30 janeiro 2012

Clara faz 1 ano e meio

Clara: 1 ano e meio

Ela cresceu muito nesse último mês.
Fala muitas palavras e a cada dia aparece com novas.
Já fala mamãe, papai, auau,  bolo, bola, lião (leão), mamá, papá, ádu (água), ádu (suco), ádu (qualquer coisa pra beber), inha (uvinha), paia (praia), vovó, vovô, sissí, (xixi), cocô, Lilo (Murilo), Taetano (Caetano), Íla (Sheila), Inho (Fabinho), Caetauau (auau do Caetano), Bebé, Titia.
Canta o "ô-ô" e o "á-á" do refrão de "Santa Clara clareou".
Anda, corre, vira cambalhota na cama.
Atende o telefone, inclusive quando ele não toca.
Já passou alguns dias sem fralda e avisou que fez xixi.
Acorda todo dia e, ao abrir a janela do quarto, levanta os bracinhos pra comemorar um "bom dia, cotovia!".
Dá tchau pra praia, dá tchau pro sol se pondo, dá tchau quando quer ir embora de algum lugar.
Diz um "oi" a cada 5 segundos - é sua marca registrada.
Diz "bô" quando acaba alguma coisa e quando não quer mais comer.
Dança com música, dança com batuque, dança com assobio, dança até com louça que cai dentro da pia.
Chama crianças de nenê e as adora.
Chora muito ao ver outra criança chorando, puro sentimento de classe.
Gosta de livros, larga o que está fazendo se algum lhe é oferecido.
Toma café da manhã como gente grande, almoça como gente grande, janta como gente grande.
É apaixonada por frutas, principalmente melancia e pêssego.
Continua não gostando de comidas com consistência de purê.
Quando está com sono, deita onde está - no chão da sala, no chão do quintal, no sofá, até na mesa, bem resolvida.
À noite, ainda acorda algumas vezes e, nessas horas, só quer a mamãe.
Gosta de dormir abraçada, com as mãozinhas no meu rosto. Vez ou outra abre os olhinhos, sorri, diz "mamãe" e volta a dormir.
Imita cara de formiga e faz uma cara pra vó que ninguém entende porquê, mas faz. E só pra vó. É o código delas.
Não pode ver um computador ligado que pensa que é a vovó quem está lá em chamada de vídeo, e diz "oi, oi, oi", até que se explique que não é a vovó.
Chora quando o vovô vai embora...
Fala ao telefone - real, de brinquedo ou imaginário - grande parte do dia, em infindáveis ligações interplanetárias que não fazemos a menor ideia de pra quem é.
Tem inexplicáveis cabelos lisos e claros que já estão passando o comprimento do pescoço.
Tem ataques de beijos, e me beija muito muito muito.
É apaixonada pelo personagem Peixonauta e já deu mamá pra ele no peito.
Adora balanços e a sensação de voar.
Quando dorme, fica muito parecida com minha irmã que partiu - inexplicavelmente, já que não éramos irmãs de sangue.
Sabe aproveitar a vida, deita e relaxa em qualquer lugar que esteja.
Tem expressões faciais que lembram muito minha irmã caçula quando era criança (percebi isso esses dias, vendo fotos antigas).
É muito parecida comigo fisionomicamente. Mas continua com o bico do pai.
Adora água e, bobeou, se joga na piscina.
Chega na praia e corre pro mar, sem o menor medo de qualquer coisa.
Ela continua sendo cuidada somente por nós, continua andando com a gente em slings e dorme neles quando está com sono, continua dormindo perto da gente e mamando no peito.
Ela é sorridente, calma, segura, de bem com a vida, não apresenta qualquer comportamento de medo, topa qualquer parada e parece saber que o mundo é cheio de coisas boas.
Está, nesse momento, com dois caninos despontando, que faltam para completar seu sorriso tão frequente, e que a estão incomodando um pouquinho.

Ela é a minha Clara, que está completando 1 ano e meio hoje. Ela é a nossa Clara, a Clara da Ligia e do Frank. Essa menina sorridente e segura a quem amamos, de quem cuidamos, a quem criamos com o máximo do amor, do desvelo e da dedicação. Nos desdobramos em dezenas de nós mesmos para que ela tenha o nosso melhor, e nossas vidas têm sido desenhadas em função dela.
Ela trouxe beleza pra minha vida e por ela eu sigo mudando.
Clara é o melhor dos meus dias. Olhar pra ela me dá força, coragem, paz, esperança, segurança e a certeza mais plena de que ter um filho é um privilégio grande, é uma condição especial, é uma oportunidade única. Hoje sei que não seria realmente feliz se tivesse passado por essa vida sem ter essa experiência. E, o que é pior: eu nem saberia disso...
Não tenho como não ser grata à vida por ter me dado a insubstituível oportunidade de mudar de caminho e de ter me tornado mãe da Clara, de vê-la me chamar de mãe.
Não acho que ela tenha vindo para me ensinar. Como eu bem li esses dias, depositar sobre os ombros de uma criança o pesado fardo de "mestre" é um pouco cruel e egoísta.
Ela não veio pra me ensinar. Ela veio para ser ela mesma e percorrer seu próprio caminho.
E, ainda assim, é com ela que aprendo todos os dias.

28 janeiro 2012

Resultado do sorteio: A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra e Parteiras Caiçaras

No dia 04 de janeiro deste ano, em comemoração às 100 mil visualizações desse blog, lancei a ideia do sorteio dos livros A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra, da Laura Gutman, e Parteiras Caiçaras, da querida Bianca Magdalena. 
Foram 24 dias, com 65 comentários, dos quais valeram 63 (outros 2 foram feitos pelas mesmas pessoas).
Quero agradecer de verdade a todo mundo que participou. Foi a primeira vez que sorteei algo por aqui e foi uma experiência bacana poder saber um pouco sobre o que as pessoas mais gostaram de ler.
Eu escrevo aqui porque gosto. É um hobby que cultivo com carinho e para o qual dedico tempo precioso. E é muito recompensador receber os e-mails que recebo e encontrar pessoas que gostam  do que encontram aqui.
Muito obrigada a você que de vez em quando faz uma visitinha, indica textos, compartilha, sugere.
Ser blogueira é, para mim, uma experiência incrível. O número de amigos que já fiz por conta deste blog é uma coisa impressionante. Compartilhar histórias e vivências é mágico. Estou preparando um post justamente sobre a importância da blogosfera como uma rede de apoio, convivência, encontro e identificação, sobre como os blogs tem contribuído para as pessoas individualmente e para a sociedade em geral.
E chega de lero lero!
A ordem do sorteio foi:
1 - A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra
2 - Parteiras Caiçaras (porque foi assim que eles foram anunciados no post sobre o sorteio...)

Fiz o sorteio com a ajuda desse site aqui, um sorteador automático, e sem enganação!
E quem ganhou foi:
1 - MICHELLE LIMA (A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra)
2 - PILA (Parteiras Caiçaras)
Parabéns!

Tô aqui confabulando: será que essa Michelle é uma moça que mora em Recife e que eu conheci quando morei em Fernando de Noronha? É você, Michelle? Se não for, é homônima.
Pila é minha amiga querida, parceira, companheira de maternar consciente e aprendo muito com ela. Que feliz fiquei ao ver o resultado! E embora eu saiba que ela já tem o Parteiras Caiçaras, sorteio é sorteio!

