14 agosto 2013

"Menina pra ficar ou pra namorar?" - como violentar meninas desde sempre

É assim, com essa chamada altamente duvidosa, que a Revista Capricho, da Editora Abril - que no último mês fechou as portas de uma série de revistas, demitindo mais de 150 jornalistas -,  traz as meninas para a conversa.

Ao título, segue-se um compêndio de machismo, preconceito e tudo mais que não se esperaria de quem produz conteúdo claramente direcionado a meninas, como é o caso dessa revista.

 Escrito na voz de um garoto adolescente supostamente chamado Marcio Picolly, que cobra não sei quanto para estar em festinhas de 15 anos. Mas que eu duvido que tenha sido escrito por ele. Não porque um menino não tenha capacidade para escrever coisas como essas (muitos tem, sim... e a família apoia ou se orgulha...). Mas porque eu me recuso a crer que isso passaria por uma equipe composta por adultos críticos e pensantes e, ainda assim, fosse publicado. Para mim, foi escrito por um adulto. O texto, inclusive, nem vem assinado pelo guri. Vem como "Equipe Capricho".

O texto começa pedindo às garotas que fiquem bem atentas para descobrir se, aos olhos deles, os meninos, elas são para ficar ou namorar. E afirma: "Não adianta o garoto negar: a gente faz, sim, distinção entre garotas que a gente namoraria e as que só queremos ficar e nada mais. O que vai determinar isso é a ação de vocês [as meninas] em vários fatores, então se liga nas dicas".

Sim, muita gente faz, sim, distinção entre as mulheres. No linguajar machista "adulto", seria o equivalente ao "é pra pegar ou pra casar?", que ainda, muito infelizmente, muita gente fala - mulheres inclusive, o que é mais ultrajante e incompreensível... É essa mesma gente que faz distinção entre "mulher pra pegar e mulher pra casar" ou "menina pra ficar ou menina pra namorar" que bate em mulher, ofende mulher, chama mulher de gostosa na rua, acha que lugar de mulher é em casa, na beira do fogão e do tanque, oferece salários menores, as chama de vadias, entre uma série de outras coisas contra as quais a sociedade, em seu caminho de esclarecimento, vem lutando com cada vez mais força. Nós, que somos mães e pais, estamos lutando principalmente para que isso desapareça ainda na infância, ao educarmos com equidade e respeito, condenando os sexismos e oferecendo uma educação livre e respeitosa.

Mas a Revista Capricho não acha que se deva lutar contra isso.

O texto, que até o momento em que li já ostentava 6.000 likes, faz uma diferenciação minuciosa entre a garota que seria para namorar e a que seria só pra ficar.

A garota para namorar seria aquela que sempre apoia o garoto (mesmo esses, os machistinhas, estimulados por uma mídia vazia e superficial) e que, ainda que seja ofendida e ultrajada desta maneira, está sempre ao lado dele dando carinho e atenção. Porque, afinal, o garoto machista (a Capricho) acha que companheirismo é tudo!

A garota para namorar demonstraria o tempo todo que gosta dele de verdade, além de ser madura o suficiente para enfrentar os desafios do namoro. Sim, a garota para namorar vai ter que vencer muitos desafios: ser encarada como objeto desde sempre, ser comercializada midiaticamente, procurar outros tons de roupas que não sejam pink (ou cinza, em 50 tons...), lutar pelo reconhecimento profissional, poder ter seu filho com respeito sem ser aberta em 40 minutos por comodidade de terceiros, poder amamentar seu filho ainda que ouça que isso é a "ditadura da amamentação" (Ditadura? Em um país que não amamenta nem um terço das suas crianças? Cuja amamentação não dura nem 90 dias? Quando foi que o conceito de "ditadura" mudou, que não nos avisaram? De qualquer forma, ainda que ela não amamente, vai ouvir também porque, afinal, o que vale é legislar sobre o corpo feminino, tanto faz para que lado...), vai ter que lutar para não morrer se sofrer um aborto, vai ter até que sair às ruas em marchas, pelo respeito a ser quem se é, usando o próprio xingamento que lhes foi dado como lema. E, além de tudo isso, vai ter que vencer os desafios do namoro. Do namoro com alguém que pensa que ela precisa se enquadrar, se quiser ter a honra de ser sua namorada.

A garota pra namorar tem que ter atitude e opinião própria e não concordar com tudo que o cara falar, segundo a Capricho. Claro. Ela pode discordar e dizer não. Desde que não seja para reivindicar um mínimo de respeito, inclusive quando lê algo assim.

Ah sim! A garota para namorar tem que ser ciumenta, mas no limite. Não pode sufocar. Porque se sufocar, tchau cats ("cats" é expressão utilizada pelo menino), o garoto vai te dar um pé na bunda e passar para a próxima em sua lista Bieber de garotas para ficar (ou seria namorar?). Mas não tem problema, porque você, cat, que tomou ou irá tomar um pé na bunda do garotão másculo, porém sem ainda nenhum pelo no corpo, vai encontrar dicas excelentes sobre como curar sua dor de cotovelo (enquanto mantém sua forma) onde mesmo? Rá! Aqui! Na Revista Capricho! A mesma que está buscando uma nova diva para a música teen. Mas uma diva pra namorar, que fique claro. Porque de divas vadias o mundo já está cheio, não é mesmo pessoal?

