Existem formas de violência que vão além da força física e que, ainda assim, podem ser ainda mais agressivas, mais dominadoras, mais opressoras, pela sutileza com que se escondem no contexto institucional, nas relações sociais e nos significados simbólicos. É a ocorrência e a natureza de um desses tipos de violência que ocorrem em instituições de saúde que queremos alcançar com esta pesquisa: a violência vivida por mulheres em trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. Uma forma de violência que não é conscientizada como tal e que representa, de certa forma, um processo de dominação.
Muitas vezes, atitudes de violência, desrespeito e maus tratos são observadas contra mulheres em trabalho de parto e parto sem ao menos que os profissionais de saúde percebam que estão agindo assim. São ações e condutas encaradas como “normais” e rotineiras.
Essa violência pode ser expressa, de acordo com alguns pesquisadores, desde a negligência na assistência, discriminação social, violência verbal – tratamento grosseiro, ameaças, reprimendas, gritos, humilhação intencional – e violência física, até o abuso sexual.
Outras pesquisas também incluem como um tipo de violência o uso inadequado de tecnologia, com intervenções e procedimentos muitas vezes sem a real indicação, resultando numa cascata de intervenções com potenciais riscos e sequelas, físicos ou emocionais.
Consideramos como formas de violência ou tratamento desrespeitoso, nesta pesquisa, todo e qualquer processo, de ordem física ou psicológica, que tenha ocorrido sem consentimento da mulher em trabalho de parto, parto e pós-parto imediato; que tenha ocorrido de maneira abusiva; que tenha causado situação de embaraço ou constrangimento para a mulher; que represente intrusão de privacidade; que tenha representado ameaças de qualquer espécie proveniente do profissional da saúde e dirigido à parturiente e/ou seus acompanhantes; uso de relações de poder para impor práticas injustificadas; uso de palavras ofensivas e desrespeitosas ou de ironia e escárnio dirigidas à parturiente e/ou seus acompanhantes; e outras práticas que tenham sido problematizadas pelas mulheres que viveram situações de violência, desrespeito ou maus tratos e interpretadas como tais pelas mesmas.
Uma pesquisa realizada em 2010 revelou que uma em cada quatro brasileiras relata ter vivido situações de violência e desrespeito em seus partos.
Nós queremos ouvir essas mulheres, conhecer os contextos desrespeitosos de parto que viveram, saber como isso foi interpretado por elas, sua percepção desta vivência. E vamos usar as ferramentas da internet para isso. As entrevistas serão feitas por e-mail ou via comunicadores instantâneos da internet que permitam uma videochamada e se iniciarão no primeiro semestre de 2013.
Acreditamos que a amplitude que a internet traz facilitará a participação de muitas mulheres, de diferentes locais, inclusive as que estão comprometidas com seus trabalhos ou filhos, ou os dois, que terão a liberdade de agendar as entrevistas de acordo com sua disponibilidade, sem ter que se deslocar a nenhum outro lugar.
Nós queremos ouvir essas mulheres, conhecer os contextos desrespeitosos de parto que viveram, saber como isso foi interpretado por elas, sua percepção desta vivência. E vamos usar as ferramentas da internet para isso. As entrevistas serão feitas por e-mail ou via comunicadores instantâneos da internet que permitam uma videochamada e se iniciarão no primeiro semestre de 2013.
Acreditamos que a amplitude que a internet traz facilitará a participação de muitas mulheres, de diferentes locais, inclusive as que estão comprometidas com seus trabalhos ou filhos, ou os dois, que terão a liberdade de agendar as entrevistas de acordo com sua disponibilidade, sem ter que se deslocar a nenhum outro lugar.
O convite à participação na pesquisa foi lançado em 25 de novembro de 2011, Dia Internacional da Não Violência Contra as Mulheres, e se estenderá durante todo o desenvolvimento desta pesquisa, que pretende se encerrar em 2015.
Nesse convite, mulheres que tenham se sentido desrespeitadas em seus partos podem inserir seus e-mails de contato e serão contatadas para que maiores informações sobre a pesquisa sejam fornecidas.