Pra terminar, deixo um trechinho de cada livro como inspiração: 
"Muitas mulheres iniciam, com a experiência da maternidade, um caminho de superação, apoiadas por perguntas fundamentais. E muitas outras desperdiçam sem cessar os espelhos multicoloridos..." (Laura Gutman)
"(...) com o passar dos anos, e com a maturidade adquirida, passei a valorizar cada palavra, gesto e costumes que vivi e vi dos meus antepassados, e a conviver com a saudade de um tempo que não voltará, mas que foi fundamental para orientar minha jornada nesta vida e decidir quais caminhos, rotas, trajetórias tomaria" (Bianca Magdalena)


Um bebê que nasce no carro...

Clique e veja o vídeo no jornal português Correio da Manhã

Não costumo postar notícias, mas essa eu não pude resistir, por diversos motivos.
É uma história incrível.
Aconteceu no Texas essa semana.
A moça entrou em trabalho de parto de seu segundo filho e, juntamente com o companheiro, se dirigiu à maternidade. Mas não deu tempo de chegar e o bebê nasceu ali mesmo, com ela sentada no banco do passageiro, sem nenhum grito - exceto os do pai, por não estar acreditando no que via.
O mais incrível não é nem a tranquilidade com que a mãe desfaz a circular de cordão - que tanto mete medo nas mães e que, na verdade, não deveria inspirar qualquer temor (já parou pra pensar que o bebê ligado ao cordão não respira utilizando as vias áreas superiores?). Ela faz aquilo como se tivesse feito a vida inteira. Instinto que vem mesmo do útero...
O incrível da história é que o pai filmou o nascimento enquanto dirigia, na ânsia de chegar rapidamente ao hospital...
As cenas não são nada chocantes, são lindas, a forma como ela pega o bebê, desenrola o cordão e o aninha no colo, enquanto o pai, bestificado, diz Oh my God, Oh my God! Ela ainda consegue falar ao celular, informando - provavelmente ao hospital, creio eu - que o bebê nasceu ali.
Esse foi o segundo parto dela e a pegou de surpresa.
Quem sabe no terceiro ela decide por um parto domiciliar planejado, evitando sustos desnecessários, trânsito, pânico e o sol entrando pela janela do carro em movimento diretamente nos olhinhos desse bebê lindo que nasceu coberto de vérnix.
Quer ver o vídeo?
É só clicar na imagem lá em cima. 
Que coisa emocionante...

26 janeiro 2012

Um final feliz para uma consumidora

Lembra do último post, sobre o aborrecimento que eu passei com a compra do meu novo notebook, nas Lojas Colombo do Shopping Iguatemi em Florianópolis? 
Quando eu fiz aquela postagem, no domingo passado (22 de janeiro), eu já tinha devolvido o produto, solicitado o estorno do valor pago e já tinha dado por encerrada a questão com a empresa, tendo reiniciado a pesquisa por um novo local de compra do meu novo computador.
Pois na segunda-feira recebi uma ligação inesperada. 
Era um representante das Lojas Colombo.
Ele foi extremamente gentil, respeitoso e se mostrou disponível não só para ouvir o que eu tinha a dizer - mesmo porque eu não tinha mais nada a dizer que já não tivesse sido dito - como também para resolver um problema que, se a empresa quisesse, já tinha sido dada por resolvida, uma vez que a devolução do produto já havia sido feita e o dinheiro já estava em processo de ser estornado. 
Willi - esse é seu nome, só não sei se essa é a grafia correta - se apresentou, perguntou o que houve desde o início da compra e fez uma pergunta importante: se eu estaria disposta a permitir que a empresa reparasse o equívoco que havia acontecido, uma vez que, segundo ele, aquela não era a típica atitude da empresa. 
Bem, eu poderia ser irredutível e dizer que não estava aberta e que não faria mais negócio com as Lojas Colombo. Mas isso não me pareceu muito coerente. Houve um erro da loja, mas os erros são cometidos por pessoas, e todas as pessoas erram. Os que dizem que não erram sofrem de graves transtornos... Além do que, a solução não era só interesse dele e da empresa que representa, mas meu também. Hoje sou uma das administradoras de uma iniciativa que também lida com clientes. E se nossa equipe tivesse errado com algum deles, nós nos esforçaríamos por reparar e acertar no futuro. Alem do quê, acho que as pessoas têm perdido a capacidade de se desculpar e admiro de verdade quem ainda vê a importância disso.
Assim, eu disse a ele que, embora não estivesse esperando isso, estava aberta sim a uma negociação.
Então ele me propôs tentar buscar em uma loja em Curitiba dois notebooks que poderiam me interessar, mesma marca, modelo e configurações do que eu havia comprado anteriormente, e pediu que eu aguardasse até quinta-feira. Ele retornaria de lá na quarta-feira e na quinta entraria em contato comigo para que eu pudesse ver os produtos.
Não esperei tanto. Na própria quarta-feira recebi novamente sua ligação.
E às 14 horas, estava eu nas Lojas Colombo do Shopping Iguatemi em Florianópolis, sendo recebida por ele e pelo gerente da loja que havia me atendido anteriormente.
Fomos muitíssimo bem tratados, eu, Frank e Clara, meus fiéis escudeiros. 
Mas não com aquele tratamento forçado que se vê em alguns estabelecimentos quando houve alguma situação desagradável que precisa ser reparada. Fomos bem tratados mesmo. Ele nos explicou qual era a história da empresa e de seu dono e disse que estavam muito descontentes com o que havia ocorrido.
Infelizmente, aquele computador que eu havia comprado anteriormente não estava mais disponível, apenas um de mostruário. Mas o de cor escura, exatamente igual em marca, modelo e configurações, que eu cheguei a mencionar no post anterior e que custava R$ 300,00 a mais, por não estar em promoção, estava disponível. E ele me ofereceu essa máquina pelo valor que eu havia pago no outro. E, assim, eu aceitei.
Agradeceu a oportunidade de poder esclarecer tudo. Mas eu também agradeci, porque meu problema havia sido resolvido e, o que é mais significativo, quando eu nem mais esperava.
É claro que o ideal seria que isso tudo não tivesse acontecido. Mas, uma vez que aconteceu, fiquei muito satisfeita por ver o esforço da empresa em reverter a situação.
Eu quero ser cliente de uma empresa que entende o meu problema e que consegue se colocar no meu lugar, que não me veja apenas como mais um ou menos um, mesmo porquê essa nem é mais a visão atual do comércio e das relações públicas. Quero ser cliente de uma empresa que confia em mim, que entende quando uma reclamação tem fundamento e quando é infundada. 
E foi isso o que aconteceu, ao fim. Como o valor que eu havia pago anteriormente ainda não havia caído em minha conta, embora o pedido de estorno já tivesse sido feito, este gerente preferiu não esperar ou me fazer esperar e me entregou a máquina a despeito disso, confiando em mim como cliente. Assim que o estorno for realizado, irei à loja e farei o pagamento novamente.
Escrevi essa postagem da máquina que me foi entregue por ele ontem. Como pode ser visto, ela não apresenta o problema que a outra apresentou (quando o teclado não respondia adequadamente). 
A empresa - Lojas Colombo -, mediante um funcionário bastante dedicado, conseguiu reverter a impressão inicial e hoje estou bastante satisfeita.
Mas o mais importante, pra mim, não foi estar com o computador agora. Foi poder ter sido respeitada nesse mundo louco, onde muitos indivíduos têm sido bastante ofendidos em prol do lucro. 