Agora, se a garota for daquelas que só quer curtir a noite, ficar com muitos garotos, não aceitar o garoto como ele é (mesmo que ele seja assim, machistinha), não tiver um papo legal, não falar de Manu Gavassi (que não faço a menor ideia de quem seja, mas que está sendo promovida pela revista), não tiver mandado seu vídeo para o concurso Street & Glam, nem se envolver em polêmica fashion, ah não, aí não dá, né? Aí é bad, cats... Não vai rolar namoro. Aí o mini boy magia tá out.

Também não vai rolar (e isso nunca, jamé, no way) se ela for vulgar demais. Aí não dá nem pra ficar, né? Porque, afinal, meninos assim querem moça de família (se usa isso ainda?!). Ele não está querendo dizer, com isso, que é uma questão de roupa, pelo contrário! Ele acha que quando a mulher (ops, errou o público, é pra meninas que ele estava falando, escapou...) tem um corpão,  tem que usar roupa curta mesmo. Ele está falando é de atitude, pô. Vai dizer que não entendeu? Tipassim, cat: se você achar esse texto um absurdo misógino, ofensivo, machista, antiquado, e ainda mais tudo isso quando lembra que é direcionado para meninas adolescentes e deixar escapar, lá nos comentários, algo como "Vai cagar regra pra cima de meninas de 12 a 15 anos agora, Revista?!", aí não, aí você é vulgar e, sorry baby, não vai rolar nem uma bitoca (se fala bitoca hoje ainda?).

Então, o suposto garoto se despede e vai embora, deixando um "Até o próximo post, my cats!", deixando-nos em torcida e contagem regressiva pelo fim dessa revista. Porque, afinal, se os portais/revistas M de Mulher, Contigo e Claudia já estão pela hora da morte (e já estão indo tarde), não faz sentido algum a Capricho ficar.

Nem pra casar nem pra ficar.
Pra ser respeitada.
E revista nenhuma tem o direito de
estimular a misoginia na infância e adolescência.
Gostaria, por fim, de falar sobre uma imagem que sempre vem à minha mente. A primeira vez que vi
Luana Piovani foi em um ensaio justamente para a Revista Capricho, quando eu era bem novinha, em que ela aparecia no papel de diferentes princesas. Dali, ela foi para a Globo, representar uma adolescente que era modelo fotográfico, não me lembro muito bem do enredo, mas sei que tinha algo com o diabo também, uma coisa muito louca. Lembrei-me daquele ensaio quando, recentemente, saiu o resultado do julgamento sobre o processo que ela abriu contra Dado Dolabella por ter sido vítima de violência doméstica. Parecer desfavorável a ela, a agredida, e favorável a ele, o agressor, com o frágil (e absurdo) argumento de que ela estaria supostamente sob o efeito de drogas quando apanhou. Como se a violência contra a mulher estivesse liberada em certos casos e esse fosse um.

Em outras palavras, esse parecer diz que Luana, lançada como princesa pela Capricho, pode apanhar que tá tudo bem. Afinal, ela tinha usado drogas.
Vai ver que o que Dado fez (e quem sabe esse garotinho, se realmente existir, venha a fazer também um dia, se continuar sendo apoiado como é por essa mídia estúpida e irresponsável) foi apenas oferecer um corretivo a ela.

Afinal, vai ver ela não era pra casar mesmo...

Revista Capricho: apenas pare. Definitivamente.

Marcha das Vadias DF - publicada em Feminismo na Rede (sem autor)

53 comentários :

  1. Arrasa como sempre! Se eu lesse este texto da Capricho talvez me incomodasse, mas nem saberia porque, vc simplesmente consegue extrair tudo e colocar em palavras o que ainda vai oculto na nossa sociedade. Beijos e continue!!!!!!

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  2. Adorei o texto, realmente muito bom, um pequeno reparo: juiz não dá parecer, ele julga, decide, diz quem está certo e quem está errado, o que torna tudo pior ainda. Parabéns!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Ana Carolina, talvez esse livro possa te ajudar - ajuda a conversarmos com as crianças, sobre esse assunto: http://www.pipoefifi.org.br/home.html . Abs.

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    2. "não deixar ninguém toca-la nas partes intimas"

      Ana Carolina, totalmente correta! Por que mudar sua atitude? Estou de acordo contigo.

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    3. Ana, desculpe a franqueza! sou PAI e separado e não posso ler tremenda babaquice. Se voce tivesse um filho homem teria o direito seu ex marido de pensar da mesma forma , quando da criança em companhia da mãe?

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    4. Nossa, voce esta com medo do pai da sua filha violentar ela?? Voce deveria ele see pai, que inclui ajuda la na higiene. Ai depois ela fica uma mulher traumatizada e voce nao sabe o porque.

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    5. Exatamente. É esse tipo de paranoia feminista que realmente reprime a mulher, e remove a lógica da sua cabeça.

