é extremamente elitizada. É possível que a informação ajude às mães, mas na hora do parto, não é possível responder à altura - mesmo informada - à uma violência, pois se está fragilizada. Sendo assim, acho que seria interessante criar um outro documentário sobre as alternativas. Eu mesma tenho muito medo do parto, mas não é do parto em si, que é natural, mas sim da episiotomia, da ocitocina artificial, da violência, da chacota, de me chamarem de suja e de perceber todo o machismo que venho sofrendo desde criança, condensado em um único dia, em um dos momentos mais importantes da vida. Vamos à luta! Ainda há muito o que mudar! Da humanidade, eu tenho pena! Parabéns pelo trabalho!

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  17. Chorei. Chorei as dores tão profundas de tantas mulheres. Parabéns à equipe pelo video. É realmente emocionante e revoltante.
    Lígia, gostaria de saber a reação daqueles que assistiram ao video no Congresso em que foi apresentado. Que tipo de discussão gerou?
    mais uma vez, parabéns!

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  18. Parabéns! Fiquei muito emocionada, s relatos são impressionantes me identifiquei com muito do que foi falado.Sem dúvida passarei para a maior quantidade de pessoas que poder, já é material obrigatório para ser usado em sala de aula.

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  19. Parabéns pela iniciativa!
    Sou mãe de uma menina de 25 meses e estou esperando outra :)
    Durante a minha primeira gravidez me informei muito e desde então sou uma defensora do parto humanizado, respeitoso da mãe e do bebe.
    Vivo na Italia e participo de um forum que se chama Parto Natural. Gostaria de saber se existe a possibilidade de legendar o documentário para poder divulgá-lo por aqui. Obrigada!

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  20. Eu fiquei muito emocionada com os depoimentos, ainda não sou mãe mas fiquei extremanete sensibilizada com as mães e seus relatos.É chocante o que essas mulheres viveram, fora tantas outras mulheres que vivem isso diariamente, é preciso se fazer algo e esse vídeo já representa uma iniciativa contra a violência obstétrica. Meus parabéns pela construção do vídeo. Se antes eu já queria um parto domiciliar, após o vídeo eu quero ainda mais!

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  21. Querida Ligia, foi emocionante estar na ABRASCO e ver o video junto com você, Ana e Bianca (além da Clara, linda e microfonada!). Parabéns pelo trabalho, pela militância e pela força, pois toda luta deixa marcas.
    Estarei divulgando amanhã no meu bloguito recém-nascido biquetadeouro.blogspot.com. Tô bem pata nessa de fazer blogs, mas é vivendo e aprendendo né! Espero que o link saia direitinho!!!!
    bjo
    Helena Fialho

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  22. Lígia, gostaria de parabenizá-la uma vez mais por esse trabalho maravilhoso e tocante que vocês fizeram. No link a seguir, minha contribuição para a divulgação do vídeo: http://tatianamachado.blogspot.com.br/2012/11/dor-violencia-e-superacao.html

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  23. meninas, quero muito ver e divulgar o video em sergipe!!!!! Estive fora do ar esses dias, por conta da seleção para meu mestrado em que pretendo poder ajudar as mulheres a serem protagonistas do seu trabalho de parto. sou militante sa saude publica desde a minha graduação, mas d depois da maternidade, tenho buscado focar minha militancia no movimento pela humanização do parto. Enfim, quero manter contato com vcs!!!! Abraço

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  24. a violencia no parto em portugal tambem existe, eu sofri nos partos dos meus dois filhos algumas dessas praticas abusivas. comeca logo durante a gravidez os medicos nao exclarecem as gravidas nao podemos nos queijar ou preguntar alguma coisa sem ouvir comentarios do tipo isso e ansiedade... como se fossemos obrigadas a saber tudo... uma das vezes numa consulta antes de ouvir o coracao do bebe o medico disse para mim " vamos la ver se o bebe esta vivo" comentario infeliz acho que nenhuma gravida gosta de ouvir isto.... quando chega as 38 ou 39 semanas marcam logo o dia para ir ter com eles ao hospital para a inducao do parto dizendo que o bebe esta muito grande ou que o bebe ja nao esta a fazer nada dentro da barriga e quanto mais tempo ficar mais vai engordar e depois e mais dificil o parto normal entre outras... no parto do filho ke foi induzido as 38 semanas pk o medico deu estas razoes... durante a dilatacao uma infermeira desligou a epidoral e disse temos ke sentir dor para lhes termos amor,sei ke ela deligou pk foi a unica k ali entrou e passado pouco tempo a dor voltou, outra enfermeira fez o exame do toque muito doloroso, e ja na sala parto colocaram os bracos na minha barriga e so pararam quando o meu filho nasceu rasguei toda expresao usada pela enfermeira k dias mais tarde tirou os pontos. levaram o miudo para o vestir eu so o vi de relance e mais tarde no colo do pai. da minha filha nao foi melhor tb induzido as 39 pk segundo o medico estava a acabar o tempo de gravidez foi ter com o medico a maternidade como ele disse para eu fazer ele fez eco e um exame de toke muito doloroso e mandou en andar durante 2h foi la passado as duas horas ele mandou andar mais um pouco mais e voltou a a observame eu deitei me na maca e uma enfrmeira agarrou os meus bracos e o medico tentou retiar as membranas com a mao eu gritei de tanta dor foi horrivel parecia ke estava a arrancar tudo por dentro de mim e a enfermeira ainda disse para eu nao gritar pk o meu marido estava fora da sala e ia ficar assustado... no resto do dia e noite seguranse varios tokes doloros mas nao como deste como o a dilatacao nao evoluia o medico rebentou tb o saco das aguas... fikei toda a noite sosinha ate ir para a sala de parto ke so avonteceu na manha do dia seguinte e ja sem o meu medico pk como o turno dele acabou ele foi embora...mas a equipa ke me assistiu depois foi expetacular e o parteiro k fez o parto foi maravilhoso e ajudou me muito so tenho a agradecer. mas a kem me fez sofer sem ser necessario a esses so tenho a dizer k nao deviam ser medicos. isto e verdade aconteceu comigo e acontece com muitas outras mulheres... os medicos tem de ser humanos apesar dos meu filhos terem nascido em portugal compriendo prefeitamente o k estas mulheres passaram. so vejo uma diferenca entre portugal e o brasil e k portugal os medicos ker induzir o parto das suas pacientes e no brazil marcam a cesariana. este e o meu testemunho

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  25. Nunca imaginei que esse número seria tão expressivo e impressionante! Chocante, triste... Mas viva a informação, vamos divulgar isso o máximo para que todas as mulheres saibam o que elas tem direito. Parabéns pela iniciativa.

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  26. tive uma gestaçao de alto risco,com risco de parto prematuro a qualquer momento alem de muitas hemoragias consideraveis,quando fui ao hospital em trabalho de parto disseram q ''nao estava em trabalho de parto pois nao gritava de dor e so iriam me deixar em observaçao'' resultado 3 dias em trabalho de parto chorando de dores...nao tinha passagem estava de 35semanas e pela recusa de me fazerem a cesaria minha arteria rompeu,tive hemorragia,arritimia por falta sanguinea, e por esse mesmo motivo meus rins pararam por um dia,quase morri,passei uma semana no hospital tentando reverter tudo fora os meses de tratamentos em casa com medicação e ainda assim hj um ano e 4 meses apos minha filha nascer ainda sofro as consequencias desse absurdo.graças a Deus que estamos vivas.pelo menos minha filha nasceu perfeita e bem.

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