Pra finalizar, essa história tem mais algumas morais:
- as mídias sociais e as formas de comunicação não oficiais, se é que se pode chamá-las assim, realmente têm muito poder e são vozes que devem ser ouvidas; elas amplificam a sua voz, e é justamente por isso que ela deve estar bem afinada e não ficar ecoando a esmo;
- um funcionário que veste realmente a camisa da empresa ou instituição que representa tem muito valor; uma pessoa sozinha faz bastante diferença e se as grandes organizações realmente considerassem isso, a questão do incentivo ao profissional seria realmente levada a sério; quanto mais profissionais sendo bem recompensados, melhores resultados elas terão e mais agradável será, para essa pessoa, o exercício de sua função;
- os erros de qualquer instituição - pública, privada, grande ou pequena - são erros humanos e, portanto, passíveis de acontecerem; o que importa, portanto, é a forma como essas instituições lidam com esses erros e o esforço que fazem para que não mais aconteçam, ao invés de fingir que não aconteceu nada;
- e, sim, agora eu voltaria a comprar nas Lojas Colombo do Shopping Iguatemi, não porque finalmente estou com meu novo computador em mãos, mas porque eles se mostraram sensíveis ao problema de um cliente; sou uma única cliente, sou peixe bem pequeno e, ainda assim, fui, por fim, respeitada. Seria muito bom se todos os profissionais pudessem se colocar no lugar de seus clientes.
E já que eu postei anteriormente um videozinho clássico sobre o famoso "jeitinho brasileiro" de tirar vantagem de tudo, posto agora um outro, muito bom, sobre saber se colocar no lugar das pessoas. Principalmente se eles confiarem em você a ponto de serem seus clientes.
Aproveito para agradecer ao Willi pela atenção e respeito comigo, meu marido e minha filha.




22 janeiro 2012

Lojas Colombo, Gerson e outros que gostam de tirar vantagem


Você sabe o que é a Lei de Gerson? Mesmo que nunca tenha ouvido falar nisso, com certeza você sabe o que é.
Gerson foi jogador da seleção brasileira de futebol na década de 70. Em 1976, ele estrelou um comercial televisivo de uma marca de cigarro, o Vila Rica. O vídeo do comercial é esse que está ali em cima.
Em determinado momento, Gerson diz que gosta de levar vantagem em tudo. E sugere: leve você também! E, infelizmente, é o que vemos muito mais frequentemente do que gostaríamos, gente que quer tirar vantagem de tudo. Gente que critica a política corrupta instalada no Brasil. Gente que diz respeitar os outros, os consumidores, os amigos, a família, mas não titubeia em pensar primeiramente em seu próprio bolso e, depois, ah, depois vem o resto...

Nos últimos tempos, vivi algumas situações assim. Uma delas conto agora, porque aconteceu esses dias.
Eu, que usava o mesmo notebook há 5 anos, resolvi trocar por um mais novo e comprei um Sony Vaio.
Escolhi essa marca e modelo em função de sua reconhecida qualidade. Depois de pesquisar bastante, decidi comprar nas Lojas Colombo do Shopping Iguatemi, aqui em Florianópolis. Comprei no dia 12 de janeiro. Cheguei em casa feliz como criança que ganhou brinquedo novo e notei, com grande decepção,  que o notebook apresentava um defeito de fábrica. No dia seguinte, retornei à loja com o computador em mãos e expliquei o problema. Um dos gerentes e o estoquista confirmaram o defeito. Assim sendo, solicitei a substituição do produto por um idêntico. Ao que fui informada que, naquela loja, igual àquele só tinha o que estava no mostruário. Obviamente, não aceitei. Se eu comprei um lacrado, era um lacrado que eu queria. Eles tinham um outro lá, igualzinho, mesma marca, modelo e idênticas configurações, mas era preto, e eu havia comprado um prata. Sugeriram a troca, mas eu disse que ainda preferia o prata. Assim, localizaram outro produto igual na loja de Balneário Camboriú, que fica há cerca de 1 hora de Floripa. Perguntaram se eu poderia aguardar 1 semana para a troca, que era o tempo que levaria para chegar (o que já é um absurdo, já que um courier faria isso em 40 minutos), mas eu concordei, e disseram que me ligariam no dia. Uma semana depois, como ninguém ligou, eu liguei. Mas me disseram que, infelizmente, o computador não havia sido enviado... E ainda me perguntaram se eu podia esperar mais 1 semana, ao que eu respondi que não, que queria o computador novo no dia seguinte no máximo, porque era um absurdo essa falta de compromisso. O gerente disse que ia tentar e que me ligaria até às 16 horas. Obviamente não ligou, então liguei novamente.
O mesmo gerente me disse que tinha localizado o produto, que agora estava em Curitiba (oi?), mas que chegaria com certeza no dia seguinte, que eu podia confiar, e que me ligaria até às 18 horas pra confirmar. Não ligou. Então eu fui na loja. Chegando lá, procurei um outro gerente, que me disse que aquela peça que havia sido prometida pra mim como substituição da com defeito, havia sido vendida.... Legal, né?
A empresa se comprometeu a trocar um produto que veio com defeito, não tem estoque próprio, manda vir um não sei de onde e vende o produto, deixando o consumidor em segundo plano. Obviamente, venderam para garantir o lucro.
E eu, o que aconteceu comigo? O gerente me deu três opções: ou eu ficava com a máquina com defeito e mandava pra assistência (senta lá, Claudia), ou cancelava a compra e me devolviam o dinheiro, ou eu ficava com a equivalente, aquela que eu mencionei, que era igual, mas em preto. Eu disse que, ainda que não quisesse da cor preta, uma vez que havia comprado um prata, eu aceitaria o preto para resolver toda essa confusão. E aí o gerente me informou que, mesmo tendo sido prejudicada e desrespeitada dessa maneira, tendo tido o produto prometido a mim vendido, tendo gasto R$ 15,00 só de estacionamento nessa história, fora as ligações de celular, a semana perdida e o aborrecimento, eu poderia trocar sim pela máquina preta, mediante o pagamento de R$ 300,00 inexplicáveis reais, por uma máquina de mesma marca, modelo e configurações que a que eu havia comprado, só que preta. Eu queria muito mandar o gerente enfiar a máquina preta no buraco do seu nariz, mas por educação e respeito disse apenas que não aceitaria e que, ainda que eu decidisse pagar R$ 300,00 a mais, não seria para as Lojas Colombo.
No dia seguinte, voltei com o computador em mãos e devolvi. E eu, que paguei a máquina defeituosa à vista e fui bastante desrespeitada como consumidora, ainda terei que ter a boa vontade de esperar 7 dias úteis para que o dinheiro caia na minha conta, é mole? Sete dias esperando pra poder comprar um outro em outra loja. Agora, o pior: um vendedor ainda me confidenciou que eles anunciaram esse e outros produtos numa porção de lugares, mas que não dispõem de estoque para isso. E nem venha me acusar de difamadora: eu gravei tudo.
Enfim...
Tudo isso porque uma empresa não soube cumprir o compromisso assumido de me entregar uma máquina que havia sido reservada a mim apenas porque a vendeu antes... Melhor garantir uma boa venda do que cumprir com louvor uma pós-venda. Esse é o perfil das Lojas Colombo do Shopping Iguatemi de Florianópolis, pelo menos foi assim comigo. Lojas Colombo: você pode, você merece. Se vamos ter pra trocar depois, são outros 300.