      E, mudando de assunto, comentando a foto do artigo, ser livre é ótimo para qualquer pessoa. Mas não significa que os outros não podem pensar o que quiser de você. Relacionamento sério depende de pessoas de valor, amigas e comprometidas. Além disso, a liberdade inclui muito mais deveres do que direitos. Uma mulher realmente livre não pode exigir proteções exclusivas. (ela só o têm enquanto não é livre)

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    6. Não quer dizer que a Ana Carolina tenha "medo do pai da filha", eu ao menos não entendi assim... Como ela é divorciada, ela não tem "o controle" do que a filha fazendo e nem aonde está, nem com as pessoas que vai estar (pq é o pai quem controlará isso). E ela não vive mais com o ex-marido (logo, não tem qualquer influência nas decisões dele), então quando a menina vai visitá-lo, eu acho que é normal a mãe se preocupar, eu tenho uma filha de 1 ao e me preocuparia em qualquer lugar, na escola, na praça, numa festa na casa de um amigo mesmo minha filha estando com uma pessoa de confiança... As mães tendem a achar que ninguém "é capaz" de cuidar dos seus bebês como filhos, isso não é racional, mas acontece com mtas mães e não acho nem um pouco "babaquice" como falaram...

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    7. Como criança que sofreu abuso sexual e nunca foi orientada neste sentido , discordo ser paranóia e acho que ela está certa em orientar a filha... Apenas tem que ser o cuidado de como fazer isso... Sugiro ler muito como abordar a cerca de algo tão delicado.

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  4. Cara, eu cresci com esse sentimento de inadequação por nunca me encaixar no papel da garota pra namorar ou mulher pra casar e não entender o porquê... isso mexeu com a minha cabeça até bem pouco tempo atrás.... sabe o lance do " o que há de errado comigo?!" Isso é muito triste! Muito mesmo! Nenhuma menina (que será mulher um dia) merece uma violência dessas! Abomino pra sempre essas revistas femininas.

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  5. ótimo texto, não consegui chegar a ler a postagem na capricho pois ela magicamente foi deletada e não está mais disponível, parabéns por conseguir essa mobilização. (:

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  6. Texto perfeito. É revoltante o que essas revistas publicam!

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  7. Eu classifico homens em "pra namorar" e "não presta". Estou sendo FEMISTA ao fazer isso? Qual a opinião de vocês?

    Não desmerecendo o texto ou a causa. Reconheço que ainda se tem muito por lutar no que diz respeito à nós, mulheres. Estou falando apenas sobre essa questão em específico, pois na minha visão todos nós temos gostos, preferências e compatibilidades. E sempre vamos nos interessar e ir atrás daquilo que gostamos. Eu não teria um relacionamento com um cara que não presta, ao meu ver. Prefiro sim os que são mais "reservados". Não que eu ache errado os outros não serem, apenas estou falando de preferência e do meu gosto.

    Se puderem comentar sobre isso, agradeço. Estou justamente perguntando por que quero saber a visão e outros pontos de vista a respeito. ^^

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    1. Bom, a principal questão, me parece, é que não temos como retirar a separação entre mulher que são somente objeto sexual ("para ficar") e mulheres "direitas" ("para namorar) da cultura em que sempre esteve inserida.

      Falando por cima, essa divisão foi usada até recentemente, NA LEI, para determinar se houve estupro ou não. Quer dizer, independente da convicção do juiz, a lei previa que somente poderia ser vítima de estupro uma mulher "honesta". A mulher vadia não tinha direito de se recusar ao sexo. A divisão entre mulheres direitas e mulheres putas foi historicamente utilizada para descartar as mulheres putas como seres minimamente dotados de direitos, em diversos âmbitos da vida (maternidade, direitos civis, direitos reprodutivos, inviolabilidade corporal). Essa divisão ainda é utilizado cotidianamente com muita frequencia, especialmente quando se fala de vítimas de violência sexual. Isso não ocorre e nem nunca ocorreu com homens que não prestam.

      Além disso, a divisão entre mulheres para transar e mulheres para namorar leva em conta, mais do que qualquer coisa, a "discrição" da mulher. Ou seja, o que se busca não é uma mulher parceira, inteligente, de boa índole, segura, amorosa, etc., o que se busca, nessa diferença (e tu vê pelo conteúdo das conversas), é uma mulher domada, que não ameace a masculinidade do namorado/marido.

      Tem mais coisas ainda, mas ninguém lê textos grandes em comentários, hehe

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    2. Brenda, eu tava aqui exatamente pensando nesse sentido enquanto eu lia o texto, sabe por quê? Por eu tb tinha isso na cabeça há uns 10 anos atrás, e sabe o q aconteceu? Eu casei com um "não presta", q por sua vez casou com uma "pra pegar" (ele já me confessou isso). E o meu "não presta" é um marido/amante/companheiro/pai maravilhoso! Eu sou imensamente feliz e realizada num relacionamento como nunca fui com os "pra namorar"... São 8 anos, 2 filhos! O amor, Brenda, quando ele aparece, ele muda tudo! Só que precisamos nos permitir olhar aquela pessoa que está embaixo de todos aqueles esteriótipos que criamos sobre ela.