A pesquisa faz parte do doutorado em Saúde Coletiva de Ligia Moreiras Sena (mestre em Psicobiologia pela USP, doutora em Farmacologia pela UFSC) e está sendo realizada no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina, sob orientação do Prof. Dr. Charles Dalcanale Tesser (UFSC) e co-orientação da Profa. Dra. Simone Diniz (Depto. Saúde Materno-Infatil, USP).
Nesse convite, mulheres que tenham se sentido desrespeitadas em seus partos podem inserir seus e-mails de contato e serão contatadas para que maiores informações sobre a pesquisa sejam fornecidas.
A pesquisa faz parte do doutorado em Saúde Coletiva de Ligia Moreiras Sena (mestre em Psicobiologia pela USP, doutora em Farmacologia pela UFSC) e está sendo realizada no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina, sob orientação do Prof. Dr. Charles Dalcanale Tesser (UFSC) e co-orientação da Profa. Dra. Simone Diniz (Depto. Saúde Materno-Infatil, USP).
COMUNICADO IMPORTANTE
Nós prorrogamos a fase de início das entrevistas. Isso porque o número de mulheres que manifestaram o desejo de serem entrevistadas é muito maior do que esperávamos inicialmente. Assim, estamos adaptando o questionário para possibilitar a participação maciça de todas.
TODAS QUE SE INSCREVERAM SERÃO ENTREVISTADAS. Ainda que haja certa demora, nós entraremos em contato com cada uma.
Caso você tenha passado por violência no parto e queira dar seu depoimento, basta clicar aqui e entraremos em contato com você via e-mail. Obrigada.
AÇÕES RELACIONADAS
Ser pesquisador(a) em saúde coletiva envolve mais que pesquisa científica. Envolve também ação concreta sobre a realidade. Assim, muitas ações estão sendo desenvolvidas com o objetivo de desnaturalizar a violência obstétrica, dar voz às mulheres que viveram essas experiências, promover discussão coletiva sobre o assunto, entre outras ações realizadas por pesquisadoras, professoras, alunas, mulheres ativistas, militantes e todos aqueles que lutam contra a violência em saúde e em prol da humanização do parto e nascimento.
Veja aqui algumas das ações realizadas nesse sentido:
- Em 08 de março de 2012, Dia Internacional da Mulher, Ana Carolina Franzon, co-editora do blog Parto no Brasil e mestranda em Saúde Pública pela USP e Ligia Moreiras Sena, autora deste blog, coordenaram uma ação virtual contra a violência obstétrica institucional. Trata-se do TESTE DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA. O teste esteve ativo durante mais de 40 dias coletando respostas, tendo sido divulgado e compartilhado por mais de 70 blogs brasileiros. Os resultados da ação foram divulgados em 21 de maio do mesmo ano. Você pode acessar os resultados clicando aqui. O objetivo maior dessa ação foi problematizar a grave e delicada questão da violência institucional à qual tantas mulheres são submetidas durante o nascimento de seus filhos, desnaturalizando essa prática que vai contra os direitos humanos e levando a comunidade virtual a discutir o assunto, objetivos que foram amplamente alcançados.
- A partir dos resultados do Teste da Violência Obstétrica, foram gerados dois trabalhos acadêmicos, que foram apresentados em novembro/2012 no Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, realizado em Porto Alegre, SC.
- Entre outubro e novembro de 2012, Ligia Moreiras Sena, Ana Carolina Franzon, Bianca Zorzam e Kalu Brum promoveram uma ação via mídias sociais visando convidar mulheres que foram violentadas no nascimento de seus filhos para enviarem seus depoimentos em forma de vídeos caseiros. Os vídeos foram compilados e deram origem ao vídeo-documentário popular "VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA - A VOZ DAS BRASILEIRAS", que foi lançado no Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva em novembro /2012 e amplamente divulgado dia 25 de novembro do mesmo ano, dia internacional de combate a todas as formas de violência contra a mulher. Assista. Reproduza. Compartilhe. Organize grupos de apresentação. Ajude a problematizar coletivamente essa questão tão séria.
NOTA IMPORTANTE: a ilustração que abre essa página foi criada por Ligia Moreiras Sena para representar a pesquisa sobre violência obstétrica e desenhada pelo jornalista, chargista e ilustrador Frank Maia, seu companheiro.