Morais da história:
- não é porque uma marca é reconhecidamente boa que está isenta de apresentar defeito de fábrica; mais vale um computador de marca nem tão top que funcione, que um poderoso que dá pau na primeira semana;
- antes de decidir comprar, certifique-se de que a loja possui estoque para eventuais substituições;
- ah, sim! Nunca mais comprarei nas Lojas Colombo do Shopping Iguatemi de Florianópolis, bem como não recomendo a ninguém a compra porque, como disse o vendedor, eles não possuem estoque para todos os produtos, que permita a troca em caso de defeito.

Sabe o Gerson, lá do começo da história? Então, o pobre foi a público depois dizer que tinha se arrependido de ter associado seu nome a uma coisa assim... Infelizmente, não é todo mundo que se arrepende não.

PS: a foto refere-se à fachada das Lojas Colombo Premium em outra cidade, mas pelo jeito é padrão...

20 janeiro 2012

Feministas, machistas e fingidores

Sabe esse papo de que o mundo é outro, de que os conceitos mudaram, de que a revolução feminista mudou radicalmente a forma como as pessoas enxergam as mulheres? 
Balela.
Sinto cada vez mais claramente que o segundo levante feminista, a revolução feminista dos idos de 60, foi somente um preâmbulo, um "sitocol", um fortíssimo sinal de alarme para que os que escancaravam seus modos machistas de lidar com as mulheres pudessem se recolher um pouco, disfarçar sua conduta, esconder seus reais pontos de vista por trás da pinta da "modernidade". Afinal, ser machista é demodê, ser feminista é modernex, ninguém quer parecer antiquado ou retrógrado, ainda que essa seja a sua essência, então "eu finjo que".
Mas, porque a máscara coletiva pesa e, pesando, deixa ver vislumbres de realidade, é possível facilmente se deparar com atitudes, individuais ou coletivas, que transparecem claramente a base de fundo machista sobre a qual está (bem mal) alicerçada a sociedade atual.
Mulheres trabalham em quase todas as frentes e conquistam os mais altos cargos. Mas ganham menos.
Mulheres inteligentes tem, justamente, a inteligênca a seu favor no jogo da sedução. Mas é com lingerie vermelha num corpo escultural que ela é retratada ao negociar algo com seu companheiro.
Mulheres passam em primeiro lugar nos vestibulares aos quais se submetem. Mas ouvem que "não se fazem mais processos seletivos como antigamente".
Mulheres cientistas ganham prêmios e são homenageadas, mas ainda representam apenas 40% de todos os pesquisadores cadastrados na Plataforma Lattes.
Mulheres estão lutando para conciliar carreira bem sucedida com filhos criados junto a elas. Mas deixar o filho brincando sozinho alguns momentos, ao seu lado, enquanto ela tenta trabalhar e dar conta de duzentas coisas em pouquíssimo tempo, é visto como "preteriu o filho pela profissão".
Mulheres que trabalham profissionalmente em casa, além dos cuidados normais que "se espera que tenham com a casa" (veja bem...), ainda têm que ralar no físico e no emocional: dar conta de tudo que acontece ali no "tudojuntoemisturado",  uma coisa para pessoas com superpoderes que eu, por exemplo, estou a umas trinta e sete encarnações de adquirir.
Portanto, não consigo aceitar facilmente esse lance de que "a mulher venceu, está onde quis estar, lutou e conseguiu".
Venceu nada! Está onde quis nada! Conseguiu uma ova!
Estamos em pleno andar da carruagem, em pleno desenrolar da história. Nossas bravas e corajosas companheiras que, há 50 anos atrás, subiram num pedaço de madeira e gritaram "Peraê meu nego! Comigo não!" e que, ainda que com lencinho amarrado na cabeça, arregaçaram as mangas e mostraram os muques, apenas começaram. O duro caminho da conquista está em pleno curso, todos os dias, em todas as situações, em todas as medidas provisórias e leis, nas piadas, nas propagandas comerciais, nos estilos de carro, nas roupas, nas músicas, nos poemas, na televisão, nas revistas, nas rádios, nas universidades, nos artigos científicos, nos discursos (inclusive dos que se dizem a favor das mulheres mas não se constrangem de fazer piadinha tentando diminuir mulheres suas conhecidas), nas orações, nos jogos de sedução, na profissão, no maternar, no paternar, nas relações afetivas, nas relações familiares, na sala de parto, na morte.

Sabe aquele papo de que o mundo é outro, de que os conceitos mudaram, de que a revolução feminista mudou radicalmente a forma como as pessoas enxergam as mulheres? 

Bah, balela!
Estamos todos os dias na mesma luta de há 50 anos atrás.
E se alguém te disser que não pensa de maneira machista, que te respeita como mulher, que admira a sua luta e deseja sinceramente que, por meio de sua luta, você conquiste ainda mais, esteja mais atenta às atitudes e às mensagens subliminares que às palavras.
Palavras são produtos cerebrais, frutos do seu córtex frio e impessoal.
Mas as atitudes, a linguagem corporal, ah.... essas vêm dos recônditos de onde vivem o instinto e a verdade humana.
Palavras, como diria Shakespeare, "são como os patifes desde o momento em que as promessas as desonraram. Elas tornaram-se de tal maneira impostoras que me repugna servir-me delas para provar que tenho razão".
O feminismo, essa tal "libertação dos padrões opressores fundamentados em regras de gênero", que penso ser muito mais a busca da equidade entre homens e mulheres do que da igualdade, essa busca pelo respeito à mulher em suas escolhas, em suas ações, em seus valores, em suas singularidades, em seu corpo, em seu tempo, não foi. Nem será.
Está sendo.
E não pense você que engana, se dizendo a favor dele. Está na sua cara, está no seu gesto, está nos seus modos e exigências. Ainda que não esteja em suas palavras.
E se você acha que o melhor movimento feminino ainda é o dos quadris, você não é machista.
Você é um idiota.
Desculpa, Millôr... não é nada pessoal.


Um texto-desabafo sobre múltiplas situações que vivo e vejo...

16 janeiro 2012

Somos todas mães-alheias


Na semana passada, uma pessoa muito sabiamente escreveu uma frase que tem ressoado em minha mente desde então, não somente porque é realmente bela, mas porque contém exatamente o meu sentimento.
Ela, a Sarah, disse, a respeito de um relato sobre uma situação muito dolorosa vivida por uma companheira:
"Só posso dizer que a dor de uma mulher é a de todas e eu partilho dessa dor como se fosse minha, porque é de uma irmã minha"
E no momento em que escrevo, sinto exatamente isso: sinto dor pelo que está vivendo uma irmã minha, que espera seu filho de 2 meses se recuperar de uma cirurgia cardíaca feita esses dias. Sinto dor e angústia, porque essa deve ser uma das maiores provações pela qual passa um pai e uma mãe.
Ter filhos é precisar estar preparado para ser forte nas horas em que estaríamos mais frágeis, é encontrar forças que você nem sabia possuir, é exercitar seu poder de confiança no fluxo natural da vida, é amar demasiadamente a despeito das inúmeras possibilidades futuras.
Mas ter filhos também é se tornar "mãe-alheia": saber se condoer pela angústia de outra, em função da facilidade de conseguir se colocar em seu lugar; saber sentir a dor de uma criança como nossa, assim como a de sua mãe. Ter filhos é, também, se tornar um pouco mãe dos filhos alheios. Por isso a violência infantil nos agride e choca, por isso tentamos combater as formas autoritárias de educação por meio da conscientização e do esclarecimento, por isso pedimos conselhos, por isso damos conselhos, por isso algumas discussões surgem, porque queremos, às nossas maneiras, ver criançcas sendo criadas com a maior dose de amor possível.
Mães formam uma rede muito mais poderosa do que podemos imaginar, e tenho vivido múltiplas experiências que somente comprovam isso. E é uma pena que, enquanto umas se apoiam e se sustentam, outras fiquem se degladiando como xiitas e sunitas pelo domínio do mundo islâmico, ou pela verdade absoluta sobre o bem-maternar, como se o absoluto pudesse existir de alguma maneira...
A única coisa que eu conheço de absoluta é essa capacidade infinita que temos de amar essas crianças que chamamos de filhos. Sejam os nossos, sejam os de nossas amigas e companheiras. De resto, é tudo muito relativo.
Nesse momento, tudo o que eu quero - se eu puder querer alguma coisa - é que o Francisco se recupere logo e volte pra Floripa com sua mãe e seu pai. Tudo o que eu quero é que essa mãe tenha seu coração acalentado pelo recuperação do seu filho. E seria ótimo que você torcesse por eles também.