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    3. Mas acredito que como eu, o que incomoda não é alguém dividir as mulheres.. Tipo, lógico que temos preferências, cada pessoa tem as suas, e julga o que quer, e assim talvez todos nós dividimos pessoas nessas classes. Porém, eu por exemplo, divido homens nessas categorias de acordo com o que vivi, e o que eu considero certo ou errado pra MIM. O erro é uma matéria prepotente que quer impor dois tipos de mulheres, menosprezando as que consideram ser do pior tipo, e querendo ensinar meninas que provavelmente ainda vao começar a se relacionar com pessoas a serem e a se submeterem a um tipo de mulher que dizem que é o ideal. Como disse, cada um julga o melhor pra SI, esse tipo de publicação quer definir, generalizar.

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    4. Brenda, a mulher (e o homem também) tem o direito de escolher quem ela quiser! Qualquer homem sério (que acabam também sendo chamados de machistas) pensa assim.
      Mas o que acaba destruindo o valor da mulher para um relacionamento é a desonestidade, ou seja o quanto ela mente e esconde da vida e da personalidade. Todo homem sofre com isso e muitos acabam traumatizados e dispostos a revidar.
      Nunca vi um menino jovem ser desonesto. Deve existir, mas todo homem assim que conheço aprendeu com uma mulher.
      Mas uma diferença importante entre homens e mulheres é que mulheres GOSTAM de homens maus e canalhas. Na maioria das vezes são elas que entram, por vontade própria, numa vida com problemas que as feministas comentam.

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    5. Não acho que o homem aprendeu com uma mulher, Anônimo, mas sim com a 1a decepção amorosa... Depois da 1a decepção nenhum menino fica igual e mtos começam sim a ter comportamentos que até os violentam internamente, não se ligando mais a menina nenhuma e "maltratando todas as mulheres" para evitarem sofrer...Agora, imagina se toda mulher fosse se comportar assim depois de todas as decepções amorosas? Vai me desculpar, mas dentro dessa sua visão, todas as mulheres estariam fadadas a virarem as maiores "vagabundas" do mundo e não teria nenhuma mulher querendo casar e achando que vale a pena se dedicar a um homem e a um relacionamento... Eu entendo o sofrimento dos meninos, mas nivelar todo mundo igual é que não dá, no mundo existem pessoas que "te fazem bem" e outras que não te fazem e nós conforme vamos crescendo aprendemos a distinguir o o que é melhor para nós...

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    6. Brenda Lavoieri, não há problema algum em você ter suas preferências particulares, a questão aqui não é essa, é a da veiculação, na revista, da visão machista e retrógrada de um garoto, de modo a incutir na mentalidade, ainda em formação, das meninas adolescentes, esses valores machistas. É como se a revista estivesse perpetuando uma única visão, generalizada, que separa as garotas em dois grupos. E esta mesma visão estivesse sendo considerada a única e a mais correta de se ter, ou seja, como se representasse a visão de todos os garotos, ou a visão dos homens, no geral, portanto "Garotos contam"... Contam o quê? A visão de todos os garotos? Há uma naturalização na abordagem feita, como se fosse normal essa classificação ser feita pelos homens.
      Por mais que nós, pessoas com alguns valores formados, saibamos questionar e perceber a rotulação machista a que as mulheres são submetidas nesse tipo de exposição midiática, será que as meninas de 10 a 15 anos,em processo de formação intelectual de seus valores e que são o público alvo da revista, terão o mesmo discernimento para tal?

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  8. Ótimo texto. A capricho SEMPRE teve esses artigos absurdos, machistas e extremamente desnecessários. Mas acredito que é uma revista que vai a falencia junto com a MTV.

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  9. Acho que a Capricho percebeu o erro. Pelo menos pra mim o texto não abre. Será que eles retiraram do ar?

    http://capricho.abril.com.br/blogs/garotoscontam/2013/08/14/menina-para-namorar-e-menina-para-ficar-quais-sao-as-diferencas/?ref=lista

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  10. Putz que texto uau! Estou chocada com isso, que lixo de publicação essa revista fez. Agradeço você ter transformado esse lixo em oportunidade para falarmos e pensarmos sobre isso. Torço que muitxs de nós façamos algo. É preciso transformar.

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  11. Cada texto mais uma venda que cai dos meus olhos.
    Detalhe: Fui praticamente educada sexualmente por esse tipo de revista na adolescência.
    Obrigada!

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  12. Eu nunca gostei de Capricho, alias revistas em geral me causam nervoso. Uma tonelada de anuncios e quando vc acha alguma coisa que possa te interessar, a reportagem e tao tosca que fica aquela sensacao de vazio... E o endeusamento de algumas figuras, so faz piorar a situacao. Mas eu nao imaginava que este discurso ainda existia. Sim porque quando eu era menina, uma mae de uma amiga falava isso p mim e para a minha amiga, e nos na epoca, com nossos 12 anos, ja diziamos que o mundo tinha mudado e nao era mais assim. Isso, 25 anos atras.

