Em que fase da pesquisa estamos?
- Estamos convidando mulheres que tenham se sentido desrespeitadas em seus partos a participar da pesquisa, dando seus depoimentos. Se você quiser dar o seu depoimento, clique nesse imagem, coloque seu nome e seu e-mail. Eu entrarei em contato para lhe fornecer mais informações assim que receber.
- O questionário da entrevista está sendo submetido ao parecer do comitê de ética da universidade
- Estamos adequando nossos objetivos ao grande número de mulheres que já se inscreveu para ser entrevistada, em função de ser um número muito maior do que o inicialmente previsto
- Tenho a imensa honra de ter sido aceita para co-orientação pela professora Simone Diniz, do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP.
- O projeto de pesquisa foi enviado ao Fundo Brasil de Direitos Humanos para concorrer ao financiamento previsto pelo Edital 2012, cujo tema é violência institucional. Resultado previsto para junho/2012. Se aprovado, haverá verba para ampliar a divulgação e acessar mulheres que, de outra forma, não poderiam ser acessadas pela pesquisa.
- Esse convite será incorporado a sites, portais e blogs de assuntos maternos e femininos, com a devida autorização de seus autores.
- Estamos elaborando outras formas de divulgação da pesquisa, para que ela saia do ambiente virtual e tome os espaços físicos.
- Esperamos, com esse convite, sensibilizar mulheres que tenham passado por experiências de parto, levá-las à reflexão sobre a qualidade da assistência que receberam em seus partos e convidá-las a participar da pesquisa.
SOBRE A PESQUISA
Minha pesquisa de doutorado pretende estudar a ocorrência e a natureza de práticas desrespeitosas, maus tratos e violência no pré-parto, parto e pós-parto em instituições de saúde na percepção de mulheres. Está sendo realizado no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina, sob orientação do Prof. Dr. Charles Dalcanale Tesser (PPSC-UFSC) e co-orientação da Profa. Dra. Simone Diniz (Escola de Saúde Pública-USP).
Abaixo, vai a breve ideia do projeto.
Existem formas de violência que vão além da força física e que, ainda assim, podem ser ainda mais agressivas, mais dominadoras, mais opressoras, pela sutileza com que se escondem no contexto institucional, nas relações sociais e nos significados simbólicos. É a ocorrência e a natureza de um desses tipos de violência, ou de práticas desrespeitosas, que ocorrem em instituições de saúde que queremos alcançar com esta pesquisa: a violência e o desrespeito vivido por mulheres em trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. Uma forma de violência que não é conscientizada como tal e que representa, de certa forma, um processo de dominação. Muitas vezes, atitudes de violência, desrespeito e maus tratos são observadas contra mulheres em trabalho de parto e parto sem ao menos que os profissionais de saúde percebam que estão agindo assim. São ações e condutas encaradas como “normais” e rotineiras. Essa violência pode ser expressa, de acordo com alguns pesquisadores, desde a negligência na assistência, discriminação social, violência verbal – tratamento grosseiro, ameaças, reprimendas, gritos, humilhação intencional – e violência física, até o abuso sexual. Outras pesquisas também incluem como um tipo de violência o uso inadequado de tecnologia, com intervenções e procedimentos muitas vezes sem a real indicação, resultando numa cascata de intervenções com potenciais riscos e sequelas, físicos ou emocionais.Consideramos como formas de violência ou tratamento desrespeitoso, nesta pesquisa, todo e qualquer processo, de ordem física ou psicológica, que tenha ocorrido sem consentimento da mulher em trabalho de parto, parto e pós-parto imediato; que tenha ocorrido de maneira abusiva; que tenha causado situação de embaraço ou constrangimento para a mulher; que represente intrusão de privacidade; que tenha representado ameaças de qualquer espécie proveniente do profissional da saúde e dirigido à parturiente e/ou seus acompanhantes; uso de relações de poder para impor práticas injustificadas; uso de palavras ofensivas e desrespeitosas ou de ironia e escárnio dirigidas à parturiente e/ou seus acompanhantes; e outras práticas que tenham sido problematizadas pelas mulheres que viveram situações de violência, desrespeito ou maus tratos e interpretadas como tais pelas mesmas.Uma pesquisa realizada em 2010 revelou que uma em cada quatro brasileiras relata ter vivido situações de violência e desrespeito em seus partos. Nós queremos ouvir essas mulheres, conhecer os contextos desrespeitosos de parto que viveram, saber como isso foi interpretado por elas, sua percepção desta vivência. E vamos usar as ferramentas da internet para isso. As entrevistas serão feitas via comunicadores instantâneos da internet que permitam uma videochamada e se iniciarão no primeiro semestre de 2012. Acreditamos que a amplitude que a internet traz facilitará a participação de muitas mulheres, de diferentes locais, inclusive as que estão comprometidas com seus trabalhos ou filhos, ou os dois, que terão a liberdade de agendar as entrevistas de acordo com sua disponibilidade, sem ter que se deslocar a nenhum outro lugar.O convite à participação na pesquisa foi lançado em 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência Contra as Mulheres, e se estenderá durante todo o desenvolvimento desta pesquisa, que pretende se encerrar em 2015. Nesse convite, mulheres que tenham se sentido desrespeitadas em seus partos podem inserir seus e-mails de contato e serão contatadas para que maiores informações sobre a pesquisa sejam fornecidas. A pesquisa faz parte do desenvolvimento do doutorado em Saúde Coletiva de Ligia Moreiras Sena, que está sendo realizado na Universidade Federal de Santa Catarina, no Departamento de Saúde Pública.