"Solidários, seremos união. Separados uns dos outros seremos pontos de vista. Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos" - Bezerra de Menezes


14 janeiro 2012

Seu ventre não é mais livre: MP 557

 "Oi mãezinha, como é que tá a nossa barriga? Tá se comportando direitinho? 
Taquió, seu dinheirinho, em troca da sua autonomia e da falsa prevenção da morte materna
(qualquer semelhança entre a frase fictícia, a imagem e a MP é mera coincidência... Foto daqui)

O que você, que está pensando em engravidar, precisa saber sobre estar grávida? 
Uma porção de coisas. Precisa saber quais são as efetivas mudanças pelo qual seu corpo vai passar, quais as finalidades dessas mudanças, quais as mudanças emocionais que pode vir a experimentar, o que pode e o que não pode usar durante a gestação em função de representar risco à sua saúde e a do bebê, quais as opções de parto que existem e os riscos e benefícios delas, quais as melhores opções para você, seu filho e sua família após o nascimento, entre inúmeras outras que, naturalmente, vão despertando (ou espera-se que despertem) sua curiosidade e anseio por saber e aprender.
Mas, agora, você tem que saber também que vai ter que prestar contas da sua gravidez ao Estado, acredite se quiser...
Sob o disfarce de tentar reduzir a mortalidade materna, e com o atrativo de um incentivo financeiro de R$ 50,00, o governo aprovou uma Medida Provisória, de número 557, que cria um cadastro nacional obrigatório para toda mulher gestante e para as que pariram recentemente, as puérperas. Lendo essa frase solta do contexto, parece uma coisa bacana. Mas as organizações que trabalham em prol da assistência integral à saúde da mulher, assim como entidades que lutam pelo respeito aos direitos femininos, além daqueles que lêem as entrelinhas e vão além do que foi supercialmente mostrado, não acham não. E não é. Se fosse, por que então seria aprovada em pleno recesso do Congresso Nacional, no dia 26 de dezembro de 2011, na surdina, assinada pela presidente Dilma Roussef e pelos ministros Alexandre Padilha, Guido Mantega e Miriam Belchior, enquanto a gente ainda sentia o gosto do pernil, peru ou bacalhau do natal, e - mais sério ainda - sem o devido debate com as organizações da sociedade civil que representam os direitos do grupo atingido, as mulheres, especialmente as gestantes?
Então eu trouxe pra cá uma NOTA PÚBLICA da Articulação de Mulheres Brasileiras, publicada pela Universidade Livre Feminista, que explica exatamente porquê a MP 557 é antidemocrática, viola os direitos humanos e fere a autonomia das mulheres. Se você quiser saber mais sobre a MP 557 e seus desdobramentos, eu sugiro que visite o Parto no Brasil, que está fazendo uma excelente cobertura da situação, com grande envolvimento da minha colega Ana Carolina Franzon.
Leia a Nota Pública abaixo. Diz respeito a nós, mulheres brasileiras.

amb-logo
NOTA PÚBLICA pela imediata revogação da Medida Provisória nº 557 e em defesa da Maternidade Livre e da Autonomia das Mulheres e da Política de Atenção Integral à Saúde das Mulheres
Vimos a público expressar nossa indignação e repúdio ao conteúdo da Medida Provisória nº 557, assinada em 26/12/11 pela presidente Dilma Roussef e pelos ministros Alexandre Padilha, Guido Mantega e Miriam Belchior, tendo sido publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte. Com essa Medida, o governo federal cria um cadastro nacional obrigatório para toda mulher gestante e puérpera (mulheres que pariram recentemente), sob a falsa justificativa de prevenir a morte materna no país.
  • Consideramos que a mortalidade materna é um problema crucial, e que demanda mais recursos, mais médicos, mais informação, mais tratamento especializado. O controle e a vigilância precisam ser feitos sobre os serviços de saúde e não sobre as mulheres.
  • A Medida Provisória 557 atenta contra a democracia. Todas/os sabemos que medidas provisórias, por não não permitirem resoluções construídas democraticamente, deveriam ser usadas exclusivamente para questões de justificada urgência. O que não é o caso.
  • A MP 557 foi editada no período de recesso do Congresso Nacional e sem debate com organizações da sociedade civil que, há décadas, têm contribuído para a formulação de políticas públicas no campo da saúde da mulher.
  • A voz das mulheres comprometidas nesse debate durante o Governo Dilma está sendo desconsiderada por esta Medida, assim como têm sido desconsideradas todas as críticas consistentes que organizações do movimento feminista brasileiro têm elaborado e expressado sobre a "Rede Cegonha".
  • A implementação dessa rede se faz à revelia e em detrimento da Política de Assistência Integral à Saúde da Mulher, esta sim a política de saúde que queremos para as mulheres brasileiras: a que poderá assegurar saúde, dignidade e autonomia para nós, mulheres.
  • O conteúdo da MP fere a Constituição Federal por introduzir na legislação a figura jurídica do nascituro, que não tem condição de existência como indivíduo autônomo.
  • Neste sentido, a edição da Medida é uma vergonha para o nosso país. Anos atrás, o Brasil foi liderança entre os países latino-americanos, com posições progressistas em favor dos direitos das mulheres. A atual política do governo federal coloca o Brasil entre os governos que abandonam a perspectiva dos direitos humanos e direitos reprodutivos para as mulheres.
  • É imperativo destacar que o Estado brasileiro sofreu condenação internacional, recentemente, pelo Comitê para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher (Cedaw) no caso da brasileira Alyne da Silva Pimentel, por ter violado suas obrigações em relação ao acesso à saúde, num caso de morte materna perfeitamente evitável.
  • Exigimos do Governo Federal o respeito às deliberações de Conferências Nacionais de Políticas Públicas e aos processos de participação social que estas propiciam, por convocação do próprio Governo Federal. E também aos Tratados Internacionais assinados pelo Estado brasileiro, com os quais os governos se comprometem a garantir o acesso das mulheres brasileiras aos direitos reprodutivos e aos direitos sexuais.
  • A MP viola os direitos humanos e atenta contra a autonomia das mulheres ao criar um novo cadastro obrigatório para o atendimento durante o pré-natal. O próprio Ministério da Saúde reconhece que toda gestante que vai a uma unidade de saúde do SUS já faz um cadastro. Deste modo, a MP tem um caráter discriminatório: a mulher grávida que não fizer o novo cadastro não terá acesso ao serviço de saúde, nem ao benefício de R$ 50,00 introduzido pela MP. Da forma como está sendo implantado, o benefício atenta contra a dignidade das mulheres, tem um caráter controlador, reduzindo-nos à ideia de uma incubadora.
  • O atendimento na rede pública de saúde para nós mulheres precisa considerar mais amplamente nossos direitos. E no que diz respeito ao acompanhamento daquelas que são atendidas nos hospitais privados, cabe ao Ministério da Saúde viabilizar, por meio de Portaria ou outro instrumento, as condições para o controle, vigilância e acompanhamento das gravidezes de risco.
  • A MP desconhece o aborto como uma das principais causas da mortalidade materna no Brasil. E o fato de que a III Conferência Nacional de Políticas para Mulheres posicionou-se, por ampla maioria das delegadas presentes, pela revisão da legislação punitiva do aborto no Brasil, com atenção às mulheres na rede SUS. A CNPM aprovou a não-criminalização, discriminação ou quaisquer maus tratos às mulheres que realizarem abortos.
  • A MP 557 será ineficaz para proteger a vida das mulheres, mas cria as condições para oficializar a gravidez forçada como política do Estado brasileiro.
A Medida se mostra completamente descabida ao desconsiderar ações já previstas, desde 2001, quando na conclusão do relatório da CPI da mortalidade materna ficou estabelecido um conjunto de recomendações para sua prevenção e redução.
Para que a gravidez de risco seja diagnosticada e para que mortes maternas sejam evitadas é preciso investimento em serviços de saúde, profissionais qualificados, leitos e equipamentos adequados. Atualmente, assistimos inúmeras unidades de saúde sem condições para isso pela insuficiência de investimentos na saúde, especialmente no SUS, por problemas de gestão ou por uso ilícito dos recursos públicos.
Neste momento, a MP 557 está tramitando no Congresso Nacional e a Portaria nº 68 do Ministério da Saúde, de 11/01/12, não altera a Medida. Faz apenas desdobramentos para sua aplicação.
Por tudo o que apresentamos, exigimos:
  • A revogação da MP 557 e, por consequência, a revogação da citada Portaria.
  • A retomada e o fortalecimento da Política de Atenção Integral à Saúde da Mulher, com reafirmação do compromisso do atual governo federal com os direitos reprodutivos das mulheres.
  • A revisão da legislação punitiva do aborto (descriminalização), o compromisso do Governo brasileiro com a legalização, garantindo a autodeterminação reprodutiva das mulheres.
Articulação de Mulheres Brasileiras, 13 de janeiro de 2012.