    Eu, como mae de uma menina e 4 meninos, faco questao de educa-los para respeitarem o proximo em qualquer situacao. Inclusive nos relacionamentos. Enfatizo que todos temos os mesmos direitos e deveres. Ter me casado com um europeu me ajudou a perceber o quanto de machismo temos em nos. Ha ainda muito trabalho a fazer, mas se nos maes, nao nos questionarmos, seguiremos passando os mesmos preconceitos.


    Quando um amigo vai ter uma menina, e fica com aquela cara apreensiva, ainda mais quando alguem diz a perola: passou de consumidor para fornecedor, e vem outro e diz p botar a menina num convento, eu falo; cara repense seus conceitos e crie sua filha para ser feliz nao para fazer os outros felizes. Muito bom o texto.

    Abracos

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  13. Oi Ligia!
    Que texto é esse?!?! Muito, muito bom, adorei!
    Concordo com cada palavra sua.
    Não conhecia seu blog e agora sou sua fã.
    Sucesso!

    bju bju!

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  14. Nossa, que texto! Imagino que foi escrito porque a reportagem da Capricho foi lida por um acaso. Eu fui leitora dessa revista nos meus 12, 13, 14 anos. E parecia ser encantadora na época! Depois que a gente amadurece, não serve nem pra folhear... Quantas meninas, sem a devida instrução, não seguem à risca o que se escreve naquelas páginas, com fotos de garotos bonitos, determinando como vc deve ou não agir? Assustador! Valeu demais de alerta pra minha filha, que ainda está na barriga e que, com fé em Deus, também chegará nessa fase.

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  15. A principal questão, me parece, é que não temos como retirar a separação entre mulher que são somente objeto sexual ("para ficar") e mulheres "direitas" ("para namorar) da cultura em que sempre esteve inserida.


    Falando por cima, essa divisão foi usada até recentemente, NA LEI, para determinar se houve estupro ou não. Quer dizer, independente da convicção do juiz, a lei previa que somente poderia ser vítima de estupro uma mulher "honesta". A mulher vadia não tinha direito de se recusar ao sexo. A divisão entre mulheres direitas e mulheres putas foi historicamente utilizada para descartar as mulheres putas como seres minimamente dotados de direitos, em diversos âmbitos da vida (maternidade, direitos civis, direitos reprodutivos, inviolabilidade corporal). Essa divisão ainda é utilizado cotidianamente com muita frequencia, especialmente quando se fala de vítimas de violência sexual. Isso não ocorre e nem nunca ocorreu com homens que não prestam.

    Além disso, a divisão entre mulheres para transar e mulheres para namorar leva em conta, mais do que qualquer coisa, a "discrição" da mulher. Ou seja, o que se busca não é uma mulher parceira, inteligente, de boa índole, segura, amorosa, etc., o que se busca, nessa diferença (e tu vê pelo conteúdo das conversas), é uma mulher domada, que não ameace a masculinidade do namorado/marido.

    Tem mais coisas ainda, mas ninguém lê textos grandes em comentários, hehe

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  16. E o pior é que este "pensamentinho" medíocre e torpe, que consome a cabeça de meninos e meninas com a mesma força da idéia de "ele já tá na idade de ser levado a um puteiro", é disseminado inclusive nos espaços da luta de esquerda do Brasil. Já vi (vejo) enojada muitos companheiros de luta usando a tal frase "pra pegar ou pra casar" sobre companheiras de partido ou de causa. É uma ferida velha e podre, que sangra a cada vez que os meios de comunicação de massa tiram-lhe os pontos.
    Parabéns por sua coragem!

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  17. Tenho uma filha de 1 ano e 2 meses, um filho com 6 anos e sou casada a 7 anos. Definitivamente, segundo esse post da revista, não fui uma garota para casar. E olhe que isso foi há mais de 15 anos, visto que tenho 34. Minha mãe, já naquele tempo, me ensinou a ser livre. A segurar a onda. Em me valorizar e me colocar em primeiro lugar. Foi fácil, não. Muitas das meninas pra casar, da minha época, me achavam horrível. Casei porque quis, amo minha família. Fiz tudo por escolha e não por pressão. Criamos nossos filhos para que sejam independentes. Espero que publicações desse tipo não sejam estimuladas. Afinal, o preconceito existe, sim. Mas a nossa obrigação é lutar contra ele.

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  18. COMUNICADO:

    Comentários com conteúdos machistas, preconceituosos, discriminatórios ou com conteúdo ofensivo não serão publicados.

    Atenciosamente,

    Ligia Moreiras Sena

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  19. Mais uma análise ótima para isso que foi publicado na Capricho. Fico feliz em ver a repercussão sobre o assunto, porque vejo muita gente questionando o conteúdo de revistas femininas adultas, mas jamais vejo o mesmo olhar crítico para as revistas adolescentes. Realmente deletaram o material, o que significa que SIM, nós fazemos a diferença. Obrigada a todos que não silenciaram ao testemunhar tamanho absurdo e opressão a tantas jovens brasileiras.

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  20. Eu tenho 25 anos, e sou o tipo de mulher e desde a adolescência fui do tipo que ''não é pra namorar''. Sou aquela, cuja a qual as garotas que foram alfabetizadas por esse tipo de revista não querem perto de seus namorados. Sou aquela que leva cotoveladas, esbarrões ''sem querer'', e também aquela que deixa o mulherio azedo e emburrado quando chega na festa. Mas sempre tive os namorados que quis ter, já fui casada, já me separei, namoro novamente. E nunca namorei canalha, nunca fui agredida... Justamente por não me submeter aos ''conselhos'' da sociedade. Sou dona de mim, do meu corpo e das minhas vontades. E essas mesmas moças de família, que fazem de tudo pra serem o estereótipo da moça pra casar, que fazem de tudo na vida pra ter um namorado, noivo, marido muitas vezes me pedem conselhos, querendo saber porque elas fazem tudo ''certo'' e tudo dá ''errado'' e porque eu faço tudo ''errado'' e tudo sempre dá ''certo''. E muitas vezes essas garotas se sentem exauridas, pressionadas e tem seus legítimos desejos esmagados pelo que a sociedade quer que ela deseje; Essas mulheres escondem seus próprios desejos num quarto escuro, onde nem ousam mexer, porque aqueles desejos não são corretos. Assim, todo mundo ganha. O analista ganha, as industrias farmacêuticas e de cosméticos ganham, o personal trainer, a esteticista, e os homens ganham, conseguindo produzir modelos padronizados que eles podem controlar a maneira que bem entendem.

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    1. Pois é. Um modelo padronizado que muitos enjoam.

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  21. gabriela falcão klein15 de agosto de 2013 15:46

    olá, gurias!
    ano passado, defendi, no PPGE/UFSC, minha dissertação sobre a Capricho ("aprendendo a (vi)ver com a Capricho"). ao longo de dois anos, comprei quase todas as edições, fui amiga no orkut e facebook, entrei em contato com a revista, fiz entrevistas (mas não fui autorizada a publicar), fui a um evento de música para (tentar) compreender esse "mundo". trouxe (tentei trazer) algumas questões/questionamentos, sobre esses e outros assuntos. tem até uma seção explicando quem é a "tal manu gavassi" e o que ela pode representar na/para a capricho. :)
    confesso que foi um desafio pois, nos anos 1990, lia e gostava muito da revista. não tenho medo ou vergonha de dizer o quanto custei para entender essas artimanhas machistas contidas nela. e hoje, com 31 anos e mãe de um guri de 4 anos, tenho (re)pensado nessas questões: que tipo de "homem" eu estou criando?!

    acessem:
    http://www.bu.ufsc.br/teses/PEED0962-D.pdf

    obrigada. um abraço,
    gabriela

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  22. Já viu esse agora? http://capricho.abril.com.br/blogs/sexo/fiquei-com-vergonha-de-dizer-nao/

    Tá difícil entender o que está acontecendo nessas revistas femininas.

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  23. Apoiado .... Muito bom seu texto !!! chega de machismo e rotulos inexistentes ! Adorei

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  24. Nunca tinha parado pra pensar como me fez mal ter lido esse tipo de revista na adolescência!! Acabei de descobrir pq eu era tão confusa no modo de agir (tinha q ser pra namorar, e não pra ficar)...obrigada mais uma vez por este post maravilhoso (ou devia agradecer à Capricho? kkkkkk). Beijos!!

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  25. ADOREI o texto! Quando adolescente, sempre li a capricho, tinha até assinatura. Nao entendia porque as reportagens nao se encaixavam no meu estilo de vida. Afinal, eu nao queria namorar ninguém, só ficar. E nunca tinha dicas de como lidar com isso :(

    Na minha lista existiam duas colunas: meninos pra ficar e meninos pra passar longe. Porque eu iria namorar alguém e perder esse tempo precioso da minha vida? Pois é, eu pensava assim mesmo. Namoro era desperdicio de tempo, e tinha pavor de casamento, na minha visao o dia em que eu me casasse seria o inicio do fim da minha vida...

    E demorou 39 anos e um namorado (alemao) super gente boa que sabia lavar sua própria roupa, passar, limpar o ap e cozinhar pra me fazer mudar de idéia!

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  26. Uma reportagem recente da Capricho descreve um ESTUPRO como apenas uma "situação tensa". Vocês viram?

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    1. Adriane, sugiro que leia esta reportagem:

      http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2012/11/eu-fui-estuprada.html

      Acho que trata de casos parecidos com o da menina. Frutos, talvez, de uma cultura do estupro e de uma cultura machista, mas que não permitem equiparar a conduta do garoto à de um estuprador.

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  27. Procurei o texto, mas parece ter sido deletado.

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  28. A diferença entre "homem que não presta" e "mulher que não é para casar" é que, no caso dos homens, o sujeito não perde seu valor com PESSOA por não ser para casar. É um Charlie Harper, é engraçado, solteirão, cafajeste, bon vivant. Considerá-lo para casar ou não é mera preferência pessoal das mulheres, isso não afeta o resto da sua vida e não será objetificado por isso. No caso da mulher que não é para casar, ela perde seu valor como pessoa, perde sua honra e seu direito ao respeito em qualquer âmbito.