É, minha cara, política é pra você também. Foi-se a época do ventre livre...
Eu sou da turma do "ou não".

12 janeiro 2012

Maternidade ativa: mães para um mundo melhor


Um texto meu com o título de "Maternidade ativa: mães para um mundo melhor" foi publicado na edição de verão da Yuppi Magazine. Você pode clicar aí no link da revista para ler, mas em todo o caso, posto aqui também para quem visitar o blog.


Era uma vez uma mulher que vivia sua vida de sempre quando, de repente, aconteceu: ficou grávida. Nessa história hipotética, pode ser que a gravidez tenha sido muito esperada e planejada. Ou pode ser que ela tenha acontecido sem qualquer planejamento. Surpresas ou planejamentos à parte, uma coisa é certa: essa mulher está se transformando. Uma transformação que vai além do físico e que é muito mais complexa e duradoura. Estamos falando de uma mudança de consciência, de atitude perante a vida, de postura, de mentalidade, de como nos vemos no mundo. Ter filhos é um convite irrecusável que a vida nos faz para aprender coisas que nunca aprenderíamos de outra maneira e a rever nossos próprios conceitos e posturas. Infelizmente, não são todas as mulheres-mães que aproveitam essa chance mágica de aprendizado, deixando escorrer por entre os dedos oportunidades insubstituíveis de fortalecimento, autoconhecimento e feminilidade, seja por comodismo, falta de estímulo ou de análise crítica. Mas isso não é assim tão condenável porque, afinal de contas, embora tenhamos nascido com óvulos e útero, ninguém nasceu sabendo ser mãe... Ser mãe é algo que se aprende enquanto somos.
Quando uma mulher descobre que está grávida, ela pode passar os nove meses da gestação e grande parte de sua experiência como mãe apenas reproduzindo o que ouviu do senso comum – mãe, avó, vizinha, amiga, sogra, jornais, televisão, novela, ou qualquer outra fonte de informação –, ou pode ir ativamente em busca de conhecimentos sobre como viver sua gravidez, como trazer seu filho ao mundo, como cuidar de uma nova vida, como ser mãe, como ser uma mulher-mãe e, nessa nova perspectiva, inserir os elementos do senso comum que se mostrem proveitosos aos seus próprios anseios e valores. Mães, avós, amigas, sogras, vizinhas e outras presenças constantes em nossas vidas têm dicas ótimas e preciosas que podem nos ajudar muito como mães. Mas são orientações geradas a partir de suas próprias experiências individuais e, portanto, não podem ser generalizadas ou tomadas como universais. Não é porque um comportamento deu certo para uma dupla mãe-filho que dará para outra. E, ainda assim, muitas insistem em, apenas, reproduzir comportamentos, ignorando uma incrível oportunidade de aprender coisas novas e – muitas vezes – positivas e transformadoras.
Quando nos descobrimos mães, um mundo de questões e dúvidas nos é apresentado: o que fazer quando se está grávida? Como encarar a gravidez? Como se preparar para o nascimento de um filho? Como eu quero trazer meu filho ao mundo? Quais são os tipos de parto que existem e quais os benefícios/prejuízos de cada um deles, tanto para meu filho quanto para mim? O que fazer após seu nascimento? Como agir com o bebê? Como saber se estamos fazendo a coisa certa? São alguns dos questionamentos que se iniciam ao saber que estamos esperando um bebê e que, dali por diante, estarão sempre presentes na vida de uma mãe. A mãe da historinha lá do início pode simplesmente deixar a coisa rolar, replicando comportamentos rotineiros, comuns e frequentes, que são mais feitos pelo automatismo e repetição que pela real reflexão sobre o assunto. Ela compra uma infinidade de coisas o enxoval do seu bebê, muitas das quais não sabe nem se realmente vai utilizar, porque, afinal, “todo mundo faz isso e todo mundo diz que precisa”. Mas a mãe da historinha também pode começar a se questionar sobre todas as escolhas. Pode aproveitar os meses de gestação para ler bastante, para se informar sobre quais as opções e possibilidades que existem nesse vasto mundo de receber um filho e seguir com ele vida a fora, pode questionar os profissionais que a estão atendendo se perceber que não compartilham de seus próprios valores. E aí, nesse caminho de novas e infinitas descobertas, ela passará a fazer perguntas que, de outra maneira, não poderia fazer. Será mesmo necessário comprar tanta coisa assim? Será que é isso que meu filho realmente precisa? É mesmo necessário ficar imóvel e passiva durante o meu parto? Eu preciso mesmo marcar data para que meu bebê nasça? Ela passará a questionar cada decisão, do material ao psicológico. Por que fazer assim? Por que fazer assado? Quem disse que assim é melhor? E por que essa pessoa acha que assim é melhor? Qual a consequência desse ou daquele modo de agir para a saúde emocional e física do meu filho? Qual a consequência desse modo de agir para mim e minha família? Que tipo de filho eu quero criar? Que tipo de mãe, afinal, eu quero ser? Essas são questões que só quem tem consciência do que realmente representa se tornar mãe ou pai consegue fazer. Questionar-se e questionar aos outros sobre as possibilidades que existem é ter consciência de que, se somos tão diferentes como pessoas, também devemos ter formas diferentes de viver, de criar nossos filhos, formas que nos tornem mais felizes, completas e realizadas como mulheres-mães.
Essa é a forma de maternar que se pretende para um mundo novo. Uma maternidade em que as mães sejam as responsáveis por suas escolhas, que vivam aquilo que escolheram por refletirem a respeito, sem viver somente as escolhas de outras pessoas. O que hoje buscamos é uma forma de ser mãe que liberte e fortaleça a mulher, que lhe dê autonomia, coragem e que fortaleça sua auto-estima, colocando-a como peça de mudança ativa no mundo. E que essa mulher, assim liberta, corajosa, autônoma e com a auto-estima em dia, tenha condições de criar filhos com base no respeito, apego, afeto e amor. Sem violência, qualquer que seja ela.
Vivemos numa época de resgate da consciência ecológica, por termos chegado a um ponto crítico em termos ambientais. E, pelo mesmo motivo, vivemos um resgate pela maternidade ativa, consciente, conectada, intuitiva, porque chegamos a um ponto humano também muito delicado. Se queremos um mundo melhor para nossos filhos, também queremos filhos melhores para nosso mundo. E isso passa, diretamente, por nossas escolhas enquanto mães.
Ser mãe é a chance insubstituível que a vida nos dá de fazer o que Gandhi, ícone da não violência, nos aconselhou.
Ser mãe é ter a chance de ser a mudança que queremos ver no mundo.