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  29. Ah, Adriana, aquilo não pode ser considerado estupro, me desculpa. A guria poder ter ficado muito mal, sofrer tanto quanto uma vitima de estupro, mas ela não manifestou dissentimento de nenhuma forma. É horrível que ela tenha se submetido daquela maneira, que não tenha consciência da sua autonomia corporal, que ache que pode ser tratada como objeto de masturbação por homens. Acho muito triste isso e acho que o machismo tem um papel muito importante aí. Mas sexo sem vontade não é o mesmo que sexo sem consentimento. Não é. É ruim, não deveria existir, mas não é a mesma coisa.

    Se eu disser para o meu namorado: "ou tu me faz sexo oral em mim, ou está tudo acabado", é estupro? Se eu disser "ou tu faz sexo oral em mim, ou eu não visito a tua família no Natal", é estupro? A minha atitude seria péssima, mas não acho que seja estupro. Estupro é sexo sem consentimento, provocado por medo de algo razoavelmente grave, por violência ou por estar desacordado. Sexo sem tesão não deveria acontecer, pode gerar danos em quem se submete, mas não acho que seja o mesmo que sexo sem consentimento.

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  30. Hoje com mais de 30 continuo separando homens em para casar e para pegar. bem como todos os homens que conheço.
    No entanto acho q a diferença é q hoje eu sei o q quero e o que nao quero. Ficar com um cara que eu curto mas nao me vejo a vida inteira com ele, torna ele um cara apenas para pegar. E como o para casar não apareceu ainda... Ql o problema nisso?
    Acho sim q vc colocar esse tipo de coisas para adolescentes é ridiculo. É tratar as meninas como seres nao pensantes e induzir a uma personalidade vazia.
    Mas no meu ponto de vista essa é simplesmente uma separação natural de qm atrai a gente fisicamente/sexualmente e quem atrai por isso e mais um pouco.
    Acho que ficar criando mto caso sobre o assunto tb faz qm concorda e qm discorda concordar em um ponto: que o assunto importa.
    O q importa é q se vc gosta mesmo de alguem essa pessoa é pra namorar, casar e vá ser feliz!
    Se não gosta tanto assim, porque nao se divertir, se vc achar q vale a pena por um tempo?
    é simples... nao vejo pra q complicar....

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  31. Prezada Ligia...

    Você refletiu sobre o assunto antes de sair disparando esse furioso texto? Porque a mim parece que a frase título desencadeou toda uma reação pré-doutrinada que em seguida distorceu cada frase dita pelo menino a ponto de atribuir-lhe psicopatias que ele certamente não tem.

    As leitoras de Capricho são adolescentes que querem saber a opinião de adolescentes, e não ideologias de construção social de gênero, e as opiniões dos meninos que as interessam é simplesmente essa! E se baseia numa experiência direta que eles tem de um contexto real, onde há meninas que realmente se comportam dessa forma.

    De certo é interessante lutar para mudar esse contexto, mas isso não será feito com atitudes reacionárias que tentam transformar um adolescente num estuprador simplesmente por expressar a preferência pessoal dele. E ele não tem o direito de escolher?! Tem que aceitar qualquer tipo de comportamento como se não fizesse diferença?

    Não faço aqui qualquer apologia a qual seja o comportamento feminino correto, mas a visão de mundo desses jovens, nesse caso, é baseada numa realidade, e negá-la não vai fazê-la desaparecer. Ele não tem que ser obrigado a se relacionar com pessoas cujo comportamento não lhe interessa, e muito menos ser vulnerável a moças que também dividem os homens, frequentemente de forma bem mais cruel, sem chance de fazer o mesmo.

    E se fosse uma matéria onde as meninas dividem os rapazes seguindo seus próprios critérios? Poderia até haver uma reação, mas de certo não estariam tentando transformar a autora numa criminosa.

    Por fim, a revista pode sim, e deve, ser responsabilizada pelo mau conteúdo que publica, mas o que li aqui não foi apenas um crítica ao contexto sócio cultural em questão, mas sim também um ataque virulento contra um jovem que bem poderia processá-la por calúnia e difamação.