PS: A revista é linda, muito bem feita e tem textos muito bacanas. Mas confesso que a foto de capa desta edição me incomodou bastante...

09 janeiro 2012

Quem é você?


"Tocou o telefone:
- Alô.
- Quem fala? - pergunta um homem.
- Eu, ué.
- Eu quem?
- Eu, a Fulana.
- E quem é você?
- Eu sou a esposa do Fulano.
- Mas você não se vê como alguém?
- Como é?!
- Se, pra dizer quem você é, você precisa recorrer ao seu esposo, então você só se torna alguém se passar pela imagem dele e, automaticamente, deixa de ser alguém.
- Quem tá falando?!
- Ninguém. Liguei errado. Pra onde eu liguei não tem Fulana ou Fulano. Mas achei uma boa oportunidade pra te dar esse toque.
Ele desligou e ela entrou em crise".

Uma amiga muito querida me contou no final da semana passada que estava em total crise por conta desse telefonema. Tivemos uma longa conversa sobre isso. E chegamos à conclusão de que o que discutimos precisaria virar um texto aqui. Ela me contou a conversa e perguntou indignada: "Em que ponto eu fiz isso comigo?!". Eu disse pra ela não se encanar com isso, que era só um telefonema de um estranho, mas ela respondeu, brava "Mas ele tem razão!!", e aí conversamos um tanto sobre...
Conversamos sobre o tipo de vida que a gente escolhe ter,  e ela disse que não havia escolhido a vida que estava levando, que estava meio chateada por isso e não sabia como aceitar que as coisas não haviam saído como programado. E que quando o cara desligou o telefone, ela percebeu que ele tinha total razão. Reviu um monte de coisas sobre sua vida e começou, nesta semana, a traçar novos rumos.

Obviamente, parei para analisar a minha própria vida e vi claramente, sem fazer muito esforço, que eu também não escolhi, um dia, lá atrás, no passado, a vida que estou tendo agora. Na verdade, eu havia escolhido uma vida muito diferente. Mas, também analisando, vi que aquela vida outrora escolhida hoje me parece bastante fria, previsível e desinteressante.
Também não planejei a vida que tenho hoje. Mas estou bastante feliz por isso.
Porque minha vida se tornou não aquilo que eu planejei, mas aquilo que eu fui vivendo e fazendo enquanto planejava coisas que, ainda bem, não aconteceram - tal qual dito por John Lennon ("Vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro").
Talvez seja por isso que não tenho feito planos para um futuro tão longínquo, simplesmente porque aprendi que não adianta muito fazê-los. Eles são tentativas um pouco patéticas de se controlar aquilo que não é controlável, a não ser que você seja obcecado por planos e metas e não permita que a vida te surpreenda e emocione. Claro que podemos esboçar as linhas gerais, mas o colorido é imprevisível. Os planos que tenho feito limitam-se a, no máximo, 1 ano pra frente. E olhe lá.

Hoje eu tenho a felicidade de poder dizer que vivo a minha própria vida.
E isso não é óbvio como parece ser e também não foi sempre assim, por isso me é tão caro.
Tem gente vivendo todas as vidas próximas, menos a sua própria.
Eu tenho a grande alegria de dizer, de peito cheio e com grande satisfação, que vivo somente a minha vida.
Não vivo a vida do meu companheiro.
Não vivo a vida dos meus amigos.
Não vivo a vida da minha mãe, não vivo a vida do meu pai, nem a vida da minha filha (quer dizer, a vida dela eu vivo sim, mas é absolutamente natural que se viva a vida de um filho quando ele tem apenas 1 ano e 5 meses), nem vivo o que penso ser a vida de qualquer outra pessoa.
Eu vivo a minha própria.
Isso significa que eu me defino por quem eu sou e pelo que eu faço, não pelo que os outros ao meu redor fazem.

Eu trabalho a terra, planto e colho. As minha sementes e os meus próprios frutos. Às vezes as mudas morrem ou adoecem, outras vezes nasce até o que não foi plantado. Mas não vendo fruto alheio como se fosse meu. Nem vivo a vida dos outros iludindo-me como se fosse a minha própria, para, um dia, com tristeza e frustração, perceber que eram apropriações indébitas. Claro que muitas pessoas me ajudam no plantio e na colheita e sou muito grata a elas, mas ainda assim é a minha vida e dela eu sou a protagonista.
Então, é por esse motivo que eu não acho ruim que as coisas tenham sido diferentes do que eu pensei que seriam, simplesmente porque esse caminho é o meu. E, sabe, eu gosto dele. Ele não ganharia um roteiro de melhor filme, mas, com certeza, é um belo roteiro original.
Crise sobre o caminho onde se está só pinta quando esse caminho não é seu e você o está vivendo por tabela, voluntaria ou involuntariamente.
E é bom sempre fazer uma análise crítica pra não cair na armadilha de se viver mil vidas alheias achando que são suas, enquanto a sua passa sem você perceber para, lá no fim, ver que não viveu o que queria porque estava bem preocupado em viver as vidas dos outros.
Então, quando alguém te ligar e perguntar: Quem fala? Reponda: Eu. Eu quem? Eu, a Fulana. E se a pessoa perguntar quem você é, responda: se você não sabe quem sou, certamente ligou para o lugar errado.
Mas só responda isso se você realmente for você e souber disso.
Enquanto você for outros, melhor desligar pra não entrar em crise.

04 janeiro 2012

Sorteio de livros: A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra e Parteiras Caiçaras

No dia 26 de maio de 2009, criei um blog. Solteira, começando vida nova, morando sozinha, mobiliando um apartamento e tal, resolvi criar um blog pra compartilhar ideias dessa minha mente múltipla e intensa, que recebeu o adequado nome de Intensa, A Mente. O primeiro post foi esse, bem singelo, sugerindo uma música. E olha o comentário que tem lá... daquele que, meses depois, seria o pai da minha filha e meu companheiro. No blog eu escrevia minhas impressões cotidianas sobre o mundo e sobre as pessoas, além de pequenos relatos sobre minha própria vida.
Aí eu conheci o Frank, terminei um doutorado, fiquei grávida e tudo mudou. Quer dizer, nem tudo mudou, mas eu mudei. Me entreguei de corpo e alma à gravidez, fui a fundo nessa expeiência revolucionária que é a maternidade, Clara nasceu e meu novo mundo nasceu junto com ela. Obviamente, o blog foi tomando outra cara e respirando novos ares. E quando eu vi, havia se tornado um blog sobre maternidade, ciência, cotidiano e afins. Mas muito mais maternidade que outra coisa. Juntei meu gosto pela escrita, meu espírito investigativo, meu amor pela ciência e pelos textos e, principalmente, o meu amor por minha filha, que me permitiu ser quem sou hoje. E aí, em 25 de junho de 2011, o blog se metamorfoseou como sua autora e se tornou o Cientista Que Virou Mãe, com ilustração feita pelo Frank.
E sinto-me não somente surpresa, mas também feliz e satisfeita por ele estar alcançando, nos próximos dias, 100.000 visualizações, pela contagem do próprio Blogger. Perto de muitos outros blogs, isso não é nada. Mas pra mim, é muito! Quero agradecer a quem destina um pouco do seu tempo vindo aqui para uma visitinha e uma leiturinha, isso me motiva cada dia mais. Ver as mais de 4 centenas de visualizações diárias me dá até uma sensação de estranhamento. É muita gente! Pra quem nem sabia se haveria um segundo post, isso é uma alegria imensa.

Então, pra comemorar esse tantão de visitas nesse blog, destinado a compartilhar momentos da minha vida como mãe, cientista e mãe-cientista, e a compartilhar textos e pensamentos que possam inspirar outras pessoas, onde afirmo e reafirmo minha posição como ativista em prol do respeito ao parto e nascimento e onde posto coisas voltadas a um modo consciente de maternar, quero presentear quem vem até aqui e dedica seu tempo a uma leitura.

Vou sortear, para duas pessoas diferentes, dois livros muito especiais pra mim.

Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra, da Laura Gutman. Um livro que me ajuda todos os dias a ser uma mãe consciente e crítica e a entender o que acontece nessa relação tão intensa entre uma mãe e um filho. Eu, particularmente, acho que toda mulher que se torna mãe deveria ler. Te ajuda a compreender muito sobre si, sobre o bebê, sobre as coisas mágicas e estranhas que vão acontecendo nessa caminho. E é bem bacana para os pais também, tem um capítulo só dedicado a isso.




E Parteiras Caiçaras, da minha amiga Bianca Lanu. Um livro lindo, inspirador, que conta com colaborações muito especiais e que foi escrito inspirado pela própria experiência que Bianca viveu por ter recebido um filho em um parto domiciliar após uma cesárea prévia. Estou lendo nas minhas férias e adorando!








Escolhi esses dois porque quero que esses presentes inspirem tantas mulheres quanto eu fui inspirada, e as ajudem tanto quanto me ajudaram.

Pra concorrer:
- deixe um comentário abaixo desse post com seu nome e seu e-mail (pra que eu te avise no caso de ser o(a) sorteado(a)
- mencione um texto que vc leu aqui e que gostou (pode ser só o assunto, título ou o link do texto)
- siga o blog, clicando em Participar deste site, ali na barra lateral
O sorteio será dia 28 de janeiro. Entrarei em contato com os(as) sorteados(as) para enviar os livros. E a não ser que você more no exterior, o envio será por minha conta.
Eu ficarei muito feliz em poder presentear duas pessoas com livros que me são muito especiais.
Muito obrigada.

03 janeiro 2012

Vai deixar pra 2013?


E então, rapaziada, como é que foi dormir e acordar em 2012?
2012 já taí rolando... E aí?
Acordou magra? Ganhou na mega da virada? Ficou boazinha? Virou bom moço ou boa moça? Começou a elaborar uma grande estratégia pra alcançar aquele objetivo que você tanto sonha alcançar?
É, pois é, as coisas não são bem assim, né?
Conversando com uma amiga esses dias, ela me contou que o filho de 6 anos apareceu com um questionamento bem pertinente. Acordou no dia 01 de janeiro e gritou lá do quarto "Mããããããe!!", um tanto desesperado. A amiga saiu correndo da cozinha, abriu a porta do quarto e lá estava ele de pé, com uma cara de decepção tremenda. Ela perguntou o que tinha acontecido e ele, bem desanimado "Mãe, tô igual!". E ela teve que gastar todo o latim pra explicar pra ele que as pessoas não mudam de um ano pra outro, que elas continuam as mesmas pessoas, que as coisas não são assim mágicas, ao que ele retrucou "Então por que todo mundo fala tanto do ano novo se tudo continua igual?". E a conversa durou bem mais uma hora, ela explicando pra ele que o ano novo é um dia como qualquer outro, mas que serve pras pessoas refletirem sobre o que viveram, repensarem seus planos, serve pra abrir mão de coisas que não deram certo, essas coisas todas, em linguagem acessível ao pequeno garoto, que se tocou disso do alto dos seus 6 anos, enquanto um monte de adultos iludidos segue achando que tudo mudou...
Não mudou. Mas pode mudar.
Como diz essa linda tirinha ali de cima, que um tanto de gente andou compartilhando esses dias, temos pela frente 365 possibilidades de mudança. Minto. Agora são 362.
E aí? Já começou, ainda que calmamente, ainda que apenas no plano das ideias, ainda que mentalmente, a estruturar seus novos planos? Já lavou, pelo menos, a louça do ano novo (porque uma figura amiga aí, pra quem contei o que ando planejando, me disse que nem coragem pra louça do ano novo ela conseguiu ter ainda, quanto mais delinear novos objetivos. Já tá até meio frustrada porque nem a dieta da segunda-feira, que calhou com o início do ano, ela conseguiu começar).
Bom, aqui eu já comecei.
Já andei limpando caixa de e-mails, HD, organizando material, lendo artigos bacanas, estruturando ideias. Eu e algumas amigas e parceiras já estamos estruturando novas empreitadas e discutindo novas frentes. E o bacana é que ambas são de interesse coletivo. E isso tudo com meio computador, uma tecla "a" a menos, sem acento agudo e sem o ESC funcionar. Meu laptopzinho anda cansado da vida, tadinho, e decretou revolta armada contra a minha pessoa. Eu teclo aqui, ele me lança uma tecla de lá. Tô com um teclado todo desconfigurado acoplado nele, não sei como faz pra configurar e tenho que adivinhar onde está o til, o acento agudo e os dois pontos que antecedem uma explicação. Tô aqui só na ansiedade da chegada do meu novo.
Clara também já começou bombando. O número de palavras novas em 3 dias é surpreendente, e ela encerrou o 2011 como reles mortal e iniciou o 2012 como cantora, compositora, dançarina e instrumentista. Vai ali nos violões do papai, dedilha e "Ooôuu Aêêia Ahhhh Ouahhhh", acompanhando com uma dança étnica muito interessante e peculiar.
Então tá. Simbora começar?
Ou vai fazer como a garota que eu ouvi hoje no caixa falando "Eu estava super a fim de aprender a tocar bateria esse ano... Mas deu uma preguiça que acho que vou deixar pra 2013".
Mas já?! Não demorou nem uma semana...
Bom, eu também já estou com algumas ideias pra 2013... e já estou começando a trabalhar nelas.
Todo mundo tem direito de deixar pra amanhã ou por ano que vem o que poderia fazer agora.
Mas, depois, não venha se queixar que a vida é dura e que as coisas são meio travadas pra você.
Como dizem os espanhóis "A lo hecho, pecho".
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