    Sinceramente

    Marcus Valerio XR
    xr.pro.br

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    Respostas
    1. Olá Marcus,
      Eu não me daria ao trabalho de escrever sobre assunto tão polêmico e delicado se não tivesse refletido antes, acredite.
      A frase título desencadeou a reação devida, pelo menos entre pessoas que estão se dedicando a combater não somente diferentes manifestações de machismo como também a irresponsabilidade social de algumas mídias, principalmente aquelas que têm como público alvo crianças e/ou adolescentes.
      Não atribuí psicopatias a ninguém, quem fez isso foi a sua interpretação – pra você ver como o que está manifestado naquele texto é grave...
      As leitoras de Capricho são adolescentes. Ponto. Como você pode dizer, não sendo uma nem nunca tendo sido (ao contrário de mim) que elas querem saber a opinião de adolescentes? Por que tomar adolescentes por tão baixo patamar? Acaso não seriam as meninas adolescentes capazes de quererem para si matérias bacanas, que as estimulem a pensar, que as engrandeçam como pessoas, que as ajudem a formar um senso crítico positivo do mundo, que contribua para que se tornem meninas seguras, ao contrário de estimular nelas o pior dos sentimentos? Mas, claramente, esses não parecem ser os objetivos da Capricho e cada uma das matérias propostas por essa revista demonstram isso. Aliás, recomendo que você leia, ainda que por cima, uma minuciosa pesquisa que foi feita sobre o conteúdo dessa publicação e que está mencionado em um comentário, da Gabriela Klein. Esse texto, ao contrário do que você viu nele, tem sim, claramente, uma ideologia de construção social de gênero. Mas que inferioriza o sexo feminino, desde a mais tenra idade. Uma opção adotada pela revista..
      Você está chamando de reacionária a minha expressão de indignação contra o machismo? Não seria o machismo a expressão claramente reacionária aqui?! Não vamos inverter o contexto... Aqui há leitores esclarecidos demais para se deixar levar por uma inversão de valores.
      Ninguém transformou o adolescente em um estuprador: essa é novamente SUA opinião sobre, não a minha. Aliás, estupro não é o tema desta matéria, mas de outra, produzida pela mesma revista e que outros comentaristas indicam aqui também.
      Se essa é a preferência pessoal dele, sem problemas, não diz respeito a ninguém. O que é muitíssimo diferente de manifestá-la em uma revista de conteúdo público. Vivemos hoje em tempos onde, ainda que as pessoas tenham as mais estranhas preferências, aquelas que ofendem grupos sociais específicos não devem ser manifestas, se não por bom senso, por respeito à legislação. De forma que, por exemplo, se alguém tem como preferência agredir mulheres verbal ou fisicamente, ele não poderá manifestar sua preferência ou torná-la realidade sem incorrer em uma lei chamada Maria da Penha.
      Ele não precisa aceitar qualquer tipo de comportamento como se não fizesse diferença.
      Nós, mulheres, também não.

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    2. E se fosse uma matéria onde as meninas dividem os rapazes seguindo seus próprios critérios? Não é. Mas se fosse, receberia a mesma crítica, pois sexismo é prejudicial para qualquer dos lados. É o que fazem outras publicações da mesma editora, como a Claudia, por exemplo, que felizmente também está quase encerrando as atividades.

      Não há aqui um ataque virulento a um jovem. Na verdade, eu inclusive duvido claramente que tenha sido escrito por um jovem. Mas, supondo que tenha sido, é principalmente uma crítica à revista que permitiu que tamanha bobagem fosse publicada. E a própria revista concorda que foi uma bobagem, do contrário não teria tirado do ar. Se ele quiser me processar por calúnia e difamação (kkkkkkkkkk), que fique à vontade. Mas terá que trabalhar muito para mostrar que suas palavras não são o que são: machistas, preconceituosas e discriminatórias. Eu, e centenas de outras mulheres, também poderíamos fazer o mesmo contra ele e a revista. Afinal, nós, como mulheres, fomos alvo de preconceito e discriminação. Aliás, faz mais sentido esse processo que o outro.

      Para encerrar, proponho a você uma reflexão ÉTICA sobre o tema. Porque sei que você gosta ética é um assunto de seu interesse. Proponho que faça uma reflexão crítica, clara e abrangente sobre o conteúdo que foi publicado pela revista (você ainda a tem? Foi apagado pela revista mas continua em cache no google, dá uma procurada lá). Reflita com profundidade sobre o que foi publicado de forma a problematizá-lo realmente, mas levando em consideração que a análise ética de algo só faz sentido se houver o objetivo de reconduzir a prática e transformar a realidade, transformar o olhar para intervir na realidade. Que se possa tornar estranho aquilo que foi tornado natural, que se possa enxergar a banalização com tal estranhamento que você consiga pensar que não deveria ser assim. Obviamente, implica em recondução e modificação de valores. Analisar eticamente implica em sair do comum, esse comum marcado por valores hegemônicos (nesse caso, machistas). Mas isso você já deve saber...
      Saudações cordiais,
      Ligia

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  32. É revista Capricho bom senso mandou um forte abraço, faz tempo que vocês não se falam né?
    Fora o retrocesso e machismo que essas matérias trazem outa coisa que me chamou a atenção é o fato deles pegarem uns moleques de 15 anos que não tem idade nem pra entrar na balada pra dar opinião sobre a vida alheia como se fossem homens adultos que conhecem tudo sobre a vida, kkkkk.
    E rir pra não chorar já estou ansiosa pelas próximas matérias qual será o assunto? Menininhos de 07 a 10 anos dando dicas sobre como ter um bom casamento? Kkkkk.

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  33. Oi Ligia, depois dá uma olhada no vídeo do Robin Thicke - Blurred Lines. É algo ainda pior e mais repugnante do que esta reportagem da Capricho. Eu gostava da música, depois fui buscar o clip no youtube e nunca mais pude ouvi-la. Mas a minha voz é baixa e não sei como me manifestar contra tudo isso q me deixa acuada.

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  34. Lígia
    Vc precisa ler esta notícia, se eh que vc já não leu:
    http://m.estadao.com.br/noticias/saopaulo,tj-sp-considera-menina-prostituta-e-inocenta-acusado-de-estupro,1523118,0.htm
    Myo

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